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A questão da escolha do revisor de textos

Há revisores bons e revisores ruins

Todo texto precisa ser verificado muitas vezes para garantir a boa qualidade, reescrito muitas vezes e revisado por um bom profissional. As teses e dissertações em especial, documentos longos e complexos, requerem revisores especializados e experientes especificamente neste gênero de documentos. A pessoa que verifica um texto feito por outra pessoa pode ser chamada de orientador, supervisor, editor ou, principalmente revisor de textos. Em nosso ofício, o termo “revisor” refere-se ao linguista profissional a ser contratado para verificar o texto original do autor quanto a precisão, completude, adequação linguística e estilística, gramática, ortografia, coerência e um milhão de detalhes. Estamos cientes de que alguns desavisados podem supor que, de um revisor, só seja esperado verificar a ortografia, gramática e estilo do documento, sendo que ao editor ou orientador – no caso das teses ou dissertações – caberá fazer mais que isso. Só que não é assim, nem deve ser assim. Um revisor de boa qualidade presta integral assessoria linguística ao autor e ao texto que for objeto de contrato.
Revisão de tese requer máxima atenção.
Escolha bem quem você vai contratar para revisar um trabalho importante.
Durante nossa carreira acadêmica, e como autores de diversos gêneros textuais, nós mesmos, em muitos casos, tivemos nossas produções verificadas por revisores experientes e profissionais a quem somos sempre gratos, pois ajudaram muito a melhorar a qualidade de nossos trabalhos. Nem nós mesmos, sendo revisores profissionais, podemos prescindir de revisão para nossos textos importantes. No entanto, como qualquer outro revisor estabelecido, percebemos ou temos notícias de que, em alguns casos, os trabalhos caem nas mãos der maus revisores – infelizmente eles existem e causam grandes problemas aos textos e aos autores. Esses maus revisores fazem frequentemente o autor, o orientador ou o editor perderem tempo e prejudicam até a si mesmos – sem falar nos prejuízos financeiros (e até danos morais!) que causam. Os maus revisores também são motivo de enorme estresse tanto para o autor quanto para o orientador, quando se trata de uma tese ou dissertação. No que se segue, tentaremos apontar, em linhas bem gerais, o que acreditamos que um bom revisor deva fazer em contraste com um mau revisor deixa de fazer, ou não faz bem.

Atitude e papel do revisor de textos

O bom revisor tem atitude cooperativa em relação ao autor cujo trabalho ele está revisando. Ele está ciente de que o objetivo da revisão é melhorar a qualidade textual e, portanto, seu papel de revisor é o de um assessor preocupado que pode identificar os pontos fracos do texto e sanar os erros que nele possam ser identificados. Em contraste, os maus revisores tendem a ter atitude condescendente. Muitos revisores inexperientes ou excessivamente presunçosos assumem um ar de superioridade no processo de revisão. Eles acreditam, equivocadamente, que têm mais experiência que o autor em relação a textos e que têm autoridade para criticar a produção, ou para rebaixar o autor, por causa das falhar encontradas. Na realidade, é verdade que alguns revisores são mais experientes do que o autor quanto a questões linguísticas, mas nem sempre é assim. Além do mais, o revisor tem distanciamento do texto, o que sempre lhe permite ver lapsos que o autor já não consegue enxergar. Muitas empresas de revisão fazem o trabalho por equipes, dividindo entre os profissionais as etapas do processo revisional, o que significa que não se trata apenas de uma pessoa contratada para revisar ou editar um textos, mas um time com profissionais mais experientes e outros menos, geralmente trabalhando sob supervisão dos primeiros; mesmo assim, nenhum é necessariamente mais experiente ou profissionalmente melhor do que o autor – as diferenças entre os profissionais são quanto à experiência e à formação. Cada a equipe tem processos e rotinas programadas para conferir a melhor qualidade possível a cada texto; o que se tem comprovado é que os trabalhos feitos por uma equipe são superiores em qualidade à maioria dos trabalhos individuais.

