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Revisor acadêmico: teses e dissertações

O trabalho do revisor acadêmico

A revisão acadêmica é a atividade dos linguistas profissionais em que se aperfeiçoam as características do documento original, uma tese ou dissertação, por exemplo, que estejam aquém do aceitável, conforme determinado por um conceito de qualidade reconhecidamente aplicável ou segundo um manual específico, e em que se fazem quaisquer correções e melhorias necessárias e cabíveis. Mas o trabalho de revisão do texto científico não é o mesmo sempre, depende do objeto (a matéria do texto), depende da demanda de quem contrata o serviço e depende da finalidade do produto a ser entregue. Com alguns textos, por exemplo, o trabalho do revisor é restrito à correção: omissões, falhas de digitação, barbarismos, problemas de semântica e desvios das regras da linguagem padrão. Com outros textos, os revisores também devem fazer melhorias de fundo: melhorar a qualidade da escrita, fazer edição estilística; eliminar problemas de ambiguidade ou incoerência e fazer pequenos ajustes no sentido de melhorar a comunicabilidade: assegurar que o leitor vá entender o escrito segundo o que o autor desejava ao redigir.
Revisamos teses e dissertações há mais de vinte anos.
O revisor de uma tese considera a língua e o contexto. Nada pode escapar à revisão.
Nesta postagem, vamos considerar a revisão como exercício de leitura; vamos discutir brevemente sobre a terminologia de revisão – assunto sobre o qual já nos alongamos bastante em outros textos, mas aqui apresentaremos mais as convergências e divergências entre alguns termos e mesmo a sinonímia entre eles; vamos apresentar a função de revisão em relação aos textos acadêmicos – principal foco de nosso trabalho, notadamente as teses de doutorado e as dissertações de mestrado; vamos aludir aos problemas relativos à autorrevisão (a que chamamos reescrita – aquele trabalho do autor aperfeiçoando seu próprio texto) e a importância da revisão alterna (feita por profissional). Em seguida, vamos falar sobre a contratação de revisores e sobre revisores especializados – pretendemos deixar bem clara a necessidade de que os revisores para as teses e dissertações sejam muito experientes nesse gênero específico de textos; apresentaremos o problema de se equilibrarem os interesses de autores, clientes e leitores em relação à qualidade da revisão, o eterno trade-off entre o tempo e a otimização, e equacionarmos a quantidade de revisão que pode ser esperada de um revisor em cada jornada.

Revisão da tese: tarefa de leitura

Existem vários conceitos de qualidade aplicáveis ao serviço de revisão acadêmica: ela pode ser considerada a necessidade de se agradar o cliente, como a busca por otimizar o texto, ou proteger a linguagem e promover a comunicabilidade textual. Em relação a esse último conceito, a revisão será vista principalmente uma tarefa de (re)escrita – quase um exercício literário em busca da melhoria da linguagem e do estilo. Sob os outros dois conceitos, no entanto, podemos pensar a revisão principalmente como tarefa de leitura, um exercício de detectar passagens que podem não agradar ao cliente ou podem fazer o texto situar-se aquém da qualidade desejada em relação à finalidade do documento. Sabidamente, as teses e dissertações têm o propósito de serem submetidas a bancas que avaliarão todos seus aspectos, inclusive os textuais e linguísticos; em seguida, algumas telas poderão vir a ser editadas em outro formato e se transformam em livros.
A habilidade fundamental do revisor é a capacidade de ler com muito cuidado. É um equívoco pensar que os problemas linguísticos simplesmente saltarão aos olhos, emergindo do original, bastando para tal que o leitor esteja familiarizado com normas gramaticais e ortografia. De fato, é extremamente fácil negligenciar tanto os problemas evidentes do texto, quanto questões praticamente insignificantes, bastando um segundo de relapso para que qualquer tamanho de problema escape aos olhos mais treinados, principalmente para o próprio autor – quando se trata de autorrevisão: por isso os pesquisadores e os orientadores acadêmicos devem se abster de considerar que podem revisar os textos das teses, todos estão demasiadamente comprometidos com a escritura, portanto, contaminados pelas palavras que já leram e releram dezenas de vezes.
Para desenvolver a atitude adequada enquanto revisa (processo em que se está lendo, não escrevendo – cabe frisar), o revisor não deve ter apenas sua caneta vermelha pronta ou os dedos no teclado e no mouse preparados para fazer uma interferência. O objetivo não é fazer mudanças; é identificar problemas, o que é muito diferente. O revisor deve ter a mente alerta para todos os intervenientes intrínsecos e extrínsecos ao texto, promovendo a harmonia entre eles, segundo a norma cabível e de acordo com o gênero inerente; teses e dissertações constituem um gênero textual muito específico, geralmente muito bem definido e que requer profissional experiente e familiarizado com este trabalho. Como se pode inferir, a revisão a que nos referimos não é um processo automatizado para quem o executa, tampouco é passível de automatização por meios eletrônicos.
Infelizmente, o verbo “revisar”, como usado nos campos do letramento ou da revisão, não é útil quando se trata de conceber a revisão como exercício de leitura. Para a revisiologia, é melhor compreender revisão como o olhar ou como a (re)leitura cuidadosa do material escrito ou impresso com o objetivo de fazer melhorias, correção ou aperfeiçoamento do escrito pelo exame ou reexame contínuo do objeto segundo o objetivo. Revisar, no sentido da interferência que o profissional interpõe, significa fazer ou propor aperfeiçoamento ao texto; estamos tramitando pelo universo da leitura, muito mais que pela tarefa da escrita – isso consiste praticamente no contrário do que é o uso genérico da expressão revisar.
Consideremos revisão como olhar ou ler cuidadosamente uma tese com vistas a melhoria ou correção, para melhorá-la como resultado de exame e reexame sistematizados que resultarão em intervenções e intercessões mediativas, aplicadas como interferências diretamente resolutivas ou proposições. Assim, revisar um texto significa fazer considerações e proposições nele; é um exercício de (re)escrita a ser proposta ao cliente, não se trata meramente de leitura e correções.

