Pular para o conteúdo principal

Revisão de textos técnicos

Considerações sobre revisão de textos técnicos

Nenhum revisor atua apenas como mantenedor da qualidade e estética do texto, mas opera também como mediador entre o autor e o público-alvo, sendo o primeiro leitor do texto, depois de ele ter sido lido e continuamente reescrito pelo autor ou autores. Mas o revisor é um leitor especial, ele lê cada linha pensando nas partes e no conjunto do escrito, considerando cada palavra e cada construção: o revisor é o linguista que vai conferir e aferir todos os aspectos formais e comunicacionais da mensagem. Em se tratando de documento texto técnico, das mais diversas áreas, podemos até dizer que, em alguns casos, além de emprestar ao escrito compreensão mais clara e precisão das instruções ou especificações, a revisão também pode prevenir erros operacionais, inclusive por afastar ambiguidades e obscuridades que, não apenas são possíveis, costumam ser recorrentes. Problemas desse tipo causam perda de tempo e dinheiro para a empresa.
O texto técnico-científico requer revisão acurada.
Más interpretações de mensagens podem resultar em retrabalho e, no limite, inclusive acidentes.
A importância da mediação de revisores profissionais está provada não apenas nos campos do conhecimento em que linguagem é a base da produção, mas em todos os campos nos quais a escrita é usada como meio de comunicação.

