Formação do revisor de textos

Temos tido diversos estagiários que formamos para a atividade de revisão, alguns dos quais se tornaram profissionais e mesmo já podem treinar outros revisores.

Há cursos de formação específica de revisão de textos nas faculdades, e há cursos de pós-graduação que se propõem ao mesmo objetivo, mas os revisores só se formam na prática. Há muito mais que teorias sobre revisão e reforço nas competências linguísticas a ser transmitido aos que se pretendem formar como revisores. Para essa formação, é necessário haver formadores eficazes e projeto realista a ser executado. Nosso ponto de partida será enumerar as competências esperadas dos formadores que ensinam revisão de textos. Eles devem, obviamente, ser revisores no comando da prestação de serviços de revisão, possuir forte lastro linguístico, sólida e ampla erudição, capacidade de pesquisa autônoma de informações, competências editoriais, didáticas e tecnológicas. Mas que outros conhecimentos e habilidades são necessários para que alguém possa transferir sua experiência de revisão com sucesso, de forma motivadora, ajudando estudantes a desenvolver as competências básicas do revisor de textos, assim como a funcionar bem no mercado da revisão?
Circularidade das competências necessárias ao formador de revisores de textos.
Competências dos formadores de revisores.
Aqui mencionamos estagiários, aprendizes ou alunos, sempre no sentido de revisores em formação, que podem tanto ser turmas de alunos quanto um aprendiz que tenhamos como colaborador, uma vez que a maioria das questões que apontamos são aproximadamente as mesmas. A formação do revisor é personalíssima e se dá pela relação de um estudante com vários profissionais de revisão, ainda que um deles possa se destacar como “mentor” principal.
Estamos bem cientes das diferenças entre os cursos de formação de revisores e sublinhamos a importância de se observar as circunstâncias individuais e das diversas instituições formadoras. Também estamos cientes de que os revisores não se formam todos em cursos voltados para a revisão ou editoração. Muitos excelentes revisores têm tido formação autodidática e assim continuará sendo. Nas seções a seguir, alguns elementos do modelo que propomos serão delineados e ilustrados com exemplos concretos da prática do ensino de revisão.

Perfil do moderno formador de revisores

O formador de revisores de textos deve ter diploma universitário e experiência de campo relevante (como revisor, editor, preparador). Um fundo de formação didática também é desejável, não necessariamente como qualificação necessária, mas o formador deve, pelo menos, ter participado em curso adicional de habilidades de treinamento. Também é necessário que o formador conheça e possa consultar a literatura de estudos de revisão e outros textos que apoiem regularmente o ensino da editoração. Os autores mencionam que a afiliação a uma organização profissional também seria desejável; na verdade, isso não se aplica à realidade brasileira. As necessidades para a formação do revisor com base linguística serão certamente diferentes daquelas da formação do revisor profissional que não tenha formação em Letras; o professor universitário ou o profissional como relações públicas, advogado ou engenheiro também podem vir a se tornar revisores, mas o treinamento necessário será profundamente distinto.
Considerando os fatos listados acima, propomos um quadro geral de referência para os formadores de revisão. A aquisição das competências descritas será definida como objetivo para os formadores. Isso implica que o domínio perfeito das cinco competências não é o ponto de partida do modelo: ele será sempre o profissional disposto a partilhar seu conhecimento e capaz de fazê-lo.
Note-se que as instituições de ensino superior também desempenham papel relevante na construção das competências necessárias à formação de revisores. Em um grupo de revisores experientes, não serão todos que possuirão a capacidade de transmitir suas habilidades àqueles em formação. A formação autodidática complementar sempre será necessária, e o treinamento formal, que não descarta a proatividade do revisor em formação como aprendiz de um ofício para a prática, será adaptado às características e necessidades do indivíduo, suprindo as lacunas necessárias e sempre reconhecendo que a capacitação do revisor não é limitada no tempo. Nossa postulação é que a formação do revisor é processo contínuo e que seja sempre contiguo: cada revisor aprende sempre com o colega. Cada formador é livre para definir como proceder ao treinar o revisor, mas reconhecemos que o instrutor de revisão deve ter as seguintes competências:
i. Competência de campo
ii. Competência didática
iii. Competência organizacional
iv. Competência interpessoal
v. Competência de avaliação

