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Axiologia na revisão de teses

Axiologia e dialogia na revisão acadêmica

Pesquisa, escrita, revisão de tese

A revisão de trabalhos acadêmicos sempre foi objeto das pesquisas que fazemos, desde que nosso foco, como revisores e linguistas, se direcionou a esse gênero textual – ainda que sem prejuízo de outros, com os quais trabalhamos menos frequentemente. O estudo da revisão, como objeto de conhecimento da linguística, tem se ampliando ao longo de nossa práxis nesse mister, no específico segmento de mercado constituído pela produção escrita universitária; inclusive, o próprio texto acadêmico, tem sido, cada vez mais, objeto de estudos da linguística da revisão, o que pode ser parcialmente explicado pela proximidade que têm os investigadores com esse gênero. Sob a premissa do dialogismo na produção e revisão teses e dissertações, buscamos aqui refletir sobre a interação autor-texto-revisor que se realiza por meio do serviço de revisão linguística tomado em sentido bem amplo e em oposição à restrita revisão tipográfica de outrora. Fique claro que nossa concepção de dialogismo, além do que há de óbvio no termo, de domínio comum entre linguistas, compreende não só o questionamento recíproco, mas também e mais simplesmente, no diálogo, perceber-se as múltiplas personas do outro. O revisor é um dos múltiplos intercessores na polifonia que constitui o texto; se a atividade da revisão requer alteridade, o reconhecimento do outro se faz necessário e é de tal ponto que se parte para a adequada cooperação.
Não cabe ao revisor formular juízos sobre as teses.
O texto científico é produto de múltiplas influências, a revisão é mais uma delas.
Usamos nossa experiência de mais de vinte anos trabalhando com teses, dissertações e artigos para entender um pouco a teoria e metodologia da revisão de texto, desenvolvendo e aplicando métodos alternativos, em relação à revisão tradicional, que ajudem a consolidar a pesquisa linguística sobre revisão, aprimoram a produção de textos científicos e buscam orientar novos revisores no processo, com foco no aprimoramento de suas habilidades profissionais.
Desse modo, apresentamos alguns aspectos de nossa compreensão sobre as variáveis linguísticas e extralinguísticas que se seguem, em relação ao evento enunciativo constituído pela produção de textos acadêmicos que sobrevêm à de revisão que lhes compete.
Refletimos sobre a prática de revisão acadêmica para teses, dissertações e artigos científicos (doravante mencionaremos apenas tese, abrangendo os demais produtos da redação acadêmica) pautada em três eixos que concêntricos:
  • o dialogismo e a análise do discurso universitário;
  • a concepção axiológica de escrita como processo e como trabalho;
  • as pesquisas linguísticas sobre reescrita e revisão de textos.
A compreensão de cada um desses eixos faculta estabelecer a relação teoria-método que configura as características principiológicas da revisão acadêmica pautada pelo dialogismo e focando principalmente nas ações que revisores e autores esperam uns dos outros; essas ações combinam nossa visão sob a prática revisional. Quando identificamos a existência de diversos aspectos remanescentes na tese advindos do contexto oral ou de outros gêneros textuais, aportando de forma equivocada, direta, ampla e difusa, o interesse em realizar revisões acadêmicas na perspectiva do diálogo parte daí e de nossa observação sobre métodos de revisão interativa de texto. Construímos conhecimento e adotarmos a postura axiológica que parece ser adequada em ralação aos textos e à autoria, o que é importante para preservar o direito do autor de escrever com sua própria voz, aplicando ao escrito a intenção própria, aperfeiçoando o produto no que ele estiver ineficaz, ao reduzir ou eliminar os “vícios” de oralidade no texto canônico. Se a prática de “comentar”, anotar e marcar os escritos alheios deve ser consciente e adstrita aos limites éticos impostos, a liberdade expressiva do escritor, já tolhida no texto dissertativo acadêmico pelo cânone e retórica inerentes, a vontade do autor e seu interesse presumível, constituem a norma soberana pela qual o autor intercede, o cânone da revisão considera outras normas, além da preconizada pelo autor, somente sob específica demanda que configura renúncia.