Textos técnicos e científicos

Faz-se necessário determinar o que é o texto técnico a que estamos nos referindo e distingui-lo do texto científico. Na verdade, os dois gêneros se inserem taxonomicamente no reino dos textos não ficcionais, e a principal distinção entre eles pode ser estabelecida pela tônica que o texto científico tem no conhecimento e o foco na aplicação caracterizar o texto técnico. Na verdade, em textos longos, é bem comum haver segmentos completamente técnicos (por exemplo, em uma tese, o capítulo de material e métodos) e haverá partes completamente científicas em qualquer manual técnico (no mínimo, do ponto de vista da divulgação do conhecimento). Texto é sempre um construto complexo que envolve muitas facetas e uma série de segmentos com características distintas entre si que o inserem em algum gênero.
Embora a informática ajude a tornar a revisão linguística mais ágil, sua complexidade e a produção de textos por parte dos cientistas e das empresas continua a aumentar em ritmo que pressiona o mercado de revisão. Mesmo sendo essencial, o serviço de revisão representa uma etapa pode “dificultar” ou atrasar o processo de edição e de veiculação de qualquer documento; a revisão é ainda mais necessária, por exemplo, quando várias pessoas contribuem, de maneiras diferentes, na produção de cada documento longo. Nesse tipo de material gráfico, é certo que existe grande demanda pela padronização, portanto, a revisão do texto e o controle de sua qualidade linguística e comunicacional são funções que devem ser desempenhadas por profissionais qualificados e competentes. No entanto, é bem conhecido que, apesar da ênfase atual na qualidade, as atividades de revisão não são consideradas essenciais em vários setores do mercado, especialmente nos mercados de base puramente tecnológica. O resultado são relatórios sem coesão, textos procedimentais ininteligíveis, propostas comerciais eivadas de problemas gramaticais; tudo isso resultando em prejuízo à imagem da empresa ou do pessoal responsável pela produção do material.
Sabemos que existe muito pouca informação sobre o papel do revisor; esse problema é um dos principais fatores que levam à falta de reconhecimento da profissão do linguista. Há outros fatores envolvidos, mesmo a deficiência de formação comunicacional (inclusive linguística) da mão de obra fora do campo das humanidades. Para haver compreensão mais aprofundada da importância da revisão e fazer uma apresentação mais clara da relevância dessa atividade, optamos por considerar diferentes tipos de texto e alguma segmentação de mercado. Não obstante, nossas considerações são generalizáveis; os problemas linguísticos são basicamente os mesmos em todos os campos do conhecimento e as dificuldades de aceitação da contribuição da revisão são semelhantes em diferentes áreas mercantis.
Percebemos que já não é pouca a bibliografia sobre textos técnicos. Mas ela é praticamente desconhecida por parte daqueles que produzem esse gênero de escrito – ressalvados os manuais de redação, dicionários e, menos ainda, alguma gramática. Normalmente, esses livros se limitam a confirmar a objetividade do gênero textual a que remetem. Todavia, reconhecemos que não seja exigível dos autores daqueles textos dominarem a linguística funcional inerente. No mundo de especializações, é preferível que o produtor de utensílios redija o manual de sua utilização e, em seguida, consulte um revisor profissional sobre os aspectos linguísticos e comunicacionais aplicáveis.
A escrita de textos técnicos não contém ficção, portanto, autor e leitor devem produzir e alcançar a mesma verdade (objetiva e funcional), os leitores todos devem ter o mesmo entendimento do que o autor pretende transmitir. Ao contrário dos textos fictícios (em que as conexões entre as informações e a explicação das ideias podem ser deixadas para o leitor), nos textos técnicos, o leitor precisa entender o que o remetente do texto espera, ao invés de simplesmente ficar livre para interpretar segundo o que cada um pensa ser específico ou mais adequado.
A expressão “técnico-científico” é utilizada para se referir à literatura técnica de caráter acadêmico ou profissional de cada ramo do conhecimento. Porém, aqui entenderemos a linguagem técnica, como aquela produzida no mercado de bens e serviços tecnológicos, cuja função é explicar funções de máquinas, peças e equipamentos; ainda que usando a linguagem científica na publicação, a divulgação ou produção do conhecimento não é a atividade fim, mas o emprego da terminologia é o meio pelo qual o texto alcança a finalidade para a qual ele foi produzido. Como tecnologia é área diferente da ciência (habilidades e conhecimentos, respectivamente) mas seguem em paralelo, podemos distinguir textos técnicos e científicos apenas como artifício metodológico.
A terminologia técnica não é diferenciada daquela científica do mesmo campo de conhecimento, embora haja distinção (nem sempre muito nítida) entes os dois gêneros: o primeiro descreve ou apresenta objeto ou serviço e estabelece relação entre o conhecimento obtido e sua aplicação, o segundo desempenha função diretamente ligada à produção, revisão, divulgação de informação no ramo. Embora textos técnicos sejam amplamente utilizados na vida empresarial – descrições de peças, equipamentos, relatórios de manutenção, manuais de instrução – percebemos que a maioria dos desenvolvedores, comunicadores e usuários não prestam a eles, naquela esfera, a atenção que todos os escritos merecem.
Como os textos técnicos sempre estiveram relacionados aos cursos tecnológicos ou técnicos, esse gênero de texto não tem recebido a atenção devida, nem mesmo seus autores ou seus leitores esperam muito deles. Também sabemos que as dificuldades associadas às peculiaridades do vocabulário dos textos técnicos e a dificultosa relação entre a formação tecnológica e educação literária levaram a esse descaso. Infelizmente, o único objetivo do ensino tradicional da escrita é preparar os alunos para exames admissionais.
Acreditamos que nossa experiência de mais de vinte anos no ramo da revisão de textos técnicos e acadêmicos seja passível de ser comentada, motivo que nos levou a tratar, neste artigo, desse viés de mercado relacionado a nossa atividade profissional que compreende revisão de texto científicos (teses, dissertações e artigos eivados de vocabulário técnico) e de textos técnicos (relatórios, propostas, manuais, repletos de jargão científico) das mais diferentes áreas do conhecimento e do mercado.