Competência em matéria de campo

Essa parte do modelo ostenta a característica mais próxima ao perfil desejável do revisor moderno. O formador deve estar ciente do funcionamento do mercado de revisão e ter experiência de prestação de tais serviços. Essa prestação de serviços, no caso do revisor autônomo ou freelance, consiste das seguintes etapas:
i. o revisor anuncia seus serviços;
ii. o revisor recebe uma consulta (oferta) de uma agência de revisão, da editora ou do cliente direto (autor);
iii. o revisor visualiza o texto original e, depois de considerar o material recebido e fatores externos (tempo, qualificação…), prepara e fornece o orçamento dos serviços, descrevendo o que se propõe e o cronograma necessário;
iv. à vista do orçamento, o cliente aprova o serviço; usualmente, paga o sinal (algo em torno de 30% do valor estipulado); é feito o agendamento do trabalho;
v. o revisor faz a revisão do texto com o melhor de seu conhecimento, confiando em suas habilidades linguísticas, bagagem cultural, capacidade de pesquisa e competências temática e tecnológica;
vi. o revisor interage com o cliente, esclarecendo dúvidas, fornecendo parâmetros e subsidiando decisões;
vii. o revisor conclui o serviço e envia ao cliente o estado final da arte, para últimas discussões e aprovação final do serviço;
viii. o cliente paga o saldo sobre o pagamento acordado, de acordo com as condições pactuadas, da forma como foi estabelecido;
ix. o revisor envia ao cliente o texto revisado, normalmente deixando em aberto a possibilidade de mais algum esclarecimento.
Embora todas as etapas sejam importantes no processo, o treinamento do revisor se concentra habitualmente na etapa em que se está revisando o texto (v, acima). A escassa parte prática da formação do revisor é o processo de revisão em si, de modo que permita aos alunos revisar textos em base regular, com a oportunidade de discutir as soluções e obter feedback constante sobre o trabalho a partir do formador. O processo de revisão implica visualização do texto, planejamento, preparação do texto para revisão, análise de qualidade (verificação ortossintática, diversas fases de leitura, cruzamento de dados), manuseio das diferentes versões, arquivamento (certificando-se que a última versão seja a enviada para o cliente ou o formador) e gerenciando a terminologia recebida e compilada.
O formador deve selecionar textos para fins de ensino que eles próprios sejam capazes de revisar (ou já tenham revisado) com profissionalismo elevado, especialmente no que diz respeito à linguagem e aspectos interculturais do trabalho. O formador deve estar familiarizado com outras profissões relacionadas ao ofício da revisão, para que possa mostrar a seus alunos com sucesso as expectativas do mercado e identificar as áreas em que os alunos precisam de mais desenvolvimento, com vistas a que seu trabalho se torne comercializável. O treinamento de revisão será, portanto, idealmente, a imitação do que um revisor profissional faz na vida prática.
É por isso que os alunos em formação devem estar familiarizados com os três elementos-chave das atribuições de revisão: tempo, preço e qualidade. A respeito dos prazos, o treinamento em mantê-los deve começar tão cedo quanto possível, com atribuições de tarefas a serem desempenhadas em privado e com tempo cronometrado; isso durante todo o treinamento. Aqueles que são incapazes de cumprir prazos devem ser aconselhados a escolher outra profissão. É necessário que o treinamento ensine o aprendiz a agir com cautela, mas propiciar a ele meios para o ganho de tempo e para o contínuo incremento da velocidade de trabalho. Definir-se pelo exemplo é importante: se o formador é rigoroso sobre os prazos, ele não pode ficar adiando a correção das tarefas atribuídas. Idealmente, a qualidade esperada e o preço são diretamente proporcionais, e a pontualidade deve ser transmitida pelo instrutor pelo exemplo, ao avaliar as tarefas domésticas dos estudantes com presteza e rigor; o mercado penaliza aqueles que não cumprirem os prazos e os que forem muito lentos – tanto quanto serão punidos os que não apresentarem resultados qualitativos satisfatórios.
Além de discutir revisões, outro elemento útil e motivador das aulas de revisão é o revisor-professor falar sobre sua experiência de mercado em aula e responder às perguntas dos revisores em formação. O formador pode convidar outro revisor experiente, de vez em quando, para discutir as revisões em conjunto. Estagiários e revisores em formação também podem lucrar com a visita a uma agência de revisão, ou editora com departamento de revisão, onde eles possam ver e ouvir no local sobre as atividades da empresa e aprender quais são as expectativas (e as frustrações) dos revisores. A formação de revisores deve incluir estágios profissionais durante os quais os alunos possam experimentar as suas competências em estabelecimentos com sólida tradição de revisões, sempre sob supervisão competente.
Ler a literatura relevante, seguindo as últimas tendências profissionais, acompanhando as pesquisas de revisão e artigos sobre produção e revisão de textos também devem fazer parte do repertório de treinamento de formadores para revisão. As revisões dos alunos podem servir de recurso didático na mão do formador, entretanto, a fim de obter resultados válidos à necessária metodologia apropriada.
O revisor-formador transfere seu conhecimento de campo para os alunos, e as quatro seções seguintes sobre as competências interpessoais, organizacionais, instrutivas e avaliativas explicam como esse conhecimento pode ser transferido.

