Pular para o conteúdo principal

Revisão de textos e legibilidade

A legibilidade dos textos é a meta da revisão

O revisor de textos pode ser considerado, do ponto de vista da comunicação, facilitador e intermediário entre duas mensagens que usam o mesmo código de linguagem – ao contrário do tradutor que pode trabalhar duas mensagens com códigos diferentes. O revisor é, inicialmente, o destinatário indireto da mensagem original, um intercessor fortuito; não o destinatário pretendido do texto, mas um membro do público especializado que interfere no objeto da comunicação. Após processar o texto, o revisor se torna o emissário secundário (o primário será sempre o autor), um elo na malha de interseções supratextuais.
Teses e dissertações devem ser textos completamente legíveis.
Legibilidade é sobre o conteúdo do texto e a forma pela qual a mensagem é apresentada.
A revisão é parte do conjunto de etapas pelas quais o texto flui no processo de produção, abrangendo complexo esquema de intervenção, que inclui a preparação e a formatação. O revisor profissional desempenha o papel de facilitador na tensão entre o sentido intencional do texto emitido e o sentido recebido pelo leitor-alvo presuntivo; essa tensão deve ser minimizada para que a mensagem seja veiculada da forma mais efetiva e decodificada com tanta transparência e fidedignidade quanto possível. Portanto, pode-se dizer que os revisores estão tentando criar condições mais favoráveis para esquemas de comunicação, face as variáveis relativas aos sujeitos do processo comunicacional e as mais diversas questões conjunturais alheias ao texto e aos agentes intervenientes no processo.
Sem a intervenção do revisor, a compreensão da mensagem pode até não ser afetada, mas existirá maior probabilidade de ruídos e de excessiva demanda cognitiva na leitura. A exatidão, precisão, legibilidade e compreensão dos textos são o cerne da revisão. Portanto, os revisores não se limitam a corrigir os erros, mas interferem com base no princípio de legibilidade, contribuindo em dar escritos mais acessíveis aos leitores. Especialmente no caso de textos não criativos (teses, dissertações e artigos científicos, por exemplo), a informação é anterior e superior à forma de expressão do autor – e apresentação se pautará pelo cânone do gênero textual. Em virtude disso, a busca pela legibilidade (textual e visual) será inerente ao trabalho do revisor e do formatador, segundo os preceitos estabelecidos.
A supressão de erros, ou seja, a busca por texto gramaticalmente correto e expurgado de lapsos linguísticos e gráficos, também faz parte da atividade de revisão de texto – e o faz desde a origem do ofício, mas incide agora, primordialmente, na premissa de que os erros possam prejudicar o texto ou a legibilidade. Essa é nossa ideia básica, pois muda o foco da revisão de textos, que não tem mais um fascínio contra os erros, mas um encanto pela legibilidade.
A revisão é feita no texto original, ou seja, o texto fornecido pelo autor ao revisor, ou no texto traduzido. Ela é feita em formato de arquivo eletrônico ou de cópia impressa. O suporte determina a metodologia do trabalho porque altera o processo de leitura, mas não deve alterar o tipo de interferência ou a profundidade da intervenção.
Em textos que não sejam ficcionais, uma das recomendações de revisão é fornecer aos leitores texto claro, legível e acessível; diferentemente, o texto estético ou recreativo pode recorrer às anfibologias, gongorismos, inversões como recursos válidos para os fins desejados. Essa ideia de clareza no texto técnico, científico ou legal é eficaz em circunstâncias nas quais os autores pretendam entregar informações sem ruído, sua intenção de comunicação não se reflete na redação estética. No entanto, nem todas as escrituras, mesmo as não literárias, podem ser claras e de fácil leitura, por exemplo, por se destinarem os tipos de leitores especialistas naquele conteúdo. Isso não significa que o texto seja mal escrito ou problemático; a avaliação sempre pode depender de muitos fatores, como estilo ou intenção.
A revisão envolve rotineiramente duas atividades: interferência estrutural e intercessão linguística. Ambas trabalham as múltiplas dimensões do texto de acordo com o método de comunicação requerido pelo gênero textual, o cânone retórico: edição, informação, linguagem, ortografia e impressão são componentes a serem aferidos.
A revisão proposta por nós fornece subsídios para a classificação adequada da dificuldade de leitura pretendida e alcança múltiplas dimensões do texto para definir procedimentos com base em nossa prática. A classificação da dificuldade da interpretação não é definida pela profundidade de leitura ou intervenção, mas pelos objetivos e tarefas mínimas envolvidas em cada etapa.
Diferenciar os tipos de intervenção com base graus de dificuldade do texto é necessário para explicar a linguagem complexa e a rede de relações de revisão implícita na atividade de pesquisa linguística e em sua aplicação. Todos os originais são muito ricos para serem percebidos de forma rápida, direta e completa. Portanto, a delimitação das atividades de revisão relacionadas ao texto precisa ser subdividida. Apresentamos aqui dois tipos de interferências da revisão: na estrutura – que chamamos de formatação – e na linguística textual. Ambos os tipos se dividem em diversas operações, segundo a amplitude e a complexidade da obra.
