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A prática de revisão de textos

Vários critérios e parâmetros são considerados para a escolha do procedimento de revisão a ser aplicado.

Os critérios diferem segundo variáveis que vão da natureza dos textos ao organograma que integra os sujeitos envolvidos. Nos parágrafos que se seguem, vamos discutir alguns desses fatores e apontar observações decorrentes de nossa prática que ressaltamos, é maior com textos acadêmicos, com destaque para as teses, dissertações e artigos científicos.

Escolhas quanto à revisão de textos

Quem vai revisar?

Certamente, pessoas diferentes que podem assumir o papel de revisor. A primeira questão é: dadas as funções e objetivos da revisão, quem está mais bem posicionado para fazer adequadamente a revisão demandada? A revisão do texto em si é um passo necessário no processo de produção textual. Ninguém está mais bem posicionado que o revisor para representar o destinatário. Isso posto, cabe afastar, novamente, a ideia de que o autor (ou quem quer que seja, envolvido no processo de produção primária do texto) possa fazer algum tipo de intervenção no trabalho a que possamos chamar de revisão; revisar, tal como a entendemos é inexoravelmente uma tarefa que exige alteridade. De fato, a grande vantagem da revisão reside em que o revisor pode se colocar no lugar do leitor-alvo, alheando-se do eu autoral; não se podem produzir catarses tão díspares quanto emular a um só tempo as personas do autor e do leitor, mas o avatar do revisor transcende entre os dois corpos abstraindo-lhes as almas.
Podemos acrescentar a isso que o revisor não é influenciado pelo texto original ou por versões anteriores dele, como acontece com o autor que enfrenta, continuamente, os fantasmas das versões preliminares de seu texto, visões que se mantêm constantes, obnubilando a visão direta do produto textual presente, vício que não acomete o revisor alterno. Essa vantagem não é desprezível, pois implica que suas formulações serão mais naturais, pois não estão sujeitas à linguagem de origem ou às variações experimentadas durante o processo de redação. No que diz respeito ao conteúdo semântico ou material do texto, não há nada que impeça o revisor de consultar o autor para verificar ambiguidades, imprecisões, ou obscurantismos que podem parecer ao redator muito claras sem o serem.
A revisão de teses na Keimelion reflete 20 anos de experiência.
Somos especializados em texto
acadêmico: tese e dissertação.
No entanto, há uma desvantagem paradoxalmente inerente à revisão de outra pessoa (alterna). O fato de que o autor sabe muito bem que cada um de seus trabalhos passará para as mãos de um revisor pode incentivar o comodismo por parte do autor, ele pode não fazer seu melhor sabendo que alguém vai revisar a seguir. Da mesma forma, isso pode levar a um fenômeno de paralisia da autocrítica, já que o autor não resolve mais nenhum problema por conta própria, mas deixa a maior parte do trabalho da textualização para o editor ou revisor. Trata-se de os autores pensarem: “eu não tenho certeza sobre essa passagem, mas não importa, porque meu revisor vai dar atenção a ela” em um caso, ou “não sei se essa é a melhor forma, mas, se não for, o revisor vai propor outra”. Entretanto, cabe contrapor que esse tipo de problema não é afeto à revisão, propriamente, mas decorrência da existência posterior dela sobre o passo anterior da criação do texto.
É claro que esse argumento não concorda com a nossa visão de autor consciente que queira dar de si o melhor, mas é, no entanto, válida, porque a lei do menor esforço é muito humana.
Feitas essas digressões precedentes, várias pessoas podem ser capazes de assumir o papel de revisor, em melhor ou pior encarnação:

