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Revisor de textos: ofício, práticas, preços

Vamos tratar de diversos aspectos da profissão de revisor de textos.

A revisão não é uma ocupação de muito prestígio, embora requeira grande expertise e responsabilidade. O revisor permanece discretamente entre o autor e o leitor e seu objetivo é negociar problemas linguísticos existentes ou potenciais no texto, para que todas as partes envolvidas fiquem satisfeitas. O revisor é o terapeuta que melhora o texto para assegurar a facilidade de processamento mental e adequação do produto a seus futuros leitores.
A principal missão de um revisor é se voltar sobre o texto mais de uma vez para fins de avaliação e fazer ou sugerir alterações no escrito visando corrigir problemas detectados durante a avaliação.
O preço da revisão varia em função da qualificação e experiência do revisor.
Os revisores mais experientes,
mais qualificados e mais
rápidos cobram mais por seus
serviços. Valem o que cobram.
A fim de ser capaz de fazer que se requer do revisor, ele necessita possuir certas qualificações e competências. No conjunto de qualidades e habilidades que integram o perfil do revisor, encontram-se: sua formação cultural e contexto educativo, hábitos, histórias de vida e capacidade de autoavaliação, bem como suas experiências e condições de trabalho como profissional de revisão. Cada revisor tem sua combinação individual de habilidades, competências e conhecimentos, um padrão individual, e esse padrão de competência individual pode ser reconhecido e identificado em seu produto como revisor e seu comportamento profissional durante o processo de revisão.

Qualificação e status do revisor profissional

Em termos de qualificação – quem é o revisor, na verdade? Pode ser um revisor profissional uma pessoa com formação em Letras ou em Jornalismo, Publicidade... ou qualquer outra área que lhe proporcione a base linguística necessária – ou quem venha a adquirir essa formação literária em circunstâncias diferentes das formais. Obviamente, a melhor opção é que o revisor tenha lastro linguístico para a desejável erudição. No que toca à experiência, que é tão valiosa para a revisão em si, ela só vem com o tempo e trabalho duro. Cabe distinguir entre revisores novatos e revisores experientes. Todavia, muitos dos revisores mais antigos, formados pela antiga “escola” de revisores tipográficos (ou typographicos) caracterizam-se pela incapacidade de lidar com a revisão como fase independente da produção de textos e por ritmos cognitivos erráticos nessa etapa – vale dizer: quem ainda se vê prioritariamente na posição de “corrigir erros” como revisor, perdeu o bonde da história.
Ao contrário de revisores que não foram treinados especificamente para o ofício da revisão, revisores geralmente vêm do alicerce linguístico obtido na graduação. Isso é sorte, desde que a revisão não deve ser deixada nas mãos de pessoas sem qualificação adequada. É frequente o caso em que revisores seniores tornam-se responsáveis por verificar o trabalho dos seus colegas menos experientes. Também é frequente que o treinamento de revisores se dê no exercício do ofício, os mais experientes transmitindo conhecimento e práticas aos mais jovens. Esses profissionais seniores são, no entanto, mais bem pagos e sua revisão torna-se assim um serviço muito caro. Do ponto de vista empírico, cada minuto dedicado à revisão da revisão, ou ao treinamento de outro revisor no ofício, é um minuto não consagrados à revisão como prática.
O status dos revisores não é sempre o mesmo: alguns são empregados (in-house), outros trabalham por empreitada, muitos são freelancers. Muitos trabalham em seus escritórios, escolas, editoras, outros exercem a profissão no recanto do lar. No entanto, trabalhar por conta própria requer autodisciplina. Um freelancer não é forçado a verificar seu trabalho por qualquer procedimento de empresa e nenhum colega vai rever ou revisar o texto final, que ele revisou. Por conseguinte, revisores independentes devem dedicar quantidade substancial de tempo e esforço à revisão autônoma, que também chamamos “monocrática”. No caso de revisores freelancer, eles trabalham com adjudicação contratual caso a caso. Na maioria das vezes, no entanto, eles serão contatados por autores ou por provedores de trabalho ou, em um serviço de revisão acadêmica, por um mestrando ou doutorando, para revisar a dissertação, tese ou artigo científico. Por outro lado, quando o revisor trabalha empresa de revisão, normalmente, ela fornece a garantia de controle de qualidade do serviço prestado.