A revisão do texto técnico

Considerações iniciais

Para apresentar melhor o assunto, decidimos definir conceitos necessários à revisão de textos: linguagem padrão, gêneros, textos canônicos. A linguagem padrão refere-se ao conceito de linguagem ideal, que foi estabelecido como universal e é considerado “correto”. Esse modelo, também é chamado de norma culta, é difundido pelas escolas e descrito em gramática e dicionários. No entanto, a chamada linguagem padrão não corresponde à fala de nenhum grupo social. Como “lei linguística”, ela infere do uso oral e escrito e fornece uma base para corrigir as formas linguísticas ao aproximar as construções recentes daquelas tidas como paradigmáticas.
O gênero textual é estrutura textual especial que se origina de alguns dos seguintes textos: narrativo, descritivo, declarativo, declarativo e proibitivo – dentre outros. O gênero do texto é classificado de acordo com as características comuns do documento na linguagem e no conteúdo, possibilitando agrupá-los por suas similaridades em blocos comparáveis. Muitos são os gêneros de texto, identificá-los facilita a interação entre os interlocutores (emissor e receptor) de determinada voz, por exemplo: relatórios, anúncios, procedimentos, manuais. Cada texto possui sua linguagem e estrutura com elementos peculiares ou genéricos. Observe-se que existem muitos tipos de texto na classificação de gênero de textual.
Textos canônicos são aqueles que apresentam uma “fórmula padrão” facilmente reconhecível cuja aplicação seja um modo de simplificar sua criação, por exemplo: introdução, desenvolvimento e conclusões, no texto argumentativo, ou ingredientes e procedimento na receita culinária, ou medicamento e posologia na receita médica.
É importante considerar o contexto, a função e a finalidade de cada escrito, pois o gênero do textual pode conter vários subgêneros. Por exemplo, o manual de uma ferramenta conterá as apresentações de peças e acessórios que a compõem (texto descritivo) e o modo de usar cada um (texto procedimental).
Em nossas atividades de comunicação diárias, a linguagem oral é tão predominante que o texto escrito se torna cada vez mais fica contaminado por ela. É importante entender essa aproximação para adaptar o texto às especificações padrão e aproximá-lo da situação real do leitor, bem como para manter os limites entre as duas formas de registro. Esse papel de mediador entre linguagem oral e seu registro gráfico é desempenhado pelo revisor no texto técnico. Ao contrário do que muitas pessoas acreditam, os revisores não são (ou pelo menos não deveriam ser) defensores das normas padrão, mesmo que as conheçam e apliquem – a função do revisor é aumentar a eficiência do texto quanto ao que ele se propõe. Embora o idioma padrão seja uma referência para a correção de texto – e não é a única, ao considerar o texto, o revisor tem em conta a variante de idioma usada só setor específico (idioleto ou jargão) e a forma padronizada da variante será reconhecida pelo usuário segundo o contexto.
Não consideramos o texto oral e o escrito como antagonismos, mas nos engajamos em atividades interativas e complementares no contexto de costumes sociais e culturais. Embora a escrita seja processo essencial para que as pessoas possam interagir diariamente, a pessoa é definida como aquele que fala (homo loquens) e não como uma quem que escreve. Todavia, a sociedade e a memória histórica são derivadas das tradições orais e dos registros gráficos, em diferentes coeficientes, com aumento significativo da participação textual à medida que a sociedade se sofistica. Devemos estudar sempre as semelhanças e diferenças entre os dois registros, oral e escrito, pois o principal objetivo compreender o limite e utilizar cada um adequadamente.
Todas as pessoas têm ou tiveram tradição oral, mas menor número pode dizer o mesmo em relação à tradição escrita. Mesmo para quem também tem tradição escrita, deve-se destacar o que é sempre oralidade: a base anterior do pensamento. No entanto, um registro desses ser dominante em certo meio, e o outro preponderar em contexto diferente, não torna nenhum deles mais importante. Excrecência pode ser o abuso de construções típicas da fala no texto escrito, ou o contrário. Bom-senso é aplicar o critério de pertinência com alguma flexibilidade e toda a propriedade necessária.