Dialogia na revisão de teses

Ao revisor acadêmico, cabe o papel de avaliar continuamente a coerência entre as práticas linguageiras do autor, seu estilo, e a base retórica do gênero tese; o revisor deve se apropriar das etapas de produção textual e sua recursividade, como tal compreendida a propriedade das regras gramaticais que se reaplicam sucessivamente às estruturas resultantes de sua aplicação anterior, explicando assim o conceito teórico de sentença infinitamente longa, no plano da competência linguística; nesse sentido, cada segmento de texto tem estrutura fractal tendente ao infinito em quaisquer escalas; cabe ao linguista profissional avançar na interação com o autor ao longo da revisão. Na medida em que ele seja capaz de responsividade, cabe ao revisor atentar ao contexto de trabalho e a sua gênese, além de se colocar como colaborador que auxilia o autor em seu projeto de dizer, dando-lhe voz e autonomia, mas dar-lhe a voz que ele deseja, colocando seu discurso no lugar que ele pretende. Sem fazer-lhe eco. Para isso, o linguista emprega abordagens diversificadas de revisão, conforme as necessidades do objeto ou do autor específico, sempre a acompanhar o desenvolvimento de habilidades autorais, o que ocorre subsidiariamente.
Do autor, espera-se a compreensão do processo de revisão e de sua recursividade, da dialogia que se pode estabelecer, ao ter reconhecido seu estilo de escrita e ao revisor desenvolver estratégias de revisão linguística que preservem a personalidade e a intenção autorais. Cabe ao revisor de teses preservar as marcas do cliente como criador e revisar seu discurso sem se posicionar de forma crítica além do que requer a mediação linguista. No desenvolvimento da revisão, é frequente que o autor se aproprie de novos conhecimentos linguísticos de modo a aplicá-los aos textos, à moda da proposta do revisor, em distintas situações enunciativas, sem tornar a cometer os mesmos desvios (quando for o caso); esse tipo de aprendizado é comum quando o cliente recorre continuamente ao revisor, submetendo-lhe diversos escritos de sua lavra.
Nesse sentido, tem sido nosso procedimento submeter continuamente o texto em revisão ao autor, fazemo-lo pelo menos uma vez ao dia: à conclusão de nossa jornada, no caso de clientes que se ocupem de outros afazeres no período, de modo a que ele possa considerar nossos apontamentos à noite e, assim, já na manhã seguinte, tenhamos seu direcionamento, podendo dar sequência ao serviço. No limite, considerando que o cliente tenha disponibilidade completa para o acompanhamento, podemos estabelecer uma relação dialógica em tempo real, cliente e revisor acessando concomitantemente o mesmo documento, a distância, cada um em seu espaço de trabalho. Nessa circunstância especial, existe a possibilidade de recíprocas consultas sincrônicas e, inclusive, pode-se abrir uma janela de áudio, ou mesmo de vídeo, para discussões – quando convier. Não se refere exatamente à revisão, mas também é possível que os intercessores estejam fazendo, simultaneamente, diferentes procedimentos: o autor pode reescrever um capítulo, o formatador cuida de imagens e o revisor trabalha em outra parte do texto, tudo concomitantemente no mesmo documento, o que otimiza a administração da variável tempo – normalmente tão exíguo em relação ao prazo para depósito das teses.
Vale ressaltar a excelência da relação dialógica que se estabelece nessa interação sincrônica. Imagine-se a situação anterior, aquela em que o revisor anotava em hieróglifos à margem do manuscrito para que um datilógrafo, ou mesmo o autor, fizesse os lançamento no documento final… Nem há mais paralelo possível: aquele procedimento esteve no medievo da revisão.

Axiologia do enunciado escrito

Ao identificarmos, a partir dos princípios da revisão dialógica, que a efetividade da revisão não está ligada somente à aferição e aplicação de um emaranhado normativo, mas a vários outros elementos da enunciação, amplamente reconhecida como ato comunicacional, também consideramos a necessidade de refletir sobre as axiologias que permeiam esse modo de interação específico. Os elementos axiológicos estão presentes em todo evento enunciativo, trazem indícios sobre o contexto e situam falante e ouvinte, autor e leitor, acerca daquilo que não está dito ou escrito, mas que implica diretamente na produção de sentido.
O dialogismo, como princípio constitutivo da linguagem, toma a palavra, na revisão da tese, como reconhecimento do signo ideológico, sua preservação é inclusive necessária e, para o revisor, eclipsá-la ao revisar poderia até mesmo ser considerado contravenção ao interesse do autor. Sabemos que só há significação da palavra em seu uso, em determinado contexto; cada palavra da tese está em contexto, entretanto, axiologicamente, todas as palavras do discurso acadêmico também provêm de seu autor e refletem a visão de mundo dele, bem como espelham facetas de todos os intercessores que tangenciaram ou antecederam à escritura. O enunciado da tese é como um cenário de certo acontecimento, a chave para se acessar dada situação real específica de uso da língua, trata-se da elocução em que os atores e as circunstâncias da enunciação tornam possível chegar à completude do sentido, sendo que isso não pode ser subvertido no processo de revisão.
