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Terminologia na revisão de teses

Corpus, terminologia e teses: a revisão moderna

Vamos tratar da importância da terminologia para a revisão de textos acadêmicos segundo as visões que temos da questão, considerando opiniões dos revisores profissionais de nossas relações e nossos colaboradores. Não se trata de nenhum estudo sistemático, apenas fazemos o registro de questões que temos observado e de algumas indicações de caminhos para problemas práticos.
O “termo” deveria ser preocupação central na prática de revisão de teses, dissertações e artigos científicos, posto que é fundamental para o revisor ter conhecimento adequado de seu conceito e uso em cada contexto específico. Como tudo que tem aportado à teoria e à prática de revisão de textos nas últimas décadas, há estudos precedentes mais aprofundados e uso mais sistemático na área da tradução. Até hoje não compreendemos o motivo pelo qual a revisão, como campo do conhecimento, ficou tão relegada em relação à tradução – principalmente sendo áreas que têm muitos paralelos. Resta-nos aceitar essa condição e, aproveitando o conhecimento teórico-prático dos tradutores, conformá-los à revisologia. Portanto, os estudos terminológicos são basilares para a prática e bastante avançados teoricamente na área da tradução, porém, bem mais incipientes em nosso campo linguístico.
A terminologia é um conjunto de conhecimentos necessários a revisor de teses.
A pesquisa terminológica é parte das atribuições de um revisor de teses e dissertações.
As áreas da linguística do discurso, da revisologia e da revisão de teses possuem mais afinidades que se poderia pensar, um dos pontos comuns é que todas carecem de maior reconhecimento e consolidação. Assim, da mesma forma que a linguística foi progressivamente ampliando seu objeto de análise, é necessário que a revisão de teses evolua da intervenção gramatical para a intervenção global, macrotextual, alcançando os capítulos, a retórica o discurso da tese, por exemplo. Para tanto, é essencial a mudança de foco que assuma a revisão como prática social exercida em determinado contexto de atividade, e em ações dialógicas de linguagem evolvendo cada um dos participantes na produção textual, todos se encontrando representados ponderadamente no texto final. Tal concepção, aplicada à revisão de teses, pode ser associada a diversos pressupostos teóricos do interacionismo dialógico, no sentido de caracterizá-la como processo de mediação concorrente na polifonia da produção dos textos. Entretanto, o maior problema para os revisores profissionais não é transformar a visão que têm de si como coparticipes – ainda que essa dificuldade subsista, mas a grande questão será sempre exteriorizar essa ótica, fazer com os clientes tomem consciência efetiva do papel do revisor; inclusive, trata-se de questão relacionada ao marketing profissional.
A dificuldade específica, de que vamos tratar aqui, é demonstrar a utilidade dos pressupostos teóricos e dos instrumentos da terminologia na práxis da revisão, assim como a proficuidade inerente à abordagem integrada da revisão de teses, que encare os textos como objetos complexos e unidades comunicativas, associadas a determinada atividade social, de que constituem representante pragmático. Para o efeito, tem sido possível concluir que os princípios epistemológicos e metodológicos da tradutologia podem constituir contributos valiosos para o enriquecimento da revisão de teses como atividade social de linguagem, sendo cada vez mais adequado e necessário fazer cruzamentos entre análises linguística e textual, inclusivamente em virtude da natureza semiótica de muitos textos acadêmicos.
Partindo do princípio difuso segundo o qual toda a produção linguística depende da atividade em que se insere, é possível considerar que a falta de referencial teórico-empírico relativamente a cada ramo de ação e conhecimento favorece a ocorrência de indefinições e incoerências linguísticas. A desvalorização da revisão de textos na academia e no mercado, além de prejudicar a própria atividade de produção científica, se potencializa na indefinição terminológica no que diz respeito às práticas vigentes. Aqui estamos tratando sim, de um problema metaterminológico: a revisão e a terminologia não se situam bem entre os termos de suas próprias práticas e permaneces insuficientes em relação à terminologia geral.
A revisão de teses está sujeita aos condicionalismos inerentes ao contexto acadêmico de que faz parte, entretanto, continuamos a perceber que não existe consenso quanto à compreensão do termo “revisão”, nem dentre os que a praticam (ou supõem praticar), muito menos dentre os poucos autores que reconhecem a necessidade do serviço, podendo o conceito implicar vasto conjunto de tarefas (copidesque, preparação, formatação, crítica, coorientação) e ser utilizado em diversas áreas (ensino, pesquisa, imprensa, publicidade, tradução, editoração).
A invisibilidade da atividade de revisão, já tão decantada entre nós, contrasta sempre com a multiplicidade de palavras e expressões utilizadas pelos profissionais do setor: algo que os revisores construímos é repertório léxico. Nossas leituras e publicações nos permitiram reunir várias dezenas de termos em português, que remetem à prática da revisão, que a descrevem ou a caracterizam, mas que raramente são usados de modo coerente. Muitas vezes, identificamos termos que, apesar de se referirem a procedimentos diversos, são utilizados como sinônimos; da mesma forma, constatamos a existência de conceitos diferentes, que se referem às mesmas operações. Essa imprecisão não é privilégio da língua portuguesa, já que coexistem várias designações imprecisas para situações correlatas também em espanhol, inglês, francês, alemão… Aqui estamos identificando um problema terminológico da prática que deviria tratar de si, antes de tratar de problemas correspondentes dos objetos a que se aplica o exercício. Mas não nos é dado solucionar tais problemas, as questões de terminologia são insanáveis sem muito pragmatismo; seria necessário um “congresso mundial de revisores” que adotasse terminologia coerente, não temos esse poder. Todavia, constatamos a lacuna.
No sentido de atender à demanda, a necessidade seria elencar os vários termos já registados, na tentativa de os categorizar, distinguindo-os ou agrupando-os, de acordo com os critérios que se estabeleçam. De certo modo, temos feito isso em diversas obras nossas, paulatinamente com mais acuro. Tais critérios poderiam se basear na abordagem descendente dos procedimentos referenciados, tendo em conta o quadro teórico e metodológico da dialogia. A reflexão sobre as práticas revisórias pode contribuir para melhorar compreensão das formas linguísticas que as designam, sobretudo, segundo a perspectiva da revisão de textos como atividade social e de linguagem. Trata-se, naturalmente, de trabalho a ser feito, mas que é relevante no sentido de que os revisores precisamos nos entender quanto aos termos de nosso mister, tendo em conta as definições circulares e inconstantes dos documentos acadêmicos que discutem a atividade de revisão. Esse trabalho pode ser o primeiro passo, para, em seguida ampliarmos nossa visibilidade em relação a clientes efetivos e potenciais, de acordo com posturas mais modernas.