Competência interpessoal

A essência da competência interpessoal é que o formador tenha relacionamento eficiente com seus alunos e fomente o bom relacionamento entre eles, tornando as aulas ideais do ponto de vista da aprendizagem. Boas relações com os colegas são sempre cruciais: o instrutor de revisão faz parte da equipe em sua instituição de trabalho como revisor e tem que ser capaz de cooperar com os revisores em formação e com os outros formadores. O formador está ciente das regras éticas ligadas à revisão e ao ensino de revisão e é capaz de transferi-las para os aprendizes. As atividades em aula devem ser relevantes, interessantes e manter o ambiente descontraído, e os alunos têm que poder fazer perguntas e devem ser estimulados a fazê-las. As competências de revisão podem ser desenvolvidas em pares ou grupos de trabalho, por isso, o formador não precisa sempre organizar a classe frontalmente – não é o caso de aulas expositivas contínuas ou de qualquer tipo de preleção como atividade principal.
Como já mencionamos na seção sobre a experiência de campo, os alunos devem ser treinados na gestão do tempo e aprender a lidar com o estresse – sempre há estresse em relação a prazos e, quase sempre, em relação ao trato com os clientes; cabe ao revisor saber contorná-los. Existem métodos e estratégias para fazer isso, porém o próprio comportamento do formador, a previsibilidade das rotinas de trabalho e o ordenamento das tarefas são os caminhos para minimizar o estresse. Aqui, mais uma vez, vale a pena mencionar a utilidade de compartilhar a própria experiência. Se o formador achar que é apropriado, que ele possa dizer aos alunos sobre seus próprios empreendimentos estressantes e desagradáveis relacionados à revisão e falar sobre como eles poderiam enfrentá-los, mostrando que um ponto baixo na vida profissional não significa o fim da carreira de alguém como revisor.
Nas práticas de revisão, ao avaliar as revisões feitas, é crucial que o formador e os aprendizes analisem e deem razões para as decisões tomadas durante o processo de revisão. Um glossário pode ser compilado para cada atribuição, em que as expressões técnicas e falhas contumazes do texto original sejam relacionadas e observadas. Essa é uma boa maneira de esclarecer por que algumas soluções não são aceitáveis, e ajuda a desenvolver a competência da pesquisa de informação dos estudantes. Eles aprendem a identificar fontes de credibilidade duvidosa e analisar o contexto antes de escolher suas soluções.
Todas as habilidades listadas acima pertencem à competência interpessoal no modelo. Essas habilidades, entretanto, não serão aprendidas dos livros ou por métodos autodidáticos. Isso torna fundamental a dimensão interpessoal do treinamento: a honestidade intelectual do formador, a abertura para o fato de que ele não é infalível – não tenta dar a seus alunos a impressão de ser perfeito – inspira confiança e faz crescerem os aprendizes.