Quanto à estrutura, compreendendo da ordem do argumento retórico até o layout, os profissionais intervêm para organizar e aferir o conteúdo informativo e argumentativo do texto. O objetivo é apresentar as ideias e dados de forma adequada, para que o documento configure conjunto de informação coerente e coesa à medida que o leitor avança, e para que a programação visual se insira nos limites normativos requeridos. Nessa fase, a leitura do revisor observa principalmente a macroestrutura do texto sem ignorar sua microestrutura.
Antes de iniciar qualquer alteração, interferência ou proposição, é recomendável avaliar incontáveis fatores de linguagem internos e externos, para determinar se a organização do conteúdo é coerente, se é fácil compreender elementos como a natureza do texto, o público, o tipo de publicação, o formato da publicação e a forma de distribuição. É a avaliação desses elementos em relação ao texto que ajuda a determinar as intervenções que serão realizadas na interferência estrutural.
Ao tentar apontar os elementos que podem ajudar a distinguir diferentes processos de interferência no texto, a revisão orienta-se pelos princípios da alteridade, da relevância e da mínima interferência – já tão decantados por nós. Considera-se não apenas o texto como unidade formal, mas também como unidade funcional, ou seja, a correspondente mensagem, em que os revisores devem ter participação restrita, mas ela será inexorável.
No processo de intervenção estrutural, o revisor pode, momentaneamente, não focar nos detalhes da linguagem, mas na organização do conteúdo da informação. Portanto, a linha de visão não ficará em cada palavra ou bloco de palavras, mas em um parágrafo ou outro segmento maior, e fará pausas na leitura para obter elementos e induzir o conteúdo geral, fornecer algum tipo de instruções para ajudar a transmitir o conjunto pretendido pelo original, a intenção do autor. Esses segmentos de textos (que podem ser chamados de funcionais) são: títulos de capítulo, subtítulos, cabeçalhos, notas e blocos de texto destacados. O processamento desses textos pode advir de uma palavra ou uma frase curta e visa estimular a memória de médio prazo do leitor, ajudando a ativar conhecimentos prévios de linguagem, texto e seu conhecimento geral. Portanto, com base na marcação de texto formal (composta por elementos que contribuem para o conteúdo estruturado – texto e gráficos), o revisor aciona automaticamente o programa, seu pacote de conhecimento estruturado e suas instruções, para formar uma rede comunicativa de conhecimento. Conforme proposição da linguística cognitiva, esse é um dos processos inconscientes que ocorrem durante a leitura.
Assim, os revisores estão cientes de alguns processos inconscientes envolvidos na leitura do texto, por isso, devem tentar ajudar os leitores a compreender o conteúdo da publicação ao fazer intervenções estruturais, aplicando basicamente duas estratégias inter-relacionadas: redução do esforço cognitivo no processamento e compreensão suficiente. Além de tentar produzir efeitos cognitivos úteis para a leitura e a compreensão, os textos também podem ser complementados com elementos instrucionais que expressem de forma concisa o contexto da prática profissional dos revisores.
No entanto, o trabalho estrutural não se satisfaz com indicadores quantitativos. Durante o evento da avaliação, o revisor não deve ignorar seu objeto (o conteúdo geral do texto) para avaliar a forma mais eficaz de apresentar as informações. Além das intervenções estruturais, as interferências linguísticas também serão benéficas. É mais apropriado publicar esta e outras partes agora ou antes? Esse método de não ignorar a estrutura da macro é essencial. É preciso colocar-se na posição do leitor para imaginar o caminho que ele vai percorrer ao longo da obra, e é preciso agir levando em consideração o processo cognitivo de leitura. Se o revisor estiver ciente de algumas das estratégias automatizadas envolvidas nesse caminho, ele poderá avaliar de forma mais objetiva o que é eficaz ou aceitável apenas na comunicação oral e, portanto, deve ser alterado, excluído ou incluído no texto.
O desenvolvimento de conteúdo informativo que os leitores possam dominar sem esforço deve seguir alguns princípios de sistematização da linguística, como simplicidade ou economia, padronização, continuidade e relevância. Portanto, com base na marcação formal do texto (linguagem e gráficos) e conhecimento prévio, o leitor pode realizar de forma automática e inconsciente um processo modulado por parâmetros que ajudam a estabelecer a coerência do assunto ou conteúdo.
A microestrutura do texto também está incluída na intervenção de informação estruturada, ela visa alterar frases e parágrafos para promover a compreensão da informação. Os princípios que norteiam a construção de laços coesos entre os elementos adjacentes no texto são basicamente aqueles que atuam na macroestrutura: parcimônia, normatividade, coerência e relevância.