Perspectivas da terminologia na revisão de teses

Nossa proposição será considerar brevemente sobre como os profissionais de revisão de teses (daqui em diante, usaremos essa palavra no sentido de todos os textos acadêmicos dissertativos similares, ainda que de maior brevidade) lidam com termos específicos das diversas áreas nas quais eles realizam a atividade de revisor.
O interesse em realizar essa breve observação se deu por causa de problemas recorrentes que temos encontrado nas teses em relação à repetição de palavras; frequentemente, é necessário fazer a substituição de um termo por um sinônimo, mas os autores relutam em aceitar, alegando que se trata de “termo técnico” quando o que ocorre é a escassez de vocabulário. Então é necessário explicar para ao autor do texto que, naquele segmento, ficaria mais fluente a leitura com a utilização do termo sinônimo. Para tanto, caberia procurar outro termo que fosse capaz de substituir o que está em uso excessivo sem haver a descaracterização da noção explicitada. As questões que se referem às teses, nesse aspecto, também as encontramos em nossos próprios escritos. Por exemplo, em um dos livros que publicamos, o mais extenso, em certo momento havia cerca de 1600 empregos da palavra “texto” – afinal, é nosso objeto de trabalho e, em nosso contexto, termo técnico muitas vezes insubstituível; todavia, suprimindo alguns e alternando com “documento”, “escrito”, “original” e outros vocábulos cabíveis o total foi reduzido para menos de 600. Eliminamos mais de 1000 ocorrências repetidas de um termo central em nossa obra. Nem sempre foi possível, nem sempre cabe, mas é absolutamente desagradável a leitura em que os termos focais se repetem ad nauseam.
Diante desse quadro, procuramos trabalhos que analisassem, à luz dos estudos em terminologia, a atividade de revisor de textos técnico-científicos. A literatura existente é exígua, não leva em conta os estudos terminológicos. Por isso, tomaremos de início algumas breves concepções em torno dos estudos terminológicos para, em seguida, investigarmos os trabalhos sobre a prática aplicável à revisão de texto. Consideraremos o modo pelo qual a terminologia de base textual pode vir a auxiliar o revisor com documentos técnico-científicos.

