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Dicas para os autores: eliminar erros e reescrever

Escrever e reescrever são atribuições do autor.

Na construção do texto, há vários equívocos possíveis - e quase todos ocorrem, o revisor de textos está atento a todos eles.

Alguns erros podem ser corrigidos facilmente na hora da revisão. Outros problemas requerem muita prática para serem detectados.

Alguns dos erros mais difíceis de sere identificados, ou trabalhosos de serem corrigidos, são que decorrem de equívocos de interpretação da parte do autor ou os decorrente das excessivas reconstruções de um segmento do escrito. Os principais problemas são aqueles que decorrem de concepção equivocada sobre o que é a ciência e aqueles que são de natureza lógica. São as duas principais falhas a serem apontadas, pois seriam indícios de que o conhecimento construído está em risco.
A dissertação bem revisada garante a clareza do texto.
Há erros que comprometem gravemente o texto, mas todos os problemas devem ser minimizados por profissional experiente.

Os erros mais comuns que os autores cometem são:

  • prolixidade: vício já na graduação e agrava-se na pós-graduação, decorre do medo de apresentar uma monografia ou tese enxuta, com poucas páginas. A ciência de boa qualidade requer textos sintéticos sustentando conclusões interessantes e sólidas. Mas os autores escrevem demais e incluem informações desnecessárias e repetitivas. Isso tem origem no sistema de ensino básico que, geralmente, estimula os alunos a responderem extensamente às questões em provas, é comum pedir ao estudante para dar a "resposta completa", já treinando a prolixidade.
  • redação impessoal: pressupõe que os resultados (dados) sejam suficientes para determinar as conclusões. mas já se sabe bem que não é isso que ocorre, os cientistas interpretam os dados. As conclusões científicas são embasadas em dados e representam a visão do autor sobre isso. Se ele convence os leitores consegue publicar ou ter sua tese aprovada. Se convence os leitores, transforma a tese em conhecimento científico.  Muitas recusas de artigos ocorrem de diferentes interpretações para um mesmo conjunto de dados. Portanto, as conclusões são do autor, que as explicitam para a comunidade científica, que pode aceitá-las ou não. É um erro teórico achar que o texto deve ser escrito no impessoal, pois isso supõe que as conclusões apresentadas são inequívocas a partir daqueles dados, o que nem sempre é correto.
  • redação usando agente da passiva: risco de se colocar a causa antes do efeito. É um erro de estilo na redação científica. Ao dizermos que o crescimento dos animais foi afetado pela densidade populacional, estamos colocando o efeito (crescimento) antes da causa (densidade populacional). Além dessa inversão lógica, que dificulta o entendimento, a frase fica sempre maior (veja: "a densidade populacional afetou o crescimento dos animais" tem uma palavra a menos!).
  • vírgula em lugar errado: a vírgula representa uma pausa e deve ser colocada nos locais onde as pausas sejam razoáveis. Ensinaram às pessoas a bobagem que devem colocar as vírgulas quando fizerem pausa para respirarem. Faltou ensinar a elas quando respirar. A vírgula é  questão de lógica, não de resistência física.
  • não contratar revisor: escrever um texto importante e deixar de contratar um revisor profissional é um equívoco perigoso. A revisão, feita por um revisor e textos experiente, muito mais que corrigir erros de digitação ou gramática, vai agregar legibilidade ao trabalho e conferir mais credibilidade as dados e argumentos. Não deixe de contratar um bom revisor sob alegações como "é muito caro" ou "sou bom em português" - não são justificativas.
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Como reescrever textos