  • outro autor (coautor, ou mesmo o orientador acadêmico são exemplos recorrentes no meio universitário): é comum um autor chamar um de seus colegas para revisar sua produção. Podem ocorrer revisões recíprocas – inclusive como troca de favores, o que é muito prático e economicamente confortável.
  • um especialista na área (revisão entre pares; “revisão-expertise”): o revisor-especialista faz uma revisão especializada para avaliar a adequação do texto para o propósito especificado e recomenda a ação corretiva cabível, mas não faz inferências no texto; esse tipo de revisor considera o objeto do texto e sua forma, mas não age diretamente no texto. Especialistas podem dar conselhos, mas não podem ser considerados revisores. O especialista conhece o assunto tão bem que tende a optar por uma construção que corresponda a sua ideia preconcebida do assunto em vez da mensagem do texto fonte, da mesma forma, pode não identificar obscurantismos efetivos por deter conhecimento do que não foi, mas deveria ter sido expresso.
  • um superior hierárquico (editor, coordenador editorial, supervisor, orientador): é a forma de revisão chamada de bottom-up. Esse tipo de revisão pode ser uma resposta à necessidade atual de uma gestão efetiva do tempo, dadas as pressões enfrentadas pelo mundo da produção literária – em sentido amplo. É importante lembrar que o autor ou superior mais experiente é a pessoa mais bem posicionada para prestar assessoria ao autor e, assim, cumprir a função didática da revisão. Esse papel que o autor superior é capaz de desempenhar é fundamental em diversas circunstâncias de produção coletiva de textos.
  • um subordinado: revisão de cima para baixo (top-down). É o oposto da revisão de baixo para cima, ou seja, que desta vez é um autor iniciante que revisa o texto de alguém mais experiente do que ele mesmo. Pode-se incluir aqui a revisão feita por um secretário, por um estagiário, por um assistente. Há seis vantagens para esta forma de revisão. Vamos listá-los e ter cada um deles seguido de algum comentário.
  1. Baixo custo, pronto atendimento, solução de problemas textuais mecânicos e possibilidade de o texto de baixa importância ir à luz imediatamente. Justifica-se para memorandos, postagens, e outros tipos de texto de consumo imediato.
  2. Justifica que a maior parte do trabalho em tela, ou seja, a produção do texto, seja feita por alguém experiente que imediatamente o submete à revisão. Acreditamos que há uma boa chance de que o autor experiente produza uma versão melhor que o autor iniciante ou seu subordinado hierárquico.
  3. É melhor que a produção mais significativa seja pelo autor experiente. Caso contrário, ao verificar o trabalho do autor iniciante, o revisor experiente pode repetir o trabalho do autor iniciante, retrabalho que implica em má gestão de tempo e recursos.
  4. Os erros dos autores experientes podem ser facilmente detectados por autores iniciantes, a maior parte deles tende a ser falha mecânica; esse argumento é consistente com o primeiro e assume que autores experientes não cometam tantos erros graves, o que acreditamos ser questionável. Podemos acrescentar que alguns autores iniciantes podem não se atrever apontar os erros dos superiores para não os ofender.
  5. Saber que sua produção será revisada por um autor júnior força o mais experiente a dar o melhor de si. Esse argumento vai contra o argumento de que o autor, seja iniciante ou experiente, pode ser tentado a não fazer seu melhor, sabedor de que seu trabalho será revisado. Além disso, esse argumento também pode se aplicar ao escritor novato, que vai querer convencer seu superior de sua competência.
  6. Permitir que o autor iniciante veja por si qual é o trabalho do revisor. Colocando-se no lugar do último, ele será capaz de se tornar consciente da dificuldade desse trabalho e isso ajudará a melhorar a relação entre autor e revisor, tema que abordaremos posteriormente. Além disso, o autor menos experiente também será capaz de melhorar indiretamente suas habilidades de redação, observando ao longo do texto revisado as soluções para certas dificuldades linguísticas e comunicacionais que ele próprio teria experimentado se tivesse que revisar o texto.
Em conclusão, vemos algumas vantagens para a revisão por um autor de menor patente. Portanto, é possível optar por esse tipo de revisão em uma base ad hoc, no contexto da produção coletiva de textos, no contexto da dinâmica das equipes que tenham outras tarefas para além da produção de textos. No entanto, o revisor subordinado permanece incapaz de executar a função didática da revisão, ou de referendar a publicação de um texto de maior responsabilidade.
Os atores que mencionamos provavelmente desempenharão papel importante na produção de um texto, mas eles não podem ser revisores completos em nenhuma circunstância. Eles certamente não têm a capacidade de corrigir e melhorar o texto que o linguista profissional adquiriu teoricamente e a proficiência prática que ele construiu. Poderíamos, portanto, imaginar uma divisão de papéis para que todos contribuam na produção do texto, de acordo com suas competências e a necessidade de revisão. Essas formas de revisão, chamadas de “revisão coletiva” ou “revisão cruzada”, são certamente interessantes, mas parece que, quanto maior o número de pessoas envolvidas na produção, maior o risco de heterogeneidade no texto ou de surgirem lacunas e redundâncias indesejáveis. É por isso que acreditamos ser essencial que uma pessoa intervenha por último no texto para eliminar quaisquer inconsistências e decidir quaisquer debates, conferindo uniformidade ao discurso e coesão de estilo: o revisor profissional, linguista, é indispensável. A revisão de textos requer uma série de habilidades que fazem com que ela não deva ser deixada para aqueles que não têm as qualificações linguísticas necessárias.
Portanto, várias pessoas podem exercer funções de revisão ou assemelhadas a ela, contribuindo para a produção do texto, mas, a necessidade do profissional linguista se sobrepõe, ao fim e ao cabo da redação, como interlocutor e como mediador entre os autores e o público-alvo, interferindo diretamente na mídia, respeitando-a como produto e como veículo, respeitando os autores e os destinatários, acatando a norma linguística ou a transgressão consciente dela, agregando qualidade sem agregar sua personalidade ao produto textual, fazendo-se ver pela qualidade agregada e se mantendo invisível pelo resguardo do protagonismo autoral.

