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A revisão especializada: intervenções no texto técnico e científico

Revisão de artigos, dissertações, teses

A revisão, aqui entendida em seu sentido de operação de aperfeiçoamento de texto, última fase do processo de produção textual, está assumindo importância crescente junto aos autores de textos técnicos, científicos e acadêmicos.

A revisão profissional e especializada do texto já é considerada tarefa essencial para assegurar a qualidade textual compatível aos serviços prestados pelas empresas tecnológicas ou seus produtos, bem como para garantir a qualidade das teses e dissertações, do ponto de vista da fluência e legibilidade, correspondendo a seu valor científico. Sempre é bom lembrar que, nesse contexto da atividade de revisão de textos, quando nos referimos a revisão especializada, o revisor é especialista em um gênero de texto – não no conteúdo material que o texto apresenta.
Revisar um texto é maximizar a qualidade com mínimas intervenções.
O revisor da tese tem atenção completamente focada nos argumentos.
Sobre o ponto de vista teórico e laboral, tornou-se possível desenhar algumas pistas de reflexão interessante dos resultados da revisão. Descreveremos aqui o modelo ideal do processo de revisão, com um breve aceno para as características peculiares do texto técnico e científico, fazendo, em seguida, uma apresentação de classificações usadas para categorizar as revisões feitas nos textos acadêmicos e científicos, com base em vários tipos de revisão realizados.

A revisão de textos: de que se trata

Sobre classificações de tipos revisão estabelecidas com base em vários parâmetros, deve-se ter em mente alguns princípios simples e procedimentos que são a base para a boa intervenção de revisão em um texto. Vamos tentar apresentar, alguns desses princípios.
Uma fase de grande importância no âmbito do processo revisional é definir os aspectos práticos: é necessário a priori estabelecer o grau de completude da revisão – a “profundidade” da intervenção, tendo em conta uma série de fatores relacionados a texto (tais como usuários finais, função, uso, publicação e circulação do texto ao longo do tempo) ou o caráter interpessoal (familiaridade do revisor com o modus operandi do autor e o conhecimento das condições sob as quais ele trabalhou). A partir de fragmentos do texto, o revisor deve estabelecer um diagnóstico e método de trabalho precisos, o que possibilitará aperfeiçoar o produto.
Convém também mencionar que a intervenção do revisor é necessária não apenas em aspectos mecânicos (ortografia, sintaxe, semântica...); mas sua utilidade se destaca se o texto estiver incompreensível, hermético ou incoerente, o que se torna evidente pela segunda ou terceira leitura; em todos os casos, a intervenção do revisor deve ser bastante minimizada ou evitada, tendo em conta que, no setor técnico e científico, é uma boa ideia ter como política de qualidade a adequação e a perfeição, evitar reescrever o texto sempre que possível e ter cuidado para não introduzir erros de qualquer tipo. Em resumo, a revisão deve ser um “minimax” (mínima intervenção e máximo resultado) em que devemos perguntar se o texto deve ser melhorado e não se pode ser melhorado (ênfase no original).
A classificação das revisões apresentada aqui é significativa para fins de análise e para que os autores possam melhor compreender as abordagens que os revisores propõem, em decorrência do diagnóstico sobre o texto original.

Classificação de intervenções

Essa abordagem baseia-se na perspectiva da tarefa do revisor tentando chegar a um compromisso entre as escolhas que ele fez por conta própria e as escolhas dos outros que o revisor seja, de certa forma, forçado a aceitar, por razões óbvias, tais como os limites de tempo impostos pelo mercado ou pelo cliente, ou as imposições autorais de qualquer natureza.

Os tipos de ação identificadas são três:

  • Intervenções de especialista, as mudanças operadas por um especialista da matéria do texto e identificado pelo autor essencialmente como “mudanças de tipo de léxico especializado [...] ou terminológicas”.
  • Intervenções estilísticas substantiva e objetivamente justificadas, as alterações destinadas a melhorar as características formais de textualidade, principalmente sintáticas, a fim de evitar ao leitor um esforço para compreender o processamento de conteúdo textual.
  • Intervenções subjetivas, operaram principalmente no plano sintático, lexical e de posicionamento das frases, para encontrar mais fluência na leitura, porque não há diferença substancial ou material entre as duas opções.