As recomendações abaixo se direcionam mais a textos literários, mas claro que boa parte delas se aplica também aos textos científicos, técnicos ou publicitários.
O autor reescreve, quem revisa é o revisor, segundo o princípio da alteridade (necessidade de um leitor externo) e da especialização na revisão de textos. Mas ficam aqui estas sugestões aos autores, sempre úteis, e aos revisores também – pois quase tudo que se aplica ao autor é de bom uso do revisor de textos.
Tenho visto vários exemplos de pessoas que escrevem um texto qualquer e logo em seguida o publicam, sem nenhuma revisão. A qualidade do que você escreve é de extrema importância para quem lê. Os leitores ficam incomodados se percebem muitos erros no texto, principalmente se forem erros ortográficos ou gramaticais. Ninguém é perfeito, portanto alguns detalhes podem escapar, mas a impressão geral deve ser de que você se preocupou em aparar as arestas. Vamos ver quais são os principais pontos de atenção para se reescrever o texto e como proceder para garantir um mínimo de qualidade a seus trabalhos.

Gramática: ortografia, sintaxe, semântica...

A primeira providência é passar um corretor ortográfico eletrônico, atualmente é indispensável e tais ferramentes estão cada vez melhores. Esta funcionalidade está presente no Word e todos a conhecem. É importante ressaltar que o corretor ortográfico vai apenas ajudá-lo a identificar possíveis pontos com problemas. Não confie nele para fazer todo o trabalho sozinho! Sempre que o corretor indicar algum erro, verifique se o erro realmente existe e se as correções sugeridas são plausíveis. Ultimamente, tenho lido muito material nas comunidades do Orkut relacionadas à literatura e tenho encontrado erros básicos imperdoáveis. A maioria deles está na grafia das palavras, principalmente no uso do S e do Ç. É neste ponto que o corretor pode ajudar bastante. De qualquer forma, dedique um tempo para estudar as principais regras gramaticais e tenha sempre um guia de consulta à mão. Leia muito, assim você assimila regras e grafias de forma inconsciente e passa a escrever com mais qualidade.

Incoerências internas e externas

Sua história deve ser coerente. O herói não pode quebrar a perna em um dia e no dia seguinte estar correndo uma maratona. Fique atento a todos os detalhes que possam gerar situações incompatíveis e procure identificar os pontos onde isso acontece. Um método para manter o controle é ir criando uma espécie de ficha com os principais acontecimentos da história e um registro cronológico de quando as coisas aconteceram. Quando meu livro Teia Negra estava passando pela revisão final, um detalhe quase passa despercebido. Em um capítulo eu digo que uma das personagens nasceu dois anos depois do irmão. Alguns capítulos mais adiante eu dizia que a diferença de idade entre os irmãos era de oito anos!

Erros históricos e geográficos

Se você utilizou algum fato histórico ou as locações onde passam sua história são reais, pesquise bastante para não errar. É claro que você pode alterar alguns detalhes para ajudar a desenvolver sua trama, mas nada que torne a narrativa absurda. Imagine se colocarmos o morro do Pão de Açúcar em São Paulo! Dan Brown descreveu em detalhes diversas locações na Europa em seu livro "O Código Da Vinci", mas para isso ele esteve lá pessoalmente e pesquisou. Muitas das descrições no livro não refletem fielmente a realidade, mas ele tem absoluto controle do que está fazendo.

Estética - o estilo do texto voltado para o belo

Não sabia que palavra usar exatamente para descrever este tópico. Acabei escolhendo estética por acreditar que esta é a palavra que mais se aproxima do que o leitor percebe em um texto bem escrito. Seu objetivo principal é que sua história seja lida e que seus leitores sintam-se confortáveis com a leitura, a ponto de "entrar" na fantasia que você criou. Para conseguir que o leitor atinja este estado de concentração, você precisa eliminar do texto tudo que possa causar "ruído" e distraí-lo.