O perfil do revisor de textos

Em primeiro lugar, o revisor de textos deve ter sólidas habilidades linguísticas, ou seja, capacidade de identificar e interferir segundo um gênero de texto em tela, competência linguística e editorial, competência em pesquisa, aquisição e processamento de informações, competência cultural e competência técnica. O que o diferencia do autor – quanto à habilitação – é sua experiência no campo coberto pelo texto, o domínio da mídia. O revisor tem que ser alguém com a experiência necessária nos gêneros textuais envolvidos e que tenha os talentos necessários, um conjunto de qualidades específicas do revisor que tentaremos examinar com mais detalhes.
O revisor deve ter senso de comunicação e mente aberta, bem como ser excelente linguista, paciente e seguro. Cabe indicar uma lista das qualificações e qualificações do revisor:
  • conhecimento dos códigos da língua, incluindo “detalhes” que não são ensinados na escola;
  • conhecimento aprofundado e constantemente enriquecido dos recursos da língua adquirido por muita leitura;
  • excelente conhecimento das fontes tradicionais e eletrônicas de documentação, pesquisa e consulta;
  • excelente cultura geral, erudição;
  • leituras especializadas regulares e atualizadas;
  • capacidade crítica guiada pelo bom senso e por base teórica sólida;
  • mente aberta, receptiva, responsiva e pluralista;
  • sociabilidade, urbanidade e capacidade de relacionamento;
  • respeito pelos outros e honestidade intelectual;
  • modéstia, paciência, responsabilidade;
  • organização, método e disciplina.
Essas qualidades são importantes não só para gerenciar sua relação com o revisado, mas também para seus contatos e contratos, com sua hierarquia, e com todos os outros agentes no processo editorial.
O revisor é um “destinatário de status especial”. Na verdade, é o primeiro leitor do texto, ele deve ter visão global, ter mais perspectivas que o autor, e trabalhar em unidades de significado e de significâncias mais amplas.
Por causa desse nível mais elevado e específico de competência, é comum nos serviços de revisão que a posição de revisor seja confundida com a do líder da equipe. O revisor deve ter habilidades que, para alguns, excedem as do autor apesar de diferentes daquelas.
O revisor deve aprender a olhar para o texto de forma diferente daquela do autor, porque seu papel não é produzir. Em outras palavras, ele deve se perguntar, não o que ele pode mudar, mas o que precisa ser mudado; portanto, o revisor tem que aprenda a justificar as interferências propostas; ele tem que aprenda a ver o texto do ponto de vista do leitor-alvo, aprender a se concentrar em estruturas de texto mais amplas. O autor trabalha com pequenas unidades de texto, redige parágrafo por parágrafo – ainda que exista um plano geral da obra, é focado em palavras ou frases. O revisor, por outro lado, não deve retrabalhar nas mesmas unidades. Seu papel é verificar a coesão entre sentenças, a coerência do argumento, as convenções de gênero, a homogeneidade do tom.
Finalmente, vamos apontar três categorias de habilidades que parecem sintetizar de forma interessante as diferentes habilidades que temos mencionado até agora:
  • competência estratégica, que reúne as habilidades específicas do revisor quanto aos atos de revisar. É essencial que o revisor saiba exatamente o escopo e o propósito de sua tarefa. Isso o impede de reescrever passagens sem levar em conta o trabalho do autor.
  • competência interpessoal, diz respeito à capacidade de colaborar com os diversos atores do projeto editorial. Esta categoria é, portanto, semelhante às qualidades relacionais que discutimos anteriormente. Como parte da função didática da revisão, o revisor deve enviar feedback ao autor e facilitar seu aprendizado das habilidades de redação.
  • competência profissional e instrumental: trata-se de habilidades relacionadas à prática profissional, ou seja, o que engloba senso de responsabilidade, organização e, por outro lado, o uso de fontes de informação (uso eficiente de mecanismos de busca, por exemplo).

