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Textos médicos – tipologia e revisão

A crítica a médicos que não sabem como escrever bem não é nova. Desde os tempos antigos, encontramos casos de médicos que criticam seus colegas.

Profissionais de saúde escrevem geralmente sobre sua especialidade em uma linguagem que é jargão, que não pode ser compreendido por aqueles que não estão trabalhando na especialidade em questão. Transparência e clareza são as principais características requeridas da comunicação médico-paciente escrita ou oral. Para alcançar uma comunicação eficaz com seus pacientes, os médicos devem usar uma linguagem que até mesmo os não-iniciados sejam capazes de entender.
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A linguagem dos textos médicos deve ser tratada pelo revisor de texto com o rigor e a objetividade característicos da medicina.
O médico tem a propensão para palavras muito sofisticados e especializados, como se o idioma representasse um símbolo de status para impressionar seus ouvintes. O médico deve estar sempre ciente das diferenças que podem existir entre seu conhecimento e dos seus pacientes, aprendendo a usar os termos dentro do código linguístico do menos informado.
Infelizmente, isso é muitas vezes ignorado pela maioria dos médicos que continuam a seguir sua própria tradição de terminológica ao produzirem material educacional para o grande público. Essa situação certamente não facilita o trabalho do revisor de textos.
Para ter uma ideia sobre o que a escrita médica, vá na Wikipédia, onde encontramos a definição em inglês:
Escrita médica é a atividade de produzir documentação científica por um escritor especializado. O médico escritor normalmente não é um dos cientistas ou médicos que realizaram a pesquisa.

Tipos de textos médicos

A comunicação linguística ocorre sempre em contexto particular, onde um emissor envia uma mensagem para um destinatário usando um código para comunicação que deve ser claro e compartilhado por ambos. A comunicação por texto, para resguardar as características de clareza e rigor no compartilhamento, teve passar pelo crivo do revisor de textos visando garantir a eliminação de ruídos comunicacionais decorrentes de erros na norma linguística ou de ambiguidades e segmentos obscuros ou excessivamente densos.
A linguagem médica tem diversas funções que se podem distinguir, dentre as quais apontamos:
  • Função descritiva;
  • Função instrutiva;
  • Função normativa – leis de saúde;
  • Função metalinguística – dicionários, enciclopédias;
  • Função fática;
  • Função expressiva.
As duas funções essenciais para a comunicação médica são função descritiva e instrutiva (funções denotativas).
A função descritiva é particularmente importante, pois o progresso e atualizações contínuas na medicina exigem a divulgação de informações médicas de maneira eficiente e as mais claras possível. Essa comunicação é realizada pela literatura médica que inclui grande variedade de publicações. Seu estilo deve ser impessoal, sem qualquer avaliação subjetiva. Pode ser encontrada nos trabalhos de pesquisa e publicações médicas.
A função informativa é muito frequente na linguagem médica quando se trata de dar conselhos, instruções, recomendações. Podemos encontrá-la especialmente nos manuais ou nas várias práticas clínicas. Não se trata de prescrever ou proibir certas ações, mas para fornecer orientação para a conduta pessoal.
A função metalinguística visa ilustrar e explicar fenômenos linguísticos, seu significado e uso. É a linguagem dos dicionários e enciclopédias.
Existem três situações que refletem diferente uso comunicativo da língua em relação ao interlocutor real ou imaginário no que se refere à linguagem estritamente técnica. Todas as três podem ser encontrados na comunicação médica:
  1. Interação entre especialistas na área, onde um especialista se dirige a outro usando tecnicismos – emprega-se em registros médicos, literatura científica, revistas internacionais, conferências, seminários internacionais e conferências - incluindo a interação por meio dos textos científicos, quer sejam livros, teses ou artigos acadêmicos.
  2. Interação entre um especialista e um aluno usando a linguagem especial – ensino, estudo de manuais etc.
  3. Interação entre um perito da indústria para um não especialista usando linguagem comum – médico/paciente entrevistas, revistas de divulgação, etc.

Revisar textos médicos

A revisão de textos médicos é a mais antiga e universal de todos os tipos de revisão de textos. Há pelo menos três razões pelas quais ela é necessária e que interferem no texto como produto:
  • O assunto do texto a ser revisado, a saúde, as patologias, o funcionamento e as necessidades do corpo humano e suas funções são de interesse universal, não é comparável a qualquer outro assunto. A este respeito, a tarefa do revisor de textos é simplificada pelo fato de que os elementos de anatomia e fisiologia, que formam a base da comunicação médica, são exatamente os mesmos em todo o mundo, são universais e constantes.
  • A disponibilidade e a disponibilidade de fontes bibliográficas (enciclopédias, livros, jornais, dicionários) cobre todas as grandes culturas e suas variantes.
  • A equivalência léxica, pelo menos para línguas ocidentais, é tão grande que quase se pode falar sobre a uniformidade da terminologia. Não só quase toda a terminologia baseia-se no léxico greco-latino, mas, ao se formar palavras novas, ainda se usam prefixos e sufixos que têm a origem greco-latina.
A importância da revisão de textos médicos pode ser mostrada de várias maneiras e, nesse sentido, existem alguns pontos importantes a destacar:
Elementos da tipologia linguística revelam formas lexicais diferentes e conceituação semântica, lexical e sintática com soluções específicas em cada campo gnoseológico.
Através dos tipos de textos (acadêmico, científico, informativo, publicitário) podem-se ver as diferenças entre um texto-fonte e texto de destino no âmbito da estruturação do discurso em um determinado registro. Dificuldades podem surgir se o registro de origem e de destino são diferentes.
Por exemplo, há quase sempre um sinônimo coloquial para expressão técnica, mas os termos coloquiais variam territorialmente, inclusive entre regiões de mesmo idioma. Observando parâmetros sociolinguísticos, elementos culturais e regras aplicadas coloquialmente, pode-se perceber as diferenças culturais entre diferentes registros e idioletos.
O trabalho de um revisor de textos médico hoje não é um trabalho simples. No que diz respeito ao léxico, a situação é complicada; muitas vezes, há um termo apropriado a ser escolhido entre muitos termos que parecem estar todos em uso. Isso ocorre também graças ao forte desenvolvimento de pesquisa, que contribuiu para a criação constante de novas palavras, ou para a adaptação de palavras já existentes, dependendo de suas necessidades, podendo alterar seu significado drasticamente. No que tange à sociolinguística e à pragmática, o papel do revisor de textos médicos é se estabelecer como mediador entre o autor-médico e o público a que o texto se destina; o público pode variar entre diferentes populações regionais ou bancas que examinarão teses ou dissertações, ou mesmo um leitor par que examinará o texto para a publicação científica.
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