Revisão profissional de textos

As dificuldades que a maioria das pessoas encontra ao escrever textos e a velocidade com que as informações nos chegam em nossos dias não significam que os autores não precisam se preocupar ou podem alegar não ter tempo para verificar seus erros ou outros problemas persistentes em seus escritos, como falta de clareza e texto hipossuficiente para atingir o objetivo. Acreditamos que seja necessário modificar todo o processo, que todos os textos sejam passíveis de revisão e apresentariam ganha qualitativo com a contribuição e intervenção do linguista profissional.
Uma das vantagens de se ter um revisor profissional, ou empresa de revisão, assessorando a empresa é que ele pode flexibilizar o uso dos padrões culturais, adaptar a redação à realidade requerida pela praça e fazer com que o conceito de qualidade se ajuste melhor ao contexto. Em caso de empresas maiores, com larga e rotineira produção de documentos escritos, pode ser vantagem ter-se um revisor profissional residente, capaz de aprimorar toda a comunicação interna e externa da firma, um profissional apto a adequar cada escrito à realidade do ramo de atividade e fazer com que os conceitos correspondam melhor ao contexto. O conhecimento dos gêneros textuais relacionados à cada área também é de fundamental importância, pois o revisor pode ter mais padrões se dominar esse conhecimento antes de dominar muito conteúdo.

Revisão gramatical de textos

Uma das etapas mais rudimentares da revisão é a correção gramatical, pois a repetição de palavras ou presença de erros ortográficos chamam a atenção do leitor negativamente. Erros de digitação são outra ocorrência que prejudica a leitura e constitui ruído à melhor interpretação da mensagem. Sempre, o revisor deve insistir na manutenção das intenções dos autores. Essa é a etapa básica do sistema de revisão, pois elimina os vícios de linguagem e torna os pensamentos expressos de forma bem mais clara, às vezes, pela simples reordenação de uma frase construída em ordem indireta.

Orientação aos autores

Um bom revisor não deve apenas considerar os aspectos gramaticais do texto (ortografia, concordância, acentuação, pontuação…) e consistência, também pode apresentar aos autores sugestões para melhorar o conteúdo, sempre atento à coerência e coesão do conteúdo.
Cada ideia deve ser transmitida aos leitores de forma tão interessante quanto possível, de modo tão fácil à compreensão quanto se seja capaz, para satisfazer a leitura sem obstáculos interpretativos. Esse é o caminho da revisão em sua etapa mais relevante: verificar se o conteúdo e a adequação do texto correspondem a seus objetivos.
Nessa etapa, o revisor deve sempre considerar o estilo de linguagem dos autores do texto, ou o padrão da empresa, atento à maneira especial com que cada autor expressa seu pensamento, sempre que necessário, subordinando a individualidade autoral a padrões determinantes. Tudo isso será verificado na escolha de palavras, expressões, estrutura sintática e terminologia profissional. O texto de alta qualidade deve sempre preservar o significado original e a intenção dos autores. Revisão requer mínima interferência: o revisor só altera o necessário, só sugere o imprescindível. Revisão requer alteridade: é necessário que o revisor não tenha participado da redação.

