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Revisão de textos, ilustrações e estética

Revisores de textos hoje trabalham com novos recursos, mas o ofício é o mesmo de sempre - mesmo sendo cada vez mais abrangente e complexo.

Revisores de textos: os vigilantes da língua

Revisores de texto percorrem as frases e as palavras com um olhar clínico, em busca de falhas gramaticais, defeitos de sintaxe ou erros ortográficos, as «gralhas», como lhes chamam na gíria, de forma a garantir a correção e o rigor exigidos pelas regras gramaticais adotadas na no meio acadêmico, bem como o respeito pela língua portuguesa. São incapazes de ler o jornal ou as legendas de um filme sem que as ditas "gralhas" lhes saltem à vista. Não é um defeito, talvez seja feitio profissional. Esses profissionais são os revisores de textos e são eles quem prepara, corrige e verifica os textos que se destinam a publicação, em suporte físico ou eletrônico, e que fazem parte de um diversificado leque de trabalhos que pode ir desde a obra literária até teses e dissertações, cada um com as suas particularidades e exigências.

A qualidade estética do
 texto é uma das preocupações
 do revisor.
É, sem dúvida, um trabalho de grande responsabilidade e em que, nomeadamente no caso dos trabalhos acadêmicos, por se lidar com textos que representam anos de investimento e trabalho de seus autores, uma pequena desatenção pode ter consequências graves ou originar dificuldades na hora da avaliação, defesa ou publicação – inclusive alguns constrangimentos.
Atualmente, a existência de corretores automáticos, nomeadamente em programas de tratamento de texto, tem ameaçado a profissão e, de certa maneira, tem suscitado a ideia de que o trabalho do revisor não é assim tão essencial. No entanto, essa ideia está muito longe da realidade e as empresas e instituições de ensino mais exigentes no que respeita à edição ou publicação de textos, como é o caso das universidades, não prescindem do trabalho destes profissionais que, com alguma frequência, detectam lapsos ou discrepâncias que os próprios autores dos textos não detectam em sucessivas leituras.
O trabalho do revisor pode passar por diversas fases: a marcação técnica, durante a qual o revisor lê o documento original e inclui diversas indicações de teor gráfico e linguístico de forma a preparar o trabalho para a fotocomposição, a leitura das provas, onde o texto composto é lido e comparado com o original, a contraprova, em que se verifica se as emendas decorrentes da leitura foram corretamente introduzidas, e a verificação da paginação, fase onde os documentos, depois de paginados, são novamente conferidos.
A simples colocação de uma vírgula, algo aparentemente pouco importante para a maioria das pessoas, pode dar azo a acesos debates e algumas angústias no meio de revisores.

Revisão de texto como procedimento estético

A tessitura textual parece para muitos algo um tanto quanto complexo. Vez ou outra as ideias não fluem, ou se fluem não sabemos como organizá-las, de modo a tornar o discurso claro e preciso. Enfim, tais contratempos tendem mesmo a surgir, contudo devemos nos conscientizar de que a prática leva ao aperfeiçoamento. Ou seja, quanto mais treinarmos a escrita, mais nos mostraremos aptos a praticá-la de forma concisa e correta. No entanto, o objetivo deste artigo é tratar sobre a importância da revisão textual.
Assim sendo, partiremos do princípio de que a clareza representa o ponto de partida de nossa discussão, mesmo porque ela se apresenta como uma das características imprescindíveis à modalidade escrita da linguagem. Dessa forma, nossas interações cotidianas somente se efetivam em virtude da compreensão materializada entre nós (posto que assumimos o papel de emissores) e as pessoas com as quais mantemos contato (ora desempenhando o papel de interlocutores). Assim ocorre em qualquer tipo de comunicação, seja ela oral, por meio de símbolos, escrita, entre outras modalidades.
Em todas essas modalidades temos um objetivo a cumprir mediante o discurso que proferimos. Mas esse intento somente será materializado se conseguirmos ser claros naquilo que estamos dizendo, caso contrário a interlocução ficará prejudicada. Assim, após a organização de ideias e sua transposição para o papel, haverá sempre algo a ser retificado, ora suprimindo, ora acrescentando e assim vai. Tomando como exemplo o caso das redações presentes em concursos e vestibulares, é fato a necessidade de o candidato se organizar no intuito de elencar as ideias a serem discutidas e, nesse ínterim, o fator tempo impera sobre os procedimentos realizados, impedindo que o emissor passe os olhos sobre o que escreveu.
Nesse sentido, quando nos colocamos no lugar de interlocutores (fazendo referência às nossas próprias produções) sempre percebemos algo que poderia ser melhorado. Uma vírgula aqui, outra ali, aquele pronome que porventura causou uma ambiguidade desnecessária ao discurso, sem falar naquela palavra que poderia ser substituída por uma outra, pois a combinação de sons entre outras já ditas não está cumprindo o efeito desejado... Enfim, muitas são as falhas que podemos corrigir mediante a revisão daquilo que produzimos. (Duarte).