Competência organizacional

O formador deve estar ciente das necessidades dos alunos e das expectativas do programa. Propor um questionário de análise de necessidades pode ser útil no início do curso, especialmente se for a primeira vez com o grupo. Podem ser feitas perguntas sobre a experiência dos participantes, as necessidades, os objetivos, os pontos fortes e fracos. O questionário pode tornar-se parte da pasta de revisões dos estagiários e servir de ferramenta valiosa para avaliação e autoavaliação. Outro documento que vale a pena incluir na pasta é o perfil do revisor moderno. Conhecer as competências é, de fato, forma de metacognição, porém esse tipo de noção, ao lado de habilidades práticas, também é necessário no treinamento de revisores.
O formador deve criar um ambiente de aprendizagem favorável e motivador para seus alunos. Os objetivos do curso devem ser claros; os requisitos, os prazos e o sistema de avaliação devem ser fornecidos aos estudantes no início do aprendizado. Isto servirá como documento de referência ao longo do treinamento. As tarefas dadas devem ser relevantes e factíveis e o conteúdo deve visar o desenvolvimento da competência de revisão. O formador deve estar ciente de todo o conteúdo do programa de formação em revisão, inclusive do conteúdo ministrado por outros formadores, e planejar suas atividades como parte da equipe de formação de revisão. Referências ao que os alunos aprenderam no início do curso, ou em outros cursos, podem aumentar significativamente a eficiência da aprendizagem e ajudar os aprendizes a se adequar ao conhecimento que ganham em um quadro maior.
A flexibilidade e a capacidade de adaptação também pertencem à competência organizacional. O formador deve acompanhar as mudanças na profissão e no mercado de revisão, conhecer as últimas tendências e incluir essas novidades no currículo. A avaliação do curso feito pelos alunos no final do período pode contribuir muito para a prática de ensino reflexivo e flexível do formador. Em muitos dos ambientes de aprendizagem on-line utilizados pelas instituições de ensino superior, a avaliação anônima dos cursos é possível, no entanto, infelizmente, os alunos não costumam explorar adequadamente essa possibilidade. É por isso que o formador deve entregar um questionário no final.