Função do revisor de textos

A função básica do profissional é ler textos, localizar problemas eventualmente existentes nele e atuar como assessor linguístico. Essa é a parte rudimentar do ofício, aquela que todos conhecem. Porém, ele também é responsável por ler o texto final, já impresso, e compará-lo ao texto original correspondente (cotejamento) – as pessoas não imaginam quanta coisa acontece com um texto entre sua redação e sua impressão (edição, diagramação, composição…), e cada procedimento pode criar problemas. Em tese, o revisor é o profissional responsável por verificar a exatidão das alterações exigidas em cada prova de impressão, verificando o alinhamento e a posição de elementos como números de página, legendas ou títulos dos tópicos e destaques.
Além das funções básicas de tratamento de erros gramaticais e problemas de coerência interna e externa, os revisores também devem ser capazes de lidar com textos de diferentes gêneros e em diferentes suportes, sendo capazes de processá-los e adaptá-los ao público específico a que se destinam e à respectiva mídia. O revisor é o profissional que sempre lerá tudo, independentemente dos livros de que goste ou para os quais tenha facilidade por suas habilidades. Portanto, um dia ele vai enfrentar um livro de filosofia, depois outro de engenharia e, em seguida um artigo sobre política internacional ou a tese acerca da prevalência da Covid no estado. Tudo isso com foco na uniformidade de estilo e gênero. Também a variedade de temas se reflete sobre o relatório, o projeto, a proposta, o manual… sem se importar se o tema é eletrônica, economia, mineração, administração, psicologia… Além disso, o revisor precisa dedicar sempre algum tempo a mais estudo: ampliando o conhecimento linguístico, atualizando-se com jornais, notícias e, enfim, estar alerta e em movimento.
Os revisores não precisam ter formação específica no ensino superior, mas suas responsabilidades comumente requerem treinamento em mídia ou literatura (em sentido lato). Não é necessária a chancela acadêmica para o exercício profissional da revisão – e louvamos isso, mas é imprescindível o repertório de linguística, de erudição e de método e técnica aplicados ao desempenho. Os revisores estão longe de serem substituídos por programas de correção de textos, eles são excelentes ferramentas, mas simplesmente não fazem o trabalho de um revisor profissional, apenas cumprem a função de eliminar os desvios mais elementares da norma e dos registros, e já dissemos o quanto a revisão vai além dessa base rudimentar.

Estruturas textuais

Conforme mencionamos com frequência, os serviços de revisão são extremamente importantes nos mais diversos campos que se destacam pela qualidade de serviço. Além da ausência de erros básicos de ortografia e da necessária consistência, o texto deve ser coerente. A macroestrutura textual requer coerência do texto, sua estrutura retórica afinada com os objetivos gerais. A microestrutura é a superfície do texto, composta de elementos como concordância verbo-nominal e concatenação frasal.
Durante a revisão da macroestrutura, no texto técnico, os revisores podem não ter conhecimento enciclopédico do assunto, mas ainda precisam descobrir e aferir os conceitos ou instruções abordadas no texto e, nesse processo, se inteiram da coerência interna do documento, identificando lacunas e eventuais contradições. O que acontece é que o revisor tem conhecimento do idioma, incluindo conhecimentos de gramática e vocabulário, e é responsável pela interpretação da mensagem de acordo com as informações prestadas; se falta algum dado, alguma informação, ele vai apontar o problema.
A experiência adquirida como revisor de um determinado tipo de texto (neste caso o texto técnico-científico) é um subsídio valioso para a atividade profissional, pois, além de economizar tempo do autor, também proporciona agilidade à revisão e edição. Porém, embora experiência, humildade e bom-senso sejam essenciais para qualquer interferência no texto alheio, a dúvida (por menor que seja) deve ser apresentada ao autor, ele deve ser sempre consultado. Se o revisor não entender o significado de certas partes do texto, ele resolverá a dúvida com o autor, e conciliará a descrição correta e a coerência do texto, de forma que o texto seja inequívoco para o cliente final.
Em nossa prática diária como revisores, constatamos que boa parte dos autores de textos técnicos acredita que o trabalho de revisão seja desnecessário. Por isso, em geral, só procuram a revisão quando há maior pressão (do gestor) ou reclamações externas (do cliente). No entanto, quando já usaram os serviços de revisão uma vez, os técnicos e cientistas perdem o “medo” de confiar seu texto aos revisores, percebendo que os revisores não fazem alterações sem consultar os autores.
O revisor atua como parceiro, mediador entre o autor e o leitor, não é um corretor automático. Após toda leitura, sugestões quase sempre aparecem. Sempre, a decisão final é do autor. Apenas as correções gramaticais e ortográficas elementares não requerem sua aprovação – são as chamadas intervenções resolutivas, sobre as quais não incidem possibilidades de questionamento (por exemplo: um sujeito separado do predicado por vírgula é falha incontestável). Com a prática, estabelece-se um vínculo de confiança e integração entre autores e revisores e, desde então, os primeiros passaram a usar os linguistas como aliados e primeiros leitores.
Revisão requer tempo, requer consideração atenta ao escrito, requer pesquisa e consultas. Paradoxalmente, quanto mais cedo a revisão é entregue, melhor é a reputação do revisor, quanto mais atento aos prazos mais se tem em boa conta o profissional (o cliente está sempre ansioso para ver os serviços executados), a revisão do escrito técnico exige agilidade – mas a qualidade requer atenção e sequência de etapas que não podem (ou não deveriam) ser saltadas. Portanto, o cotidiano da revisão tem um fator agravante: a universal urgência dos autores. Na verdade, é necessário concentrar o máximo de energia possível durante o processo de revisão, para minimizar as falhas: nem sempre haverá segunda oportunidade de intervir e os problemas passarão despercebidos na exata proporção em que o revisor for pressionado com a pressa. Uma revisão cuidadosa deve levar tempo. A urgência quase sempre compromete a clareza e, com frequência, implica em lapsos. O conceito é que não há urgência, há textos atrasados. Portanto, atrasos devem ser evitados pelos autores para evitar impacto no escrito, o revisor não pode ser responsabilizado pelas intercorrências que precedem seu trabalho.