Terminologia de revisão

Não há terminologia em português (ou nas línguas ocidentais mais faladas) universalmente reconhecida ou conceitos uniformes em relação às atividades de revisão. Termos como revisão, releitura, verificação, leitura cruzada, autorrevisão, preparação e controle de qualidade são usados em grade variedade de significados e contextos. Em nossa teorização sobre a atividade de revisão, também temos empregado termos como interferência, intercessão, intervenção e mediação em sentidos que, infelizmente, nem sempre são exatamente uniformes, dada a complexidade e a contaminação entre as nuances representadas por cada termo. No serviço editorial, as pessoas saberão o que significa determinado termo – mas o sentido exato só é assimilado internamente para aquele grupo, ao abordar pessoas de fora, mesmo profissionais do ramo, será sempre necessário especificar o que significa exatamente cada termo que se refere às diferentes etapas do processo editorial e mesmo as sub-rotinas da revisão.
Para nós, os termos “revisão”, “controle de qualidade textual”, “interferências” e “mediação linguística” são virtualmente sinônimos; salvo contextos específicos, usamos uns por outros até por questão estilística. Usamos os termos “intervenção em textos alternos” com o mesmo sentido, “passagem” ou “leitura” são praticamente sinônimos: referem-se a cada vez que se percorre o original. Para “verificar” a revisão ou “controle de qualidade” os sentidos são mais menos o que o contexto indica: checagem e aferição. “Releitura” é usado com bastante frequência, no sentido de mais uma leitura, nossa passagem pelos escritos ou por algum de seus segmentos. “Cotejamento” é uma revisão que envolve a comparação com o original, distinta da revisão que não o faz. Chamamos de revisão o conjunto de processos a que submetemos o texto, durante a aferição de sua qualidade, e ao produto desses processos: revisão é também o texto revisado. Ao passo que “revisão”, “interferências”, “intercessão”, “intervenção” e “mediação” são termos praticamente sinônimos, em sentido lato, distinções são feitas entre “controle de qualidade” e “avaliação de qualidade” e “garantia de qualidade”, tal como nos referiremos adiante. Em seguida, enquanto “interferência alterna” e “revisão” são sinônimos, distinguem-se de “interferência em textos próprios” e “reescrita” – os dois últimos sendo as diferentes retomadas do próprio autor sobre seus escritos. Em nosso modo de entender, a revisão deve ser exercida exclusivamente por linguistas qualificados; editoração é categoria é mais ampla, incluindo qualquer um que realize uma função de verificação e correção, inclusive de aspectos gráficos. Ainda assim, evitamos o uso de “controle de qualidade” no sentido textual, posto que o conceito de “qualidade textual” é fluido, podendo mesmo dizer-se que é mais subjetivo que as propostas de revisão geralmente pretendem alcançar.
“Revisores de textos” são linguistas que se dedicam à intervenção em textos alternos, são distintos de “revisores pares”, peritos em matéria e assunto objeto do documento que emitem parecer material sobre o escrito, para fins de publicação ou quais sejam, eles só fazem as formas de verificação qualitativa sobre o conteúdo, ainda que indiquem a necessidade de correção, todavia, não se envolvem em questões linguísticas ou comunicacionais, são controladores de qualidade adstritos ao veículo a que o texto se destina, mas não são revisores no sentido estrito que damos à expressão. Muitas pessoas usam o termo “revisor” para se referir ao especialista em matéria ou assunto e que se dedica à compilação crítica de escritos alheios; nada tem a ver com nossa prática, embora produzam muitas vezes o que se convenciona chamar de “revisão da literatura”– o que é o emprego de dois termos em sentido lato para descrever uma abordagem específica. Do mesmo modo, os “revisores do conteúdo” ou especialistas no objeto de que trata documento fazem apenas aquelas formas de verificação e correções que não envolvam questões linguísticas, são controladores de qualidade – no que se refere ao objeto material do texto, mas não são revisores no sentido de não serem (exceto em casos de metalinguagem) linguistas profissionais. Muitas pessoas usam o termo “revisor” para se referir a um especialista no assunto em pauta – preferimos evitar tal emprego, assim como evitamos a noção de revisão por pares do contexto dos periódicos científicos, embora a conheçamos amplamente: o sentido de todos os termos e expressões é circunstancial.
Revisão é o termo usado em serviços editoriais para qualquer verificação linguística ou, de modo mais restrito, para a atividade de se verificar desvios mecânicos (erros de digitação, palavras ausentes, erros no layout da página). Trata-se do trabalho realizado por revisores profissionais que trabalham em um documento de cuja redação estiveram ausentes (alteridade, heteronomia).