Competência didática

Postas as competências descritas acima, sobrepõem-se as competências instrucionais de uma série ainda longa de aspectos, valendo a pena fazer o inventário do que o revisor formador deve saber. Em primeiro lugar, deve ser mencionada a escolha das tarefas apropriadas. O formador deve fazer escolhas conscientes ao selecionar o material do curso. Os objetivos e a função das tarefas para atingir as metas do curso devem ser claros. Dentro das tarefas, as subtarefas também devem ser cuidadosamente planejadas, como compilar terminologia, pesquisar corpus e controlar a qualidade.
Os formadores devem ajudar os aprendizes a realizar as tarefas de forma consciente, chamar a atenção para a importância das subtarefas e explicar como elas conduzem a um texto de maior qualidade. Além disso, é preciso fazer o plano de curso e de aulas de antemão, já que o planejamento depende também do conhecimento teórico da revisão. Eles devem ter visão geral dos textos a serem utilizados, sua ordem, tempo alocado a eles e que forma de trabalho deve ser usada ao intervir no texto. Certamente a classe de revisão não é a única oportunidade para os alunos desenvolverem suas habilidades: o treinamento pode ter forma virtual e incluir consultas regulares.
A base do ensino da revisão é que os revisores em formação possam revisar textos e obter feedback sobre seu trabalho, quer por escrito, a distância, ou pessoalmente, com o formador. O treinamento pode incluir várias formas de trabalho. No caso de horas de contato regulares ao longo do semestre, alguns formadores têm as revisões enviadas a eles antes da reunião, e revisam os textos para a turma, enquanto outro procedimento pode ser os alunos trazerem os textos revisados para a classe e discuti-los no local. Se o formador revisou as intervenções dos aprendizes antes da aula, ele pode falar sobre as tendências gerais nos textos, a forma como certas intervenções foram propostas, quais fontes foram usadas, que partes do texto provou ser um desafio e que erros eram típicos. O formador pode fazer uma versão mista do texto revisado, integrando o trabalho de mais de um aluno, comparando os erros mais típicos e as melhores soluções propostas, pode também propor avaliações cruzadas entre as revisões ou troca circulares de trabalhos, para críticas mútuas e sugestões recíprocas.
Se os estagiários revisarem o texto para a classe e discuti-lo uns com os outros, eles adquirem mais autonomia no processo de revisão. Eles devem poder fazer tantas perguntas quanto quiserem, mas eles carregam a responsabilidade final sobre seu próprio texto. O formador também deve verificar algumas das revisões corrigidas em classe, a fim de ver o quão longe os alunos são capazes de produzir uma revisão de boa qualidade por conta própria, mesmo usando ajuda externa.
O trabalho de pares ou de grupo é necessário no treinamento de revisão. Durante essas atividades, os aprendizes leem e comentam sobre a revisão dos outros. Elogios e críticas adequadas de pares podem ter efeito motivador, já que as correções do formador muitas vezes projetam uma norma inalcançável para o aluno, mas seus pares estão mais ou menos no mesmo estágio de desenvolvimento da aprendizagem. As competências do revisor moderno estão presumivelmente presentes nos alunos, embora alguns possam estar em fase inicial e outros mais adiantados, mas o interesse já é considerável em todos. Aproveitando suas próprias habilidades e experiência, os alunos também podem contribuir para o curso com apresentações, e, por exemplo, mostrar o funcionamento de uma ferramenta que eles tentaram introduzir ou lhes pareceu útil para seus pares.
As dicas acima são apenas exemplos das atividades que podem tornar o treinamento mais eficaz, variado e estimulante. Os pesquisadores incentivam os formadores de revisores a conhecer a literatura de estudos de revisão e produzir material didático para aplicarem seus cursos.
A importância da motivação também deve ser mencionada. A aquisição e o desenvolvimento de competências de revisão podem ser consideradas uma forma especializada de aprendizagem linguística de alto nível. O modelo do processo de motivação pode ser útil para os formadores de revisão e compreende três fases: a fase de preparação – fazer planos; a fase de ação; e fase de ação de avaliação, que inclui a preparação para o próximo ciclo.
Preferimos iniciar a formação do revisor com estagiários que sejam estudantes de Letras entre o terceiro e quintos semestres do curso, quando já tenham cursado as disciplinas básicas de linguística e de sintaxe, mas ainda não tenham abandonado o frescor da motivação inicial, da vontade de aprender, e estejam suficientemente abertos a práticas e rotinas novas. Para tais estudantes, adquirir habilidades da revisão pode ser considerado como implementar novos ciclos motivacionais. Na fase do ajuste do objetivo, no começo do curso, o formador pode pedir que os aprendizes listem seus objetivos a respeito de seu próprio desenvolvimento na escrita – necessidade imprescindível. Na fase de ação, durante o semestre, a conclusão e avaliação das tarefas dividem a fase em ciclos menores e as fases de ajuste e avaliação de metas são concretizadas em etapas bem objetivas. Regularmente voltando às metas estabelecidas no início do treinamento, pode-se tornar o processo de aprendizagem mais eficaz. Dessa forma, os alunos podem ver quais estratégias, atividades e ferramentas de assistência concretas levaram a soluções aceitáveis e corretas em suas revisões, como interferências microtextuais. Cada tópico da formação será concluído tanto pela avaliação do formador (mais sobre isso na seção seguinte) quanto pela autoavaliação dos aprendizes. Esse é o ponto em que vale a pena retornar aos objetivos estabelecidos no início do curso e tanto o aluno quanto o formador podem refletir sobre o que deve ser adicionado ou modificado no futuro. Esses passos podem ajudar os revisores estagiários em sua jornada para se tornarem profissionais reflexivos, autocríticos, proativos e com capacidade para determinar em que áreas precisam incrementar o desenvolvimento profissional que será sempre continuado.