O que revisar?

O revisor pode ter que definir prioridades e, portanto, perguntar: o que no texto precisa absolutamente ser revisado? Alguns aspectos do texto podem prescindir de revisão?
Certos textos absolutamente precisam ser revisados, por exemplo, relatórios anuais, discursos, documentos de grande circulação, textos sensíveis e comunicações oficiais, enquanto outros podem estar sujeitos a um controle mais limitado (memorandos, diretivas). A resposta à pergunta “o que revisar?” é uma opção estratégica de gestão de recursos.

Como revisar?

Um padrão de revisão pode não ter a capacidade de ser claro e preciso, uma vez que cada texto é único e, portanto, tem necessidades diferentes. Revisa-se de acordo com as necessidades do projeto, uma vez que as normas e a praxe permanecem recomendações gerais e devem ser complementadas por uma avaliação que leve em conta os requisitos e adaptações específicas para cada projeto. O grau de interferência varia de acordo com muitos fatores, dificultando a criação de regras. O que também varia é a densidade da interferência que é negociada com o contratante.
No entanto, o revisor precisa de um método. Isso é demonstrado pela necessidade de os revisores trabalharem com base em instruções claras. Não bastam as instruções gerais dadas pelos autores – que raramente ultrapassam as óbvias indicações da revisão mecânica. São necessárias instruções específicas sobre como usar configurações, abreviaturas, nomenclatura, ênfase, ordenações…

