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Orientações aos orientadores

As funções do orientador vão desde a seleção dos alunos para o mestrado ou doutorado até a indicação do revisor de textos para a tese ou dissertação. Mas o principal papel dele será sempre conduzir o aluno ao melhor proveito possível durante o curso.

Para você ser um bom orientador, é necessário se relacionar com seus alunos de pós-graduação como indivíduos, não apenas como assistentes anônimos de pesquisa ou oportunidade para ser coautor de publicações. Trabalhe com todos os alunos de pós-graduação, não apenas aqueles com quem se sente mais confortável, ou que estão interessados nos problemas que você está mais entusiasmado.
O caos na mesa e nas ideias de que está fazendo dissertação...
Um dos principais papéis do
orientador é organizar o caos
que se instala na cabeça do
orientando.
Tente conhecer seus alunos, pessoalmente e profissionalmente. Ajude-os a identificar seus pontos fortes e fracos, para construir sobre os primeiros e superar os últimos. Faça-lhes avaliações honestas do trabalho e desempenho deles: não apenas assuma que eles sabem o que estão fazendo e o que você acha deles.
Leia este artigo e outros como ele com para descobrir com quais aspectos da experiência de pós-graduação seus alunos podem estar tendo problemas, ou podem não perceber a importância. Tente ver a experiência da perspectiva dos orientandos, o que será diferente para cada aluno, pois cada um tem recursos, talentos e objetivos diferentes.

As funções de orientador incluem

Orientar a pesquisa dos alunos: ajudando-os a selecionar um tema, a escrever uma proposta de pesquisa, um projeto ou mais de um, a realizar a pesquisa, avaliá-lo criticamente e ajudando-o a escrever a dissertação ou tese.
Envolvê-los na comunidade mais ampla de investigação: apresentá-los aos colegas, colaborando em projetos de pesquisa e discussões com eles, orientar sobre financiamentos de viagens de conferência, incentivando-os a publicar trabalhos, indicando-o a prêmios.
Encontrar apoio financeiro: proporcionar estágios de pesquisa ou ajudá-los a obter bolsas.
Encontrar com eles uma colocação depois da defesa: ajuda-los a encontrar pós-doutorado, vagas em corpo docente ou postos de trabalho na indústria; apoiar seus orientandos com boas recomendações e ajudá-los a fazer contatos.
Embora orientar a pesquisa dos alunos seja normalmente visto como a tarefa central de um orientador, as outras funções também são críticas para o sucesso a longo prazo.

Interagindo com os orientandos

Especialmente para um orientador estreante, dar o tom certo para as interações com cada aluno pode ser uma tarefa difícil. Diferentes alunos respondem melhor a diferentes abordagens – e, claro, orientadores diferentes têm diferentes estilos pessoais.
Ajude-os a estabelecer horários de reunião regular e a discutir as expectativas (as suas e dos seus alunos) sobre o que pode e deve ser realizado durante essas reuniões. Incentive-os a desenvolver relacionamentos com outros membros do corpo docente, alunos e colegas, para obter uma perspectiva diferente e para dar feedback que você pode não ser capaz de proporcionar.

Para melhorar a atmosfera das reuniões de orientação

Aproveite algum almoço ou café para tornar as interações mais relaxado e menos estressante. Esforce-se para manter um relacionamento aberto e honesto. Respeite seus alunos como colegas. Diga se você acha que eles estão pedindo demais ou muito pouco tempo ou orientação.
Orientadores e orientandos de teses e dissertações têm seus espaços próprios.
Permita que a dinâmica da orientação
seja estabelecida em conjunto,
não imponha em excesso.
Os orientadores devem estar cientes das necessidades de longo prazo e a curto prazo. Quais devem ser os objetivos do aluno durante os próximos anos? Ajude seu aluno identificar formas de vocês – como parceiros – encontrarem esses objetivos. Aconselhe o aluno sobre os critérios para um exame de qualificação bem sucedido, sobre a apresentação da proposta ou projeto de tese e dissertação.
Quando você encontrar com seus alunos, preste atenção neles. Tente ajudá-los a identificar os interesses deles, as preocupações e os objetivos. Saiba o que eles estão trabalhando e o que foi discutido da última vez. Tome notas durante as reuniões e revise-as se for preciso.
Dê sempre feedback produtivo, não só uma evasiva “sim, claro” ou uma desconstrução “por que diabos você quer fazer isso?” Lembre-se de que seus alunos ainda estão aprendendo. Se você lhes disser que um problema em que eles estão interessados foi explorado pelo Professor X, certifique-se de apresentar uma referência a que eles possam ter acesso e se a discussão sobre se o problema continua a ser uma área interessante para trabalhar, ou se existem novas questões em aberto criadas pelo Professor X para se explorar.
Ao analisar o texto do aluno ou seu projeto, escreva comentários: comentários verbais não são tão úteis – e boa parte deles são esquecidos muito rapidamente. Dê feedback de imediato, ou não vai ajudar muito. Se o rascunho foi apresentado impresso, anote nele com letra legível, evitando as nefastas interrogações, grifos ou comentários de uma palavra. Se estão discutindo um documento em arquivo de computador, use as ferramentas de comentários do programa.
Não espere até que os orientandos te deem algo para ler: insistam em receber rascunhos escritos de propostas, documentos, projetos, capítulos, esquemas. Ajude-os a desenvolver as ideias básicas em artigos publicáveis. Dê sugestões concretas, específicas para o próximo passo, especialmente se eles parecem estar se debatendo ou fazendo pouco progresso.
A relação orientador-aluno pode se romper se o orientador estabelecer metas muito elevadas ou muito baixas, ou se o orientador explora o aluno para atender necessidades próprias, não as do aluno.
Incentive seus alunos a escolher um tópico em que vocês estejam igualmente interessados e que você conheça a fundo (ou em que esteja muito interessado em aprender). Certifique-se de que haja recursos apropriados ao estudo e de que a metodologia seja adequada e realista. Certifique-se que os orientandos estão cientes de que outros pesquisadores e laboratórios estão fazendo trabalhos semelhantes e, se possível, providencie-lhes visitar esses laboratórios ou conhecer os pesquisadores em seminários ou conferências.

Recomende contratação de revisão de textos e formatação

Estimule os alunos a contratarem revisores de textos para seus artigos e para a dissertação ou tese. Tenha em mente que você não é (na maioria dos casos) especialista em língua e que não bastam suas correções dos erros óbvios ou uma namorada que ensina português fazer a releitura. Somente um revisor profissional dará conta do trabalho à altura do que é necessário.
Pode ser muito interessante sugerir também a contratação da formatação da tese ou da dissertação: isso libera o estudante para as tarefas centrais de pesquisa e redação, economiza tempo, agrega qualidade e estética. Não faz sentido um estudante ter que aprender todas as nuances do Word para um ou dois trabalhos que fará na vida e deixar de aplicar o tempo de pesquisa nesse aprendizado. Também não faz sentido apresentar uma tese toda cheia de gambiarras e macular alguns anos de trabalho com uma apresentação amadora e eivada de pequenas ou grandes falhas gráficas.
Oriente os estudantes a se prepararem com recursos para a revisão e a formatação do trabalho final, pois são serviços onerosos e muito poucos programas de pós-graduação estão dotados de recursos para suprir tais necessidades, sendo que alguns até exigem a declaração de revisão feita por profissional qualificado.
Adaptado de desJardins.

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