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A escrita da tese: parte geral e introdução

Entenda o básico sobre a tese, vale a para dissertação.

A tese é elaborada para descrever o conhecimento adquirido durante uma atividade de pesquisa sobre um tema específico, novo e em profundidade.

O tamanho de uma tese pode variar de acordo com o conteúdo, e uma longa tese não é sinônimo de qualidade, portando deve-se sempre prezar pela coerência e objetividade. As sugestões práticas fornecidas aqui se destinam a orientar o aluno para ser capaz de escrever satisfatoriamente um texto desse tipo, desde o primeiro rascunho.
A escrita da tese é processo longo, sistemático e estruturado.
A escrita da tese é um processo contínuo, certamente será longo, mas não precisa ser doloroso. Conte com um bom revisor de textos em todas as etapas.
O trabalho final para a obtenção de determinado título deve ser tão conciso quanto possível e descritivo em exaustão - dando conta de tudo que foi feito, sem floreios; se possível, reforçado com imagens e anexos técnicos recolhidos durante atividades do estudante, que beneficiarão a curto e em longo prazo o aluno ou o leitor.

Estrutura básica da tese e da dissertação

A estrutura clássica (ou formato clássico) do texto de dissertação e, em alguns casos, da tese de doutorado, contém as seguintes seções, podendo ser modificada conforme necessidades e atividades da área:
  • Capa;
  • Folha de rosto;
  • Epígrafe / Dedicatória / Agradecimentos (opcionais);
  • Resumo/ Abstract;
  • Listas de figuras, ilustrações, abreviações;
  • Sumário;
  • Introdução
  • Revisão da literatura pertinente e objetivos;
  • Material e métodos;
  • Resultados;
  • Discussão;
  • Conclusões;
  • Referências;
  • Anexos e apêndices;
  • Índices.
No que diz respeito à tese de doutorado, a que se chama propriamente tese, às vezes, é necessário seguir um esquema de revisão bibliográfica aprofundada, inserindo capítulos independentes da parte experimental, contendo resumo, introdução, objetivos, materiais e métodos, resultados, discussão, conclusões e anexos, como se fosse uma tese dentro da tese, nunca deixando de seguir as regras gerais dos trabalhos científicos.
Um aspecto a ser destacado é que, ao contrário da tese científica comum, o trabalho final deve incluir, além do conteúdo descritivo e técnico-científica, uma análise crítica da realidade pessoal observado e experimentado pelo aluno (pontos fortes e fracos), bem como uma série de imagens e anexos técnicos recolhidos durante o estágio.

A escrita da tese: título e resumo

O título deve expressar em poucas palavras o conteúdo da tese e tem como principais objetivos:

  • atrair a atenção do leitor, a fim de incentivá-lo a ler o trabalho;
  • fornecer as palavras-chave essenciais, para que o trabalho possa ser devidamente catalogado.

Para atingir os objetivos citados acima, cabe ao autor aplicar as seguintes técnicas:

  • escreva o título no início e, se necessário, corrija-o ao longo do processo de elaboração da tese, na verdade, o título deve coincidir com o tema principal, que é mais relevante para o conteúdo da versão final;
  • seja conciso e claro, usando o menor número de palavras possíveis para descrever com precisão o conteúdo do trabalho (o comprimento recomendado é de 10-15 palavras);
  • use palavras-chave que irão destacar o conteúdo principal do trabalho e que torne fácil o seu entendimento; se possível, comece o título com uma palavra-chave importante;
  • use palavras simples, evite abreviar e utilizar termos genéricos, fórmulas, siglas;
  • procure incluir os principais achados no título, a fim de evitar ser vago demais e estimular a curiosidade do leitor.

Resumo da tese

O resumo é fundamental em obras científicas porque, além do título, é a primeira parte do trabalho que será lido e, quando bem escrito (em forma e conteúdo), incentiva o leitor a ler todo o trabalho. Geralmente os bancos de dados exibem apenas o título e o resumo do trabalho, que muitas vezes representam a única parte do trabalho lido por quem acessa. Além disso, a comissão organizadora de conferências científicas normalmente pede aos autores que enviem um resumo do trabalho antes de decidir se o aceitarão ou não e revistas científicas também exigem um resumo par analisarem se o trabalho será publicado. Seja qual for o trabalho e seu destino, é aconselhável preparar sempre um resumo, pois este serve também para atrair o leitor e destacar os aspectos mais relevantes da pesquisa. O local exato em que o autor deve inseri-lo pode variar: depois do índice; imediatamente antes do índice; ou imediatamente após a capa da tese.