Procedimento de revisar

Antes de perguntar sobre parâmetros de revisão, o revisor deve primeiro determinar como ele abordará o objeto: ele vai ler o conjunto e depois proceder as interferências com a visão global, ou ler interferindo já de imediato? Quantas vezes será necessário (ou possível) reler o texto interferindo antes de dar por concluída a revisão? Há várias escolhas. Há inúmeras imposições. Há diversas limitações.
Os procedimentos também suscitam a questão da ordem de leitura. Há ligação entre a ordem em que os segmentos texto sejam lidos e a qualidade final da revisão – por exemplo: os capítulos 3 e 4 de uma teses sendo submetidos à revisão antes dos capítulos 1 e 2. A qualidade da revisão se deve menos à escolha da ordem de leitura dos textos que ao fato de aderir a um procedimento sistemático, ou seja, ler os textos na ordem lógica traz benefício, mas nem sempre é possível, de acordo com o projeto, e isso deve ser administrado pelo revisor que tenha ciência da natureza da demanda.
Ha várias indicações de procedimento sobre a ordem em que os textos devam ser lidos. A recomendação geral é não ler unidades muito pequenas de textos, caso contrário o revisor não teria contexto suficiente para julgar a qualidade da obra.
Podemos facilmente imaginar que existam tantas formas de revisão quanto há produtos no mundo dos textos. Por exemplo, um revisor sempre relê o parágrafo anterior antes de revisar o próximo parágrafo para garantir a consistência em sua revisão. Cada revisor desenvolve e muda sua própria maneira de revisar para melhor atender às necessidades particulares do projeto, submetendo suas idiossincrasias metodológicas à imposição da demanda.
Uma forma de revisão consiste no revisor ler o texto em voz alta enquanto outro revisor o acompanha lendo. Esse método é ótimo para aprender a detectar tanto as qualidades do texto, ou eventuais dissonâncias, quanto para defendê-las pela convicção que se coloca na leitura, mas também pelas imperfeições que dificultam essa mesma leitura em voz alta.
O procedimento de revisão importa em termos de qualidade e tempo do processo, incluindo a questão do orçamento e pessoal alocado no serviço. Os resultados sobre a escolha do procedimento de revisão mais eficiente são os mesmos, seja a revisão como produto ou como processo. 
Apesar do pequeno número de livros dedicados à prática de revisão, alguns autores dão conselhos sobre como revisar. Todos concordam que seja boa ideia seguir uma lista de parâmetros a serem revisados e que, embora essas listas não sejam exaustivas, elas servem como diretriz.
São propostos os seguintes parâmetros: 1) precisão (fidelidade ao significado); 2) correção (respeito ao código linguístico); 3) legibilidade (facilidade de entendimento); 4) adaptação funcional (levando em conta gênero, registro, tom, destinatário); 5) rentabilidade (relação entre orçamento e qualidade), custo-efetividade.
O parâmetro custo-efetividade é resultado do processo de revisão sobre o texto a ser revisado, consideradas as variáveis de orçamento e prazo. O revisor deve determinar se a revisão levará mais tempo ou se demanda mais investimento que o disponível, nesse caso ele deve se recusar a revisar o texto se não houver tempo ou recursos suficientes para o projeto ser concluído com qualidade satisfatória.
O revisor deve controlar ambos os parâmetros que se aplicam a pequenas unidades de texto (por exemplo, terminologia, pontuação) e macroparâmetros, que se relacionam com todo o texto (por exemplo. legibilidade, lógica, coerência). Como resultado, exige-se, para não permitir que erros passem, que o revisor faça várias leituras do texto, cada uma focada em um ou diversos tipos de configuração.
Cada revisor pode ser levado a descobrir suas próprias fraquezas à medida que trabalha e, assim, desenvolver prioridades específicas para seu processo de revisão. Mencionamos isso anteriormente em relação à ordem em que os textos são lidos, mas isso também se aplica aos parâmetros. Por exemplo, um revisor pode, deliberadamente, ignorar a pontuação em sua primeira leitura para seguir mais de perto o conteúdo do texto, depois dedica uma fase de revisão apenas à pontuação. Da mesma forma que o revisor desenvolve sua própria maneira de revisar de acordo com suas próprias capacidades, o revisor pode acabar conhecendo bem os problemas da pessoa que ele está revisando e, assim, desenvolver uma maneira particular de revisar um autor em particular.

Revisão total ou parcial?

O controle deve ser sempre realizado em todo o texto, mas se distingue a revisão parcial da revisão completa. Revisão parcial pode incluir: leitura de títulos e passagens selecionados especificamente do texto, por exemplo: legendas, didascálias, notas, citações… Ou revisão focada em um parâmetro específico, por exemplo, em um tipo de erro que é mais esperado de ser encontrado (varredura longitudinal), ou apenas fazer a leitura do título e do primeiro parágrafo.
No entanto, esses métodos são os primeiros recursos de controle, servindo para obter a visão geral da qualidade do texto e das dificuldades que se apresentarão; abordagens parciais sempre são artifícios procedimentais e raramente se pode ficar restrito a elas. Quanto à revisão “mínima”, ela trata apenas de uma parte dos erros que se enquadram no parâmetro “fidelidade à norma e ao gênero” (apenas erros e omissões) e em parte do parâmetro “código linguístico” (solecismos e ortografia).
Inspirado por QUENETTE.

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