Nesse escopo, os revisores não discutem nem questionam os aspectos axiológicos, que, junto à palavra, constituem o enunciado. Contexto mútuo, o julgamento de valor está entre os principais conceitos axiológicos do escrito. Esse elemento da axiologia do enunciado é indissociável do próprio enunciado, visto que a natureza específica e sociológica da palavra é única e pode transformá-la, seja ela fato ou ficção.
A trama intertextual revela as condições temporais, espaciais e sociais sobre as quais se desenvolve a enunciação. Para que o enunciado promova a interação necessária entre o falante e o outro, faz-se pertinente que a malha do intertexto seja igual ou similarmente desfiada entre o falante e o ouvinte, o que permite a manutenção do elo enunciativo e da alteridade de papéis. Falante e ouvinte, autor e leitor, compartilham o horizonte espaço-temporal da enunciação, do conhecimento da situação e, em tese, de sua avaliação, da formação de juízos que se espera dos intérpretes (leitores). Dessa maneira, o enunciado concreto une os participantes da situação comum como coparticipantes que conhecem, entendem, avaliam e partilham a situação de maneira congruente ou, pelo menos, convergente quanto aos significantes. É o conhecimento da situação comum que vai garantir aos interlocutores a interação discursiva em seus contextos verbais e supertextuais. Essa situação, por sua vez, tem um mínimo de acabamento, de conteúdo reconhecível, entre os sujeitos envolvidos, para que possa haver a compreensão no jogo da linguagem, caso contrário, não se estabelece a comunicação e, em consequência, não terá havido processo enunciativo eficaz.
Tomemos também como enunciado as notas de revisão textual elaboradas pelo linguista no original. Um apontamento, questionamento ou comentário de revisão acadêmica toma como referência não só o documento produzido pelo autor. Para que o autor compreenda a anotação e para que haja a interação esperada, autor e revisor precisam de:
  • horizonte espacial e temporal comum: tempo e disponibilidade para interagir, o texto escrito como suporte e referência da interação;
  • conhecimento comum da situação de interação: o objeto da produção textual, a finalidade da produção, o gênero discursivo enfocado;
  • avaliação comum da situação: o reconhecimento da revisão como necessária à prática de escrita, inerente ao processo como trabalho e às necessidades linguísticas no que tange à qualidade textual;
  • reconhecimento mútuo das competências das partes a cada questão levantada.
Assim, a reescrita e a revisão da tese se fundem de forma adequada como elemento visível do processo editorial (revisão e formatação) e das circunstâncias nas quais ele ocorre. O conhecimento do tecido intertextual da produção e de revisão antecede e é pressuposto para a compreensão dos comentários e, consequente, interação indagativa ou propositiva.
A revisão de tese pautada na escrita como processo, e não como interferência no produto, sobretudo na perspectiva dialógica, além de promover a interação autor-revisor, prima pelo conhecimento de todas as etapas que envolvem o exercício de produção dissertativa, inclusive a revisão, assim como pelo reconhecimento recíproco do revisor e do autor como intercessores privilegiados, inteiramente capazes de interação dialógica no sentido de consideração das mútuas competências. É assim que se consolida o papel colaborativo do revisor e o papel do autor como consulente do linguista, dadas a aproximação dos horizontes supertextuais dos interlocutores e a abertura de vias de comunicação entre os sujeitos: aqui podemos considerar os orientadores, além de autor e revisor, quando se trata e teses e dissertações orientadas.
A situação intertextual não é somente componente externo da enunciação, nem atua sobre ela como de forma mecânica. A comunicação é complexa e a enunciação não verbal é parte integral necessária da composição semântica e da interpretação. Portanto, a enunciação na tese, situação particular da vida real que procura constituir sentido pleno, compõe-se da parte realizada textualmente e do conjunto de todo o subentendido, sobre esse último, o autor nem sempre tem consciência, mas cabe ao revisor ter dele a ciência necessária, inclusive para preservá-lo e até mesmo para dar dele conhecimento ao autor.
Ao tratar do subentendido, o revisor salienta que, o que houver de intertextual ou supratextual não é limitadamente elemento subjetivo ou de ordem psíquica, trata-se da unidade material do mundo e da visão que tem dele o autor, o que corrobora a afirmação de que o enunciado é palavra-chave para acessar os demais componentes que constituem, igualmente, relevantes elementos da enunciação.
Esse horizonte comum entre interlocutores, entre revisor e autor, apoia-se no contexto imediato da revisão e, no contexto mais amplo, expande-se à medida que ocorre o processo de interpretação pelos leitores-alvo. Em cada situação, a necessidade da revisão, de reescrita, de interpretação torna-se constante nas práticas de produção textual do autor.
