O revisor de textos profissional

Consideramos o revisor como principal parâmetro da revisão profissional, pois ele é tão essencial para o trabalho de revisão quanto o texto – por mais óbvio que isso possa parecer.

Como tratamos dos os elementos intrínsecos ao texto, então tratamos dos elementos característicos do revisor. Demonstrou-se, no caso da escrita, que certas características do autor influenciam sua tarefa de escrever. Motivação e afeto, por exemplo, desempenham papel central nos processos de composição, de redação, sejam os objetivos que o autor se impõe, as predisposições e atitudes que apresenta em relação a seu trabalho, ou pela estimativa que ele faz dos custos-benefícios associados a uma ação e não a outra.  A mesma observação pode ser feita no caso da revisão profissional: certas características dos revisores influenciam seu processo de revisão. Na prática, muitas pessoas podem atestar isso: dois revisores podem receber o mesmo mandato e trabalhar no mesmo ambiente e não apresentarão um produto final idêntico; disso se pode dizer que a revisão de textos, ainda que estabelecida em mesmas bases teóricas e segundo mesmos critérios procedimentais, seja um serviço personalíssimo. Em última instância, a persona e a personalidade do revisor se refletirão sobre as intervenções propostas e feitas, assim como não se poderá negar sua invisível presença como um dos intercessores no produto. Mesmo se a abordagem geral é semelhante de um revisor para outro (leitura, detecção, resolução), os problemas detectados sejam os mesmos, as estratégias e as proposições apresentadas vão diferir: a língua contém um sem-número de alternativas válidas e a decisão por alguma delas, se não é aleatória, não será também coincidente entre diversos revisores. 
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As principais características do revisor na prática de seu trabalho dizem respeito à profissão e à personalidade. Apontam-se quatro características específicas do revisor que refletem em sua vida profissional.

Características pessoais

Motivação do revisor de textos

A motivação pode ser inconsistente com o processo de revisão. A motivação está principalmente relacionada ao tema do texto, e também é pessoal: a revisão pode levar mais tempo se o assunto não for de interesse do revisor – mas o contrário também ocorre: um revisor pode trabalhar um pouco mais rápido e talvez fazer um pouco menos de reescrita no texto pelo qual não tenha simpatia. Por outro lado, um revisor pode se sentir mais ou menos motivado pela remuneração que vai receber, ou mesmo por algum elogio recebido por seu trabalho. Além de inconsistente, a motivação pode ser inconsciente: nem sempre o revisor se dá conta da influência desses fatoras para poder controlar sua influência no trabalho, controle que seria altamente desejável.

Além disso, todos, os revisores têm dias bons e ruins, e sua motivação varia de acordo com seu humor. Em um dia menos motivado a fazer seu trabalho, um revisor pode não detectar problemas que ele normalmente aponta ou deixar pendente a maneira de resolver dado problema.

O sentimento da língua

O sentimento da linguagem consiste no julgamento, a opinião baseada em uma apreciação subjetiva da língua positivada em uma proposição. Ele entra em cena quando um revisor faz boas alterações no texto, mas não pode justificar suas intervenções. Parece-lhe, por exemplo, que alguma não fosse a maneira correta de expressar uma ideia ou que há uma fórmula mais comum para expressar uma ideia específica. Sim, isso existe, embora deva ser evitado: no limite, qualquer um sente quando algo soa mal em um texto e intuitivamente, tente-se a reelaborar a frase. Todos nós fazemos isso. O revisor, ao fazer isso, ele está se antecipando e poupando o trabalho para o leitor: ninguém reelabora uma frase clara que tenha lido. Por outro lado, em uma explicação mais técnica, o sentimento da língua pode ser explicado pelo arcabouço de memória remota, aquela a que não recorremos conscientemente (memória de trabalho), mas que no caso do revisor, se constitui pelo exercício de muita leitura e de anos de prática. Há um fundamento psicolinguístico por trás desse tipo de operação formal.