Terminologia acadêmica e científica

A definição clássica de a terminologia a compreende como a área de estudos que tem no “termo técnico-científico” seu objeto central de análise, admitindo que esse elemento seja capaz de representar e transmitir o conhecimento especializado, bem como que esses termos, em seus sentidos “próprios” (apropriados por cada campo do conhecimento) sejam não só necessários como indispensáveis. Nesse sentido, considera-se ainda que a terminologia seja campo de conhecimento tanto normativo quanto descritivo, de acordo com a perspectiva.
A pesquisa clássica sobre terminologia a situava como campo científico específico definido por seus métodos, tecnologia e lógica aplicado a cada campo gnosiológico. Nessa perspectiva, haverá uma linguagem para cada campo técnico ou científico específico, como a terminologia técnico-profissional da biologia, que contém “apenas” termos científicos nesse campo. Essas questões, bem como as proposições que lhe são inerentes têm forte ranço positivistas e sua evolução segue pela mesma senda; tenha-se em conta que um dos pontos a se notar seria a postulação de que “terminologia”, grafada com “T” maiúsculo, refere-se ao campo de conhecimento e, com “t”, minúsculo, é palavra que se refere ao conjunto de termos de casa especialidade, ou seja, “Terminologia” se usaria para designar o campo de estudos do Léxico, já “terminologia” no sentido dos termos utilizados por determinada área de conhecimento.
A Teoria Geral da Terminologia foi concebida por Eugen Wüster (1898-1977). Para ele, a terminologia teria função normalizadora das chamadas línguas de especialidade. Aqui se estabelece uma diferença forçada entre normalizar e normatizar: normalizar compreende aparelhar as línguas para todas as formas de expressão, sobretudo a expressão técnico-científica, ao passo que normatizar diz respeito à fixação de determinada expressão como mais adequada (independentemente do contexto?).
Wüster colaborou na compilação e publicação da primeira edição do International Electrotechnical Vocabulary (Londres, 1938). A versão atualizada desse vocabulário está disponível na internet. Ele também trabalhou em problemas de bibliografia, na reforma da ortografia alemã, no sistema de Classificação Decimal Universal, em problemas de informática. Ele era especialista em serras, editou um dicionário padrão de sobre o assunto, também disponível online. Em 1971, Wüster iniciou a fundação do Infoterm, que apoiou proativamente até sua morte. Ele acreditava, com base em suas reflexões, que, ao serem criados termos específicos com apenas um conceito bem estabelecido e unívoco, haveria também a criação de uma língua específica. Entretanto, os estudos linguísticos não dariam conta de observar esse tipo de uso bastante específico do léxico – se é que isso seria possível. Essa posição conceitual decorria da “necessidade” de estabelecer a terminologia como área independente, embora a terminologia permanecesse sendo campo interdisciplinar dos estudos linguísticos, lógicos e ontológicos que se convergem para a constituir. Seguindo a teoria proposta, surgem os primeiros estudos em terminologia. Porém, a abrangência interdisciplinar dessa concepção esbarra no propósito padronizador dos estudos que foram feitos. A padronização terminológica seria necessária para a “perfeita intercomunicação” (pura ideação) científica e técnica internacional, unificando, assim, os métodos da terminologia. Nos campos das ciências naturais como a biologia e a medicina, muitos termos são denominados em grego e latim, ainda havendo muitos radicais das línguas clássicas nos termos técnicos dessas e de outras áreas. A razão pela qual o grego e o latim têm escolhidos para especificar os chamados termos técnicos e científicos é que essas línguas têm sido usadas universalmente para criar vocabulário artificialmente, evitando fenômenos linguísticos de significação, como sinônimos e ambiguidades, e contornando questões políticas eventualmente decorrentes do emprego de termos nessa ou naquela línguas vivas.
Mesmo que tentemos criar alguma terminologia técnica estabilizada, para facilitar a comunicação, ainda temos diferenças nas diferentes línguas. Em alguns países, o significado e o uso de certos termos e conceitos são muito diferentes dos usados no Brasil: um exemplo é o conceito de ovário, que não se encaixa tecnicamente entre o português brasileiro e o inglês britânico; mas nem pretendemos tratar desse tipo de exemplo, que está mais na seara da tradução. Ademais, fixar conceitos com base em termos “estáveis”, ou a tentativa de o fazer, parece ser pôr de lado dois fenômenos concomitantes: as línguas são engenhos vivos de significâncias e significados intercambiantes; a ciência está em contínua transformação, sem os compartimentos estanques pleiteados pelo positivismo e, cada vez mais, disposta a diálogos transdisciplinares e mesmo à visão holística.