Outro aspecto integrante da enunciação é a entonação, eivada de vieses axiológicos que a escritura nem sempre expressa e o leitor não alcança. Prova da existência dessa carência ou insuficiência do registro gráfico o surgimento dos emoticons na linguagem da internet como suplemento aos textos. A entonação é determinada pela situação intertextual e é ponte para a expressão do juízo de valor, sendo também axiológica do ponto de vista reflexivo: o interlocutor formula juízos sobre os juízos que a entonação expressar. A entonação sempre se encontra no limite entre o textual e o intertextual, entre o dito e o não dito. Pela entonação, a palavra está diretamente relacionada à vida. Na interação dialógica, a dicção revela o grau de intimidade entre os falantes em relação ao contexto em pauta ou ainda, de modo mais amplo, no que se refere a sentimentos e juízos. Na revisão acadêmica dialógica dos escritos, a entonação deve ser percebida como parte do processo psicológico de compreensão do enunciado, o autor acompanha a revisão do vocabulário, sintaxe e as escolha pontuais do revisor, para que seu escrito se mantenha fiel a sua intensão, pelos controles de alteração que já são tão conhecidos; em outra época, isso só poderia ocorrer se os autores entendessem as marcas de revisão (aquela codificação com que se comunicavam os revisores e tipógrafos, totalmente obsoleta). Esse acompanhamento recíproco do processo de revisão determina a qualidade da interação e a disposição do autor ao reformular seu texto, pois resguarda a fidelidade autoral. A direção do acompanhamento é determinada pela intersecção entre o intertexto e o texto, de um “paratexto” ou seja, comentários que constituem a interação concomitante entre o revisor e o autor, pautada pelo contexto de interpretação e pela escolha da linguagem do revisor ao redigir cada comentário: cabem explicações diretas, técnicas, mas sem tecnicismos linguísticos herméticos para o autor.
A entonação e a estrutura formal do enunciado dependem dessa relação complexa, o que não reduz o enunciado à suposta valoração compartilhada do meio social que a palavra enfrenta. Ela sempre se refere ao mundo externo e ao ambiente social circundante; no caso das teses, o meio acadêmico e a linguagem científica. Isso mostra que o conceito axiológico de julgamento de valor está também relacionado a outros elementos da axiologia: à ética, à cientificidade, à relevância, por exemplo. O ambiente intertextual, as vezes mesclado de áudio e vídeo, destaca o elemento da pronúncia, da dicção, e os revisores e leitores-ouvintes finais fazem julgamentos de valor sobre esse elemento. De modo geral, a avaliação dessa interação orienta o autor em direção à resposta positiva ao que o revisor vai propor. Para modificar o texto, os linguistas costumam usar a avaliação ao considerar, por exemplo, a formação do autor e as características do idioleto do grupo a que ele pertence e ajustar o comentário para alcançar a interação necessária. Ao elaborar comentário que dialogue com o autor, o linguista apresenta a valoração intertextualmente. Do mesmo modo, ao ler os comentários da revisão acadêmica, o autor coloca-se também como revisor e estabelece juízo de valor sobre a pertinência daquela mediação propositiva ou inquisitiva, determinando se vai aceitá-la por completo, parcialmente ou ignorá-la, se vai responder, ou aquiescer tacitamente.
Com a compreensão dos elementos axiológicos e sua pertinência ao desenvolvimento da revisão dialógica, tem sido possível identificar, em práticas de revisão textual, os elementos extralinguísticos próprios a esse contexto enunciativo que sobrevêm à qualidade da reescrita e ao desenvolvimento de habilidades pelo autor.
Ao analisar os trabalhos de revisão que fizemos, mesmo de maneira assistemática, não apenas compreendemos os princípios da revisão dialógica na prática, mas também percebemos que compreender os itens da lista de checagem não garante a revisão e reescrita adequadas. Isso porque, nos diversos métodos de revisão acadêmica concebidos para interagir com os autores, o hipertexto, mesmo que não seja visível na prática da escrita, tem impacto significativo nos resultados esperados do processo de revisão acadêmica. Os juízos de textos e intertextos são contínuos, recíprocos, formam-se dialogicamente e refletem-se no resultado da interação autor-revisor e verificam-se por ele.
Ao tomar a revisão da tese, a reescrita e a interação autor-texto-revisor como eventos enunciativos do ambiente acadêmico, compreendemos que esses processos se refletem na efetividade dessas habilidades:
  • conhecimento linguístico;
  • reconhecimento do gênero;
  • subsunção ao tema sobre o qual o autor escreve;
  • identificação o juízo de valor autoral;
  • compreensão da escrita como processo;
  • visão do revisor como colaborador;
  • reconhecimento do autor como senhor de seus escritos;
  • aceitação de si como revisor e como sujeito.