Classificação dos problemas do texto

Identificam-se quatro grupos de potenciais problemas que podem ocorrer no texto relativos à comunicabilidade, questões relacionadas ao conteúdo, problemas com a linguagem e estilo e problemas de apresentação física. Cada uma dessas categorias inclui parâmetros específicos com base nos quais se aponta a classificação de erros que o revisor deve identificar no texto de uma tese ou dissertação, por exemplo.

Grupo A – questões de comunicabilidade:

  1.  precisão: a mensagem é passível de interpretação equivocada?
  2.  integralidade: há lacunas e omissões na informação?
Grupo B – questões de conteúdo:
  1.  lógica: as ideias têm sequência lógica? O texto contém contradições internas?
  2.  factualidade: o texto contém erros conceituais ou materiais?
Grupo C – problemas de linguagem e estilo:
  1. textualidade: o texto é fluente? As ligações entre as frases e as ligações entre os elementos que a compõem são claras? Há frases difíceis de ler?
  2. legibilidade: a linguagem e o registro são apropriados segundo o uso que será feito do texto e os usuários finais?
  3. precisão: o estilo é apropriado para o gênero? A terminologia utilizada está correta? A fraseologia é normalmente usada em textos do gênero?
  4. correção: as regras de gramática, ortografia, pontuação, uso e estilo foram cumpridas?
Grupo D – problemas de apresentação:
  1. normalização: o texto está de acordo com o padrão normativo ou estilo exigível?
  2. layout: (linha de espaços, espaçamento, margens, etc.) há problemas de layout?
  3. formatação: (tamanho e fonte, uso de negrito, itálico, etc.) existem problemas de formatação?
  4. organização: existem problemas na organização geral (página numeração, notas de rodapé, títulos etc.) do texto?

Um modelo ad hoc para a revisão técnica e científica

Para categorizar as intervenções de revisão feitas em textos técnicos e científicos, integramos as classificações acima. O tipo resultante é dividido nas seguintes categorias:
  • intervenções especializadas (precisão);
  • medidas objetivas (exatidão, integralidade, lógica, factualidade, legibilidade, fluência e correção);
  • medidas subjetivas.
No âmbito das intervenções objetivas, as intervenções relacionadas ao parâmetro de legibilidade foram classificadas de acordo com as seguintes subcategorias:
  • intervenções de linguagem e estilo, para dar à leitura, o registro apropriado;
  • intervenções para corrigir ou modificar ou dissolver os pontos problemáticos do texto relacionados a aspectos culturais e factuais, incorretos ou incompletos;
  • criação ou reconfiguração de discursos (entendidos como operação pontual e limitada, por exemplo, uma simples mudança de perspectiva) de partes do texto;
  • supressão de omissões, ou a exclusão de partes repetitivas do texto;
  • adições ou explicitação, esclarecimentos de ordem conceitual ou pequenas operações de adaptação cultural ou informacional.

Os argumentos e a revisão do texto

Os argumentos estão por toda parte, em qualquer texto. O revisor de textos estará atento aos argumentos, verificando-lhes a lógica e coerência.