Estrutura visual

Além das dimensões verbais envolvidas no estudo do processo cognitivo de leitura em psicolinguística, a intervenção estrutural do texto original também envolve dimensões extralinguísticas. Elementos gráficos também compõem a macroestrutura do texto e esses elementos devem ser considerados na edição: tanto da revisão quanto na formatação. Geralmente, eles são usados como ferramentas básicas para textos, indicadores para construir um desenvolvimento coerente de caminhos e tópicos de leitura: a hierarquização das informações e das inferências.
Nos níveis macro e micro do texto, a marcação formal da estrutura não é obrigatória (numeração de itens, por exemplo). No entanto, ela pode orientar o leitor a realizar um processamento de texto mais rápido, objetivo, claro e eficaz. No caso de livros não literários de conteúdo amplo e complexo, o objetivo é facilitar a vida dos leitores, de forma a que os cuidados propostos possam nortear a atuação dos revisores, ajudar a melhorar sua prática e auxiliar no desempenho autoconsciente e reflexivo.
Obviamente, a capacidade de interpretação não requer mecanismo formal de desenvolvimento e manutenção. Porém, quando fatores linguísticos contribuem para esse desenvolvimento, a leitura torna-se mais fácil, sem a necessidade de estratégias profissionais de análise. Caso contrário, se a estrutura linguística não favorecer, o leitor pode encontrar dificuldades, especialmente no caso dos menos proficientes, que têm dificuldade em conectar os parágrafos, notadamente os mais longos. Os problemas causados por defeitos estruturais não podem ser considerados triviais ou simplesmente ignorados, eles são mais complexos que os defeitos ortográficos ou mesmo morfológicos, portanto, merecedores de acurada atenção por parte do revisor.