No encaminhamento do trabalho de revisão para teses, os linguistas promovem a pesquisa e discussão de conceitos que o escrito exara e avaliam o texto relacionado contextualmente, em função da norma, como objeto cognoscível e cognoscente. A mediação é realizada conquanto o documento revisado é submetido continuamente ao autor e ao passo que ele é reescrito para complementar sua compreensão a partir dos comentários e questões propostas ao autor. Ressaltamos a visão de interação estabelecida no processo de produção do texto escrito, não se trata apenas de o revisor completar o processo de revisão por interferências unilaterais no texto.
A construção de argumentos linguísticos e comunicacionais ratifica o papel de colaborador que o linguista estabelece com o autor da tese ao ancorar-se no princípio dialógico da alteridade, da devolução da palavra ao sujeito, na solicitação de réplica discursiva. Com essa abordagem, todas as etapas do processo de produção textual, como o planejamento, o desenvolvimento do tema e do gênero, a revisão, são compartilhadas entre revisor e autor. Há uma simbiose entre o aspecto textual estrito e seus elementos supertextuais, os diferentes elementos da enunciação são concatenados, para que o sentido pretendido no enunciado seja compreendido e se estabeleça interação efetiva entre os sujeitos da comunicação, que os valores de ambos sejam expostos.
A possibilidade de reformulação da tese, de cada parte dela, na verdade, e dos argumentos do autor, mostra a efetividade da diversidade de abordagens mobilizadas: o questionamento, o comentário, a discussão coletiva, a orientação sobre como revisar, a discussão coletiva sobre o tema, a troca de comentários com tom marcado de diálogo, de colaboração com o autor em seu trabalho de reescrita. O conjunto das propostas da revisão é pertinente à medida que, ao atender ao convite de diálogo pelo linguista, o autor motiva-se ao trabalho de atender à revisão e proceder à reescrita em função do gênero discursivo e do tema, porque a posição do autor, reconhecida pelo linguista, é o que marca a valoração dos papeis autor-revisor, revisor-autor na revisão dialógica. Esse exemplo ratifica também a relação da revisão acadêmica com o contexto mais amplo, pois, além de remeter aos conhecimentos prévios e ao juízo de valor do autor sobre o tema, elucida o ensino de produção textual pautado na escrita como processo e como trabalho contíguo.
A reescrita da tese pelo autor mostra a eficácia dos vários métodos adotados: perguntas, comentários, discussões, pesquisa do vocabulário sobre o assunto e a construção de notas e comentários como elementos-chave claros da cooperação com o autor. De modo geral, a revisão é relevante, pois, em resposta ao convite ao diálogo do linguista, os autores são motivados a reescrever de acordo com o gênero e o tema do discurso, pois sua condição de autor é reconhecida pelo linguista. Isso marca a avaliação do papel do autor e do revisor em cooperação que considera ativas todas as personas da escritura. Também se confirma a relação entre o comentário do revisor acadêmico e o contexto mais amplo, pois, além de se remeter e recorrer ao conhecimento prévio do autor e a juízos de valor dele sobre o assunto, também esclarece a produção de texto a partir da escrita como processo.

Axiologia na revisão de tese

A análise dos aspectos axiológicos e enunciativos dos escritos acadêmicos na revisão que lhes compete bem como sua relação com a efetividade da reescrita autoral e o desenvolvimento das necessárias habilidades linguísticas pelo revisor, podem ser sintetizados pelos quesitos:
  • conhecimento linguístico e capacidade de interação;
  • familiaridade com o gênero textual;
  • domínio do campo semântico em pauta;
  • consciência do componente ideológico;
  • noção completa do processo de produção do texto;
  • aceitação dos respectivos limites de competência;
  • motivação para interagir;
  • pertinência e adequação dos comentários de revisão.
O conhecimento linguístico do revisor, de acordo com sua formação e a experiência acumulada no ofício, devem fazer parte do repertório do profissional. A construção da revisão de uma tese, principalmente com relação à nomenclatura gramatical e de outros fenômenos da língua, considera isso tão necessário quanto sempre foi e cabe adequar-se à terminologia linguística, inclusive com o objetivo da melhor interação dialógica. Ainda assim, é preciso que o linguista esteja atento às especificidades do autor, pois é possível que ele não tenha o conhecimento linguístico necessário àquela comunicação, o que demanda adequações nos comentários e nos questionamentos; é de se ter em vista que, naquele momento, o objetivo maior é a efetividade da interação com o autor. A qualidade da revisão associa-se também à capacidade e à disponibilidade do escritor, para implementar processos básicos de interação, e à necessidade de ele compreendê-la como trabalho que demanda implementação de estratégias comunicacionais linguísticas e extralinguísticas.
