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Revisor de textos: curiosidades e cortes

Uma coletânea de definições de revisor de textos.

Coisa antiga, mas sempre divertida. O Ciclo de Vida dos Revisores. Ao fim e ao cabo, quase que se pode dizer que revisar um texto seja fazer cortes!

  • Revisor é como o goleiro de futebol: pode acertar quase todas, mas é execrado quando falha.
  • O prazer do revisor é comparado ao do oleiro, modela o texto até ficar perfeito. Bonito de se ver e/ou de se ler.
  • Resposta à Stalone Cobra: “é um serviço sujo, mas alguém tem que fazê-lo. tenho culpa se gosto do cheiro de sangue?”
Uma serie de curiosidades e ditos comuns sobre o revisor de textos.
Todo autor precisa proteger seu texto contratando um bom revisor para colaborar.
  • O revisor retira o excesso de palavras dos textos: menos é mais também na redação.
  • Cada dissertação que revisamos recebe atenção total.
  • Um mago. Quem sabe, um gurú [sic] das palavras, ou mesmo gurú [sic] ortografico [sic]?
  • Um chato, um neurótico compulsivo.
  • O revisor é um cara pago pra ser chato.
  • O revisor é aquele que vem para fazer a limpeza geral e nem sempre é notado. Porém, quando notado, é para ouvir a pergunta:”Quem Mexeu no Meu Texto”?
  • Revisor é uma pessoa que deve achar erro de todo mundo, mas não pode encontrar um cochilo seu só lá na terceira prova. Terá que ouvir o inevitável Pô, agora que você vê isso? do operador, que não agradece quando você pega o mesmo erro dele em todas as provas e ele não faz direito.
  • O revisor “de carteirinha” também é aquele ser esquisito que revisa a portaria da Sunab enquanto espera o cafezinho chegar no balcão.
  • O revisor é o lapidário da palavra escrita.
  • É como o gravurista da palavra impressa. [Tudo isso com um toque angelical de mágica.]
  • O revisor é como um afinador do piano da palavra escrita.
  • Revisor é como gari, só tá lá pra limpar.
  • Raiou a aurora e já trabalha o revisor. / Entre pilhas de papéis, feliz a rabiscar, / Vê o botão da página desabrochar em flor. / Incansável contador de caracteres, / Sua féria calcula com muita atenção. / Oh revisor, quão miserável ‘eres’! / Ri de tua desgraça fazendo revisão!
  • Revisor é alguém que ri quando trabalha e chora quando recebe o que recebe.
  • O revisor é, antes de tudo, um forte.
  • O revisor é o primeiro a rodar na hora dos cortes financeiros.
  • O revisor é substituível até que a m. apareça no título em letras garrafais, aí pergunta-se: quem mandou demiti-lo?
  • O revisor é muito gente, tá?
  • Revisor é o chatão que ganha de todo mundo no jogo dos sete erros.
  • O revisor [o bom], no fim das contas, é um pândego. / o revisor [o outro], um angustiado.

A revisão do texto vai cortar: um, uns, uma, umas

Um, uns, uma, umas – entenda porque o revisor de textos vai "podar" muitas dessas palavras em sua tese, artigo científico ou dissertação. Se ele não o fizer, cobre.
Artigo, numeral, pronome indefinido – podem ser essas as funções das palavras um, uns, uma, umas – mas as pessoas não dão muita atenção a elas, agem como se fossem enfeite para o texto, algo a ser distribuído mais ou menos aleatoriamente, e com que não precisamos nos preocupar. Nem mesmo aquela professorinha implicante nunca falou nada sobre o uso dessas palavras. Pois bem, vamos falar.
O que mais notamos em nossa profissão de revisores de textos é que essas palavrinhas sobram. As pessoas as usam em excesso. No texto, como na vida, tudo que há em excesso, sobra. Não há nada de errado com um e suas variantes, afinal a palavra é essa e as outras são suas variantes em gênero e número: masculino (um, uns) e feminino (uma, umas), singular (um, uma) e plural (uns, umas). Até mesmo nessas variações muito simples há quem erre, quando ocorre o banalíssimo um alface ou uma guaraná, ou até no erudito equívoco de um arché, casos em que simplesmente a pessoa está equivocada quando ao gênero (excluído o erro de digitação). Não havendo nada de errado com essas palavras, o erro sobra para o autor e aí entra o revisor, com aquela tesoura de poda virtual chama “delete”.
O caso é que tais palavras, quer como pronome, numeral ou artigo, cabem antes de quase todo nome – no caso os substantivos e artigos da frase. Na linguagem falada, parece que temos usado muito, é um recuso pobre, mas se presta a alongar as frases ditas e dão mais tampo ao falante para pensar o que dizer, ou parecer que está dizendo mais que o faz efetivamente. Na linguagem escrita, em excesso, se tornam vício de repetição, defeito de estilo.

Vejamos um exemplo.

"Para uma formatação é desejável termos em mãos um trabalho completo. Se seu trabalho ainda não está concluído, mas já há parte significativa, pode enviar-nos para um orçamento prévio. Você pode enviar uma versão que já tenha "quase tudo", ou algo bem próximo disso, para fazermos o um orçamento e, chegando a um acordo, enviamos-lhe por e-mail um contrato a ser assinado e remetido a nós pelos correios. Uma forma de pagamento usual é depósito bancário. Se necessário, podemos oferecer um parcelamento, ou um desconto à vista."

E aqui o texto original:

"Para a formatação é desejável termos em mãos o trabalho completo. Se seu trabalho ainda não está concluído, mas já há parte significativa, pode enviar-nos para orçamento prévio. Você pode enviar uma versão que já tenha "quase tudo", ou algo bem próximo disso, para fazermos o orçamento e, chegando a um acordo, enviamos-lhe por e-mail um contrato a ser assinado e remetido a nós pelos correios. A forma de pagamento usual é depósito bancário. Se necessário, podemos oferecer parcelamento, ou desconto à vista."
Sete palavras a menos! Com maior clareza, fluência e exatidão, já que artigos e pronomes indefinidos, por sua natureza e significado, transmitem ideias imprecisas, vagas, inexatas. Como proceder? É simples, exclua – se a frase mantiver o sentido sem a palavra ela está sobrando; provavelmente estará melhor sem ela. Ou deixe para o revisor do texto fazer a poda.
A formação do revisor é um ciclo que leva toda a vida para se completar.
Ciclo de vida, de ação e de padecimento do revisor de textos.
Encontramos na Web este slide, sem referências, mas ele parece descrever - com algum humor - algumas das etapas pelas quais um revisor costuma passar. Fica aqui colocado, sem precisar muita explicação, mas com a ressalva de que, se alguém apontar a autoria, nós informaremos.

Aquele que trabalha com as mãos é um ARTESÃO.
Aquele que trabalha com a mente é um SÁBIO
Aquele que trabalha com a inspiração é um ARTISTA.
Aquele que trabalha com a técnica é um PROFISSIONAL.
Aquele que trabalha com a intuição é um MÍSTICO.
Aquele que trabalha com o coração é um ESPIRITUALISTA.
Aquele que trabalha com as mãos, mente, inspiração, técnica, intuição, coração, gramáticas, dicionários, computador, internet, erudição, mais todos os recursos possíveis e prazos impossíveis é um
REVISOR DE TEXTOS.

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