O suporte do trabalho de revisão

As ferramentas dos programas editores de texto comuns ajudam na comunicação entre revisores e autores por meio de comentários, correções explicitas ou sugestões de mudanças que são apresentadas. Pode ser desejável e é útil a impressão em papel, mas ela demanda tempo que nem sempre é disponível e acarretará mais trabalho – com consequentes custos, pois, durante a leitura do texto impresso, ele é marcado e anotado, e tudo deve ser transferido manualmente para o computador em seguida. No entanto, essa etapa da revisão pode ser importante, certamente agrega considerável qualidade ao produto.

A revisão e controle de qualidade

Frequentemente, recebemos documentos preparados por técnicos que não acreditam que o texto precise ser revisado, mas, devido a requisitos de qualidade e satisfação do cliente, costumam nos encaminhar seus trabalhos antes de publicá-los. Devido ao foco atual na certificação de qualidade, as empresas têm focado mais nos aspectos que auxiliam na obtenção dos certificados em voga. Portanto, qualquer serviço que contribua para a garantia da qualidade para a empresa a cada dia torna-se mais valioso. Nesse sentido, a revisão de texto pode ser considerada forte indicador de qualidade e, portanto, ocupa importante e promissor espaço na empresa.

A importância da revisão de textos técnicos

A falta de departamento de revisão em uma empresa acarretará sobrecarga para os gestores que, além de planejamento e coordenação, devem “revisar” textos que podem estar mal redigidos. Para todos os responsáveis por informações, pareceres, conclusões de pesquisas, projetos ou normas de serviço, por escrito, é um indispensável apresentar o texto de forma correta, clara, precisa e inteligível. Porém, na realidade, é óbvio que isso não acontecerá na maioria dos casos.

Colaboração entre revisor e autor

A linguagem técnica é construída a partir dos conhecimentos específicos que a permeiam. Ainda que de posse de tais conhecimentos, os profissionais da área técnica devem adequar a redação dos textos à finalidade a que estes se propõem, tendo em mente que escrever bem não significa escrever difícil, para tanto, pode-se sempre contar com a colaboração de revisores, linguistas profissionais. No exercício da profissão de revisor, atentamos sempre para alguns detalhes que fazem diferença qualitativa que não deve ser desprezada.