Observamos que o problema de terminologia linguística não é tão claro quanto se espera, ele inclusive perpassa a questão da divulgação científica. Quanto aos aspectos terminológicos, a linguagem pode até ser adaptada para o registro menos erudito, em obras de divulgação, mas o problema persiste e a comunicação é sempre mais complexa que a filosofia dos cientistas pode presumir. Vou resumir certo episódio que uma cliente nos contou, uma enorme falha comunicacional em trabalho de divulgação científica. Médica, a cliente contou que, quando estudante, foi com o grupo de colegas apresentar trabalho de prevenção contra DSTs em certa comunidade rural. Tudo novidade, apresentação com imagens e gente bonita, o salão da igreja ficou lotado para ouvir a palestra. Projeções, exemplos, ilustrações… Mas a luz do projetor, no ambiente rural, atraiu muitos insetos, alguns dos quais pousando na tela da projeção. Terminada a palestra, muito elogiada, foram-se todos. No dia seguinte, constatou-se que a comunidade havia entendido que aqueles insetos seriam os vetores das DSTs! Não sei as palavras que usaram, mas a estrutura intersemiótica da palestra levou o público ao terrível engano que teve que ser desfeito. Certamente, houve falhas terminológicas (que nomes teriam as doenças naquela comunidade?), mas o conjunto verbal e imagético, profanado pela fototropia dos insetos, transmitiu uma informação totalmente equivocadas. Inclusive teria havido certo pânico, as pessoas com medo das doenças que poderiam “pegar” dos insetos.
Nesse e em outros contextos, inclusive os das teses, a contribuição da teoria da terminologia não é suficiente para minimizar os limites dos problemas inerentes; o próprio vocábulo “terminologia” ainda carece de definição ou descrição e explicação de sua função. Da mesma forma, outras questões surgem, como a necessidade de compreender a importância de textos especializados para a pesquisa terminológica – o caso é que a maioria dos cientistas, cada um em seu campo, tem pouca preocupação com questões terminológicas. Como resultado, considerando que os textos profissionais são o elemento central da pesquisa especializada em linguagem, passamos a considerar o desenvolvimento do conceito “termo” em sentido próprio da abordagem textual da terminologia – e limitado a isso. Este novo modelo passa a denominado terminologia textual.
A relação entre terminologia e texto tem impacto importante na pesquisa da terminologia científica; com ela, passa-se a considerar não só o termo em si, mas também o próprio texto especializado. A partir dessa relação, promove-se a pesquisa terminológica, investigando as características e a natureza dos textos em áreas profissionais. A terminologia textual está relacionada à integração das componentes da textualidade e do discurso no quadro teórico-metodológico da terminologia, tendo como objeto principal a terminologia técnico-científica. Esse é nosso ponto de vista. A relação entre o texto e o termo permite que diferentes unidades de vocabulário sejam observadas em diferentes contextos, permitindo verificar a composição do termo e delinear sua função na comunicação geral e especializada. Portanto, podem-se observar os atributos que o termo deva ter.
Outra contribuição importante desse método é a identificação de frases contendo termos e estruturas de palavras e locuções principais que existem nas diversas unidades de terminologia especializadas e em todos os campos. Aponte-se aqui que não pensamos apenas com palavras, mas com frases ou locuções e que a integração desses elementos é que constituirá o texto. As pesquisas que focalizam apenas a estrutura morfossintática das linguagens profissionais deixam de estudar os diferentes significados que as unidades lexicais podem assumir, pois dependem das condições de produção e do conhecimento dos indivíduos que participam da comunicação profissional. Concordamos com a visão segundo a qual a terminologia é integrante dos textos das tese e, ainda nelas, sofre com essa relação restritiva quanto ao objeto: somente acessível àquele grupo social.
