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Revisar os textos acadêmicos: de mal necessário à prática virtuosa

A revisão editorial de textos acadêmicos é uma série de procedimentos entre teoria linguística e prática aplicadas a teses e dissertações.

Cada tese tem que ser a melhor ao formatarmos.

A tese bem revisada evita problemas na defesa.


Já falamos de revisão de textos acadêmicos e científicos sob muitos aspectos e de diferentes pontos de vista. Ao longo dos anos e das tendências no contexto da pesquisa e estudos de revisão, tratou-se, de vez em quando, da própria história da revisão de textos e seu impacto na sociedade e cultura, da relação entre tecnologia e revisão de textos e de questões éticas ao se revisarem textos autorais e científicos. Apesar da variedade de abordagens, menos ênfase foi dada à revisão como “recipiente” de outras experiências importantes de linguagem e de reflexão prática. Muitas vezes, falando sobre a revisão, há a tendência para descrever, analisar e avaliar o resultado de um processo complexo sem considerar que, antes de se chegar à versão final do texto, existe o revisor que aplica, mais ou menos conscientemente e, às vezes, de muito diferentes formas, todas as ferramentas de leitura, análise, pensamento crítico, correção, modificação e correção que são parte integrante de qualquer atividade de aperfeiçoamento do texto. À primeira fase, na qual o revisor “se apropria” do trabalho seguem-se uma segunda, terceira e outras fases em que a revisão (geralmente é assim e espero que o processo inclua outro revisor) nas quais ocorre transformação do texto segundo parâmetros de controle e conformidade aplicados consonantes a prática de edição e revisão.
Talvez porque não exista exatamente uma teoria da revisão que se encontre nos textos como produto no mercado, a tentação costuma ser descrever o serviço da revisão em termos de fidelidade e perfeição. Na verdade, a revisão não é imune a essa combinação triste. Também aponto a tendência a analisar a revisão ou o texto com as balizas das mais diversas óticas linguísticas. No mercado ou entre pares, uma das principais razões de queixa entre revisores literários, acadêmicos e editoriais está em receber – por vezes suportar passivamente – comentários desabonadores do trabalho de revisão feito, apontando intervenções questionáveis ou omissões a que caberiam reparos. Com isto em mente, a revisão é processada como possível e falhas reais podem ser perpetradas contra o texto na feroz “caça ao erro” que, às vezes, impede o revisor de compreender as características estilísticas e linguísticas do texto original. Se o revisor está quase com a obsessão de um mantra para “não deixar passar nada” no texto, parece que o trabalho de revisão está sendo exercido com escrúpulo, forte e eticamente vinculado à razão de existir. Nesse pêndulo entre as necessidades práticas e os rigores da gramática e do estilo no registro formal, a revisão de um texto acadêmico se encaixa em um delicado jogo de equilíbrio: o que se faz “ingenuamente” como diálogo mudo e feliz entre autor e revisor, se torna, na verdade, uma polifonia onde se encaixam também vozes – nem sempre harmônicas – do revisor, do editor, o orientador e, mesmo que em silêncio, mas igualmente importantes, surgem o leitor ideal e a banca – quando se trata de uma dissertação, tese ou TCC.
A amargura, decepção e raiva que às vezes transparece das palavras de muitos revisores de textos de diversos gêneros deriva da falta de conhecimento e comunicação, entre revisores e autores e outros interferentes na produção textual, sobre os valores subjetivos e procedimentos técnicos envolvidos nas diferentes fases da revisão. O distanciamento do que acontece com nossas revisões, uma vez entregues, a constante inexistência de feedback, de acordo com as diretrizes e parâmetros (se houver) e não ter oportunidade de revisar as alterações que se seguem à revisão não ajuda a estabelecer relação de confiança entre as partes.
Embora muito diferente em cada perspectiva de gênero textual, as relações contratuais e do mercado estabelecem o escopo das revisões técnicas e especializadas e, mais especificamente, da revisão acadêmica; no entanto, devem ser tomados como uma indicação para o caminho que serve – pelo menos no papel – para tomar uma atitude mais consciente em relação às diversas fases de um texto, que são medidos, analisados e avaliados com base em critérios claros e explícitos e em conformidade com as normas de garantia de qualidade definidas por organismos externos e pela práxis, entre o processo principal de revisão e todos os outros aspectos relacionados ao serviço, e coloca o foco em outros requisitos básicos, incluindo recursos humanos (especialização e experiência dos revisores) e procedimentos de serviço.