Revisão e código linguístico

Outro método de intervenção envolvido na revisão se refere aos códigos de idioma, especialmente aspectos relacionados a dicionários, gramática, semântica, ortografia e pontuação. As alterações feitas nesse campo são projetadas para garantir a legibilidade do texto para os leitores e prestam atenção à consistência da linguagem em gêneros textuais e estilos.
Corrigir um texto cheio de erros não é problema. No tipo de intervenção de linguagem que praticamos, a atuação do revisor vai além do conceito normativo, pois a revisão de texto deve ir muito além da universalidade associada às atividades de processamento textual.
Um parágrafo de texto pode estar gramaticalmente correto, mas isso não exclui o trabalho de revisão. Porém, infelizmente, ainda são os erros ortográficos que costumam atrair a atenção dos leitores e revisores ineptos, erros de registro que não seguem a gramática padrão, frases condenadas pelos gramáticos tradicionais. O mero reconhecimento de erros de gramática pode ser o problema por trás da dura condenação dos lapsos ortográficos, por exemplo, e não podem ser aceitos em nenhum texto escrito por pessoas consideradas culturalmente letradas e, portanto, dominam as normas do português. Infelizmente, a grafia parece condenar o texto, o autor e o livro. Essa é a marca desautorizada de uma especificação padrão. O livro que exibe inconsistências de grafia não intencionais é criticado porque traz sérios riscos de perda comunicacional.
Parece corrente a noção que não distingue a língua e as regras de ortografia oficial de um país, como se constata em algumas manifestações publicadas na imprensa sobre o último acordo ortográfico dos países que falam a língua portuguesa. É generalizada na mídia a confusão entre língua e ortografia, como se unificar a ortografia das línguas portuguesas do Brasil, de Portugal e de outros países lusófonos implicasse a unificação da língua portuguesa. Como se a língua se restringisse à língua escrita.
Nem todos os erros ortográficos devem ser “corrigidos” durante o processo de revisão, pois alguns deles podem ser intencionais, especialmente no caso de textos literários, mas não apenas neles. No entanto, a maioria das pessoas (especialmente os inspetores de idioma) entende os “erros do português” como, na verdade, simples desvios da grafia oficial. Não é conveniente de que revisores pensem assim. Quem se dedica ao trabalho profissional com o texto alheio aprende, na prática diária, que a correção ortográfica pode não garantir qualidade, eficiência ou legibilidade. Acreditamos firmemente que a correção gramatical não é tudo – mesmo em termos de tempo e espaço, a correção gramatical é relativa – em suma, elegância vazia, efeito retórico, riqueza de vocabulário, belas palavras, tudo isso melhora o hedonismo e o estilo narrativo, entretanto, costumam ser expressões distorcidas que não contribuem para a confiabilidade no escrito. É por esta razão que insistimos que clareza e precisão de pensamento são as virtudes primitivas das frases (se não houver precisão, é impossível ser claro), coerência (sem coerência, não há clareza razoável) e a clareza também envolve a elegância, a vitalidade, a expressividade e outros atributos secundários do estilo.