Assim, após uma breve frase introdutória, o resumo de uma tese deve ilustrar sucintamente e, se possível, na seguinte ordem:

  • o propósito do experimento ou da investigação;
  • como o estudo foi conduzido e uma análise estatística sintética (materiais e métodos);
  • principais resultados e, se for caso, uma breve discussão (sendo a maior parte dessa seção);
  • as principais conclusões do estudo.
Para finalizar, abaixo estão listadas dez sugestões úteis para a elaboração da seção "resumo", reforçando que, para obter um resultado mais refinado da produção, é aconselhado contratar um bom revisor, que será capaz de reestruturar o trabalho e torná-lo estritamente adequado ao exigido nos principais órgãos de pesquisa científica.
  1. Observe que o resumo é uma versão altamente abreviada da tese, que deve fornecer informações essenciais sobre a investigação realizada e deve ser coerente com o título e a versão completa da tese;
  2. Não inclua no resumo a revisão da literatura ou descrições detalhadas dos métodos utilizados no experimento;
  3. Comece o resumo explicando o objetivo do experimento através da definição concisa das hipóteses testadas, dos objetivos do estudo. Para complementar, antes de explicar o propósito do estudo, você pode usar uma breve frase introdutória, principalmente quando o tema é difícil e/ou desconhecido para a maioria dos leitores;
  4. Indicar brevemente os materiais e, se for caso, os métodos utilizados, enfatizando a espécie e o número de indivíduos estudados; a duração dos dados obtidos; avaliação das variáveis; o nome do método analítico de laboratório e/ou software utilizado, se necessário;
  5. Relatar somente os mais importantes resultados da pesquisa, de forma clara, precisa e objetiva, fornecendo valores numéricos e significados, que podem ser seguidos por uma breve discussão, sem mencionar outras obras. A falta de dados numéricos no resumo sugere que o trabalho não foi concluído, ou que o autor não sabe como escrever um resumo, sendo pouco útil para o leitor. Exceção a essa regra são as revisões, na quais seria impossível resumir em os resultados das inúmeras publicações que são usadas para construir o mesmo;
  6. Feche o resumo destacando as principais resultados e conclusões do experimento da tese. Em casos especiais, quando se quer enfatizar a originalidade e a importância destes resultados, um meio é começar o resumo com as principais conclusões para chamar a atenção do leitor;
  7. Escreva um resumo autoexplicativo, sem referência ao texto completo, tabelas ou figuras;
  8. Use o pretérito perfeito do indicativo em todo o resumo, exceto quando eles são feitos de generalizações (presente do indicativo), ou fornece sugestões para estudos futuros;
  9. Empregue abreviações ou siglas somente quando necessário e respeite as regras que regem o seu uso;
  10. Por fim, leia o resumo para outra pessoa a fim de observar se ela entenderá os elementos mais importantes da tese. E, para facilitar e tornar mais preciso todos os procedimentos aqui indicados, contrate um profissional revisor antes de finalizar o trabalho, para que este leia atentamente, identifique erros técnicos ou ortográficos e faça as alterações pertinentes a um trabalho desse tipo.

Os principais objetivos da seção introdução são:

  • estimular a atenção do leitor;
  • apresentar um panorama do problema estudado (ou seja, o conhecimento científico no qual é baseado o estudo proposto na tese), de modo a exibir em detalhes, em um contexto lógico e racional, o argumento científico e as razões científicas que justifiquem a execução da pesquisa;
  • definir o objetivo principal da pesquisa, os pressupostos científicos ou hipóteses a serem testadas, caso isso não seja feito em uma seção específica.

A produção desta fase da tese deve ser dividida em duas partes principais.

  1. Uma sucinta revisão da literatura relevante sobre o assunto estudado (a bibliografia), que demonstra e comenta a respeito do estado atual do tema;
  2. A hipótese do argumento, que é a questão científica a qual você deseja responder. Um trabalho científico deve concordar com as informações já existentes e deve ser verificável, cientificamente testável. Esta hipótese é o aspecto fundamental e central da tese e tem de ser claramente definida, para que o leitor possa compreender o objetivo da pesquisa e ver ser se ela cumpre o que foi proposto e se a tal hipótese é confirmada. Ela pode ser inserida no final da seção “Introdução” ou separadamente, logo após esta, em uma nova seção denominada “objetivos da tese”, ou ainda “hipótese a ser testada”.
Caso o trabalho se trate de uma dissertação, a introdução geral deve ter uma descrição completa e equilibrada, nos mesmos esquemas indicados acima, mas com hipóteses específicas de capítulos individuais. Neste tipo de produção, está sempre presente no final da introdução geral os capítulos abrangidos na tese (ou seja, hipótese, materiais), de forma bem breve, ou simplesmente a lista dos objetivos específicos da mesma. Feito isso, o trabalho segue com introduções independentes em cada capítulo.