A abordagem do revisor ao cliente e ao texto

O trabalho do revisor, seja profissional autônomo, ou mesmo se ele integrar uma equipe, é aferir a qualidade do texto em diversos aspectos linguísticos – a lista de verificações é longa, mas pode-se dizer que tudo em matéria da textualidade será checado metodicamente e muitas propostas de melhoramento serão feitas. Entretanto, bons revisores e maus revisores têm abordagens diferentes para fazê-lo. Exceto questões ortográficas ou de digitação que requerem mudanças imediatas, um bom revisor hesitará em mudar qualquer coisa até ter certeza de que a mudança servirá a um propósito, como ajudar a esclarecer um determinado significado, encaixar melhor o texto no gênero, ou selecionar o vocabulário mais adequado ao objetivo do texto e, assim, evitar mal-entendidos, ambiguidades, lacunas, incoerências ou melhorar a comunicabilidade da mensagem. Um mau revisor geralmente se apressa em mudar qualquer coisa que ele ache que não corresponde a sua própria preferência estilística. Muitos revisores ruins até tendem a reescrever grandes segmentos do trabalho em suas próprias palavras, acreditando equivocadamente que quanto mais mudanças eles fazem, mais competência eles demonstram. Enquanto um bom revisor tende a se concentrar em problemas que podem ofuscar a clareza de significado ou resultar em mal-entendido de um texto, um revisor ruim se concentra estritamente nos pequenos detalhes. Desnecessário dizer que o bom revisor relê muitas vezes todas as alterações que faz ou propõe antes de enviar o trabalho editado ao cliente. Um revisor ruim não faz isso ou o faz de forma descuidada.

Comentários e sugestões dos bons revisores

Bons revisores sempre usam a função “controle de alterações” e, muitas vezes, inserem comentários que explicam por que determinada alteração é necessária, ou quanto a dúvidas em caso de ambiguidades, por exemplo. Os comentários devem fazer sentido e serem úteis para ou autor e já devem, quando possível, vir acompanhados da sugestão mais plausível. Os bons revisores preferem apresentar questões em seus comentários, em vez de impor determinada construção ou tentar ensinar algo ao autor; as justificativas apresentadas para quaisquer interferências serão sempre técnicas, nunca meramente opinativas. Revisores ruins tendem a corrigir problemas existentes e inexistentes, muitas vezes incorrem em hipercorreção, mas raramente inserem comentários ou explicações. Quando eles fazem comentários, seus comentários tendem a ser abruptos, vagos ou autoritários, mas não convincentes. Comentários inadequados típicos podem ser algo como “não precisa”, “construção errada”, “má escolha de palavras”.
Ao enviar arquivos com as alterações controladas, os bons revisores escrevem uma pequena nota para o autor, uma avaliação geral do texto em que eles acabaram de trabalhar: atenção, o comentário deve se limitar ao texto na qualidade de escritura, quase nunca quanto a seu conteúdo. Exceto nos casos em que o texto seja muito ruim, o bom revisor não se esquece de elogiar o autor pelos bons aspectos. Um bom revisor também resumiria as mudanças sugeridas e daria uma breve explicação por que essas mudanças precisam ser feitas e que problemas foram sanados.

Evitando os revisores ruins

O que acontece quando um autor recebe de volta sua produção cheia das correções vermelhas que ele acredita serem injustas e erradas? Por outra, e se o revisor deixou passar um monte de erros banais, e outros nem tanto... E se aquelas frases obscuras não tiverem sido clareadas? Pode acontecer de um revisor inexperiente, ou ruim mesmo, deixar registros de oralidade onde não deveria, numa tese, por exemplo. E agora? Na verdade, sentimentos de raiva, frustração e até desespero se seguirão. Mas o autor precisa manter a calma. Na verdade, o autor deveria ter tido calma na hora de procurar e de escolher o revisor! Agora, dependendo da situação, o recurso será contratar outro – tomara que desta vez o autor não confie tanto na sorte, ou não encaminhe o serviço a quem o fizer mais barato: em revisão, como em muitos serviços, é o barato que sai caro! Entretanto, pode ocorrer que nem tenha sido barato! Preço elevado ou dentro do que o mercado está praticando também não garante qualidade. É necessário verificar o portfólio do revisor, entende o tipo de profissional (ou de equipe!) que se vai contratar! É preciso gastar um pouco de tempo nessa pesquisa. Por exemplo, um doutorando não vai querer que a banca lhe aponte erros linguísticos na tese: é inadmissível! Então, é necessária baste atenção à escolha do revisor.
Entretanto, se um serviço foi prestado com negligência, ou com menor qualidade do que foi prometido, cabe buscar reparação, inclusive com ressarcimento de despesas, se for o caso. Mas é preciso evitar o problema, isso é o mais importante. Primeiro, como já mencionamos, verifique o portfólio: os anos de experiência com o tipo exato de texto a ser revisado contam muito. Depois, preste atenção à transparência da negociação; revisores que aceitarem trabalhar por preço baixo não devem, não podem ser bons! Cuidado: recomendamos escolher alguém que seja revisor profissional, que exerça essa atividade com seriedade e maturidade, não contrate alguém que faça revisão de teses como “bico” – é sempre um grande risco.

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