O gosto pessoal

Embora, em teoria e idealmente, o revisor deva ser capaz de justificar todas as suas intervenções, inclusive confiando em obras de referência, e não deva fazer mudanças motivadas apenas por preferências pessoais , nem sempre é o que acontece na prática. De fato, enquanto os revisores podem realmente justificar a grande maioria das sugestões que faz, às vezes, alguns dizem que preferem suas propostas mesmo que as estruturas modificadas não tenham culpa; outros substituem uma palavra por outra simplesmente por preferência. Essas mudanças, ou sugestões, são particularmente semelhantes ao estilo do revisor, à forma pela qual o autor se expressa pessoalmente. Mesmo que o revisor não imponha suas preferências, ele também pode fazer, ocasionalmente, mudanças ou sugestões que ele acredite melhorar a fraseologia ou tornar o texto mais “fluindo”, por exemplo. O autor permanece livre para aceitar ou não aceitar tais mudanças. Na verdade, o argumento de fluência pode ser uma justificativa bem plausível, quando se trata de uma reordenação de frases para a ordem direta, por exemplo, o que encontra plena justificativa em textos do gênero acadêmico, mas não ter tanta validade em outro texto, criativo, em que a estética é privação do autor.

Algumas das qualidades e habilidades do revisor de textos

Somam-se às características pessoais a abertura às mudanças tecnológicas e linguísticas (por exemplo, a nova ortografia e aceitação de algumas palavras anteriormente criticadas, construções recentes, estrangeirismos – a dinâmica da língua). Essa adaptabilidade do revisor tem um impacto na forma como ele revisa (suporte em papel ou eletrônico), os problemas que detecta e as soluções que aplica.
Além disso, a memória dos detalhes é uma aptidão que o revisor deve possuir, uma vez que facilita a detecção de erros “pequenos”, incluindo aqueles relacionados à digitação e inconsistência em um documento. Também reduz o tempo de revisão, pois promove o desenvolvimento de automatismos e, às vezes, também vincula as pesquisas, o revisor sabendo exatamente a qual fonte recorrer de acordo com os elementos problemáticos detectados.
Quando o texto a ser revisado é particular, para uma ONG, ou tem muitos erros recorrentes – porque o autor tem domínio insatisfatório da linguagem ou comunicação deficitária, ou não se preocupou em consultar dicionários e outras referências – paciência é um bom trunfo. O revisor deve lembrar que “melhorar os textos faz parte do seu trabalho e justifica sua presença; ele não tem que ficar com raiva de cada desajeitado ou canhoto” .
Finalmente, o senso de organização assegura ao revisor um processo efetivo de revisão que ele vai ou não repetir de acordo com os mandatos que recebe, o tipo de texto confiado a ele e o tempo dado a ele para trabalhar.

Características profissionais

A formação do revisor de textos

A formação de revisores profissionais é geralmente paga e quase sempre ocorre como pós-graduação ou segunda graduação; ainda assim, muitos revisores têm formação em Letras (editoração, linguística, literatura, licenciatura ou tradução) ou Comunicação. A especificidade de seu campo de estudo tem um impacto na forma como eles revisam: pode levá-los, apesar de si mesmos, a se concentrar em certos aspectos da linguagem ou estilo. Ainda assim, sabemos de muitos revisores (inclusive alguns reputados) que são autodidatas em linguística ou que transferiram às letras a sólida formação em outras áreas de formação, para revisarem – quase sempre estritamente – textos de tópica afeta àquela formação original.

Experiência em revisão de textos

A experiência é fator importante. Permite que os revisores desenvolvam automatismos e, assim, sejam mais rápidos e eficientes. Também molda o que é chamado de habilidade revisional.

Conceituação de revisão de textos

A concepção teórica ou representação formal da atividade de revisar deve ser para o revisor profissional a base e sua principal senda quando ele revisa o texto. Se seu ponto de vista for normativo, o revisor foca quase exclusivamente aspectos formais do texto; se tiver uma visão comunicacional dominante, ficará preocupado, além da forma, com o destinatário, a estrutura do texto e a clareza do conteúdo.  Entendemos que as visões antepostas sejam complementares e não se excluam, também é bastante claro que as duas posições são meramente arquetípicas e nenhum revisor se prenderá a uma ou outra excluindo a alternativa.
Seja qual for o conceito de revisão adotado, ele desempenha papel na abordagem do revisor em seu trabalho. De fato, mesmo que os mandatos acordados não digam que tipo de revisão deva ser feita e representem o ponto de partida para a tarefa dos revisores, a concepção que o profissional tem da revisão o leva, às vezes, a fazer mais. Assim, pode-se dizer que a atividade dos revisores também reflete, em certa medida, sua visão da revisão, trata-se de influência reflexiva entre as práticas e a percepção teórica da atividade.