A maioria dos serviços editoriais distingue a revisão da preparação do texto, sendo este último utilizado em relação às interferências que antecedem a composição e o projeto gráfico, no contexto publicitário ou livresco; a preparação é composta de intervenções orientadas para o negócio (em vez de orientadas para o produto), e são discutidas mais à frente. Alternativamente, a “revisão” pode ser utilizada para referir-se à completa releitura da revisão para a verificação da exatidão e da qualidade linguística, sendo que cada frase é comparada com a parte correspondente do original; chamamos esse processo de “revisão de revisão”. “Controle de qualidade” é usado eventualmente para se referir a revisão menos-que-completa, mas preferimos reservar essa expressão para o sentido de aferição qualitativa dos trabalhos dos revisores de textos. Um “revisor sênior” designado pode submeter o projeto de revisão à verificação parcial, avaliando por amostragem a qualidade dos serviços de “revisores juniores” sob sua supervisão: apenas partes são lidas, eventualmente havendo comparação com o escrito de origem. Para nós, no entanto, a “revisão de textos” a que mais nos referimos é completa (todos os aspectos de toda a textualidade são verificados, com comparação com a fonte, checagem de todos os elementos macro e microtextuais, coerência, coesão e ortossintaxe) é simplesmente o mais alto grau de controle e aperfeiçoamento aplicável ao documento escrito; os graus inferiores do controle da qualidade são referidos ainda como a “revisão mecânica”– aquela que se limita aos aspectos de ortografia, por exemplo.
A distinção que fazemos entre “revisão”, “preparação” e “edição” nem sempre reflete a terminologia usada no mundo profissional. Assim, muitos revisores usam “edição” para se referir ao processo de leitura de uma revisão sem se referir ao texto de origem, isso nos parece mais um procedimento de controle de qualidade. Enquanto isso, outros restringem o termo “edição” ao trabalho realizado por editores profissionais em originais antes de eles serem enviadas aos revisores ou à composição, segundo o procedimento da casa. Finalmente, muitos revisores e tradutores, especialmente nos Estados Unidos, utilizam a palavra correspondente a “edição” (editing) para significar a revisão das traduções ou mesmo no sentido que damos à “preparação do texto”.
“Revisão”, tão-somente, permanece termo frequentemente utilizado em serviços editoriais para qualquer verificação linguística, ou verificação de deslizes mecânicos (erros de digitação, falta de palavras, erros no layout da página). Às vezes ele é usado no sentido de “revisão de provas” para o trabalho realizado por revisores profissionais que trabalham conferindo as impressões prévias (“bonecas” ou “bonecos”) e propondo aperfeiçoamento ao material advindo da gráfica ou da composição. Há ainda outros empregos do termo “revisão” que se desviam muito do sentido que damos a ele; já tratamos disso em obra anterior.
Fora do mundo editorial, o termo “revisão” é usado em muitas acepções que podem criar confusão quando os revisores interagem com os clientes. Professores de redação muitas vezes usam o termo revisar para se referir à reescrita. Até mesmo editores profissionais, quando não estão se dirigindo ao time de sua casa editora, utilizam a palavra “revisão” para se referir a alterações feitas no texto por seu autor. Por exemplo, quando escrevemos este texto, enviamos o manuscrito continuamente entre os autores, que lhes aplica as mudanças sugeridas. O trabalho que fazemos em resposta às sugestões recíprocas seria comumente chamado de revisão, mas, para nós, trata-se de reescrita, uma vez que todos somos autores e corresponsáveis pela criação e pelas opiniões, assim como pela qualidade e estilo do texto. Não obstante, nenhum de nós é revisor neste trabalho de que somos autores. Da mesma forma, quando a editora decidir levar ao prelo o que alguns chamariam de “edição revisada”: uma nova versão do texto com várias mudanças, adições e subtrações em resposta a novos desenvolvimentos no campo da revisão e no nosso próprio pensamento sobre revisão, a aplicação do conceito de revisão – naquele contexto de nova edição – foge inteiramente à acepção de “revisão” com que trabalhamos.
Em sistemas burocráticos, instâncias governamentais ou em ambientes corporativos, os documentos passam muitas revisões (no sentido apenas lato) antes de atingir sua forma final – na verdade, nos referimos à evolução de um documento nas diversas fases de sua elaboração como versões; qualquer escrito passa por diversas versões, desde seu projeto e esquema inicial até a versão final a ser submetida à revisão; todas as etapas podem contar com a colaboração o assessoramento de um linguista profissional (inclusive mencionado como revisor), mas somente quando o processo autoral é dado por concluso o documento segue para a revisão – agora em sentido restrito. O revisor que prestar serviços de revisão para uma burocracia pode ser solicitado a “revisar as versões”; ou seja, fazer a revisão durante o processo de redação ou entre as versões do documento, de modo a torná-lo paulatinamente em conformidade com forma e qualidade requeridas, o que será até muito útil – mas não dispensa a revisão posterior por outro linguista, já que aquele terá sido “contaminado” pelo texto e terá para com ele uma relação de coautoria.
Que revisa para uma instituição dessas, governo ou corporações, pode ser solicitado a “uma revisão urgente” ou “revisão superficial” – ou outras barbaridades dos tipos; ou seja, pode ser demandado a fazer um serviço como ele não deve ser feito, para depois ser responsabilizado pelas falhas alheias que lhe foram impostas. Isso não é revisão, é emenda que pode até ficar pior que o soneto.
Na revisão literária, situações surgem em que o termo “revisão” (no sentido de correção e melhoria de uma edição) deveria ser usado com propriedade, mas não é; o termo surge e não se sabe bem a que se refere. Um editor pode apresentar uma “nova revisão” de Proust, mas não é realmente outra versão recentemente traduzida do francês; trata-se da revisão de uma revisão publicada anteriormente, que é tratada indevidamente como original.

