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Produção e revisão de textos acadêmicos com ferramentas colaborativas

Uma das grandes mudanças tecnológicas que estamos vivenciando é o surgimento de ferramentas colaborativas cada vez mais sofisticadas para a produção de textos, permitindo, inclusive, a contínua colaboração do revisor de textos.

Essa tecnologia poderá revolucionar a sociedade tanto quanto permitirá produzir e distribuir textos em escala nunca antes concebida. Certamente, o uso do Word como software colaborativo em rede possibilita a cooperação contínua e em tempo real na produção e distribuição de mídia, inclusive e principalmente textos. Essa facilidade permitiu o surgimento de um novo tipo de produção do conhecimento (commons based peer production).
O controle de alterações e versões é uma ferramenta tecnológica com profundas implicações na produção de textos e nos serviços de revisão, passando a ser elemento essencial em software como o Word. Sem a possibilidade de reverter mudanças e de colaborador um conhecer as alterações propostas por outros, a barreira de editar texto em conjunto seria quase insuperável. Com o controle de revisões – manter registro de cada alteração e dar a ela visibilidade imediata, mantendo a possibilidade de reverter contribuições – se tornaram viáveis projetos como a Wikipédia e passou a ser possível a continua interação entre autor, orientador e revisor durante a produção ou a finalização do texto de uma tese de doutorado, por exemplo.
O modelo de controle de alterações da Wikipédia ou dos editores de texto em rede ou em sequência, como Google Docs ou Microsoft Word, é relativamente simples: todas as alterações (revisões, inclusões, exclusões, comentários) são armazenadas em arquivos de metadados. Esses modelos novos de trabalho cooperativo já fazem parte do mainstream e é possível trabalhar em interfaces simples o suficiente para pessoas comuns (usuários de Word, sem conhecimentos técnicos de informática) poderem colaborar dessa forma. Os sistemas de controle de alterações são importantes e vale a pena conhecer os conceitos.

Controle de alterações nos textos

A grande inovação que os softwares de editoração de textos introduziram no controle de versões é o código que representa o gerenciamento das contribuições. O controle de alterações é um destas ideias que devia ser mais conhecida e implementada pelos usuários. O controle de alterações é baseado na ideia de que um texto, como arquivo ou artefato digital, está evoluindo e tem história.
No modelo geralmente adotado, o tempo é discreto (quando o texto – ou parte dele – é dado por concluído, ele é encaminhado ao revisor) e é o autor que determina quando cada revisão da obra é feita, salva e preservada para fazer parte da história do trabalho. Esses instantes são chamados de revisões, versões ou commits.
A forma mais simples de controle de alterações é em sistemas usados por uma pessoa apenas, num editor de texto (Word e OpenOffice têm uma ferramenta chamada "Controlar alterações"). Isso já representou grande avanço no sentido de que não é mais necessário se preocupar com erros e enganos, ou mudanças de ideia, já que se pode sempre voltar à versão anterior, sem maiores dificuldades – desde que o comando de Controlar Alterações (Ctrl+Shift+E) esteja acionado.
Controle linear da evolução do texto é necessidade básica atualmente.
O autor mantém controle linear da evolução do texto.