Base cognitiva da revisão

O arcabouço cognitivo do revisor, também mencionado como sua cultura geral, ou erudição também pode influenciar sua abordagem. Na verdade, não é o que ele sabe e o que ele não sabe que lhe dá mais ou menos dificuldade em entender um texto e que também o leva a detectar problemas que outro revisor não vislumbraria. Um revisor competente deve necessariamente “conhecer o código da linguagem”, mas também “regras sutis de pontuação, abreviaturas, letras maiúsculas, notação de números, [o] corte de palavras [...]” . Além de sua formação linguística e editorial, o revisor deve ter excelente cultura geral (por mais indeterminável que seja essa bagagem). Essa bagagem é complementada pela organização e execução do trabalho de revisão, pelo conteúdo de uma publicação e seu layout, os tipos de textos (relatório, carta, artigo, panfleto, tese, dissertação, romance) e o perfil dos destinatários-alvo.
Devido à diversidade de áreas cobertas pelo trabalho de revisão, o revisor é tido quase como que um banco de documentação universal, com conhecimentos gerais sobre o mundo e as coisas, muitas vezes variando de acordo com os interesses do interlocutor (conhecimentos de geografia, aviação, arte, química, biologia, zoologia). No caso dos revisores de textos acadêmicos, quando o assunto do texto lhe é familiar, o revisor é mais propenso a sugerir ou adicionar informações e esclarecimentos. Pelo contrário, quando ele não domina o tema do texto, ele pode deixar passar alguns pequenos erros ou enviar um comentário aos autores questionando clareza ou exatidão de dados.

Processo de revisão profissional

O processo de revisão profissional é a forma pela qual os revisores interferem em um texto e é semelhante de um profissional para outro. Atenção: a forma pela qual interferem ser igual não é o mesmo que dizer que as interferências serão as mesmas – e já dissemos das diferenças entre os produtos de diferentes profissionais, segundo uma séria de circunstâncias. De fato, o processo de revisão implica uma iteração de ciclos de interferências com os mesmos passos: leitura, detecção de problemas e resolução de problemas. Cada fase, no entanto, é realizada de várias maneiras, dependendo dos problemas detectados e dos meios utilizados para resolvê-los. Nessas etapas, após a resolução de problemas, mais uma leitura pode ser adicionada para validar as mudanças feitas. 