Portanto, além de avaliar qualquer comportamento inadequado que possa prejudicar a compreensão do conteúdo, a intervenção no código da linguagem também significa a análise de aspectos como forma, semântica e estilo. O desvio da gramática normativa também deve ser considerado estrita e conjunturalmente ao invés de mecanicamente; apesar disso, anglicismos, galicismos, tecnicismos e outros empréstimos irracionais e ou excessivos devem ser evitados para substituir palavras ou frases brasileiras que expressem literalmente a mesma ideia; repetição desnecessária; regionalismo e narcisismo e outras questões que são consideradas oralidades na gramática tradicional podem não ser bem-vindas em alguns tipos de textos.
Quanto à ortografia e outras convenções estabelecidas pela gramática tradicional, como a pontuação e acentuação, os revisores devem seguir e aplicar a norma. Afinal, as especificações padrão ainda são uma referência para os revisores, embora nosso trabalho não se limite a elas. É importante incluir a gramática baseada na linguagem real, nas variações sociolinguísticas utilizadas pelos brasileiros em seu cotidiano para evitar sermos asfixiados pela liberdade de linguagem. Portanto, embora toda proposta de revisão inclua alterações de linguagem do ponto de vista normativo, ela nunca rejeitará a modificação das disposições gramaticais da especificação padrão quando fundamentada. O fato de brasileiros com alto nível de escolaridade usarem mais regras gramaticais do que tradições gramaticais não significa que desejamos impor a prescritividade de dentro para fora. O que isso significa? Isso significa que não devemos culpar quem gosta de continuar a usar regras tradicionais como “retrógrado”, “reacionário” ou “preconceituoso”. O uso dessas regras mais conservadoras deve ser visto como uma das muitas escolhas que um palestrante pode fazer ao escrever um discurso.
O revisor deve avaliar cada trabalho – se leva em conta o leitor, o tipo e propósito da publicação, e outros fatores linguísticos – se usa variantes não padronizadas condenadas pela gramática canônica.
Quanto à gramática, a intervenção pode seguir o princípio normativo mencionado na intervenção estrutural: de acordo com esse princípio, o leitor pode esperar que a ordem natural das coisas no mundo se reflita na linguagem. Portanto, a causa esperada está antes do impacto e a ação ocorre antes do resultado. Os elementos formais do texto seguirão a mesma ordem natural: o antecedente precede o pronome (caso contrário, o referente não pode ser identificado), indefinido e então definido, os dados precedem a nova palavra. Gramaticalmente, a ordem canônica é sujeito, verbo e predicado. Estruturas que não seguem essa ordem tradicional, ou inserção de longo prazo de estruturas que interferem na frase principal, podem exigir muito esforço cognitivo do leitor. No processo de leitura e intervenção no texto, os revisores entendem intuitivamente este princípio.
Em alguns textos, a violação desse princípio de normatividade pode prejudicar ou dificultar a compreensão do conteúdo. Nesse caso, às vezes, o revisor pode contribuir para a maior legibilidade do texto apenas propondo a ordem sintática direta. Em muitos casos, deve-se observar que converter os elementos básicos na ordem sintática mais direta pode simplificar a compreensão do texto, bem como acelera a leitura.