Você deve se surpreender com o fato de que a palavra “argumento” não tem de ser escrita em nenhum lugar em sua tese, dissertação ou monografia, mesmo que argumentar seja parte importante da função do texto. De fato, construir um argumento – expressar um ponto de vista sobre um assunto e sustentá-lo com evidências – é usualmente o objetivo de qualquer trabalho acadêmico. O orientador do trabalho presume que você conheça esse fato e, portanto, explica a importância disso. Não obstante, se solicitam que você escreva algo em relação às leituras e discussões feitas, espera-se que você produza um conjunto de argumentos em seu trabalho.
A maioria da matéria que você aprende na universidade é ou tem sido debatida por alguém, em algum lugar, por um dado tempo. Mesmo quando a matéria que você leu ou ouviu é apresentado como uma simples “informação” ou “fato”, isto pode ser a interpretação de uma pessoa de um conjunto de informações ou fatos. No trabalho acadêmico escrito, pretende-se que você questione essa interpretação, ou defenda-a, refute-a, ou ofereça novo ponto de vista. Em tarefas de dissertação, você deverá sempre fazer mais do que apresentar as informações que foram discutidas em sala de aula. Você deverá selecionar um ponto de vista e fornecer evidências (em outras palavras, usar um “argumento”) para moldar o material e oferecer sua interpretação dele.
Se você acha que são os “fatos” e não os argumentos que governam o pensamento inteligente, considere estes exemplos. Em um dado momento, as “grandes mentes” da Europa Ocidental acreditavam piamente que a Terra fosse plana. Eles discutiam quão obviamente verdadeiro era este “fato”. Você agora tem condições de discordar deles porque algumas pessoas que consideravam este argumento como falso providenciaram um melhor argumento e o demonstraram. A divergência de opiniões é o motor do desenvolvimento do conhecimento humano, e os estudiosos como seus professores dedicam suas vidas a discutir o que poderia ser descrito como “verdadeiro”, “real”, ou “correto” nos seus respectivos campos de conhecimento. Nas suas disciplinas, eles esperam que você se engaje em tipos similares de pensamento crítico e discuta em suas dissertações.
Não são só os textos acadêmicos que usam a argumentação. Usamo-la diariamente, e você possui habilidade em desenvolver seus próprios argumentos. Quanto mais você desenvolver suas habilidades nesta área, melhor você será seu pensamento crítico, seu raciocínio, sua tomada de decisões e a ponderação das evidências.
Os argumentos em escritos acadêmicos são usualmente complexos e levam tempo para serem desenvolvidos. Seu argumento precisará ser mais do que uma afirmação simples ou óbvia do tipo “Tiradentes foi um visionário”. Tal afirmação deve capturar suas impressões iniciais de Tiradentes como você o estudou; entretanto, você deverá inspecionar mais profundamente e expressar mais especificamente o que pode ser a causa dessa “grandeza”. O orientador professor provavelmente esperará algo mais complexo, do tipo “O pensamento de Tiradentes, segundo se depreende dos Autos da Devassa, seriam projeções de uma liberdade inatingível”. Então você deverá definir seus termos (liberdade inatingível, projeções) e provar o argumento com as evidências da fonte mencionada (Autos da Devassa). O revisor do texto verificará a coerência interna e externa desses argumentos, pois coerência é inerente ao argumento e ao texto objeto da revisão.
Ciência exige método e isto envolve muita publicação de artigos científicos. Por isso, é importante que um estudante conheça os fundamentos da literatura textual, relacionados com os artigos científicos, que apresentam diferentes estruturas de argumentos. Existem várias obras sobre esse tema, as quais valem à pena consultar porém, quase tudo é voltado para acadêmicos da área de Educação e que, no entanto, muitos da área de Física e da Engenharia (as ditas “ciências duras”) rejeitam o acesso. Seja por acharem que não é a sua ênfase de questões ou por não serem incentivados, mas, principalmente, pela falta de contato com a leitura.

Aspectos da revisão de textos: integração, responsividade e modificação

Para alguns pesquisadores, a revisão designa uma atividade de retorno ao texto, terminando em uma modificação efetiva dele.