Leitura do texto para revisar

Os revisores profissionais podem ter diversos modos de leitura: leitura para entender, leitura para avaliar, leitura para interferir, leitura para procurar, mas alguns usam fazem apenas e diretamente o leituras de interferência; não há nenhuma crítica ou censura a tal procedimento, ele pode ser perfeitamente eficiente e suficiente, de acordo com os parâmetros do serviço. Também nos referimos às leituras como “passagens” pelo texto ou, mais raramente “visitas”. Aqueles modos de leitura já estão incluídos no modelo de revisão desde Hayes e seus colaboradores.  Ao ler para entender, o revisor simplesmente pretende construir uma representação compreensiva do significado do texto, recorrendo a diversos meios, incluindo decodificar palavras, reconhecer as estruturas gramaticais das frases e estabelecer inferências factuais. Nesse caso, os revisores leem mais frequentemente um parágrafo de cada vez para entender melhor seu significado. Deve-se notar, no entanto, que a simples leitura para entender, quase sempre, leva à detecção de problemas, notam-se erros na digitação, ortografia e gramática; nossa sugestão é nunca adiar a interferência em relação a um problema detectado, pois ele pode muito bem se esconder e nunca mais voltar à vista.
Ao ler inicialmente para entender, faz-se necessária outras leituras, para avaliar e interferir no texto. O revisor ainda lê para entender, mas especialmente para detectar e diagnosticar problemas globais. Além disso, por já ter algum entendimento do conjunto, alguns revisores só fazem leitura avaliativa, muitas vezes por falta de tempo. É essa leitura que permite ao revisor identificar problemas e deficiências no texto. Esse tipo de leitura é interrompido compassadamente, quando o revisor interfere em um problema e relê para julgar sua proposta, mas ela é retomada logo depois, a menos que o revisor mude para a leitura para entender outro parágrafo.
Posta a necessidade de muitas leituras e releituras, o paradoxo é que não adiante continuar a ler para sempre: após diversas leituras a memória do revisor começa a ficar saturada daquele texto, em processo semelhante ao que acontece com o autor. Quando isso ocorre, quer com autor, quer com revisor, a capacidade de identificar falhas decai. Por isso, existem limites de leituras preconizadas, sempre segundo os parâmetros de cada serviço, limites dentro dos quais a revisão deve se processar. Revisão nunca é uma infindável série de leituras, cambe ler sistematicamente, mas parar de ler também é parte do processo. Algumas alternativas para suprir o problema de excesso de leituras incluem o espaçamento temporal entre elas ou a inclusão de mais um revisor no serviço – todavia, ambas as alternativas são condicionadas às variáveis tempo e orçamento disponíveis.
São propostos cinco parâmetros de revisão profissional que “verificam se o conteúdo da mensagem é transmitido através de um código inteligível e de forma que assegure a eficácia da comunicação” . Esses critérios utilitários de procedimentos que visam garantir a qualidade dos textos são precisão, correção, legibilidade, adaptabilidade e custo-efetividade. Embora tenham sido estabelecidos pela primeira vez para revisão de tradução, os autores afirmam que aplicam igualmente à revisão comum, com algumas adaptações.
A precisão é o único critério relacionado ao conteúdo e talvez seja o mais difícil de verificar; o autor tenta garantir que o autor tenha dito o que quis dizer, que suas palavras reflitam seu pensamento, se houver. O assunto e o propósito do texto podem, então, ajudar o revisor a verificar a exatidão do conteúdo. Trata-se, essencialmente de uma crítica voltada à coerência interna do texto. A correção diz respeito a tudo relacionado ao cumprimento do código linguístico, incluindo ortografia e uso de concordância, eliminação de barbarismos e solecismos. A legibilidade visa garantir a facilidade de compreensão de uma declaração; é avaliada com base na lógica, clareza, brevidade e aplicada, em particular, em relação à escolha da palavra, evitar repetições, redundância e estrutura, comprimento, ordenação e articulação das sentenças. A adaptabilidade funcional é critério para se verificar se o registro de linguagem correto é usado de acordo com os destinatários e que a mensagem seja apropriada para eles. Finalmente, custo-efetividade é a avaliação do texto para garantir que não levará mais tempo e esforço para revisar do que reescrever: vale a pena revisar, ou é melhor devolver para o autor reescrever? Essa questão pode se referir a um parágrafo, ou a seções mais longas do texto.
O revisor deve procurar elementos que possam ser melhorados porque não correspondem às convenções de linguagem ou texto, ou porque, se correspondem a eles, não alcançam a eficácia máxima de comunicações.

Detecção de problemas no texto

Na situação de reescrita pelo autor, o desejo de corrigir um problema, bem como a descoberta de uma ideia são os gatilhos da modificação , isso vale para a revisão profissional. De fato, Bisaillon notou que os revisores usam o que o ela chama de estratégias de detecção.  Estratégia de detecção é uma operação mental combinada com recursos materiais que melhor ajudam a identificar elementos de aperfeiçoamento dos textos. Duas estratégias foram apontadas até agora: antecipação e comparação.
A estratégia de antecipação é implementada quando o revisor antecipa um eventual problema em um segmento do texto. A experiência acumulada, o conhecimento do autor e seu estilo, a repetição dos mesmos erros em segmentos anteriores, ou mesmo os conhecimentos do revisor sobre o assunto o levam a prestar especial atenção à passagem. Essa estratégia leva à detecção de possíveis problemas.
A estratégia da comparação, por outro alado, baseia-se em vários estados de conhecimento e na capacidade dos revisores: certeza, incerteza e ignorância. Essa estratégia é usada para detectar um problema toda vez que o revisor para em um segmento do texto e o compara a outro de seu banco de conhecimento, de sua memória. Dependendo dos conhecimentos do revisor, os problemas detectados são reais (certeza) ou potenciais (incerteza e ignorância) – caso em que cabe recorrer às obras de referência ou questionar o autor. 

Resolução de problemas do texto

Os problemas reais e potenciais identificados pelo revisor devem ser resolvidos a tempo, à hora, imediatamente e, quando a estratégia for a postergação da interferência, a demanda deve ser arrolada para não ser omitida. O revisor corrige automaticamente muitos problemas reais, ou seja, assim que os diagnostica, muda quase simultaneamente à passagem para resolvê-los. O revisor então usa sua condição e conhecimento de ação, para usar a terminologia de Hayes , para resolver esses problemas, geralmente problemas de ortografia, gramática e pontuação.