Lista destes ruídos que devem ser evitados:

  • Excesso de repetição de palavras: procure por palavras repetidas, principalmente se estiverem muito próximas umas das outras. Use sinônimos, mude a frase e torne a leitura mais agradável;
  • Sentenças começando com a mesma palavra: quando iniciar um parágrafo, procure usar uma palavra diferente da que foi usada nos parágrafos anteriores. Isso também vale para o início de capítulos;
  • Palavras incomuns: evite o uso de palavras difíceis, que possam exigir que o leitor médio tenha que recorrer a um dicionário para entender o que você quis dizer;
  • Documentário: não interrompa uma cena de ação ou um diálogo com uma aula de história ou geografia. Imagine seu herói lutando contra seu principal inimigo e o leitor tendo que aguardar entre um golpe e outro, enquanto você conta a história da fundação da biblioteca onde a luta acontece.
É claro que existe um número muito maior de pontos de atenção do que os relacionados acima, mas acredito que estes sejam os principais.
Este texto é destinado a autores, parte do pressuposto que a pessoa deve reescrever seu próprio texto até se dar por satisfeito, antes de contratar um revisor profissional.
O ideal é somente começar o processo de reescrita, depois que você terminar o texto. Se você ficar reescrevendo cada pedaço do que acabou de escrever, corre o risco de não conseguir terminar sua história. Em nossa opinião, em bom deixar fluir a escrita, sim, mas retomar sempre o texto, de tópico em tópico, ou a cada intervalo de tempo, também tem suas vantagens, como a coesão. Mas é sempre uma questão de estilo pessoal, cada autor tem que descobrir o seu.
Quanto mais tempo você deixar o que escreveu de lado antes de iniciar a reescrita, melhor. Fique pelo menos uma semana sem tocar no texto e, quando você voltar a ler, terá uma visão mais clara dos erros que cometeu. Isso vale mesmo para a revisão, mas enquanto se está redigindo, as constantes retomadas são necessárias – como já afirmamos acima. Claro que isso depende muito, além do método de cada um, do tipo de texto: é claro que não se deixa uma notícia esfriar uma semana antes de publicar, mas um romance certamente fica quase sempre melhor se amadurecido antes de vir à luz.

Não caia na tentação de ficar reescrevendo seu texto eternamente. Para que sua história possa ficar pronta e com uma qualidade aceitável, seja metódico.

O processo de reescrita pode ser feito em cinco etapas, pelo menos.

  1. Estrutura: nesta primeira leitura, procure verificar a estrutura geral da história. Existe um início, um meio e um fim bem definidos? Você colocou "ganchos" no final dos capítulos para que seu leitor mantenha-se interessado no que você está contando? Existem surpresas e viradas na trama suficientes para que a história não fique monótona? Todas as "sub-tramas" estão bem amarradas à trama principal? Seus personagens são interessantes, verdadeiros e evoluem com o passar do tempo?
  2. Detalhes: na segunda leitura você deve procurar por palavras repetidas muitas vezes no texto, frases fora de contexto, etc. Verifique se as palavras escolhidas representam o que você realmente quis dizer. Procure também por inconsistências do tipo: no primeiro capítulo o herói tem olhos verdes e no quinto você diz que ele tem olhos azuis.
  3. Leitura em voz alta: desta vez, você irá ler o texto em voz alta. O resultado será ainda melhor se você tiver alguém que possa ler pra você. Ao ouvir o que escreveu, você vai perceber que muitos detalhes "escaparam" nas etapas anteriores. Outro ponto interessante nesta técnica é o fato dos diálogos tomarem vida e, com isso, você poderá torná-los ainda mais interessantes. Isso é ótimo, complicado será encontrar quem o faça.
  4. Releitura geral: fique no lugar do seu leitor e procure ler sua história do ponto de vista dele. Nesta etapa é que você  perceberá que deixou algum personagem sem um final ou que usou o mesmo nome para mais de um personagem coadjuvante. Nenhum autor consegue isso perfeitamente. Só mesmo o revisor pode se colocar frente ao texto com distanciamento.
  5. Ouvir seu texto: atualmente, programas como o Word possuem um recurso que permite ao computador ler em voz alta o texto da tela. Isso pode ser muito útil, como uma das etapas da reescritura (ou da revisão). Ao ouvir seu texto em outra voz, enquanto acompanha com os olhos, o autor perceberá problemas nos escritos sobre os quais nem fazia ideia; funciona muito bem.

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