Familiaridade com o gênero textual do objeto, pois a construção retórica do gênero tese é anterior à proposta de produção do escrito. Contudo, pode ser que o autor ainda não tenha internalizado as características da dissertação exigida – não é raro, o que prejudica a interação por meio da revisão. Isso fica muito evidente em textos argumentativos longos. Nesse sentido, é pertinente que, ao avaliar o contexto de trabalho, o linguista empregue os comentários de revisão para recuperar aspectos referentes ao gênero enfocado, ou mesmo indicar o retorno às orientações, aos comentários e às proposições, que podem direcionar o autor em seu caminho de reescrita ou subsidiar orientações dele à revisão. O conhecimento sobre o gênero tese e suas condições de produção são princípios da revisão dialógica dos textos científicos.
O domínio que o revisor tem no campo semântico correspondente ao tema sobre o qual o cliente escreve pode interferir na qualidade de sua intercessão, na qualificação de argumentos, sua sequenciação e, acima de tudo, na coerência. Pode ser que a revisão acadêmica tenha sido bem compreendida pelo autor, mas o pouco conhecimento do revisor sobre o conteúdo não promova a dialogia esperada: o outro não tem correspondência ao discurso problematizador. Esse encaminhamento, muitas vezes, ultrapassa o fator linguístico tramitando pelo fundo material do objeto da revisão e traz à tona a valoração presente no discurso escrito, tão relevante para a construção da argumentação e dos sentidos. Nesses casos, é pertinente o uso de diferentes abordagens de revisão que ultrapassem os comentários ao texto e as marcas de revisão; uma forma de encaminhamento pode ser a discussão em entrevista pessoal ou a distância, recurso hoje perfeitamente disponível.
O juízo de valor, junto ao conhecimento que o autor tem sobre o tema, se estabelece em relação ao conteúdo – no máximo. As vivências, crenças ou conhecimentos que orientam suas escolhas discursivas, pois o autor não absorve o tema de sua dissertação de maneira passiva, e muito menos redige a tese impunemente, não podem ser, em nenhuma hipótese, matéria de considerações valorativas por parte do profissional das letras. Envolto pelo caráter dialógico da linguagem, sempre ele estabelecerá, sobre o tema, seu juízo de valor, ao transformar a palavra alheia em palavra sua e ao marcar a singularidade de seu escrito, eis o limite estabelecido de seu espaço social como sujeito-coautor, mas é mister absoluta transparência para o autor e sua estrita aquiescência. O juízo de valor também se reflete nos demais comentários de revisão. Ao compreender a solicitação da revisão, o autor decide quanto à pertinência de cada reformulação. Ao retomar o texto, o autor considera que nem todos os comentários de revisão precisam ser atendidos. Ignorar uma proposta da revisão pode significar, por exemplo, a compreensão do comentário, mas a escolha por não realizar aquela reformulação. Os indícios de juízo de valor na resposta do autor tendem a ser mais evidentes quando ele passa a se reconhecer, de fato, como sujeito-autor e seu discurso tende a corresponder mais a seu projeto de dizer. Na perspectiva de revisão dialógica, é nesse processo que o autor passa a conhecer seu próprio processo de produção escrita e a reconhecer o processo de escrita como seu, tomando consciência das estratégias e dos encaminhamentos que lhe são mais pertinentes, renunciando às alternativas.
As etapas da produção textual devem ser igualmente compreendidas por revisor e autor, é fundamental a compreensão da escrita como processo não linear, mas de múltiplas superfícies que vão se sedimentando, agregando os contrapontos da harmonia polifônica do conhecimento e as intercessões as mais diversas, sempre e construção. Ao compreender o caráter provisório e recursivo da escrita, o autor se torna menos resistente aos comentários de revisão acadêmica e a seu próprio trabalho de reescrita. As marcas de revisão não são vistas mais como destaques de erros, mas como contribuições para a melhoria do texto em construção, o que motiva também a reflexão sobre o discurso produzido e o intuito de aprimorá-lo continuamente. Essa noção de continuidade também é necessária para que se dê cabo da messe: nenhum texto termina, no sentido de que sempre poderá haver algo a ser dito, ou algo a ser dito de modo diferente, mas as teses têm praza e ele é que dita a hora de parar de agregar ao documento algo mais e mais algo. O prazo determina a hora de dar por conclusa a dissertação e passar a vez ao revisor, considerando que ele também precisa de tempo e que a reescrita paralela também é trabalho, consome horas, mas não pode ser retrabalho – no sentido pernicioso de refazer o que foi desfeito.