Revisar as ilustrações da tese ou dissertação

A elaboração de gráficos e a apresentação de dados de forma compreensível requerem grande atenção com detalhes e tolerância zero com defeitos. Para isso, um princípio-chave precisa ser observado: o de controle de qualidade total com a colaboração do revisor de textos. Os padrões acerca do que seja uma boa apresentação em trabalhos acadêmicos não são estáticos, tendendo a aumentar com o tempo em função de aprimoramentos nas tecnologias da informação e nas práticas adotadas por outras modalidades de processamento de textos e dados.
Toda ilustração tem um propósito, uma legenda e seu lugar certo na tese, dissertação ou artigo.
Não convém supor que leitores e examinadores ocupados lerão trabalhos complexos como se fossem romances, começando na primeira página e paulatinamente avançando até a última. Ao invés disso, esses leitores tendem a optar por um processo de leitura com múltiplas etapas, quais sejam:
  1. folhear o texto, para adquirir uma ideia geral;
  2. selecionar o que deve ser lido cuidadosamente;
  3. ler com atenção os tópicos selecionados.

Para que os trabalhos acadêmicos atinjam os seus objetivos, deve-se atentar para o ponto de vista dos leitores, procurando-se tornar texto tão útil e acessível quanto possível. Para que a impressão inicial seja favorável, é importante que o texto esteja bem estruturado, com resumos claros e ilustrações bem projetadas.
As ilustrações podem ser fundamentais para a efetiva comunicação da mensagem contida no relatório, mostrando que suas conclusões estão baseadas em evidências cabais e em análises cuidadosas. Com isso, pretende-se tanto persuadir aqueles que folhearem o texto a lê-lo mais atentamente, como fazer com que o público em geral veja o trabalho como um estudo sério.
O emprego do critério “o que os leitores precisam saber” implica perguntar quais evidências farão com que os leitores aceitem as conclusões apresentadas. Em seguida, procura-se satisfazer essa exigência por meio das principais ilustrações do trabalho.
Levar em consideração o ponto de vista do leitor não significa que ilustrações devam ser incluídas apenas para agradá-lo. De modo geral, leitores especializados serão bastante críticos se confrontados com gráficos ou tabelas aparentemente irrelevantes. A inclusão de uma ilustração em um relatório gera, naturalmente, uma expectativa de que a informação retratada ou sintetizada é importante e merecedora de ser realçada. Dessa forma, os leitores tendem a ficar desapontados se a ilustração mostrar-se impertinente ou com uma mensagem obscura, contiver dados comuns ou rotineiros, ou, ainda, parecer irrelevante ou interpretada de uma maneira não convincente. Administrar de forma efetiva as expectativas dos leitores implica incluir apenas ilustrações que representam partes essenciais e significativas do argumento central do relatório.
Por tudo isso, tanto o autor quanto o revisor estão sempre atentos às ilustrações. Não convém assumir que as tabelas ou gráficos estão corretos, devendo-se, pelo contrário, conferi-los cuidadosamente em cada fase de elaboração do trabalho, podendo a equipe de revisão seguir a seguinte sugestão de roteiro de verificação:
  • As ilustrações realçam elementos fundamentais do argumento de forma apropriada?
  • Os argumentos do texto principal foram alterados, as ilustrações sofreram as alterações correspondentes?
  • As ilustrações podem ser compreendidas por meio de uma leitura diagonal? Os títulos, cabeçalhos e notas explicativas fornecem suficiente informação sobre o que é mostrado?
  • Se seções diferentes do texto são elaboradas por dois ou mais momentos, as ilustrações são mutuamente consistentes?
  • As ilustrações foram examinadas criticamente em cada fase redação (i.e., finalização do trabalho de formatação; ou antes da aprovação do orientador) (Adaptado de TCU).

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