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Revisores de textos e sua importância no processo criativo

O papel do revisor de textos está muito além da pressuposta correção ortográfica e gramatical, ele alcança, em profundidade, o processo da criação e editoração de todos os gêneros textuais.

Diversos fatores e atores são determinantes para tornar bem-sucedida uma publicação perante instituições de destaque, universidades renomadas, editoras, revistas científicas ou outro tipo de público que exija certo requinte textual. Um dos elementos mais importantes nesse processo – a que devemos o mais profundo respeito e gratidão – é o trabalho dos revisores, que influenciam ativa, positivamente e extensivamente no produto final. O constante trabalho deles nos bastidores é exercício de um dos ofícios mais antigos existentes no mundo, mesmo que muitas pessoas ainda desconheçam os processos pelos quais os textos passam antes de chegarem às mãos dos leitores. No entanto, é importante salientar que, onde houver textos que vão a público, haverá revisores e, seja qual for o tamanho, nenhum texto está isento de revisão.
O mundo inteiro conta com a colaboração de revisores de textos.
O revisor de textos colabora na
produção e transmissão
do conhecimento. 
O trabalho dos profissionais que fazem a revisão do texto em particular ou daqueles que prestam seus serviços a uma casa editora, os especialistas da língua, implica responsabilidade compartilhada com o autor da obra, a fim de determinar a qualidade do material e prestígio que será alcançado. Assim, é de responsabilidade do revisor de textos intensa e constante leitura, a ponto que esses profissionais, escolhidos para garantir a qualidade comunicacional dos escritos, devem familiarizar-se com a diversidade de gêneros textuais que para os teóricos da área, é o elo entre o leitor e a compreensão; além disso, os revisores devem ser dotados de senso crítico, conhecimento prévio e agilidade no desenvolvimento de seu trabalho. Os revisores se posicionam como primeiros leitores dos textos, buscando incessantemente os problemas de linguagem, sejam eles comuns ou bem particulares, óbvios ou bem sutis. São aqueles profissionais de quem se deve cobrar adequação de linguagem do texto, portanto, é primordial que possuam vasto conhecimento linguístico, além do domínio da língua em que aplicarão seus métodos, conhecimentos de vocabulário, gramática, uso adequado da pontuação, entre outros. Lembrando que, como todos concordam, saber utilizar a boa linguagem é importante para todos os profissionais, sem detrimento da função específica do revisor no texto a ser publicado.

