Pular para o conteúdo principal

Revisão de textos médicos - a linguagem médica

Antes de começar a examinar as características e questões relativas à revisão de textos médicos, cumpre definir brevemente o tema desta discussão, que é o que se entende por linguagem médica, textos médicos.

Aplicando a definição mais comum de linguagem específica de setor a caso particular, podemos dizer que a linguagem médica é um subsistema de linguagem natural usado para comunicação entre os especialistas na ciência médica. Este subsistema é diferente da língua geral e outras linguagens técnicas e científicas em algumas características, pressupõe a utilização de determinados meios morfossintáticos nos planos lexical e textual. Os autores que têm lidado com linguagens setoriais geralmente concordam que o elemento mais característico de cada segmento é representado pelo léxico.
Tese e dissertação de medicina é com a Keimelion: revisão e formatação.
A linguagem dos textos médicos
deve ser tratada pelo revisor de
textos com o rigor e a objetividade
característicos da medicina.
Nós temos trabalhado, há muitos anos, com teses e dissertações da área médica, construído portanto, nesse período, alargado domínio léxico que podemos oferecer aos clientes; mas há bem mais que isso, outros parâmetros de relação com o texto que nos possibilitam o acesso a ele como objeto integrante do conhecimento científico.
Há dois principais aspectos notáveis no desenvolvimento da ciência e tecnologia: a ampliação e a racionalização do conhecimento humano. A expressão linguística de tal conhecimento evolui de forma paralela, com vocabulário constantemente em expansão e sintaxe sempre mais restrita. A racionalização da expressão linguística leva à redução da complexidade sintática ao mínimo exigido pela análise lógica formal. Entretanto, o estudo de linguagens específicas vinha negligenciando, pelo menos até algumas décadas atrás, os aspectos morfossintáticos, enfocando os diferenciais mais óbvios, os léxicos. Isso deve ser repetido mais uma vez, posto que a linguagem médica (como qualquer língua específica) difere terminologicamente da língua geral; não porque faz uso de meios morfossintáticas diferentes.
Em conformidade com os mais recentes estudos linguísticos, não limitarei a análise aos aspectos lexicais, mas estenderei a outros aspectos da linguagem médica, compreendendo inclusive aspectos linguísticos pragmáticos e extralinguísticos e negligenciado o aspecto fonológico, pois neste nível as diferenças são praticamente inexistentes.
As observações se relacionam à linguagem médica em geral. Apesar da natureza predominantemente cooperativa das atividades de investigação interdisciplinar dos vários campos da medicina, há muitos idiotismos na terminologia médica, sendo errado supor que sempre há compatibilidade entre os sistemas conceituais de diferentes áreas médicas. Embora isto possa ser considerado a regra, existem no entanto muitas exceções, como em quase tudo na linguística e na medicina.

A subdivisão interna da linguagem médica

A linguagem médica pode ser vista como a linguagem da química, de física e assim por diante, como um subcódigo de uma linguagem científica mais geral. A distinção entre uma linguagem setorial e o outra é feita principalmente por critérios procedentes da divisão dos conhecimentos científicos em várias disciplinas e, em seguida, atribui-se a cada uma sua linguagem. Claro, é virtualmente impossível distinguir claramente um setor de outro, só porque se torna cada vez mais difícil traçar com clareza as linhas entre as diferentes disciplinas, por exemplo, entre matemática e física, entre a química e a biologia. Essa subdivisão foi relativamente mais fácil no passado, hoje a tendência é para maior cooperação interdisciplinar, o que torna arbitrária qualquer tentativa de definição de campos gnosiológicos. Embora as fronteiras sejam, portanto, extremamente borradas, isso não significa que não há nenhuma ciência médica e a linguagem médica, no sentido descrito na introdução da postagem.
A linguagem médica é passível de divisões internas. Subdivisões que podem ser apresentadas como horizontais e verticais.