Competências e habilidades do revisor de textos

No que toca às competências e habilidades necessárias à revisão, há grande número delas. Algumas são inerentes ao trabalho de revisores em sentido estrito; outras são em relação a competências gerais de trabalho, negociação com clientes, marketing pessoal e empresarial, gestão de pessoas. Pode-se dizer que o revisor tem que possuir competências de revisão e que competência de gestão. Com efeito, revisão consiste na identificação de problemas e decisão quando a eles. A competência de revisão é a capacidade de gerar alternativas viáveis para ampliar a legibilidade do texto. Na verdade, o que acontece se situa entre reconhecer um problema e resolvê-lo. A capacidade de administrar as opções existentes é crucial na revisão. Por conseguinte, competência de revisão está no limite de capacidade de encontrar um problema no texto e lidar com ele. A resolução de problemas e tomada de decisões são a essência da revisão.
Geralmente, revisores têm olhar crítico para detalhes, resistência, paciência e capacidade de concentração. Eles devem saber como combater a fadiga e o estresse, se os prazos estão apertados, eles têm que trabalhar rapidamente, mas sempre com precisão. Em qualquer caso, espera-se que os revisores possam percorrer o texto muito mais rapidamente que o autor. Afinal de contas, maior velocidade significa maior renda – o limite é exatamente o ponto de encontro entre a qualidade e a urgência.
Primeiro de tudo, revisor tem que ter excelente conhecimento da língua em termos gerais: regras de pontuação, gramática, vocabulário e estilística. Isso significa não só saber como e com que ferramentas a linguagem funciona, mas também saber em que fonte confiável pode encontrar soluções em caso de dúvida. Às vezes, os relatórios de revisão explicam o que foi corrigido e a razão das sugestões apresentadas e, por isso, os revisores são obrigados a ser serem capazes de explicar, claramente e usando a terminologia apropriada, as razões linguísticas para que as alterações sejam feitas. Nenhuma interferência deve ocorrer sem base técnica que a justifique. Dominar o idioma de origem é próprio dos revisores, além disso, é necessário acompanhar novas tecnologias, informar-se e educar-se continuamente.
É indispensável para revisores serem capazes de trabalhar com computadores e internet com proficiência. É necessário, por exemplo, conhecer formatação em processadores de texto, usando diferentes programas, recursos eletrônicos, dicionários on-line, bancos de terminologia, saber criar backup de arquivos nas nuvens, verificar os arquivos contra vírus, buscar de informações na Web.
Em terceiro lugar, excelentes habilidades de leitura são necessárias. Isto pode parecer óbvio, mas a leitura para compreensão, leitura regular de todos nós, tem natureza diferente da leitura para revisão e envolve diferentes habilidades. Quando lemos, geralmente, lemos por compreensão, nossos movimentos oculares são rápidos, rápido demais para ver os detalhes dentro de palavras. Assim, podemos compreender o significado para conhecer o conteúdo do texto, nossos olhos se movem no sentido em que o texto flui. Nós vemos o que esperamos ver. O cérebro do leitor comum corrige erros e omissões – nem sempre adequadamente. Não é surpreendente, então, que a leitura simples não seja uma estratégia eficaz correção. O revisor lê em blocos maiores, lê sintaticamente, lê para frente e para trás. O revisor identifica problemas de concordância em frases cujo conteúdo ele não apreendeu. Acontece de o revisor identificar uma obscuridade no parágrafo que trata de assunto completamente alheio às informações que ele tem. O erro salta da página aos olhos do revisor. A leitura do revisor é especialíssima.
Além de habilidades especiais de leitura, habilidades interpretativas são também fundamentais. Interpretação de texto é parte da revisão, necessária para reconhecer um problema de textualidade. Além disso, é necessária nos revisores a capacidade para avaliar segmentos curtos do texto (palavras, colocações, frases e cláusulas) no que se refere à adequação estilística e pragmática em relação à finalidade do produto.
Outra habilidade de um bom revisor é aprender com os erros – os próprios e os alheios – porque o revisor pode, muitas vezes, ser a última pessoa a trabalhar certo documento. O revisor se aperfeiçoa continuamente ao procurar soluções para problemas que vão surgindo.
Gestão do tempo é importante em qualquer profissão, tanto mais na revisão de textos. É necessário planejar o trabalho com cuidado, para que haja tempo suficiente para revisão e para mais uma leitura.
A profissão de revisar textos também exige flexibilidade mental, para que o revisor respeite o autor e seu estilo. A capacidade de sentir empatia pelo trabalho alheio também facilita a cooperação com outros revisores, clientes, editores, cientistas.