Controle linear da evolução do texto é necessidade básica atualmente.
A sofisticação que ultrapassa a funcionalidade do modelo acima é o repositório central. Agora, diversas pessoas podem colaborar e contribuir no mesmo documento que está guardado num lugar central e canônico, um armazenamento em nuvens – ou se podem redistribuir rotineiramente os arquivos entre os colaboradores com um editor (o autor, o orientador ou o revisor, no caso de uma tese) centralizando e administrando as colaborações.
  • Por exemplo: Alice trabalha em sua versão do capítulo tal da tese em casa e envia para o repositório central quando terminar (Dropbox, OneDrive, Google Drive). O prof. Roberto faz a mesma coisa e edita e comenta sua versão do mesmo capítulo (ou da tese toda) em casa. Ao ele enviar sua versão para o repositório, é possível que surja um conflito, um lugar no arquivo que tanto Alice como o professor editaram. É preciso que haja uma forma de resolver esses conflitos. O sistema pergunta ao último que tentou salvar sua versão qual versão das conflitantes vai valer. Isso permite que Alice trabalhe na tese, ou no capítulo, sem ser necessário interromper a redação, enquanto o professor considera o texto a seu tempo e modo. Ganha-se tempo.
Doutorando e orientador ganham tempo trabalhando paralelamente.
O autor e o orientador de uma tese podem interferir no texto em paralelo.
É muito útil colaborar via rede com um grupo de pessoas. De um certo modo, a Internet e a Web são os grandes propiciadores dessa filosofia de interação. Hoje em dia, esse modelo já está bem aceito e entendido até por pessoas que não são técnicas em editoração. O modelo de colaboração em rede, commons based peer production, já está mudando a relação de trabalho na produção e editoração de textos científicos.

Controle de alterações ramificado

No exemplo acima, a história do documento é linear. Veja por exemplo a história de uma página no Wikipédia: é uma sequência simples de versões. Muitas vezes, entretanto, é natural desenvolver um documento de modo paralelo – e por mais de dois colaboradores simultaneamente. Mas é sempre boa ideia incorporar as mudanças em cada ramo de contribuições no documento central periodicamente, para evitar muitos conflitos de versões na mesclagem final.
A maior vantagem nesse modo ramificado de evoluir um texto é que é possível trabalhar em duas ou mais ideias novas em paralelo, ou criticando-se mutuamente as inovações. Os ramos têm a sua própria história, seguem linhas próprias de evolução, com a vantagens de poder reverter enganos ou ideias a não serem consideradas. Após um tempo trabalhando em universos produtivos paralelos, os ramos são unificados de novo. A comparação e mesclagem são partes essenciais do processo; as ferramentas de Comparação, no Word e congêneres propiciam o trabalho.
O modelo chamado de controle de versão distribuída combina controle de versão ramificado com colaboração em rede.
Nesse modelo mais sofisticado, Alice e seu orientador podem trabalhar no documento independentemente, nos seus espaços de trabalho locais, mas ainda ter todas as vantagens de controle de versões ramificado: controle da história, a segurança de poder reverter erros. De vez em quando compartilham o seu trabalho fazendo mesclagens entre dois dos seus respectivos ramos.
Há ferramentas que tornam o processo de fazer ramos e mesclagens muito natural e fácil. Isto encoraja tentativas de desenvolvimento arriscadas e ousadas porque é muito fácil simplesmente abandonar um ramo, um raciocínio, ou descartar uma alteração e recomeçar. É natural trabalhar em várias frentes ao mesmo tempo, desde que há um entendimento entre as parte envolvidas.
Da mesma forma do exemplo anterior, o revisor de textos pode passar a ser o terceiro ator na redação da tese, interagindo com a autora e com o orientador em tempo real, agregando suas sugestões e alterações propostas ao texto concomitantemente à redação e à orientação. O benefício é enorme para a qualidade e para a economia de tempo. O que se faz tradicionalmente é enviar o texto ao orientador depois de dado por concluído pelo doutorando e de aprovada a redação pelo orientador – fazendo-se em sequência contínua o que agora pode ser feito em paralelo.
Revisão de textos sempre será Keimelion.
O autor, o orientador e o revisor podem cooperar no texto de modo interativo.

Nesse processo de cooperação, a mudança realmente profunda é social. A possibilidade agora é o modelo em que todos podem copiar o repositório (baixar o arquivo do texto), fazer suas contribuições locais devidas, com todas as vantagens do desenvolvimento ramificado e, finalmente, se comunicar com os demais contribuintes, apontando para um eixo comum aos colaboradores com todas suas contribuições.
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