A supervisão nos serviços de revisão de textos

Às vezes, alguns dos revisores seniores em um serviço de revisão ou agência são designados como supervisores. Eles ocupam posições de “revisores” e dedicam todo ou a maior parte do seu tempo à revisão do trabalho de outros revisores da equipe. Esses revisores designados também podem ter responsabilidades de treinamento, administrativas e gerenciais; eles podem ser encarregados de treinar novos revisores, distribuir textos para os outros revisores e supervisionar revisores juniores (escrever suas avaliações anuais, recomendá-los para licença ou promoção e assim por diante).
Em outras organizações, o trabalho é distribuído pelo gerente do serviço, um gerente de projeto ou um membro da empresa administrativa e não por um tradutor sênior. Alguns dos revisores seniores podem ser designados para treinar juniores ou controlar a qualidade do trabalho de outros revisores. Alternativamente, os revisores seniores podem simplesmente revisar uns aos outros “a pedido” (cada tradutor decide se deve ter um dado texto revisado por um colega).
Os revisores também podem verificar a qualidade do trabalho feito pelos contratantes e fazer quaisquer alterações necessárias. De fato, em algumas organizações hoje, todo ou quase todo o trabalho é contratado, de modo que os membros da revisão gastam seu tempo verificando a qualidade do trabalho contratado e coordenando os membros de equipes de revisores contratados que trabalham em grandes projetos.
Em algumas organizações, o gerente do serviço de revisão é um revisor em vez de um administrador profissional e pode atuar como um segundo revisor em diversos projetos, tendo um olhar detalhado em algumas ou todas as revisões. O gerente pode fazer alterações e, em seguida, levá-las de volta para o revisor para consideração, ou simplesmente fazer sua própria interferência no documento.