A revisão de textos, como nós a compreendemos, é composta de diversas sequências de leituras e intervenções feitas no arquivo eletrônico do original e compreende a conferência de lista extensa de checagem que inclui: uso de pessoa gramatical, imperativos, tempos e modos verbais, elementos anafóricos e catafóricos, o papel de agente ou de paciente da ação verbal, coerência textual, concisão, estilo – para mencionar apenas alguns aspectos – e que inclui a programação visual, sequências numéricas, bibliografia, expressões em CAIXA ALTA, itálico, bold, sequência capitular, de seções, elaboração índices sumário – quando se trata de também formatar o trabalho.
As mais diversos elementos que o compõem a revisão e a formatação do texto têm a finalidade e o critério de padronização como premissa, o revisor e o formatador do texto devem comparar partes semelhantes, observando as que se repetem, como legendas das diversas ilustrações (figuras, quadros, tabelas); uso de maiúscula, uso de destaque (CAIXA ALTA e baixa, "aspas", itálico, bold, tamanho de fonte, etc); confronto dos rodapés com as referências listadas.
A maior parte das interferências da revisão é constituída de correções de ausência de padronização ou por melhoras qualitativas e de legibilidade no texto e não de erros gramaticais, para a surpresa de muitos autores.
Não é procedimento adequado efetuar nenhuma interferência no texto, a menos que para ela exista um justificativa técnica precisa, evitando-se sempre interferir no estilo do autor; a seleção vocabular do autor deve ser respeitada.
Quanto à solução das dúvidas que sempre surgem, os revisores também fazem uso de gramáticas, dicionários e têm o precioso auxílio da internet, onde é possível verificar questões de usos da língua mais dinâmicas que nas obras de consulta impressas; sempre que possível, faz-se consulta ao autor ou outra pessoa competente; a consulta ao dicionário é a mais constante, sobretudo quando surgem vocábulos desconhecidos; os verbetes precisam ser lidos do início ao fim, atentando para sua adequação ao contexto da obra objeto de revisão e às explicações que o dicionarista apresenta.
Questão recorrentes problemas, o revisor atenta com rigor em relação ao uso de maiúsculas; para a gramática, ela é restrita aos nomes próprios (topônimos e antropônimos). Há ainda três procedimentos são básicos em revisão: primeiramente, ler o texto até entendê-lo; depois, se necessário, corrigir; em seguida, reler após a emenda ao texto; finalmente, repassar todas as páginas, ponderando sobre as correções mais relevantes.
A percepção atenta do revisor às características do texto proporciona o desenvolvimento de um trabalho de consistente nos diversos aspectos que envolvem o texto, sejam aspectos técnicos, estéticos ou comunicacionais. Falhas do autor (concordância nominal e verbal, regência verbal e nominal, uso de maiúsculas indevidamente) acontecem constantemente.
A revisão ideal, a que apresentaríamos como solução ou como indicação para qualquer tipo de texto, enfrenta dois obstáculos: o primeiro deles é o custo – as diversas operações e profissionais que uma revisão completa requerem tornariam seus custos inviáveis para a maioria dos trabalhos; em seguida, o prazo – como os revisores recebem os textos, normalmente, à véspera de sua data final de submissão, raramente há tempo suficiente para a implementação de todas as etapas que seriam desejáveis. A revisão que oferecemos é aquela que é possível no tempo disponível e segundo tabela de preços que viabilize o serviço para o contratante.

Revisão integrante da produção do texto

Seja qual for o tipo de texto em produção, é preciso ter em mente que planejamento e revisão são processos que precisam ser incluídos na rotina. A fantasia de que ideias brilhantes pairam no ar e de que bons escritores simplesmente têm facilidade para escrever deve ser desconstruída. É função do revisor deixar claro ao autor que que, embora os textos de autores profissionais não tenham traços do processo de produção, eles foram planejados, escritos, revisados diversas vezes e lidos por várias pessoas até estarem bons o suficiente para chegar às mãos dos leitores.
Outro ponto importante que tem de ser mostrado aos autores é que recorrer a bons modelos, para desenvolver um repertório sólido, é uma atitude imprescindível para escrever bem e com criatividade. Afinal, não se trata de copiar, mas de aprender com uma experiência, usando-a como referência. Não estamos falando de plágio, obviamente nem de adoção de fórmulas literárias, mas de repertório de emulação: a capacidade de fazer conexões com outros textos e autores dentro do mesmo universo textual ou de outros.
Em relação ao ato de revisar, ele não pode ser substituído pela autorrevisão, ou pela correção ortográfica, como se fossem a mesma coisa. Ao corrigir, costuma-se transformar os erros, lapsos, omissões em acertos, mas quase nunca isso basta. É natural: os autores apresentam uma espécie de cegueira diante dos próprios erros, como descrevem Auguste Pasquier e Joaquim Dolz, no texto Un Decalogo para Ensenar a Escribir, publicado na revista espanhola Cultura y Educación. O autor, ao tentar revisar o que produz incorre em equívocos e ausências que reforçam o papel da etapa revisional como integrante da produção de texto.

