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Revisão e normalização de texto acadêmico: erros e errata

Os critérios e procedimentos de padronização – definidos como o conjunto de decisões e de procedimentos para unificar o estilo de um texto – são fundamentais para que os artigos científicos, dissertações e teses de um ou vários autores, de diferentes temas, objetos ou graus acadêmicos, possam se tornar uniformes em sua apresentação ou na publicação em periódico ou livro.

Erros e errata são obstáculos linguísticos e gráficos à cognição de artigos, dissertações e nas teses.

Todo texto manuscrito passará pelo revisor antes de ir ao público.
A revisão de textos é a batalha
editorial contra erros e erratas.
O título alude para o erros e errata colocando em pauta não só as especificidades que envolvem os vários tipos de revisão, vale dizer, da revisão primária à revisão de provas (ou revisão primária à revisão final – dependendo da terminologia adotada), também se refere ao papel dos revisores em relação ao texto científica acadêmico –artigo científica, paper de congresso, dissertação ou tese.
O texto acadêmico é espaço comunicacional interativo e cognitivo em o que o especialista se envolve em diálogo formal com especialistas em sua disciplina – o pelo qual faz divulgação de conhecimento científico para terceiros. Como em qualquer publicação, também nestes gêneros acadêmicos a revisão linguística é de crucial importância.
O erro é definido como deslocamento do padrão linguístico prescrito pela gramática normativa alçada a instrumento de identificação dos fenômenos de fala e da escrita e dotada de múnus compulsório. Pelo contrário, em perspectiva sincrônica e não prescritiva de linguagem, o erro é considerado como um deslocamento do padrão atual que deve ser erradicado porque pode condenar um texto á ininteligibilidade.
Mas uma coisa é erro, outra é errata. Para estabelecer as diferenças voltemos à tradição das escrituras: por um lado, o manuscrito medieval – em o que o revisor-editor se dá com o erro da intervenção de muitos copistas e glosa a errata; por outro lado, a nova dimensão do erro que a impressão se encarrega de multiplicar e estender no espaço e no tempo, como lapsos poligênicos que fatalmente perseguem a palavra impressa. A errata apresenta-se como a confissão do erro, admitindo-o como produto da falha de autores, copistas e tipógrafos humanos, nesse contexto, visa sanar o erro – como que lhe pleiteando a absolvição (em metáforas medievais ou renascentistas). A errata é o rol dos erros.
Na verdade, se o erro está na gênese da errata, todavia, não se admitem erratas deste o advento da editoração eletrônica de textos. O erro é perene junto ao texto, subsiste a qualquer revisão, mas a errata morre quando a possibilidade de revisão e reimpressão se tornam concomitantes à produção textual em todas suas fases. Paradoxalmente, a errata se converte em erro, não devendo existir – tanto quanto não deve subsistir qualquer erro.
Revisão de estilo do texto acadêmico
O estilo verbal de uma declaração é a seleção de recursos léxicos, fraseológicos e gramáticos da língua, articulados em combinação com o conteúdo e tema, em composição ou na estruturação de um texto que cumpre a função discursiva, um escrito dotado de nexo textual. O estilo é inextricavelmente vinculado às formas típicas de declarações; onde existe um estilo, lá há um gênero. Vale dizer, cada autor dá a seu texto um estilo próprio e individual, personalíssimo, partilhando o conjunto de opções de acordo com o tipo de texto ou de prática institucional em o que a sua contribuição é veiculada. Nos gêneros textuais acadêmicos, constituído de certas características estilística padronizadas, o estilo é produto complementar, um epifenômeno do enunciado.
Em síntese, na instância de revisão de estilo de um texto acadêmico, não só cumpre alterar erros, mas normalizar o estilo, unificar critérios, tanto na textualidade (tom, estruturação de orações, tipo de discurso, organização de informações) como no âmbito paratextual (títulos, legendas, notas de rodapés, bibliografia). Essa intervenção é chave para alcançar as características estilística requeridas, responder à padronização própria do gênero acadêmico, definido da seguinte forma: é chamado estilo científico ou acadêmico o texto pautado pelo conjunto de normas linguísticas, gráficas e terminologia de determinada área de conhecimento, submetido às regras de processamento da instituição, mídia ou associação normalizadora (deontologia, regras de documentação e de apresentação de material e métodos), e comumente aceitas pela comunidade científica e acadêmica em que a produção se desenvolve.
As revisões de estilo, como as de provas, são práticas necessárias e complementares na edição e editoração técnica do texto científico, não cabendo superestimar injustamente a revisão de estilo em detrimento da de provas, por pressupor que o primeira requeira que o revisor possua rigorosas habilidades enciclopédicas, linguísticas e normativas, enquanto para a revisão de provas, parece suficiente vista treinada e alto grau de concentração. Ainda estão prevalentes essas representações dicotômicas difíceis de extirpar: fácil ou simples, complexo ou difícil, expressas no equívoco de que sejam mecânicas ambas as instâncias da revisão; na etapa referente ao estilo, cumpre corrigir, quando se tratar das provas, cabe revisar. Todavia, nada mais disso procede, completamente exauridas tais simplificações.