A autorrevisão da tese

Uma questão comum, sempre, principalmente no contexto da produção de teses e dissertações é da autorrevisão, consistindo em o autor entender que pode revisar o próprio trabalho, ou que a supervisão do orientador acadêmico suprirá a necessidade de aperfeiçoamentos ao texto, em vez de contratar a revisão por um revisor profissional.
A desvantagem de confiar na autorrevisão, que nem mesmo pode ser considerada revisão, é que menos erros serão detectados: o autor tem certa cegueira em relação ao próprio texto. Ele pode estar especialmente orgulhoso de certas passagens e não ver um erro que outra pessoa vai detectar imediatamente. O revisor, o profissional, vai atuar um pouco como o “primeiro leitor” da tese ou da dissertação – um papel que o autor do original ou mesmo seu orientador não estão realmente em posição de desempenhar. Idealmente, os autores, quando permitem transcorra algum passe entre a conclusão do original e a (famigerada) autorrevisão, de modo que a redação da revisão parece um pouco desconhecida, assim eles enxergam melhor alguns problemas no trabalho, mas pesquisas recentes de revisores sugerem que até mesmo os prazos tornam esse distanciamento impossível. Ainda assim, a autorrevisão poderia até ser favorecida por algumas técnicas, por exemplo: mudar a fonte ou a cor da página, para causar algum estranhamento, ou por ouvir o próprio texto, lido pelo programa de edição. Mas os autores nem mesmo conhecem tais artifícios. Se o original for impresso e lida em papel, em vez de na tela, o autor verá coisas que não teria visto antes. Se o autor quiser se concentrar nas questões linguísticas mais simples, ele pode tentar ler o texto de trás para frente, começando na última frase; dessa forma, você não vai se distrair pelo significado – tal recurso pode parecer absurdo – e de fato é – mas temos notícia de que já o tenha empregado. Mas todos esses artifícios só fazem contornar minimamente a realidade: o autor está contaminado pelo que escreveu e não verá muitos problemas; o autor, normalmente, não tem mais que uma pequena fração dos conhecimentos linguísticos de um revisor profissional; o autor não tem tempo para tentar um afastamento do texto que seja significativo; o autor tem outras coisas a fazer, e que fará melhor, se deixar a revisão nas mãos de um profissional.
Por último, alguns autores, doutorandos e mestrandos em vias de defender seus trabalhos, nem sempre dispõem de recursos para contratar o revisor de que as teses necessitam. É compreensível, o custo é elevando e a remuneração dos pesquisadores nem sempre permite satisfazer a contento essa necessidade. Sabemos perfeitamente que pode ser uma despesa significativa a revisão da tese, então, recomendamos muito que os autores se preparem para enfrentá-la, fazendo a provisão de fundos, buscando auxílios institucionais, pesquisando por condições de pagamento que possam enfrentar. Nada de contratar um revisor mais barato: certamente não será o profissional que a tese requer. Nada de procurar um professor de português, ele pode até suprir algumas das necessidades, mas não tem a velocidade, a constância e a experiência que um trabalho final de doutorado requer. Ele pode até ter parte da competência necessária, mas terá a disponibilidade e a pontualidade? Revisores são profissionais altamente especializados. Os que revisam literatura ou publicidade, por exemplo, não são os melhores para uma dissertação – e vice-versa.
Contratos de revisores de textos
O revisor presta serviço e, como tal, a revisão deve ser objeto de contrato. O revisor pode ter seu vínculo estabelecido como uma agência, empresa, ou instituição de qualquer tipo, nesses casos pode vigorar um contrato empregatício ou um contrato geral de prestação; entre o revisor autônomo e os clientes bissextos, cada serviço a ser prestado será objeto de um contrato; tanto pode haver um contrato formal, com todas as cláusulas necessárias ao registro do que foi combinado, quanto pode ser um contrato tácito, com menos garantias para as partes, mas que garante uma simplificação da negociação. As cláusulas e condições propostas num orçamento formal e aceitas pelo cliente também têm vínculo contratual. Uma alternativa, pela qual temos negociado, é a do contrato de adesão: nossas condições contratuais gerais são públicas e nosso orçamento remete a ele, além de estabelecer as condições particulares da negociação.
Comumente, os revisores e agências de revisão estipulam uma quantia de adiantamento que será exigida à guisa de arras (recursos pagos por um dos contratantes ao outro, para garantir o cumprimento de um contrato).
Se o trabalho de revisão é contratado, é vital que os revisores externos (trabalho a distância, autônomos, terceirizados) tenham ideia muito precisa do que a agência de revisão ou serviço gráfico espera. Isto pode ser conseguido de duas maneiras. Primeiro, realiza-se uma sessão em que os contratados e o editor devem participar. Na sessão, um segmento do texto é revisado em grupo, e um representante da agência de revisão ou serviço explica o que é esperado e o que deve ser evitado. Alternativamente, pode-se preparar um manual da revisão que se emita aos contratantes. Além disso, para cada trabalho individual, o editor ou revisor-chefe precisará especificar os aspectos da revisão que são importantes e aqueles que não são (por exemplo, verificar terminologia; verificar dados nas ilustrações). Certifique-se de que os termos básicos e conceitos assumidos estejam bem definidos. Se for feita a distinção entre “revisar” e “preparar”, os clientes, contratantes, e os revisores, contratados, devem saber exatamente o que se quer dizer com isso.
Algumas organizações adjudicam contratos de revisão e o trabalho do revisor designado para o mandato (ordem de serviço) deve ser avaliado antes da entrega do serviço e de a fatura ser apresentada ao cliente e o respectivo pagamento feito ao profissional. Na avaliação do trabalho do revisor, será necessário contar o número de erros faltados e o número de erros introduzidos. O número de alterações desnecessárias não é relevante para a qualidade do produto e deve ser computado. Podem ser estabelecidos contratualmente critérios quantitativos a serem cumpridos. No entanto, se a presença de muitas mudanças desnecessárias podem ser a razão pela qual o trabalho foi apresentado tarde, o que pode resultar em prejuízo (financeiro ou na imagem da empresa), podem ser apresentados aos revisores exemplos de alterações desnecessárias, que implicam em perda de tempo e desgaste da originalidade do texto.
Antes de se envolver na revisão de um texto, o profissional deve saber que a tarefa que terá de realizar geralmente recebe o mandado de revisão de um cliente – autor, editor ou designer gráfico, por exemplo – no qual esse sujeito fornece as informações necessárias ao editor sobre o trabalho que deseja ver realizado. O mandato é, portanto, uma espécie efetiva de contrato que inclui as informações úteis ao revisor para orientar seu trabalho e intercessão, as instruções e restrições impostas, o prazo que se estipula para o serviço – dentre outras considerações, também podemos nos referir ao contrato ou mandato como a ordem de serviço: a instrução executiva que dará curso ao trabalho. As informações fornecidas no mandato geralmente dizem respeito à revisão e aos propósitos secundários dela, às características do documento, ao meio de revisão, ao cronograma – quando o serviço se desenvolve por etapas – e à remuneração.