Cabem aqui algumas considerações quando à terminologia no direito, à guisa de exemplo. Ainda é comum, em teses dessa área, a confusão entre linguagem técnica e gongorismo. Ainda se confunde a utilidade do emprego de termos do direito romano, em latim, com a proliferação de brocados desnecessários naquela língua. O mesmo em relação a termos do direito civil britânico ou das filosofia alemã, que são pertinentes, mas ocorre abusos em importar termos e conceitos daquelas línguas com prefeita correspondência no vernáculo. Não bastassem esses e outros florilégios desnecessários, ainda são comuns os arcaísmos: outrossim, destarte, por exemplo, e o uso de mesóclises forçadas. Felizmente essa tendência pseudo-terminológica tem sido abolida nos estados do Sul, mas ainda é renitente no Sudeste.
Ainda no campo do direito, cabe apontar a ocorrência de muitas teses escritas por brasileiros para universidades portuguesas. Não exatamente um termo técnico, lembramo-nos de ter substituído o vocábulo “capixaba”, em algumas ocorrências, por “do estado do Espírito Santo”, no entendimento de que o termo original não teria muito sentido para o leitor português. Nesse intercâmbio, as palavras de cunho estritamente técnico não representam exatamente problema, pois os leitores de lá estão ambientados em textos daqui, e vice-versa.
Em tese da área de engenharia que revisamos para uma autora brasileira, outra ocorrência curiosa era a tentativa da autora de escrever em registro português, apesar de sempre terem aceitado o português brasileiro em todas as teses que revisamos para Portugal. O resultado foi o registro na ortografia portuguesa, com diversas construções portuguesas, em um texto obviamente de brasileiro, um hibridismo desnecessário, artificial e um tanto bizarro. Quanto aos termos técnicos, naquela obra, não haveria qualquer possibilidade de nossa interferência, total hermetismo da dupla autor-orientador, as palavras seriam as que estavam lá. Sobra para o revisor o menor esforço e a aplicação do princípio segundo o qual prevalece a vontade do cliente.
Se o foco principal da pesquisa terminológica é o termo, visando a comunicação profissional mais objetiva, menos afetada pela ambiguidade, mais eficiente porque ajuda a compreender os conceitos, objetos e processos expressos. Essa busca de precisão na transmissão de conceitos e ideias em textos acadêmicos se deve à meta de rigor do positivismo e à necessidade de suprimir as diferenças sutis no significado dos conceitos tratados. O uso de termos técnicos também contribui para a tradução técnica, pois, com o desenvolvimento dos meios de comunicação, os textos são mais facilmente difundidos pelo mundo.
A partir das últimas décadas do século XX, o desenvolvimento da terminologia, relacionada à proliferação de terminologias para o conhecimento científico e produtos técnicos, tornou-se bastante expressivo. A consequência direta é que os estudiosos se preocupam com o surgimento de grande número de conceitos e termos, muitos dos quais inteiramente globalizados. A comunicação profissional aumenta em intensidade e frequência de acordo com a escolaridade do público. Considerando que seja necessário realizar pesquisas, é necessário considerar nelas questões culturais ou socioeconômicas, linguagem, forma, principalmente questões de terminologia dicionarizada; a ampliação da lexicografia científica foi significativa nesse período, inclusive no que se refere aos bancos de terminologia para uso de tradutores; portanto, grandes esforços têm sido feitos nesse sentido, com significativo desenvolvimento da terminologia. Nessa visão, é possível entender a pesquisa terminológica como questão linguística, não como projeto ideal e homogeneizante, no sentido implementar a eficiência na comunicação limitada a especialistas, ignorando fatores linguísticos como sinonímia, falsos cognatos e historicidade das escrituras.
No que diz respeito à compreensão dos dicionários de ofício, é importante ressaltar que o conhecimento da terminologia é essencial para que os revisores de teses possam dialogar com os autores e a fim de compreenderem os jargões profissionais. O termo fornece as ferramentas necessárias para consultar diretamente os profissionais que trabalham com linguagem profissional, como redatores e tradutores técnicos e, claro, revisores. Nessa perspectiva, nossa sugestão é fortalecer a discussão sobre o modo pelo qual os revisores do manuscrito lidam com o dicionário profissional, bem como buscar sugestões de abordagens para os autores acadêmicos poderem contar com os revisores, por exemplo, quando surgirem problemas como os das repetições.

