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Tecer e revisar o texto

Existe uma razão etimológica para não esquecermos que produzir um texto é o mesmo que tecer, entrelaçar unidades e partes com a finalidade de formar um todo. Revisar o texto é verificar a trama, a tessitura e cada ponto do texto, não deixar ponto sem nó, nem malha solta.

Revisão de textos sempre é um processo atento a uma infinidade de detalhes.
O texto tem que ser uma malha
 perfeita para que não se percam
as informações.
Texto é palavra originada do latim textum, que significa “tecido, entrelaçamento”.
Por isso, falamos em textura e tessitura de um texto: a rede de relações que garantem sua coesão. Quando vamos revisar um texto, observamos quatro elementos centrais: a repetição, a progressão, a coerência e a relação. Todas essas partes compõem o texto, elas surgem uma após a outra, relacionando-se com o que já foi dito ou com o que se vai dizer.
  1. Repetição: ao longo do texto ocorrem repetições, retomadas de elementos. Essa retomada é normalmente feita por pronomes ou por palavras e expressões equivalentes ou sinônimas. Também podemos repetir a mesma palavra ou expressão, o que deve ser feito com cuidado, a fim de que o texto não seja prejudicado. As repetições viciosas devem ser cuidadosamente eliminadas. 
  2. Progressão: devemos sempre acrescentar novas informações ao que já foi dito no texto. A progressão complementa a repetição: esta garante a retomada de elementos passados; aquela garante que o texto não se limite a repetir indefinidamente o que já foi colocado. 
  3. Coerência: não podem surgir elementos que contradigam aquilo que já foi considerado falso, ou vice-versa. Esse tipo de contradição só é tolerado se for intencional. Todavia a aproximação de ideias e fatos contrastantes é um recurso muito frequente na argumentação.
  4. Relação:  os fatos e conceitos devem estar relacionado entre si para justificar sua inclusão no texto. É importante organizar esquematicamente o texto antes de escrever, depois observar se a aproximação das ideias que serão transmitidas é realmente eficaz.
A consideração desses quatro itens (repetição, progressão, coerência e relação) ajuda o revisor a aperfeiçoar o grau de coesão dos textos. A configuração final do texto depende ainda de outros fatores, como do canal de comunicação, do perfil do receptor e das finalidades pretendidas pelo emissor. Todos esses fatores afetam diretamente a comunicabilidade do texto e são objetos da atenção do revisor.
Adaptado de Cabral, M.
O revisor é tão especialista no texto quanto o autor de uma tese no conteúdo sobre o qual ele escreve.
O texto é uma trama, cabe ao revisor
identificar e prender as malhas soltas.
Como revisores de textos, incessantemente estamos pesquisando e aprendendo. Deparamo-nos como excelente material na internet o tempo todo. Algum material que encontramos vem para cá, com a devida permissão do autor, e a outros bons textos apenas nos referimos, sem que isso constitua critério de qualidade, mas somente de pertinência com o tema central deste blog. Leia o texto que se segue e, caso haja interesse em prosseguir, recomendamos ir à fonte!
O texto é uma atividade consciente e organizada a qual implica a escolha/seleção de elementos linguísticos, a partir de um contexto sócio-interacional, cuja ordenação e combinação se dá de acordo com o “projeto de dizer” do produtor. Assim, a atividade de produção textual de sentidos compreende o trabalho de um produtor e, também, de um interpretador que são “estrategistas”, pois no “jogo da linguagem”, mobilizam uma série de estratégias objetivando a produção de sentido(s). Por esta razão, o texto é um processo em constante construção. As peças do jogo da linguagem são:
  1. Produtor/planejador, que procura viabilizar o seu “projeto de dizer”, recorrendo a uma série de estratégias de organização textual e orientando o interlocutor, por meio de sinalizações textuais (indícios, marcas, pistas), para a construção dos (possíveis) sentidos;
  2. Texto, organizado estrategicamente de dada forma, em decorrência das escolhas feitas pelo produtor entre as diversas possibilidades de formulação que a língua lhe oferece, de tal sorte que ele estabelece limites quanto às leituras possíveis;
  3. Leitor/ouvinte, que, a partir do modo como o texto se encontra linguisticamente construído, das sinalizações que lhe oferece, bem como pela mobilização do contexto relevante à interpretação, vai proceder à construção dos sentidos.

Leia na íntegra: Linha Mestra.

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