Divisão horizontal da linguagem médica

A linguagem médica, em primeiro lugar, pode ser dividida em duas variedades principais: a linguagem da medicina teórico-científica e a da medicina clínica. Nos dois tipos de abordagem para medicina são necessárias duas sublinguagens. A medicina teórico-científica sente a necessidade de classificações extremamente precisas, feitas com base em considerações patológicas, bioquímicas e microbiológicas. Essas classificações afetam a terminologia. A medicina clínica tem orientação essencialmente prática e usa conceitos coletivos que vão encontrar expressão linguística em termos menos específicos.
Mais detalhadamente, pode ser considerado que existam tantos microdialetos quantos ramos da medicina. Portanto, há uma linguagem da ginecologia, uma da oncologia, outra da ortopedia... As linhas de divisão entre esses subcódigos são ainda mais desbotadas que aquelas entre linguagem médica e outras sublínguas, dado que existem inter-relações e sobreposição contínua. Além de muitos elementos comuns, no entanto, existem também algumas diferenças, mais ou menos graves, dependendo do grau de proximidade que existe entre as disciplinas. A linguagem da psiquiatria, por exemplo, terá mais elementos em comum com a neurologia do que com o de ginecologia. Para isto funcionar, no entanto, preferimos examinar a linguagem médica como todo, centrando nos elementos comuns e não sobre as diferenças entre os subcódigos individuais: isto é para não complicar a já complexa análise e fornecer uma visão geral útil especialmente para atividades de revisão ou interpretação.

Divisão vertical da linguagem médica

No que respeita a estratificação da linguagem médica em diferentes níveis que não correspondem à estratificação social dos falantes, prefiro um aperfeiçoamento progressivo da língua como ferramenta cognitiva e comunicativa. Considerem-se os seguintes parâmetros:
1) grau de abstração;
2) arcabouço semiológico;
3) campo gnosiológico;
4) comunicabilidade.
5) sujeitos.

Função descritiva dos textos médicos

A função predominante da linguagem do médico é a descrição. Na ciência há descobertas inesperadas e outras raras; como o progresso da medicina tem geralmente lugar gradualmente, é necessária contínua melhoria e atualização dos conhecimentos existentes. A divulgação de informação médica é, portanto, crucial para o progresso. Esta comunicação realiza-se pela literatura médica, termo que abrange publicações de ampla gama com um objetivo comum: transmitir determinadas informações de uma pessoa para outra de forma mais eficiente e mais clara possível.
O autor, na elaboração de um texto, também persegue o objetivo geral de persuadir o leitor para convencer os destinatários do texto da validade do está proposto, da cientificidade e novidade do que descreveu. No entanto, em medicina, ao contrário de em outras áreas, tais como na publicidade, ele não vai conseguir isso se não seguir estritamente a função denotativa e deixar de apresentar no escrito características de impessoalidade, objetividade nas de informações gerais. Portanto, ele terá como objetivo comunicar informações relativas a determinado objeto ou estado de coisas sem expressar opiniões pessoais ou fazer recomendações. As informações serão concentradas no objeto e excluem todos os fatores subjetivos. Essa característica da linguagem científica médica indica que ela que é fortemente influenciada pela realidade que se descreve. No caso específico de linguagem médica, essa realidade será composta de uma experiência, de um caso clínico, os resultados obtidos com um determinado tipo de tratamento. Operações de pesquisa cognitiva ou prática médica são, portanto, expressão linguística: não surpreendentemente, os verbos mais frequentes em textos médicos (exceto aqueles com função de cópula) são estudar, analisar, observar, descrever, relatar, notar, assim como outros que indicam operações cognitivas específicas tais como comparar, contrastar, inferir.

Função informativa dos textos médicos

Leia também:
Textos médicos
 - tipologia e revisão
A função informativa é bastante frequente em medicina. Nesse caso, os textos ilustram as várias possibilidades e os conhecimentos necessários para o efeito desejado, no que diz respeito a situações concretas; dar conselhos, instruções, recomendações. É a função típica de uma variedade de textos, dos quais os mais comuns são, sem dúvida, os manuais. Outro exemplo pode ser constituído por folhetos de um curso universitário ou especialização. Textos que visam fornecer diretriz para a conduta pessoal, mas não prescrevem ou proíbem determinadas ações.
É típico da linguagem do informativo e o uso de formas verbais e meios lexicais expressando o comportamento. Prevalecem frases exortativas. Não é incomum o uso de sentenças imperativas. Note-se que, neste caso, o imperativo não indica um comando, mas recomendação.