Competência avaliativa

A competência do instrutor em avaliação é primeiramente necessária na seleção dos candidatos ao treinamento para se tornarem revisores, requisitos básicos estabelecidos pelas instituições. Os formadores geralmente tomam parte na compilação dos testes e atividades, e avaliam as tarefas escritas e exames orais ou entrevistas. O próximo passo é avaliar as competências dos estagiários recém-chegados, uma vez que a composição e o nível do grupo influenciam muito a forma como o curso é executado.
A competência da avaliação tem papel chave na estruturação dos planos de curso e de atividades. No caso do instrutor de revisão, ser revisor competente e transmitir parâmetros realistas aos estagiários é de extrema importância. Por exemplo: a pesquisa em revisão indica que os revisores iniciantes fazem frequentemente correções supérfluas nos textos. As correções só devem ser efetuadas quando necessário, quando justificáveis e quando acrescentarem legibilidade e comunicabilidade ao escrito.
Ao fim de cada curso, o formador deve dar feedback completo sobre o trabalho do estagiário, que pode ser baseado nas competências exigíveis. No domínio da prestação de serviços de revisão, por exemplo, o desempenho do estagiário em matéria de prazos deve ser avaliado. Ao avaliar as revisões, os pontos fortes e fracos do estagiário relacionados às outras subcompetências (linguística, temática, erudição, pesquisa) se tornam visíveis.
A competência tecnológica não foi mencionada e, embora ela também constitua competência de revisão, as habilidades relacionadas são geralmente ensinadas em um curso separado – ou mesmo os estagiários já saberão quase tudo: os jovens praticamente já nascem informatizados, bastam pequenas orientações técnicas. As ferramentas dos programas de editoração fazem que as revisões sejam mais rápidas, mais precisas e, se nós queremos imitar condições da real-vida no curso, a solução está no uso de programas de comunicação direta pela internet. Essa prática pode ajudar os aprendizes a ganhar a experiência necessária para usar essas ferramentas de forma eficaz. Alguns instrutores podem nunca ou quase nunca usar ferramentas de comunicação em sua própria prática de revisão, e alguns de seus estudantes são de fato experts com tais ferramentas. No entanto, eles podem incentivar os alunos a usá-las.
A avaliação do desempenho dos aprendizes deve ser baseada em várias tarefas, não apenas em uma revisão ou em um teste escrito. Desta forma, constrói-se a imagem mais realista do desenvolvimento do aluno ao longo do curso e se faz avaliação mais eficiente. A competência de avaliação do formador deve incluir a autoavaliação, a avaliação do curso e as melhores práticas do formador, tanto nos objetivos pontuais como no conjunto da formação. Na sequência da evolução dos estudos de revisão e do mercado, as práticas de ensino devem ser continuamente atualizadas, no que se refere ao material didático, à formação teórica dos cursos, aos métodos aplicados no ensino e ao conteúdo das competências descritas. Assim como o aluno idealmente define metas e avalia seu próprio trabalho, o formador também deve tomar medida de avaliação, balanceamento e produzir relatórios para aperfeiçoamento na continuidade do desempenho. Estabelecer rotinas de avaliação é útil e inerente ao backup do trabalho do formador, propor as mudanças necessárias é tão importante quanto avaliar. Os formadores devem estar sempre prontos para avaliar criticamente as suas próprias práticas, antes de avaliar os desempenhos alheios.

Considerações finais

As seções precedentes esboçaram as competências que um instrutor de revisão deve ter. O formador deve assumir os cinco papéis seguintes durante a sua atividade: revisor, empresário, conselheiro, formador e professor. O formador, além de ser um revisor e dominar as competências do revisor moderno, tem que possuir algumas outras habilidades, a fim de transferir seus conhecimentos com sucesso. Depois de se formarem, a maioria dos estudantes planejam se tornar revisores freelance, autônomos ou empregados; o treinamento deve suprir as necessidades para que eles possam se beneficiar da experiência dos formadores independentemente do objetivo profissional escolhido. Dar feedback sobre as revisões dos aprendizes é o cerne do processo de treinamento, o formador também atua continuamente como revisor que pode avaliar a qualidade da revisão dos estagiários e dar a eles conselhos sobre o que e como melhorar. O próximo papel que o formador deve tomar é o de dar conselhos aos jovens profissionais, ajudá-los a formar a sua identidade como revisores e desenvolver suas competências. Os papéis acima são todos motivados pelo formador, como todas as outras competências e papéis são centrados em torno do aprendiz.
A diversidade desses papéis sugere que as expectativas em relação a um instrutor de revisão são bastante elevadas. Essas não são necessariamente as expectativas iniciais dos candidatos a revisores, mas o que o formador deve se esforçar para transmitir é que a competência como revisor é algo a se alcançar no curso de uma carreira caracterizada pela aprendizagem ao longo da vida. A versatilidade é assim duplamente esperada dos instrutores de revisão.
Adaptado de Eszenyi, R.