Algumas notas sobre legibilidade

Legibilidade e linguagem

  • Trata-se da capacidade de o texto – independentemente de sua forma impressa ou eletrônica – poder ser lido sem esforço e totalmente compreendido e memorizado de modo satisfatório. A legibilidade da linguagem e do layout do texto devem corresponder à educação formal do leitor e a suas características culturais. A legibilidade depende da escolha das palavras usadas, do comprimento da frase e, mais seguramente, das escolhas léxicas, da justaposição dos parágrafos e do encadeamento sintático das orações. Os psicolinguistas norte-americanos estabeleceram testes e fórmulas para medir a legibilidade. Esses testes e fórmulas foram modificados e adptados a várias línguas e têm se tornado mais sofisticados à medida que a linguística computacional avança.

Legibilidade e ergonomia visual

  • Aqui consideramos a capacidade de imprimir texto no papel ou na tela (independentemente do conteúdo e do idioma) que possa ser lido sem esforço excedente e ele possa ser satisfatoriamente compreendido e memorizada de maneira abrangente. Assim como a legibilidade da linguagem, a legibilidade da impressão deve ser adaptada à identidade do leitor e ao gênero textual pretendido.
As pessoas têm compreensão ampla e genérica do conceito de legibilidade, que considera a produção e recepção da mensagem, bem como dos processos cognitivos envolvidos na compreensão, na decodificação e na memória do leitor. Em termos de legibilidade, o escrito se situa além de aspectos que só podem ser medidos no próprio texto. Esse é um dos motivos que levaram à adoção da mediação do revisor, interferindo na linguagem, e do formatador, intercedendo na composição gráfica dos textos.
Ao fazer da legibilidade um dos pontos-chave da revisão e da formatação, enfatiza-se a importância de considerar os leitores (incluindo, sua capacidade textual e condições sociais) no processo de interferência no texto. O texto a ser revisado e formatado não deve ser isolado de suas condições de produção e aceitação, pois a legibilidade não existe independentemente do leitor.
Mas como avaliar a legibilidade do texto? O conceito de legibilidade é apenas apresentado neste artigo, nosso objetivo é rejeitar apenas o desempenho intuitivo, de modo a fornecer aos profissionais uma forma de orientar sua tomada de decisão.
Em termos de senso comum, mesmo entre os profissionais que atuam como revisores, avaliar a legibilidade dos textos parece subjetivo. No entanto, desde as primeiras décadas do século 20, técnicas e métodos mais precisos para determinar se um texto é legível foram pesquisados e desenvolvidos. Embora essas fórmulas tenham limitações e não devam ser utilizadas como base para redação ou mesmo edição, são ferramentas especialmente importantes para aplicação por profissionais que lidam com a comunicação escrita todos os dias: professores, orientadores, pesquisadores, revisores, formatadores escritores e jornalistas e outros profissionais.
Os resultados advindos das fórmulas de legibilidade podem não mostrar muito, mas os resultados negativos (ou seja, má legibilidade) quase sempre indicam algum tipo de problema na escrita do texto. Apesar de suas limitações, essas técnicas para medir a clareza têm suas contribuições, porque seu conhecimento poderá levar os profissionais de texto a pensar texto (ou sua edição) em termos de eficiência comunicacional. Sempre sobram questões a serem retomadas. Os revisores conhecem suficientemente o público-alvo? Os exemplos ou analogias apresentadas são capazes de esclarecer temas abstratos? O comprimento médio da frase é adequado para o nível de alfabetização do leitor? As enumerações enfadonhas são raras? A estrutura da frase ajuda na leitura esperada?
Para cada fórmula desenvolvida nos Estados Unidos, França e outros países, há muitas críticas, pois é possível produzir caricaturas de texto eficazes e simular bons resultados em indicadores de legibilidade em textos realmente ilegíveis e cuja comunicabilidade seja ineficaz. Entretanto, mesmo que as críticas existentes sejam razoáveis e devam ser consideradas, os testes de legibilidade não precisam ser ignorados. No mínimo, um baixo coeficiente de inteligibilidade ou legibilidade indica que, mesmo que os resultados não mostrem o problema ou como resolver o problema, também mostra que o leitor poderá encontrar problemas no processamento do texto.
A função das fórmulas não é fornecer uma maneira de escrever um texto claro e fácil de ler, porque o texto não deve ser escrito e editado para atender a padrões mensuráveis e textos com um índice bem legível podem ser forjados. No entanto, essas fórmulas podem fornecer pistas para autores e revisores questionarem se o texto é adequado para seu público e se tem boa legibilidade. Portanto, as funções dessas tecnologias são mais de alertas do que recomendações. Afinal, a análise de legibilidade pode fornecer apenas dados numéricos sobre legibilidade, ou seja, dados sobre como é fácil decodificar a mensagem.

Postagens mais visitadas deste blog

Principais estilos de citações bibliográficas e referências

Formate sua tese ou dissertação na Keimelion Os estilos de citações são muitos, cada revista científica, cada programa de pós-graduação decide qual estilo vai adotar, como fazer as citações. Primeiramente, vale informar que "estilos científicos" não são estilos "literárias", mas a edição de estilos, ou seja, modos de apresentação de conteúdo estruturados, formas de escrever artigos científicos , apresentação, organização de conteúdo, formas fazer abreviações, anexos e fotos presentes nos textos e, além disso, formas de citações bibliográficas e de referências . Por isso as formas de citações dependem de cada estilo científico.  As normas são muitas para as referências, mas o princípio é sempre o mesmo: a transparência. Para trabalhar com estilos de citações, é melhor usar um gerenciador de bibliografias como Refworks, Zotero, EndNote, Reference Manager, BibText e outros similares. Mesmo o Word que todo mundo tem faz esse serviço. O que impressiona muito é que a qua