Estratégias de resolução

Caso contrário, quando não couber o conhecimento e ação, para remover problemas de um texto, o revisor utiliza outros tipos de estratégias de resolução que ele pode decidir aplicar imediatamente ou adiar. A estratégia de resolução consiste em uma operação, ou conjunto de operações, que pode ser comprimida no uso de recursos físicos e cuja execução visa esclarecer ou resolver um problema real ou potencial detectado. Diz-se que a estratégia é simples quando o revisor usa apenas uma operação, enquanto se diz ser múltipla quando combina sucessivamente mais de uma operação. Em alguns casos, o uso de uma estratégia única (ou operação isolada) não é suficiente para especificar e resolver um problema. As estratégias possíveis são a releitura, o pensamento e a pesquisa. 
A releitura (replay) ocorre quando um problema é detectado, mas precisa ser especificado. Muitas vezes, essa estratégia é acompanhada de reflexão. É usada quando o revisor pensa em uma maneira de resolver um problema real e, se ele encontrar mais de um, ele se pergunta qual será a alternativa melhor ou mais eficaz. Às vezes, a reflexão também ajuda o revisor a identificar um problema enquanto busca a solução de outro. Esse caso, equivale aproximadamente ao que Hayes e seus colaboradores chamam de busca memorial; o revisor busca em sua memória de longo prazo os conhecimentos relevantes para o diagnóstico do problema. 
Para diagnosticar e resolver um problema, o revisor pode pesquisar um livro de referência, um dicionário, uma gramática ou a Internet, por exemplo, mas ele também pode se referir ao próprio texto para encontrar uma resposta, questionar o autor ou qualquer outra pessoa. A estratégia de busca geralmente ocorre imediatamente quando o problema detectado, mas é adiada, às vezes, especialmente quando o revisor acredita que há falta de detalhamento no texto, que não entende o que o autor pretendia ou que não tem a fonte da informação. Então, o revisor toma notas ou apresenta perguntas ao autor, que ele lhe dará respostas mais tarde.

As soluções apresentadas pela revisão

As diferentes estratégias utilizadas pelos revisores, bem como a falta de estratégia, levam a pelo menos seis desfechos diferentes, dependendo dos tipos de problemas detectados e diagnosticados e se a resolução é aplicada imediatamente ou adiada.
Quando a resolução é adiada, o revisor não faz nada no texto (sem resolução, adiamento, postergação), exceto anotação para identificar facilmente o problema em que ele deve retornar mais tarde, ou ele aguarda solução ou sugestão ao autor. No caso da tentativa de solução, o revisor tem em mente uma maneira de editar o texto, mas isso não o satisfaz e nada mais vem à mente por enquanto. Ele pode introduzir uma proposta de modificação provisória, abrindo oportunidade para pesquisa e questionamento posteriores, fica a alternativa proposta, mesmo que ele saiba que não é definitiva. Se o revisor faz uma sugestão ao autor, ou apresenta um questionamento, é porque ele não se sentiu capaz de resolver o problema sozinho; não está clara a questão ou não foi encontrada a solução adequada.
Três tipos de resolução também são possíveis quando a resolução é imediata: sem alterações no texto (alarme falso), revisão e reescrita. O revisor não faz alterações no texto quando o problema detectado não se materializa em um problema real (alarme falso). Antecipação equivocada, ignorância ou falha de memória levam o revisor a usar uma estratégia inadequada de intervenção. Quando isso acontece, pode ser um alarme falso. Isso é o que acontece, por exemplo, quando ele para na palavra, duvida da grafia e procura a palavra no dicionário: o revisor pode não ter certeza de haja erro, mas, de fato a palavra está bem escrita no texto. É um alarme falso.

Leitura final para validar alterações

A leitura para validar alterações no texto é uma etapa opcional ao final de um ciclo de alterações, mas está sempre presente em algum momento do processo. Na prática, não há uma leitura final propriamente, que dê cabo da tarefa; ocorre a última passagem por decurso do prazo ou por exaustão dos meios. No final do ciclo de interferência, o revisor relê – frase por frase – para validar as alterações feitas e verificar se elas não causaram outros problemas. Também se pode esperar até o fim de vários ciclos sucessivos de mudanças antes de se reler um parágrafo ou um fragmento do texto para garantir a consistência em todas as alterações propostas. Finalmente, pode-se decidir esperar até o final do processo de revisão antes de reler todo o texto para julgar a qualidade geral do trabalho. Essa leitura para validar suas alterações também pode levar a outros ciclos de mudanças se forem detectados problemas “novos” em geral.
Baseado em Laflamme.