Sobre as etapas a que um revisor deve submeter o seu trabalho, podemos citar as indispensáveis várias leituras do texto em que trabalha e, claro, durante toda a sua própria vida, em textos de todos os gêneros e proveniências. Tal processo de leitura e releitura colabora positivamente entre esses profissionais tidos como “fiscais” do texto, e que são bem mais que isso. O público, editoras, bancas de teses e concursos ou outros “juízes” desse campo não se corresponsabilizam pela má qualidade dos trabalhos e possíveis incoerências. No entanto, mesmo os leitores experientes apresentam dificuldades ao se deparar com determinados tipos de textos, por exemplo, aqueles de outras áreas das quais não possuem conhecimentos prévios. Dessa forma, com o envolvimento da leitura frequente, não significa que os revisores terão conhecimentos específicos sobre todos os assuntos, mas contato, certamente, com um repertório de textos variados que facilitará o desenvolvimento da leitura e a compreensão dela, afinal, todos os discursos nascem de outros já existentes. Assim, na leitura de um novo texto, podem-se encontrar luzes de outros lidos anteriormente, o que facilita demasiadamente o entendimento.
No entanto, muitas pessoas não sabem que a revisão linguística ultrapassa questões ortográficas e gramaticais, essas questões são apenas uma das etapas da revisão de um texto. O trabalho do revisor ainda acopla certa revisão gráfica, produzindo melhorias relacionadas à composição visual e material do texto, a aparência do trabalho e a revisão que ajusta o texto às normas bibliográficas e revisão temática, verificando a propriedade, relevância e a consistência das formulações do texto baseadas em determinado sistema de conhecimento prévio e confiável. Portanto, para avaliar o texto é necessário observar assim a forma como o conteúdo, os aspectos pragmáticos – levando em conta a finalidade do texto – e não simplesmente fatores estéticos ou nomotéticos.
Levado isso em conta, em trabalho realizado por revisores, é interessante ressaltar o aspecto didático. Por meio de análises sérias e cuidadosas de todo tipo de texto escrito, o revisor profissional esclarece constantemente os conceitos e melhora tanto sua redação como lhes aprimora as técnicas descritivas utilizadas. Devido a isso, os revisores conseguem, cada vez mais, aumentar a precisão do trabalho escrito, por sua familiaridade com certos aspectos linguísticos dele e, como consequência, é ele que tem a necessária agilidade ao revisar. Assim, a comunidade de leitura, o público-alvo, pode mais facilmente compreender a mensagem do texto e tirar proveito dos novos conceitos e resultados obtidos por meio de um trabalho que representa uma das principais razões para a existência de muitos especialistas da área – quando se trata de um texto acadêmico, por exemplo – ou fruir uma leitura recreativa sem ruídos comunicacionais resultantes de problemas linguísticos. Novamente, vemos que o valor do material publicado e de longo alcance está em grande parte nas mãos dos revisores.
Um bom revisor, especialista em textos e no gênero em pauta, deve ter a confiança do autor para fazer observações detalhadas durante o processo de revisão. Dessa maneira, o revisor propõe intervenções ao trabalho do autor no texto original, aperfeiçoando o produto de maneira a não deturpar o texto nem modificá-lo em essência e estilo, mas melhorá-lo no que ele é e no que pretende ser. Com a velocidade das informações atualmente, os revisores nunca foram tão importantes. Os produtores de texto, agora preocupados em competir com a velocidade da informação, vivem hoje a máxima “quanto mais rápido, melhor”. Por isso, não se concentram em distinguir quais mecanismos linguísticos comporão melhor seus textos e isso, com mais frequência, passa a ser algo de responsabilidade dos revisores. Os autores que se consideram capazes de revisar seus próprios textos correm o risco de não obter bom feedback com seu trabalho e, futuramente, se decepcionarão ao ver um trabalho em formato físico, impresso, mas cheio de imperfeições. Não fugindo da regra da falha humana, os revisores podem gerar satisfação ou rejeição pelos resultados de seus trabalhos – isso resulta tanto da empatia profissional entre autor e revisor quando das condições de trabalho que um impõe ao outro, a pressa é sempre o elemento negativo mais contraproducente. Claro que os profissionais que exercem a função de dar qualidade aos textos, mais do que ninguém, devem saber utilizar seus recursos linguísticos de modo regular, constante, principalmente quando se trata de língua padrão – no texto acadêmico, por exemplo, em que os usos criativos da língua são bem restritos. O risco, para ambos, é que as pessoas tendem, muitas vezes, a valorizar um sujeito pela linguagem, julgar pela linguagem a cultura do autor ou sua qualificação na matéria em pauta.
O profissional revisor, ao aceitar incumbência de um texto, deve saber que possui disponibilidade para, em tempo útil, fornecer seu parecer abalizado, no sentido de cumprir com as exigências linguísticas e não frustrar as expectativas do autor de ver seu trabalho finalizado em prazos razoáveis, sem apresentar conflitos de interesse com a temáticas envolvidas e que serão capazes de, numa perspectiva construtiva, analisar criteriosamente e ver aquilo que os próprios autores não detectaram, justificando minuciosamente ao dono do texto, com bases na técnica e teoria aplicadas, as suas objecções. De modo geral, esses profissionais, tão requisitados na modernidade, atuam na construção de um “modelo” de língua segundo os requisitos da “lei da escrita”, ou norma. Porém, o papel do revisor, para ele próprio, não é contribuir para que o autor do texto escreva o que pensou do jeito que quis, mas reordenar o texto de maneira a ajustá-lo a um suposto padrão “oficial” da língua – quando se trata de um gênero restrito ao registro formal – ou torná-lo francamente inteligível no caso de gêneros não adstritos à linguagem padrão.
Finalmente, a sociedade contemporânea ainda assume comportamento bastante normativista em relação ao uso da língua, principalmente se tratando da forma escrita dela. Bom ou ruim, tal comportamento abre um campo de muito trabalho ao revisor de textos e, consequentemente, para uma demanda maior de discussões acerca da profissão. A necessidade de que o revisor assuma uma postura mais arrojada em relação ao material que se submete à sua apreciação é cada vez mais exigida. Muito mais do que “palpitar”, o revisor de textos deve entender seu importante papel no mundo da língua escrita, já que seu trabalho é pautado por intervenções que contribuem em diversos aspectos para a sociedade e que ainda suscitam muitas dúvidas.

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