Terminologia na prática de revisão de teses

Equivocadamente, a prática da revisão é considerada atividade simples, mesmo tendo sua importância negada por muitos escritores. Em geral, pode-se dizer que quem relê seu texto e faz ajustes ortográficos, semânticos ou de estilo o está revisando. Embora essas tarefas sejam comuns, considerando que o texto deve primeiro ser revisado do ponto de vista normativo, a tese ainda deve ser submetida a uma série de regras que estipulam padrões de discurso e retórica textual inalcançáveis pelo leitor ordinário. Além disso, a revisão é atividade muito desvalorizadora, tanto em termos de revisão da importância da qualidade do texto, quanto em termos financeiros.
Muitos autores consideram que seu público nem mesmo lerá o texto com atenção ou, mesmo que o leiam, não alcançarão questões gramaticais simples como concordância, regência, coesão, coerência. Mais equivocados estão os mestrandos e doutorandos que supões que a banca vai atentar apenas ao conteúdo da dissertação ou tese: essa suposição só é possível para quem nunca assistiu a uma defesa, o fato é que as os examinadores, por mais químicos ou biólogos que sejam, estarão superatentos aos problemas gramaticais e, mais ainda, à coerência textual e intersemiótica. Eles anotarão incontáveis lapsos que o autor não viu porque memorizou o texto, por se lembrar do que deveria ser dito, então ele não vê problemas de linguagem e de lógica interna.
Por outro lado, ainda há quem afirme, em completo equívoco, que, desde que o autor do texto possa fazer mudanças de maneira contínua, atenta e crítica, ele pode fazer a revisão de sua tese; existem publicados inclusive inúmeros roteiros para isso. Nesse sentido, se o autor do texto analisa continuamente, ou seja, lê com atenção, faz autocrítica e corrige quando algo dá errado, isso é muito útil, aconselhável, e os roteiros que se apresentam são, inclusive, ótimas ferramentas para procedimento – todavia, trata-se sempre de reescrita, esse é o termo que usamos para qualquer retorno do autor a seu original. Temos repetido isso exaustivamente: ninguém pode revisar o que escreveu. Revisão requer alteridade: pares de olhos que não acompanharam a redação para ver o que os autores não veem mais. O autor está sempre excessivamente familiarizado com o texto, ele deve ter cuidado como o que escreve e reescreve, entretanto, depois de muito reler e reescrever não ele verá problemas que serão óbvios para o leitor profissional cujos olhos estejam “virgens” para o original. No caso das teses, é bastante comum que os orientadores vão apontando os problemas, inclusive gramaticais, que encontrem; contudo, mesmo que os orientadores sejam linguistas profissionais eles terão proximidade excessiva com o texto, estarão “contaminados” pelas sucessivas leituras e terão a atenção desviada pelo objeto da tese. Orientadores não são revisores, não é a função deles, ainda que sejam linguistas e escritores experientes.
Ocorre aqui um episódio que aconteceu há bastante tempo, que pode ilustrar um pouco esses aspectos. Revisávamos uma tese para universidade cubana, em espanhol, na presença conjunta do orientador e do autor – circunstância ímpar. Em dada passagem, deparamos com o termo virtù e o orientador indicou que deveria estar grafado virtud, como é correto em espanhol. Eu expliquei que a grafia do autor estava correta, pois ele se referia ao conceito maquiavélico, o registro estava em italiano. O autor, muito surpreso, perguntou como sabíamos daquilo, ao que respondemos: “é nosso ofício saber tais coisas”. Não só nós, revisores, sabemos de nosso ofício, todo profissional sabe de seu ramo coisas que outros não sabem. Todo profissional ganha por aquilo que sabe.
Não obstante, além de o trabalho do revisor ser subestimado, tanto em relação ao que ele executa quanto ao que ele sabe e propõe, os clientes sempre acham o custo elevado. Isso ocorre porque, como não há requisitos legais específicos de formação superior para revisores, a função costuma ser desempenhada por pessoas com formação em comunicação social ou literatura, mas qualquer pessoa que se proponha a tal pode reler o trabalho do outro. Assim, mesmo que não haja os conhecimentos necessários, qualquer profissional “pode” exercer as atividades de revisor, pois não há normas para exercício; ao contrário da corrente geral, entendemos que não deve mesmo haver, somos contrários à exigência formal de registros de ofícios e corporações, as pessoas podem aprender revisão de qualquer modo, inclusive autodidaticamente, e a fiscalização do Estado não contribuirá na qualidade do serviço ofertado. Do ponto de vista terminológico, que formação acadêmica fornecerá os subsídios linguísticos e léxicos para que alguém revise teses de medicina e engenharia? Nenhuma. Nem mesmo a formação direcionada à revisão suprirá a demanda de revisores de teses, já existem graduações com esse foco, recentes, e a pós-graduação já detectou esse mercado há bastante tempo, contudo, a formação do revisor especializado em qualquer área de conhecimento é iminentemente prática, nenhum curso supre a base terminológica necessária, e não vimos nenhuma disciplina de terminologia teórica sendo ofertada nesses cursos; pode ser que haja. Infelizmente, a formação universitária de revisores que temos visto é mais focada em reforço gramatical ou teoria – o que é necessário, mas a prática é insubstituível.
Por tudo isso, não basta falar e escrever a língua corretamente e ter conhecimento geral de sua gramática para desempenhar as atividades de revisor, a atividade exige muitos outros conhecimentos, até a chamada educação básica adequada terá sido importante para um revisor eficiente. Dessa forma, de acordo com hábitos culturais arraigados, se as atividades de revisão ainda são entendidas como atividades que servem apenas para “correção” das questões gramaticais, muitos que se apresentam como revisores deixam de lado a intenção e o estilo do autor, e muitos autores não aceitam que o revisor passe além da interferência resolutiva mecânica.
Portanto, as atividades de revisão têm muitos aspectos técnicos e específicos do idioma que apenas profissionais treinados podem realizar. Ressaltamos também que, aliada à pesquisa de texto, comunicação e linguagem formal, a terminologia é área de extrema importância para a atividade de revisão de teses.
A combinação de estudos de caso e análises qualitativas nos permite ter visão geral do trabalho desses revisores. Enfatizamos que não estamos tentando generalizar ou determinar como os revisores lidam com termos específicos em diferentes áreas de suas atividades de revisão. Entretanto, pretendemos dar o primeiro passo para questionar o modo pelo qual revisores de teses percebem a relevância da terminologia para seus trabalhos.