Aspectos práticos da revisão profissional

Como qualquer outra profissão, a revisão tem seus aspectos do dia a dia. Tais aspectos podem ser vistos como restrições ou benefícios. Revisores são seres humanos, com opções, atitudes, crenças e sentimentos. A atividade que eles fazem como trabalho é importante para eles como no caso de qualquer outra pessoa. Talvez o benefício mais atraente seja o enriquecimento intelectual que vem com cada nova tarefa. Também pode ser estimulante a diversidade de textos com que trabalha. O bom revisor também se sente valorizado pela remuneração adequada de seus esforços físicos e intelectuais.
No entanto, podem haver tarefas difíceis, tarefas desinteressantes, com prazos apertados. Um bom revisor deve lidar com todos eles igualmente bem. Quanto ao desempenho, nós trabalhamos com a estimativa de quarenta laudas por dia, mas o número será obviamente maior no caso de prazos exíguos. Os trabalhos urgentes requerem maior compensação financeira, em virtude do esforço concentrado e, muitas vezes, extensão da carga horária diária. Isso fica evidente a partir das tabelas de honorários das agências de revisão ou dos revisores individuais. Revisão de textos é frequentemente considerada como fonte suplementar de renda, mas os melhores revisores se dedicam exclusivamente ao ofício, ou o têm como principal fonte de renda – são profissionais que atendem à demanda mais rapidamente e cobram por isso.
Questão central para todos os revisores e, em particular, para revisores autônomos, é o trade-off (situação em que há conflito de escolha) entre tempo, preço e qualidade. Os clientes querem a revisão confiável, rápida e de baixo custo, mas esses três atributos não andam juntos e é tarefa dos revisores equilibrar os interesses das partes envolvidas. Mesmo que o prazo seja gerenciável, há uma série de requisitos para os envolvidos ficarem satisfeitos. Existem inúmeras variáveis que podem influenciar a decisão do revisor em tais assuntos, mas, no final das contas, o leitor deve ser o fator prioritário: quanto ao equilíbrio entre autor e revisor, isso é, claro, o problema central da revisão é que o revisor tenta atender às necessidades dos leitores, sempre, e as necessidades dos outros, se possível.
Outro fator significativo no trabalho de um revisor decorre da participação de mais pessoas em cada tarefa de revisão. Revisão pode envolve uma rede de agentes sociais ativos, que podem ser indivíduos ou grupos, cada um com certos preceitos, preconceitos e interesses. A relação interpessoal é questão de transações entre partes que tenham interesse. O revisor deve ter habilidades comunicativas que são necessárias para a interação com o cliente, o gerente do projeto e outros interessados no produto.

Ética da revisão de textos

O revisor deve considerar a pessoa do autor para além de outras pessoas que estão envolvidas no processo de revisão. Em cada mudança que faz como revisor, ele tem que levar em conta as necessidades e exigências do autor do texto.
Do ponto de vista psicológico, ou mesmo para impressionar o cliente, revisores tendem a introduzir mudanças apenas para mostrar trabalho, pois pode parecer que o serviço não foi feito quando não há correções e sugestões em profusão. A subjetividade na revisão pode ser contornada exigindo-se dos revisores que limitem as intervenções intuitivas sobre as características linguísticas, estilísticas e pragmáticas dos textos. É amplamente reconhecido que não existe solução definitiva para um problema de revisão – sempre há mais de uma solução para qualquer questão – a solução adequada é a que melhor atender à demanda do autor.
Cada profissional tem que saber seus limites, sejam restrições temporais ou intelectuais. Não cabe aceitar um trabalho que não pode fazer bem, porque não tem conhecimentos ou prática com aquele gênero textual, falta competência linguística, ou o tempo não é suficiente para o bom desempenho do serviço. Recusar uma tarefa e enfrentar as consequências (perda do cliente ou da receita respectiva) é o que deve fazer um revisor quando identifica a impossibilidade de desempenhar satisfatoriamente a encomenda. Por último, o revisor deve sempre admitir sua culpa, ou falha, quando e onde houver.

Estudos teóricos da revisão de textos

Apesar do crescente interesse teórico pela revisão, a literatura sobre o assunto é muito escassa. Todavia, ao trabalhar em uma revisão, consciente ou inconscientemente, o profissional segue uma teoria de revisão, porque revisar é escolher. Escolha depende de critérios. Os critérios são subordinados a uma teoria. Revisão é uma parte de tal teoria. Existem duas disciplinas relevantes para a revisão: análise contrastiva e crítica textual. Análise contrastiva é, de fato, a técnica utilizada no processo de revisão, que exige a compreensão da mensagem pretendida pelo texto, justa avaliação do processo criativo e familiaridade com o gênero textual em tela, seu público e literatura (no sentido lato da palavra) corrente e concorrente ao texto. Em terceiro lugar, a revisão de boa qualidade é derivada da crítica textual – para situar os estudos da revisão como orientados em função do exercício da revisão crítica adequada.
A revisão, obviamente, está relacionada a diferentes disciplinas e sub-disciplinas e pode ser vista de diferentes perspectivas: em relação à avaliação da qualidade, estudo de modelos e processos, aspectos cognitivos e psicológicos, métodos de investigação e assim por diante.
Adaptado de J. Šunková. 

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