Tipologia da revisão de textos

Dos itens que o cliente deve mencionar ao revisor, um dos mais importantes, senão o mais imperativo, é a revisão que o profissional desempenhará. Ele quer que o revisor faça uma revisão simples (revisão de idioma), uma revisão de fundo, uma preparação de cópia ou uma correção de prova? Definem-se algumas das tarefas que revisores, funcionários e freelancers realizam para editores de livros e revistas, corporações, associações, governo, universidades e muitos outros grupos e indivíduos. Aqui estão algumas das principais tarefas encomendadas aos revisores:
  • preparação do texto – envolve a adequação de um texto que já foi revisado para que ele possa receber layout. Isso inclui aplicar as regras e convenções em uso uniformemente em todo o documento e informar o designer gráfico de quaisquer requisitos de produção específicos; a preparação de originais é uma delicada etapa da editoração, exatamente porque se situa em território pouco objetivo, entre o bom senso do revisor e o estilo do autor, trata-se, então, de nebuloso caminho de subjetividade, que não pode perder de vista o objetivo do trabalho.
  • revisão acadêmica: revisão de documentos destinados ao mundo universitário, compreende teses, dissertações, artigos, relatórios e outros documentos das mesmas matrizes de gênero; pretende-se que seja uma revisão abrangente e integre aspectos que, no mundo editorial são mencionados como “preparação”;
  • revisão colegiada: mais rara, envolve várias pessoas (revisores, autores, grupos de editores, orientadores, consultores técnicos).
  • revisão de provas – inclui qualquer verificação que possa ser feita no primeiro ou nos testes de impressão subsequentes, como fontes, ortografia, layout e todos os aspectos da apresentação visual que se confundem ou incorporam reciprocamente elementos, duplicando as tarefas para evitar omissões;
  • revisão de tradução unilíngue e bilíngue: a revisão unilíngue envolve examinar apenas o texto-alvo sem se referir ao texto-fonte ou referir-se a ele apenas se necessário, enquanto a revisão bilíngue envolve uma comparação do alvo com a fonte.
  • revisão formal – visa melhorar o estilo do documento como todo pela exploração e aferição criteriosa dos recursos sintáticos e léxicos. Isso inclui corrigir erros de sintaxe, vocabulário, ortografia e pontuação;
  • revisão recíproca: sinônimo de interrevisão, a revisão recíproca refere-se à prática pela qual dois autores se revisam, intercambiando a tarefa. Essa revisão é chamada também de “leitura cruzada”.
  • revisão substantiva – requer análise abrangente, particularmente no que diz respeito à inteligibilidade, estrutura, articulação lógica das ideias, exatidão das declarações e adaptação aos destinatários.
Durante uma revisão formal, a verificação da exatidão do conteúdo pode ser necessária. A revisão formal também pode incluir a correção de erros de digitação e aqueles na apresentação visual. Pode-se também falar sobre reescrita, que pode ser incorporada à revisão substantiva quando se trata de reescrever partes de um manuscrito – tarefa que se remete ao autor. Todavia, a distinção em revisão substantiva e revisão formal não se aplica de fato, ambas se confundem na prática e a divisão de tarefas é meramente didática. Os dois se fundem em uma revisão, revisão linguística; os próprios revisores se impõem pouco ou nenhum dos limites formais do trabalho e só querem que os textos alcancem a maior qualidade possível.