A seguir, observe algumas dicas convenientes para atingir de forma clara os objetivos propostos, conforme o exigido para a elaboração da fase introdução.

  1. Em geral, é viável começar a introdução a partir de uma consideração geral para então entrar em detalhes, que incluem o panorama do estudo feito, a bibliografia consultada e o conhecimento do autor sobre o assunto do tópico em questão, concluindo com a exposição da hipótese que pesquisa se propôs a testar;
  2. Mencionar e discutir apenas trabalhos relevantes para o tema da tese, clara e concisamente, em uma sequência coerente, evitando que a introdução se torne excessivamente longa, confusa ou não convincente.
  3. Comparar obras de vários autores, destacando os aspectos e/ou diferenças entre eles, seus principais resultados e suas possíveis limitações comuns. Isso é essencial para trazer o conhecimento adquirido e destacar os aspectos aprofundados, de forma que esclareça a importância do trabalho proposto na tese.
  4. Definir o objetivo principal da pesquisa, a hipótese científica que será estudada. Certifique-se de que a hipótese lida com informações já conhecidas e, portanto, apresentadas na respectiva seção “Introdução”, de maneira a ser cientificamente verificável através do experimento proposto na tese.
  5. Mencionar a introdução de cada capítulo de forma bem curta e concisa, como deve ser também toda a introdução geral, de acordo com o recomendado pelos periódicos científicos e às normas técnicas vigentes.
  6. Empregar verbos no presente do indicativo apenas para fazer generalizações e sempre no passado do indicativo para citar resultados concretos obtidos em estudos anteriores. Há casos em que a revisão da literatura pertinente é escrita quase inteiramente no tempo presente e, apesar disso, recomenda-se o uso forma impessoal ou passiva.
  7. Usar o modo condicional quando formular novas hipóteses ou der sugestões sobre a futura realização de estudos sobre um tema específico.
  8. Utilizar abreviações ou siglas somente quando uma longa palavra ou conjunto de palavras precisa ser sintetizo para o melhor entendimento do leitor. Neste caso, a regra básica é que o termo seja escrito na íntegra, seguido pela abreviatura correspondente (às vezes destacada em negrito), colocar entre parênteses na primeira vez em que for mencionado. Feito isso, no restante do texto pode-se usar apenas a abreviatura ou sigla para se referir ao grupo de palavras mencionado.
  9. Inserir a citação correta de uma publicação imediatamente antes ou depois de colocada, evitando sugerir que tal seja exclusivamente de informação original desenvolvida pelo autor da tese, direcionando o leitor para a seção “referências”.
  10. Não cometer o erro grave de copiar parágrafos inteiros ou, pior, páginas inteiras de outros trabalhos científicos, visto que a tese deve ser um trabalho original, fruto do intelectual do autor e somente baseado em trabalhos alheios estudados. Infelizmente, algumas pessoas usam cópias de publicações, particularmente as disponíveis na internet. No entanto, acessando os motores de busca mais utilizados, tal atitude é facilmente descoberta e  o plágio de publicações é proibido e punível por lei, além de ser lamentável do ponto de vista da ética, tanto científica como profissional. Para evitar uma impressão negativa por parte do supervisor e da comissão de avaliação, é aconselhável escrever uma introdução curta, simples e original, a utilizar uma bem feita e estruturada, porém fruto de uma cópia.

No sentido de evitar qualquer tipo de plágio e afastar a possibilidade de alegações nesses sentido, certifique-se de que você: 

  • seguiu as alegações, em tese, com base em uma publicação científica particular sem desvirtuar o pensamento que o autor publicou originalmente;
  • citou corretamente o trecho pretendido, sem erros ou qualquer tipo de alteração;
  • em caso de traduções, interpretou corretamente a língua estrangeira, evitando tropeços interpretativos que prejudicam a credibilidade da tese.

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