Postagens mais visitadas deste blog

A escrita acadêmica como requisito principal para a boa formação

O texto acadêmico é um gênero muito específico. O suporte para formação acadêmica é, boa parte, o texto. São textos em que as informações são assimiladas e textos produzidos para demonstrar o conhecimento apreendido ou produzido. Quando se fala em produção científica , os primeiros critérios que vêm à cabeça são a quantidade e a qualidade de artigos produzidos. O conceito de qualidade, no entanto, geralmente leva em consideração apenas o fator de impacto dos trabalhos, a quantidade de vezes que são citados por outros cientistas. Mas outro tipo de qualidade vem sendo buscada pelos pesquisadores, inclusive para conquistar o fator de impacto: a qualidade textual, que depende do bom preparo e bagagem do aluno universitário, que permite a ele produzir trabalhos universitários com excelência, qualidade pode ser obtida mais facilmente ao se apoiar em uma minuciosa revisão do texto feita por um revisor profissional . A produção de textos é processo contínuo de realimentação e do qual a revis

Principais estilos de citações bibliográficas e referências

Formate sua tese ou dissertação na Keimelion Os estilos de citações são muitos, cada revista científica, cada programa de pós-graduação decide qual estilo vai adotar, como fazer as citações. Primeiramente, vale informar que "estilos científicos" não são estilos "literárias", mas a edição de estilos, ou seja, modos de apresentação de conteúdo estruturados, formas de escrever artigos científicos , apresentação, organização de conteúdo, formas fazer abreviações, anexos e fotos presentes nos textos e, além disso, formas de citações bibliográficas e de referências . Por isso as formas de citações dependem de cada estilo científico.  As normas são muitas para as referências, mas o princípio é sempre o mesmo: a transparência. Para trabalhar com estilos de citações, é melhor usar um gerenciador de bibliografias como Refworks, Zotero, EndNote, Reference Manager, BibText e outros similares. Mesmo o Word que todo mundo tem faz esse serviço. O que impressiona muito é que a qua

Estrangeirismos e redação acadêmica

O que é estrangeirismo? Por que a implicância? Pode-se ou deve-se usar estrangeirismos em teses e dissertações ? Existe linguagem científica sem estrangeirismos? Onde encontrar as palavras em português? Estrangeirismo ou peregrinismo é o uso de palavra, expressão ou construção estrangeira que não tenha equivalente vernácula em nossa língua. É apontada nas gramáticas normativas como um vício de linguagem , mas há muito esta é apontada como uma visão simplista por diversos linguistas, como Marcos Bagno , da UnB , John Robert Schmitz , da UNICAMP e Carlos Alberto Faraco , da UFPR .   (Wikipédia) Talvez seja conseqüência de um conjunto de fatores o que leva os brasileiros a imaginar como místicas e esotéricas as palavras ordinárias usadas no inglês para dar nomes às coisas. Nesse conjunto, constato a presença do deslumbramento pelos falantes de inglês, da ignorância da língua portuguesa, da ignorância da língua inglesa, da ignorância da cultura estrangeira, da ignorância de etimol

Como escrever títulos atraentes em poucos passos: do artigo à tese

Como aumentar o número de leituras de seu artigo? Você gostaria que sua tese ou dissertação fosse muito lida e citada ao invés de ignorada? Claro, qualquer autor deseja isso! Acontece que, atualmente o número textos acadêmicos que encontramos em qualquer pesquisa é muito grande, enorme. A concorrência entre todos os autores, na busca pelo leitor, não tem tamanho. Claro que o mais importante sempre vai ser a qualidade do trabalho, e clareza das ideias e um texto bem limpo, mas o título tem que ser um ponto de destaque também! E existem técnicas para títulos atrativos , que fujam do enfadonho jargão acadêmico e que transmitam a mesma ideia com uma linguagem mais moderna e atraente; veja um exemplo de título à antiga – que eu jamais adotaria – para esta postagem: Questões de legibilidade, ergonomia visual e empatia em títulos de teses, dissertações e artigos acadêmicos: uma discussão propositiva de aplicação da técnica AIDA. Convenhamos, dá até preguiça de ler até o fim, mas você certame