Revisores especializados

Com textos especializados, vale dizer, escritos por e para os peritos, e frequentemente concernidos com os desenvolvimentos os mais atrasados em alguma área da ciência ou da tecnologia, os revisores precisarão de decidir se são qualificados para rever o projeto de revisão. Se o revisor é conhecido por ser, ou parece ser, altamente experiente no campo de atuação, ele não precisará, provavelmente, verificar os conceitos e termos do contrato. Entretanto, se não for esse o caso, então a menos que o revisor tenha algum conhecimento independentemente da experiência considerável com textos especializados no que assunto em tela, então é melhor encontrar outro revisor que tem essa experiência ou, na falta disso, discutir a revisão com um especialista em matéria de assunto. Com algumas atribuições, você pode ser informado de que um editor de assunto irá verificar o conteúdo específico, de modo que você só precisa verificar outros aspectos de precisão. Se você tiver a oportunidade de discutir o texto com um especialista em matéria de assunto que não conhece a língua de origem, ser cauteloso. Alguns deles insistem na interpretação com suas próprias ideias sobre o tema; eles podem rejeitar conceitos não ortodoxos que estão de fato presentes no texto de origem, ou noções com as quais eles não estão familiarizados, embora estes possam ser comuns entre os especialistas no país onde a língua-fonte é falada.

Revisando traduções

Diz-se frequentemente que os revisores de traduções devem ser falantes nativos da língua-alvo e proficientes na língua de origem, mas isso pode, de fato, não ser necessário, a depender da natureza do texto. Claro que, em muitos gêneros, isso pode ser o ideal e, em alguns, seja até imprescindível. Depende de quais características da revisão são importantes. Se a revisão é principalmente para a exatidão e a completude, não importa que língua é a língua nativa do revisor. Na verdade, pode ser mais fácil para um falante nativo do idioma de origem para detectar uma revisão indesejada! Entretanto, se a qualidade da escrita é importante, e a revisão deve ser publicada, a seguir o revisor deveria ser um escritor nativo ou próximo-nativo (não apenas falante) da língua de alvo.

Qualidade para os clientes

Algumas vezes, os clientes não tratam a revisão como um serviço profissional e, portanto, ignoram a posição do revisor e sua qualificação para garantir a qualidade. Do mesmo modo, clientes podem também submeter as revisões que recebem a alguma verificação de qualidade, usando seus próprios critérios. Além disso, os clientes podem encaminhar a revisão concluída de um processo de edição no qual ele receba outra revisão, eventualmente com critérios diferentes ou até mesmo conflitantes. Por exemplo, se o cliente pretende publicar a revisão de um trabalho científico, haverá geralmente (mas nem sempre) ser um editor para verificar o conteúdo e terminologia. É uma boa ideia procurar saber se um editor de assunto examinará o texto que você está revisando e quais os critérios serão adotados à frente.
Uma forma de verificação de qualidade por vezes utilizada pelos clientes é a confrontação: o cliente tem alguém para checar a sua revisão ou compara dois serviços diferentes sobre o mesmo texto. A confrontação pode ter seu lugar no processo editorial, mas sempre é um método duvidoso para verificar a precisão e, muito menos eficaz em relação a outros aspectos da revisão. O revisor pode muito bem cometer um erro, e, em seguida, qualquer discrepância entre o texto de origem o texto revisado e texto posteriormente editado será a “falha do revisor”. Por outro lado, a primeira revisão pode ter sido tão profunda que nenhum outro revisor chegará a uma formulação assemelhada – as possibilidades da língua são infinitas e isso precisa ficar claro – não há solução perfeita, solução definitiva.
Desde que a revisão pertence ao cliente, ele é, naturalmente, livre para mudar o que você propôs (a menos que o revisor esteja sendo identificado na obra como tal, ou tenha assinado uma certificação da versão apresentada). Nesses casos, o revisor nunca deve fazer uma mudança para corresponder a uma posição técnica (sobre critérios, uso da língua ou qualquer outra matéria) com que ele não concorde, após a consideração cuidadosa de outras vistas. A função de um profissional na sociedade é dar a sua opinião informada, não repetir outra pessoa.