A escrita acadêmica como requisito principal para a boa formação

O texto acadêmico é um gênero muito específico. O suporte para formação acadêmica é, boa parte, o texto. São textos em que as informações são assimiladas e textos produzidos para demonstrar o conhecimento apreendido ou produzido. Quando se fala em produção científica , os primeiros critérios que vêm à cabeça são a quantidade e a qualidade de artigos produzidos. O conceito de qualidade, no entanto, geralmente leva em consideração apenas o fator de impacto dos trabalhos, a quantidade de vezes que são citados por outros cientistas. Mas outro tipo de qualidade vem sendo buscada pelos pesquisadores, inclusive para conquistar o fator de impacto: a qualidade textual, que depende do bom preparo e bagagem do aluno universitário, que permite a ele produzir trabalhos universitários com excelência, qualidade pode ser obtida mais facilmente ao se apoiar em uma minuciosa revisão do texto feita por um revisor profissional . A produção de textos é processo contínuo de realimentação e do qual a revis

Como escrever títulos atraentes em poucos passos: do artigo à tese

Como aumentar o número de leituras de seu artigo? Você gostaria que sua tese ou dissertação fosse muito lida e citada ao invés de ignorada? Claro, qualquer autor deseja isso! Acontece que, atualmente o número textos acadêmicos que encontramos em qualquer pesquisa é muito grande, enorme. A concorrência entre todos os autores, na busca pelo leitor, não tem tamanho. Claro que o mais importante sempre vai ser a qualidade do trabalho, e clareza das ideias e um texto bem limpo, mas o título tem que ser um ponto de destaque também! E existem técnicas para títulos atrativos , que fujam do enfadonho jargão acadêmico e que transmitam a mesma ideia com uma linguagem mais moderna e atraente; veja um exemplo de título à antiga – que eu jamais adotaria – para esta postagem: Questões de legibilidade, ergonomia visual e empatia em títulos de teses, dissertações e artigos acadêmicos: uma discussão propositiva de aplicação da técnica AIDA. Convenhamos, dá até preguiça de ler até o fim, mas você certame

A seleção do título no artigo científico

Título de artigo pode ser pedra angular na carreira Um artigo científico cujo titulo foi bem escolhido tem mais leituras e mais citações! Poucos refletem sobre os títulos de seus artigos científicos e até mesmo sobre os das teses. O revisor do texto poderá oferecer alternativas, mas considere um pouco os princípios que apresentamos.  O título do artigo científico deve ser definido, se possível, com o menor número de palavras para descrever adequadamente seu conteúdo. Digamos que ele seja o "cartão de visita" do trabalho. A maioria das pessoas que acessam o artigo não o lê completamente, um dos motivos que desencadeiam essa situação é um título desinteressante que não reflita o conteúdo do artigo com precisão e clareza. O título é parte de um texto, e parte importante, sobre a qual é necessária alguma reflexão e para cuja elaboração existem técnicas. Nunca despreze a importância do título. Primeiramente, pense bem sobre o conteúdo de seu trabalho, identificando termos releva

Estrangeirismos e redação acadêmica

O que é estrangeirismo? Por que a implicância? Pode-se ou deve-se usar estrangeirismos em teses e dissertações ? Existe linguagem científica sem estrangeirismos? Onde encontrar as palavras em português? Estrangeirismo ou peregrinismo é o uso de palavra, expressão ou construção estrangeira que não tenha equivalente vernácula em nossa língua. É apontada nas gramáticas normativas como um vício de linguagem , mas há muito esta é apontada como uma visão simplista por diversos linguistas, como Marcos Bagno , da UnB , John Robert Schmitz , da UNICAMP e Carlos Alberto Faraco , da UFPR .   (Wikipédia) Talvez seja conseqüência de um conjunto de fatores o que leva os brasileiros a imaginar como místicas e esotéricas as palavras ordinárias usadas no inglês para dar nomes às coisas. Nesse conjunto, constato a presença do deslumbramento pelos falantes de inglês, da ignorância da língua portuguesa, da ignorância da língua inglesa, da ignorância da cultura estrangeira, da ignorância de etimol