A padronização do texto científico

Agora vamos nos deter especificamente em um aspecto fundamental da edição e editoração acadêmica, a padronização, definida como o conjunto de decisões e procedimentos visando unificar o estilo de um escrito em todos os aspectos. É por procedimentos de padronização que um conjunto de artigos científicos de autores vários pode obter forma homogênea para publicação em periódicos; ou uma série de trabalhos de um mesmo autor em diferentes estágios acadêmicos ou de diferentes temas, pode tornar-se um livro; a padronização constitui o recipiente comum, é aquele trabalho pelo qual o valor individual de cada texto exclui suas diferenças e o faz assimilável ao conjunto de escritos correspondentes.

A normalização do erro no texto técnico

Os procedimentos de padronização, então, tendem para unificar as alternativas estilísticas dos escritores em relação ao gênero, neste caso, o acadêmico, e também em relação ao registro; vale dizer, com o contexto situacional em o que eles estão inter-relacionados ao tema da comunicação (campo gnosiológico), ou a relação entre os participantes (pares) e o papel da linguagem dessa interação (modo).
As características linguísticas são o vocabulário, as figuras de linguagem (tropos), as referências culturais, os termos técnicos (jargão); formas de tratamento, denominações, uso de expressões dialetais, constância de código e registro; para o modo: as referências para a situação, o usar da língua oral e o usar de expressões geograficamente circunscritas.
O registro é a associação entre recursos contextuais e sistemas linguísticos correspondentes. A revisão busca normalizar o estilo e se concentra nas escolhas estilísticas que não são muito livres porque são limitadas pela situação comunicativa completamente específica de que se compões os textos acadêmicos. De outro modo, normalizar implica lidar com erros e errata, mas também com os recursos opcionais da língua, em o que o escritor de textos científicos goza de um certo grau de liberdade de escolha.

Concluindo sem mais erros e erratas no texto científico

Erros e errata desempenham o mesmo papel em relação à revisão de textos acadêmico, determinado que os critérios e procedimentos de padronização, fundamentais nesse tipo de publicações, alcançam ambos todas as etapas ou fases da revisão.
Diz-se que a pessoa que revisar o original do autor deve ser a mesma que revisará as provas de impressão (ou fará a revisão final em papel), para o saber mais do texto, identificar mais facilmente qualquer mudança ou lacuna na nova versão do documento. Também se pode dizer que, se as várias instâncias da revisão são feitas por pessoas diferentes, é possível proteger o texto de dois tipos de efeitos nefasto: o de saturação, em que o exagerado contato entre revisor e texto o impede de detectar os erros mais visíveis, e o efeito de onipotência, em que o revisor termina acreditando, falaciosamente, que corrigir erros alheios o protege de qualquer forma de erro próprio. O fato inegável é que a revisão que tenderia à perfeição seria feita em equipe, em que alguém acompanharia o processo enquanto novas vistas se agregassem a cada fase; todavia isso é econômica e processualmente inviável entre autores e revisores de teses e dissertações, postos os prazos exíguos e orçamentos restritos.
Adaptado de Estrada, A.

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