A compreensão do revisor como colaborador é condicionada à compreensão da escrita como processo. A mudança da figura do revisor corretor, avaliador, fiscal para o revisor colaborador modifica o modo pelo qual o autor se coloca diante da revisão de sua tese. Na figura do colaborador, o revisor estabelece diálogo com o autor por meio da revisão, a negociar sentidos, sem os tomar como imposições. O revisor precisa atentar a isso ao revisar o texto, a fim de que seu discurso seja colaborativo.
O reconhecimento de si como autor, por parte do escritor, necessariamente, é outro aspecto condicionado à compreensão de escrita como trabalho. O entendimento do processo de escrita e da colaboração do revisor por meio da revisão promovem a manifestação do sujeito-autor, já que a revisão dialoga, interage, sugere. Ao se reconhecer como autor, ele recorre mais ao próprio juízo de valor e busca o aprimoramento do discurso, para além dos desvios que lhe tenham sido impostos por intercessores. A revisão efetivamente dialógica envolve autor e revisor, na busca de se atingir a melhor versão do discurso, em função do interlocutor e das condições de produção. Na identificação do sujeito-revisor, é possível que o autor não tenha, anteriormente, passado pela experiência de ter seu texto revisado, apenas corrigido e, eventualmente, avaliado.
Assim, mesmo que o autor esteja aberto à revisão dialógica, encontra dificuldade em atender os comentários de revisão de modo efetivo se não tiver a consciência autoral bem estabelecida. Isso se deve ao fato de a revisão dialógica devolver a palavra ao autor, que deve também reescrever seu texto, não se trata de correções prontas a serem incorporadas, porém, de apontamentos, comentários, questionamentos que, para serem compreendidos, demandam o retorno ao texto e a reflexão pelo autor a recolocar-se em seu discurso. A revisão dialógica prima, concomitantemente, pelo reconhecimento e devolução da palavra ao sujeito-autor, bem como pelo exercício de reescrita por ele.
Quanto à motivação para a qualidade do projeto de dizer, na perspectiva dialógica, revisa-se para corrigir desvios normativos e, mais ainda, para aprimorar o discurso do autor. O incentivo à melhoria de cada excerto que não apresenta desvios costuma apresentar-se em forma de comentário, os erros recebem revisão resolutiva e basta. A motivação é resultado da compreensão do processo de escrita e do reconhecimento, pelo autor, da capacidade do revisor. A revisão favorece a reflexão e a ousadia pelo sujeito-autor na construção de seu discurso. É possível que, nesse intuito, alguma reformulação não seja produtiva, o que não é visto como negativo, pois o processo de revisão leva tempo, a reescrita também. Essa motivação é fundamental para a constituição ou consolidação do estilo de escrita do autor, como marca do valor e da entonação implícitos no discurso, bem como para o desenvolvimento de suas habilidades de dissertação e de reescrita.
Em se tratando da tese, faz-se necessária a adequação dos comentários ao contexto universitário. Além da explanação por comentário ao texto, a revisão acadêmica considera elementos pertinentes específicos àquela produção. Uma revisão ancorada no gênero discursivo produzido é mais informativa, pois aponta desvios e leva também à apropriação do gênero pelo autor. Além disso, o objetivo da revisão altera-se de acordo com o gênero, a enfocar o desenvolvimento de diferentes habilidades a cada produção, todavia, o objetivo da revisão do gênero tese se fixa na meta conhecida do autor.
Em nossa prática, sustentamo-nos nos princípios da revisão dialógica e nos conceitos axiológicos do dialogismo para apontar os vários elementos da enunciação, cuja pertinência é identificada ao se compreender sua relação com a efetividade da interação autor-texto-revisor e com o desenvolvimento de habilidades de escrita pelo autor, com vistas a sua autonomia autoral no processo de produção e reescrita textual. Vale ressaltar que a autonomia autoral não é independência em relação à revisão, cada um tem seus limites claros.
Como último ponto, neste tópico, vamos apontar que na relação autor-texto-revisor o texto, ainda que elemento mediano na sequência, não é passivo como pode parecer: assim que escrito, o texto adquire vida própria, liberta-se do autor e oprime o revisor, produz efeitos em ambos, antes de se libertar dos dois e ir produzir sua influência em seu público-alvo. Não obstante, ficamos apenas com essa colocação, isso poderá vir a ser matéria para digressões em outro espaço textual.