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Formate sua tese ou dissertação na KeimelionOs estilos de citações são muitos, cada revista científica, cada programa de pós-graduação decide qual estilo vai adotar, como fazer as citações. Primeiramente, vale informar que "estilos científicos" não são estilos "literárias", mas a edição de estilos, ou seja, modos de apresentação de conteúdo estruturados, formas de escrever artigos científicos, apresentação, organização de conteúdo, formas fazer abreviações, anexos e fotos presentes nos textos e, além disso, formas de citações bibliográficas e de referências. Por isso as formas de citações dependem de cada estilo científico.  Para trabalhar com estilos de citações, é melhor usar um gerenciador de bibliografias como Refworks, Zotero, EndNote, Reference Manager, BibText e outros similares. Mesmo o Word que todo mundo tem faz esse serviço. O que impressiona muito é que a quase totalidade dos autores brasileiros não faz uso de nenhum desses programas e nem sequer sabe que…

Quinze dicas para a hora de defender a tese

Defesa de tese ou dissertação: hora H!Depois de ter concluído a tese, é essencial que o aluno se prepare para a apresentação oral do trabalho.  Um excelente texto não garante que a exposição na etapa final seja boa e, se o aluno não apresentar a tese de forma satisfatória, os examinadores podem subestimá-la ou até mesmo duvidar da preparação científica do candidato.Geralmente a apresentação oral da tese é geralmente é feita por meio de slides em Powerpoint ® (ou software similar) contendo texto, figuras, tabelas, desenhos e fotografias. Bons slides não são tudo. O aluno deve estar preparado e conhecer ponta a ponta o conteúdo, coordenando bem a apresentação conforme explica os slides e se comportando de forma adequada durante essa etapa do trabalho. Abaixo apresentamos algumas dicas, tanto referentes à formatação e estilo da apresentação de slides, como à discussão da tese – aplicáveis a muitos contextos, como um concurso, entrevista de emprego ou uma apresentação de negócios. É necessá…

A tese: material e métodos, resultados e conclusão, estilo e referências

Tese e dissertação são textos logos do gênero acadêmicoAs partes das teses e dissertações pode constituir subgêneros específicosA escrita da tese segue parâmetros distintos nas seções específicas do texto, guardando unidade de estilo e coerência entre todos os segmentos do trabalho. Assim, a introdução pode ter, por exemplo, uma passagem mais pessoal, que relate a ligação do autor com a temática, e partes que analisem discursos de sujeitos entrevistados podem requerer transcrições literais - segmentos repletos de oralidade, o que não é admitido em outros trechos no gênero acadêmico. Já os resumos, são outro tópico, e merecem uma postagem só para eles. Material e métodos: descrever equipamentos e procedimentos Nesta seção o autor deve explicar claramente como o experimento foi realizado, e como foi realizada a análise estatística dos dados, podendo também utilizar as sugestões indicadas para escrever a introdução e buscando garantir que: Os leitores possam compreender e avaliar o experim…

Como escrever um texto acadêmico - as melhores dicas!

Aspectos gerais e específicos do texto acadêmicoUm texto científico ou acadêmico é um complexo trabalho dissertativo ou narrativo que tem características próprias sobre sua concepção, criação e apresentação.  Bons textos científicos acrescentam conhecimento mesmo quando levantam novas dúvidas, novos problemas ou novas abordagens sobre uma questão, permitindo que leitores encontrem realidade e humanidade em palavras que foram completamente estruturadas para apresentar ou discutir um enfoque específico de um tema. Não importa qual tipo de texto você queira ou necessite escrever – pode ser uma tese de livre-docência, de doutorado, uma dissertação, monografia, um artigo científico, relatório – você precisará de disciplina, energia criativa e de dedicação para a pesquisa, criação, revisão e edição do texto. Apresentamos algumas sugestões para contribuir na redação.
Antes de começar a escrever um texto acadêmico, considere: problema, tema, abordagem Tenha claro para si o tipo de texto que vai…