A transparência entre todos os profissionais envolvidos no processo de editoração de um texto acadêmico – editor, orientador, autor, revisor – promove a qualidade do produto final. Anonimato dificulta a responsabilização e cria ambiguidade. A possibilidade de contatos entre as partes para a duração do processo é uma vantagem. O decálogo que se segue estabelece alguns parâmetros da relação editorial que podem suprir as lacunas de informação e comunicação entre os envolvidos na produção do texto científico:
  • Durante o trabalho de editoração do texto (tese ou dissertação, normalmente), o autor deve escolher o revisor melhor adequado para o texto (possivelmente, também graças a um julgamento de mérito que o revisor experiente aceitará de bom grado), envolvendo a definição do público alvo, discussão das normas formais e critérios estilísticos.
  • Antes de aceitar um serviço, o revisor terá visto o texto original e cuidadosamente avaliados a dificuldade linguística e prazos de entrega, com que se comprometerá, respeitando as orientações recebidas com o contrato.
  • É desejável que o orientador seja identificado durante a fase de revisão, para que, se necessário, o revisor possa entrar em contato com ele durante o processo. Os problemas mais óbvios e inconsistências podem ser relatados nesta fase e resolvidas através do contato direto entre as partes. Tanto o revisor e o orientador devem ter acesso ao texto fonte em formato eletrônico, que fornece busca rápida e pode ajudar a evitar erros.
  • O revisor deve explicar as escolhas e estratégias gerais, as dúvidas e as particularidades linguísticas, usando os comentários ou anotações em arquivos eletrônicos (uma carta de acompanhamento). O orientador deve ter em conta as considerações apresentadas (discutindo pontos controversos com revisor) e, se necessário, será sua vez de apresentar observações. A documentação e o controle das alterações devem seguir o manuscrito durante todo o processo.
  • É desejável que o orientador tenha as habilidades de linguagem para entender a argumentação linguística, ou que reconheça a competência e experiência do revisor no campo que ele não domina. Caso contrário, a cooperação estreita com o revisor torna-se ainda mais complexa.
  • O revisor ideal deve interferir sem impor suas próprias idiossincrasias linguísticas; antes de trabalhar com uma frase, deve perguntar não tanto se “pode” como se “deve” ser melhorada.
  • O propósito da revisão é melhorar o texto produzido para que as escolhas finais sejam as melhores possíveis. Muitas vezes, o orientador também é o primeiro leitor, e as propostas de alteração que o revisor recebe são mensagens importantes. Comunicação é fundamental para criar uma atitude construtiva: será importante, em ambos os lados, o tom educado e colaborativo, independentemente do número de correções.
  • Após a revisão, o autor receberá o arquivo com as alterações destacadas, para que ele possa avaliar as intervenções feitas. O autor tem o direito de receber primeiro o produto da revisão e, se o tempo o permitir, também submeter tudo ao orientador, em um procedimento ideal que raramente se verifica.
  • Todos os profissionais envolvidos no processo de revisão requerem para seu trabalho um tempo razoável. Derrogações para os prazos, no caso das teses, não são viáveis na maioria dos casos e os profissionais devem ter completa consciência disso.
  • Em resumo, o revisor, ciente de seu papel como mediador cultural, compromete-se a colocar à disposição durante todo o processo produção do projeto acadêmico, desde sua formulação até depois da defesa da tese ou dissertação.
  • O grande entrave e obstáculo a toda essa boa prática é o custo desse procedimento ideal, que força os envolvidos a pular etapas e cortar pessoal no que seria a editoração de importantes textos. Reduz-se o processo de revisão e ele é transformado em interferência pontual sobre as quais as críticas incidem sem critério e sem contraditório.
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