Revisão de texto como modificação efetiva

Essa concepção é particularmente nítida quando o modelo descreve processos que intervêm na atividade de revisão de texto, mas que se recusam a qualificar de modelo de revisão, porque a palavra ‘revisão’ faz referência a alguma coisa que se produz no texto, enquanto outro modelo traz um processo cognitivo que pode não resultar em uma modificação do texto.
Essa concepção é ainda mais acentuada para quem utiliza a palavra “revisões”, no plural, para fazer referência às modificações efetivas levadas a um texto. Há ainda uma definição comportamental (operacional) da revisão, que vai nesse sentido: a revisão é um episódio ao longo do qual o escrevente interrompe o movimento de progressão de sua caneta para frente e efetua uma modificação no texto previamente escrito. Com toda evidência, a palavra “revisão” é utilizada para designar a introdução de uma modificação em um texto já escrito.
A revisão de texto pode ser definida como um subprocesso do processo de redação que visa produzir uma melhora no texto. A revisão consiste em um exame sistemático do texto, que acontece tipicamente (mas não somente) depois de um episódio de produção de texto ou “tradução”, que se desenrola em um período geralmente bastante longo, e que intervém de maneira recursiva ao longo do processo de produção (sem, entretanto, interromper o subprocesso em curso). Dessa maneira, ela deve ser distinguida do processo de edição que, devido a seu caráter automático, é suscetível de interromper qualquer outro processo em curso. A revisão depende do nível de expertise do sujeito, do objetivo perseguido e das estratégias do profissional envolvido nela.
Duas explicações podem esclarecer a ausência de definição unívoca. A primeira é que a revisão é concebida mais como referência ao controle da produção escrita que a um subprocesso específico do processo de escritura. Quanto a isso, as recentes conceituações do processo de revisão de textos escritos parecem confluir, um pouco tardiamente, para o procedimento que sempre prevaleceu no estudo da produção oral. A outra razão é que os modelos mais recentes tentam considerar melhor a complexidade do processo de escritura, sobretudo seu caráter estratégico, dinâmico, contextual, probabilista e adaptável. Por exemplo, a probabilidade de ocorrência e a função de uma atividade como a releitura de uma parte do texto já escrito não são fixas, mas são funções de mudanças que intervêm na situação de redação. Enquanto na maior parte dos modelos a releitura é geralmente associada ao processo de revisão, observa-se que, na realidade, a releitura pode ser associada ao subprocesso de geração de ideias. Esse fato leva a considerar que não somente os subprocessos são recursivos, mas ainda que podem mudar de estatuto e de função no seio de um mesmo episódio redacional ou revisional.

O elo da responsividade na revisão de textos

Os estudos dos diversos processos inerentes à revisão de textos têm chamado a atenção de pesquisadores porque é durante esses processos que revisor e autor dialogam responsivamente para a construção textual. Contudo, é preciso ressaltar que nem sempre esse diálogo é bem sucedido. O escritor pode discordar dos comentários apresentados pelo revisor. Quando isso ocorre, o revisor recebe uma atitude responsiva diferente daquela que esperava do autor, logo, o dialogismo se encerra perante a "autoridade autoral" - para usar um pequeno trocadilho.
A escrita é construção que se processa na interação entre o eu (enunciador) e o outro (leitor). Assim, a revisão é o momento que demonstra a vitalidade desse processo construtivo, uma vez que revisor (leitor) e escritor dialogam a respeito do texto para obter melhor compreensão, resultando no aperfeiçoamento do texto como mídia entre os sujeitos comunicantes.
“A revisão é considerada como capaz de interromper o processo de escrita em qualquer ponto”, como consequência disso, tem-se que ela pode ser encaixada em outros subprocessos de construção da escrita. Escritores planejam e reescrevem seus textos constantemente durante o processo da escrita. Revisores interferem a posteriori - como um marco entre a endogenia do texto e sua publicação, apresentando-se previamente como a alteridade que caracterizará o leitor.
A revisão, então, pode ser compreendida como uma atividade reflexiva e expressiva, pois, ao ler o que o autor escreveu, o revisor pensa sobre a escrita e a escritura, engajando-se no processo de pensamento e reflexão. Mas o revisor também participa da atividade reflexiva, uma vez que, além de procurar identificar os problemas do texto, o revisor lê o texto, antes de tudo, com o objetivo de compreender a mensagem que o escritor quis passar com o texto e melhorar essa compreensão para o leitor seguinte.
Dessa forma, a revisão também se caracteriza como sendo uma tarefa de retrabalhar um texto, ajustar intenções e convenções, com a finalidade de tornar o texto mais claro e coeso, para que possa melhor atingir o objetivo pretendido.

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