Visão do revisor de teses

Em primeiro lugar, é importante destacar que os textos técnico-científicos aqui citados pelos revisores pertencem aos chamados textos científicos, especialmente os trabalhos de conclusão de curso, as dissertações de mestrado e as teses de doutorado. No entanto, sabemos que existem vários outros gêneros com características técnico-científicas, como artigos, comunicações, relatórios, por isso são considerados textos técnicos e científicos e, muitas vezes, muitas vezes temos nos referidos a todos esses subgêneros como teses, compreendendo que a maior diferença entre as diversas denominações é escalar: todos têm, mais ou menos, a mesma retórica.
Pensar em como os revisores percebem sua própria prática e como lidar com a terminologia dos diferentes campos em que realizam atividades de revisão é muito importante para reconhecer a visão dos profissionais que se dedicam à revisão da literatura técnico-científica. Como queríamos entender uma tendência, em vez de determinar categoricamente a relação entre o trabalho de revisão de teses e a terminologia, consideramos aqui que outros objetos textuais de pesquisa e análise também são muito importantes para a terminologia textual, mas fogem de nosso escopo. Em nossa perspectiva, o texto é o principal símbolo linguístico, portanto, os aspectos textuais da tese (por exemplo, coesão, discurso, terminologia, retórica) devem ter o mesmo status face todas as etapas editoriais.
É fácil distinguir termos técnicos de palavras comuns, entretanto, embora geralmente seja clara a tecnicidade, no decorrer do texto, ocorre de o revisor descobrir que certo termo representa determinado conceito que não coincide com o senso comum. Ao entrar no campo profissional, determinada unidade de vocabulário pode se tornar termo técnico, com sentido próprio ou mais restrito, por exemplo, roubo no sentido comum tem sentido amplo, em direito ele se distingue de furto, essa é a forma de determinar o status de termo, usar palavras de língua corrente com valor especial.
O revisor de tese deve compreender os possíveis significados do termo, pois, dependendo do contexto em que ele for usado, o termo pode mudar de significado para construir o contexto. Em caso de dúvida, o revisor vai perguntar ao autor ou pesquisar em trabalhos relacionados. Em alguns casos, os termos técnicos não se limitam a áreas específicas. Por exemplo, o substantivo “cultivar”, do campo da agronomia, significa determinada subespécie planta, “uma cultivar de soja”. No entanto, o termo é usado com mais frequência como verbo. Porém, esse termo tem específico no contexto em análise, pois, mesmo no campo da agronomia, o termo cultivar também é utilizado no sentido de verbal.
Se o revisor não consegue entender o significado do termo na tese, o mais simples é solicitar explicação ao autor como recurso para resolver o problema, as revisões atualmente são feitas com bastante interação autor-revisor, mais um ganho que a internet nos proporcionou. A solução simples e satisfatória é consultar o autor.
Quanto à preocupação com a grafia do termo e para ter certeza e segurança de sua forma escrita, o profissional consulta se o termo se repete ao longo do texto, bem como verifica em outros trabalhos a ocorrência de unidade terminológica. Tal preocupação mostra bem a atenção necessária às de questões que envolvem a variação ortográfica no uso de termos. Pare efeito de pesquisa da terminologia dos usos, recorremos aos corpora linguísticos (plural de corpus linguístico) o conjuntos de textos escritos e registros orais em uma determinada língua, ou de determinada área do conhecimento que nos serve de referência. Os estudos de corpora apresentam têm muita serventia na revisão, podemos examinar neles vasto material que foi produzido espontaneamente na fala e na escrita, assim como nos possibilitam fazer observações precisas sobre o uso real dos termos, podendo verificá-lo em diferentes abonações. Os corpora proporcionam informações altamente confiáveis sobre os fatos linguísticos. A linguística de corpora é altamente relevante para os estudos terminológicos e para a revisiologia, constituindo base bem mais realista que a pretensão de criação de bancos terminológicos estanques, do advento da terminologia clássica.
Enfatizamos que os revisores precisam entender o significado dos termos para saber como tornar o texto coeso e coerente. Então, a atividade de revisão de teses depende da compreensão da terminologia pelos profissionais.
A repetição do termo na íntegra e o uso do termo na definição são aspectos que o revisor observa para determinar quando se trata de termo técnico ou palavra de uso comum. A atividade de revisão não é apenas verificar a exatidão do texto com base nos costumes culturais de determinada língua escrita. O trabalho do revisor é entender que a terminologia (como palavras) será diferente em denominações e planos conceituais. Na pesquisa terminológica, os aspectos da linguagem são reconhecidos pela terminologia social, teoria da comunicação terminológica, métodos textuais e teorias cognitivas sociais atualmente chamadas de terminologia.
O uso adequado da terminologia em cada área do conhecimento é necessário para se complementar a adequada revisão de teses. Os termos são unidades semânticas que podem ter diferentes significados, dependendo do contexto em que são usados. Portanto, ao compreender como a prática da revisão resolve as dificuldades de uso de determinado vocabulário, o revisor não só precisa resolver os problemas de ordem gramatical, coerência e coesão, mas também lidar com o conhecimento específico da tese. Os revisores devem estar atentos aos dicionários profissionais ao fazer a revisão de teses, a pesquisa terminológica fornece referencial teórico e subsídios práticos para toda a revisão de textos acadêmicos e tecnológicos.