Atitudes axiológicas e dialógicas do revisor de tese

Cabe agora fazer uma iteração sintética dos elementos que postulamos, de maneira mais ou menos difusa, nos tópicos precedentes. Nessa direção, apresentamos uma breve relação de algumas atitudes em relação à tese, em relação ao autor e outras em relação a si mesmo que entendemos caberem ao revisor. Nenhuma lista nesse sentido é completa, há mesmo mais necessidade de sistematização dessas ideias, mas acreditamos que elas já tenham algum valor, quando menos, como instigação. Para tanto, entendemos que ao revisor cabe o que se segue.
Em primeiro lugar, cumpre conhecer a concepção de língua, de escrita e o gênero textual do original do autor e gerar um produto (texto revisado) fundamentado em tais conhecimentos, considerando as condições da produção, entendendo a escrita dissertativa como processo de etapas e fases, percebendo a redação e a revisão como práticas discursivas, dialógicas e os juízos de valor do autor como invioláveis em seus escritos.
Em seguida, é dever do linguista profissional conhecer todos os aspectos que envolvem a recursividade e a dinamicidade processo de produção da tese e explicitá-los na interação dialógica autor-revisor, sempre que possível; demonstrar que a recursividade inerente ao trabalho de escrever demanda estratégias de ação comunicacional que requerem mensagens compreensíveis, explicitando os critérios de revisão aplicados ao documento acadêmico e, subsidiariamente, desenvolvendo habilidades linguísticas e extralinguísticas que possibilitem a avaliação do texto.
Além disso, o revisor deve ser capaz de promover, avaliar e avançar na interação, conforme revisa dialogicamente, identificando o próprio processo de interação como indissociável dos contextos imediato e do mais amplo espectro da elaboração de uma tese, identificando o modo mais eficiente de trabalho com os autores, em cada uma das etapas da produção escrita, desde o planejamento até a versão definitiva.
O profissional também deve se identificar como colaborador, intercessor, no projeto comunicativo do autor em relação ao público-alvo do texto, abstendo-se de avaliar mérito na tese. Desenvolver a revisão como interlocutor virtual, colaborador no objetivo do escritor de alcançar a compreensão do interlocutor real. O linguista deve se reconhecer como sujeito-autor subsidiário, promovendo alteridade, mediando; negociando sentidos, evidenciando o caráter responsivo da interação dialógica, preservando a voz ao autor.
Cabe ao revisor orientar o cliente a colocar-se como autor e senhor de seus escritos, colocando-se, como revisor, na pele do leitor intermediário do texto,. Cabe ao linguista revisar também o próprio discurso comunicativo, ao proceder a revisão da tese e comentar criticamente, evitando tornar os comentários sobre o texto juízos de mérito sobre a matéria do escrito, cumprindo estritamente a missão de identificar reformulações realmente pertinentes ao objetivo comunicativo.
Não caba somente buscar erros nas teses, mas alternativas, dando a ver ao autor formas de aprimorar o texto, voltando-se à qualidade comunicacional; o revisor vai valorizar todas as versões e etapas da revisão do documento em vez da quantidade de revisões (interferências) feitas, ainda que o autor não tenha adquirido autonomia no processo de produção, melhorando a qualidade discursiva da escrita.
O revisor deve utilizar abordagens diversificadas de revisão na tese, compreendendo a revisão profissional como atividade complexa: resolutiva, classificatória, indicativa, propositiva, restritiva, normativa… Cabe-lhe revisar o texto universitário refletindo sobre cada apontamento, questionamento, comentário, sobre a melhor forma de revisá-lo, de acordo como o objetivo do cliente, atentando e adequando ao gênero discursivo com as singularidade do contexto de produção.
É papel do revisor preservar o discurso alterno, autoral, ao proceder a revisão linguística da tese, tanto quanto a interação com o cliente e do autor com seu texto, bem como processar os conhecimentos adquiridos e construídos, para torná-los acessíveis e levar o autor a conhecer as diversas formas de expressão aplicáveis, inclusive as variâncias que dão dinâmica à leitura.
O revisor também pode acompanhar o desenvolvimento das habilidades de escrita do autor, compreendendo o papel da revisão profissional da tese dentro dos restritos limites didáticos que ela admite, não tornar a abordagem dialógica discurso de autoridade ou conflito de egos sobre campos de conhecimento estanques, evitando cometer desvios de sentimento de “posse” em relação ao produto, mas incrementando a autonomia discursiva do autor em sua prática de escrita.
Ao promover e motivar a contínua reescrita da tese pelo autor, aplicar os conhecimentos linguísticos fazendo, quando necessário, orientação às práticas de produção textual do autor, até mesmo sanando-lhe possíveis dúvidas ao produzir textos ou em outras situações comunicativas, extratextuais (a defesa da tese, por exemplo), revelando apropriação autoral pelo trabalho escrito, acompanhado de orientação acadêmica e linguística.

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