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O texto acadêmico é um gênero muito específico. O suporte para formação acadêmica é, boa parte, o texto. São textos em que as informações são assimiladas e textos produzidos para demonstrar o conhecimento apreendido ou produzido. Quando se fala em produção científica , os primeiros critérios que vêm à cabeça são a quantidade e a qualidade de artigos produzidos. O conceito de qualidade, no entanto, geralmente leva em consideração apenas o fator de impacto dos trabalhos, a quantidade de vezes que são citados por outros cientistas. Mas outro tipo de qualidade vem sendo buscada pelos pesquisadores, inclusive para conquistar o fator de impacto: a qualidade textual, que depende do bom preparo e bagagem do aluno universitário, que permite a ele produzir trabalhos universitários com excelência, qualidade pode ser obtida mais facilmente ao se apoiar em uma minuciosa revisão do texto feita por um revisor profissional . A produção de textos é processo contínuo de realimentação e do qual a revis

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Como aumentar o número de leituras de seu artigo? Você gostaria que sua tese ou dissertação fosse muito lida e citada ao invés de ignorada? Claro, qualquer autor deseja isso! Acontece que, atualmente o número textos acadêmicos que encontramos em qualquer pesquisa é muito grande, enorme. A concorrência entre todos os autores, na busca pelo leitor, não tem tamanho. Claro que o mais importante sempre vai ser a qualidade do trabalho, e clareza das ideias e um texto bem limpo, mas o título tem que ser um ponto de destaque também! E existem técnicas para títulos atrativos , que fujam do enfadonho jargão acadêmico e que transmitam a mesma ideia com uma linguagem mais moderna e atraente; veja um exemplo de título à antiga – que eu jamais adotaria – para esta postagem: Questões de legibilidade, ergonomia visual e empatia em títulos de teses, dissertações e artigos acadêmicos: uma discussão propositiva de aplicação da técnica AIDA. Convenhamos, dá até preguiça de ler até o fim, mas você certame

A seleção do título no artigo científico

Título de artigo pode ser pedra angular na carreira Um artigo científico cujo titulo foi bem escolhido tem mais leituras e mais citações! Poucos refletem sobre os títulos de seus artigos científicos e até mesmo sobre os das teses. O revisor do texto poderá oferecer alternativas, mas considere um pouco os princípios que apresentamos.  O título do artigo científico deve ser definido, se possível, com o menor número de palavras para descrever adequadamente seu conteúdo. Digamos que ele seja o "cartão de visita" do trabalho. A maioria das pessoas que acessam o artigo não o lê completamente, um dos motivos que desencadeiam essa situação é um título desinteressante que não reflita o conteúdo do artigo com precisão e clareza. O título é parte de um texto, e parte importante, sobre a qual é necessária alguma reflexão e para cuja elaboração existem técnicas. Nunca despreze a importância do título. Primeiramente, pense bem sobre o conteúdo de seu trabalho, identificando termos releva

Estrangeirismos e redação acadêmica

O que é estrangeirismo? Por que a implicância? Pode-se ou deve-se usar estrangeirismos em teses e dissertações ? Existe linguagem científica sem estrangeirismos? Onde encontrar as palavras em português? Estrangeirismo ou peregrinismo é o uso de palavra, expressão ou construção estrangeira que não tenha equivalente vernácula em nossa língua. É apontada nas gramáticas normativas como um vício de linguagem , mas há muito esta é apontada como uma visão simplista por diversos linguistas, como Marcos Bagno , da UnB , John Robert Schmitz , da UNICAMP e Carlos Alberto Faraco , da UFPR .   (Wikipédia) Talvez seja conseqüência de um conjunto de fatores o que leva os brasileiros a imaginar como místicas e esotéricas as palavras ordinárias usadas no inglês para dar nomes às coisas. Nesse conjunto, constato a presença do deslumbramento pelos falantes de inglês, da ignorância da língua portuguesa, da ignorância da língua inglesa, da ignorância da cultura estrangeira, da ignorância de etimol