Função metalinguística

Esta função destina-se a ilustrar e explicar fenômenos linguísticos, bem como para informar sobre seu significado e uso. Ele aparece em dicionários e enciclopédias também. Muitas vezes, no início de um artigo científico, para esclarecer o significado de um termo específico. Escrever para definir um termo, um conceito, é metalinguagem – e ela ocorre em todos os campos do conhecimento. Todo este texto é metalinguístico.
Derivado de Magris.

Postagens mais visitadas deste blog

Principais estilos de citações bibliográficas e referências

Formate sua tese ou dissertação na Keimelion Os estilos de citações são muitos, cada revista científica, cada programa de pós-graduação decide qual estilo vai adotar, como fazer as citações. Primeiramente, vale informar que "estilos científicos" não são estilos "literárias", mas a edição de estilos, ou seja, modos de apresentação de conteúdo estruturados, formas de escrever artigos científicos , apresentação, organização de conteúdo, formas fazer abreviações, anexos e fotos presentes nos textos e, além disso, formas de citações bibliográficas e de referências . Por isso as formas de citações dependem de cada estilo científico.  As normas são muitas para as referências, mas o princípio é sempre o mesmo: a transparência. Para trabalhar com estilos de citações, é melhor usar um gerenciador de bibliografias como Refworks, Zotero, EndNote, Reference Manager, BibText e outros similares. Mesmo o Word que todo mundo tem faz esse serviço. O que impressiona muito é que a qua

A seleção do título no artigo científico

Título de artigo pode ser pedra angular na carreira Um artigo científico cujo titulo foi bem escolhido tem mais leituras e mais citações! Poucos refletem sobre os títulos de seus artigos científicos e até mesmo sobre os das teses. O revisor do texto poderá oferecer alternativas, mas considere um pouco os princípios que apresentamos.  O título do artigo científico deve ser definido, se possível, com o menor número de palavras para descrever adequadamente seu conteúdo. Digamos que ele seja o "cartão de visita" do trabalho. A maioria das pessoas que acessam o artigo não o lê completamente, um dos motivos que desencadeiam essa situação é um título desinteressante que não reflita o conteúdo do artigo com precisão e clareza. O título é parte de um texto, e parte importante, sobre a qual é necessária alguma reflexão e para cuja elaboração existem técnicas. Nunca despreze a importância do título. Primeiramente, pense bem sobre o conteúdo de seu trabalho, identificando termos releva

Como escrever títulos atraentes em poucos passos: do artigo à tese

Como aumentar o número de leituras de seu artigo? Você gostaria que sua tese ou dissertação fosse muito lida e citada ao invés de ignorada? Claro, qualquer autor deseja isso! Acontece que, atualmente o número textos acadêmicos que encontramos em qualquer pesquisa é muito grande, enorme. A concorrência entre todos os autores, na busca pelo leitor, não tem tamanho. Claro que o mais importante sempre vai ser a qualidade do trabalho, e clareza das ideias e um texto bem limpo, mas o título tem que ser um ponto de destaque também! E existem técnicas para títulos atrativos , que fujam do enfadonho jargão acadêmico e que transmitam a mesma ideia com uma linguagem mais moderna e atraente; veja um exemplo de título à antiga – que eu jamais adotaria – para esta postagem: Questões de legibilidade, ergonomia visual e empatia em títulos de teses, dissertações e artigos acadêmicos: uma discussão propositiva de aplicação da técnica AIDA. Convenhamos, dá até preguiça de ler até o fim, mas você certame

Estrangeirismos e redação acadêmica

O que é estrangeirismo? Por que a implicância? Pode-se ou deve-se usar estrangeirismos em teses e dissertações ? Existe linguagem científica sem estrangeirismos? Onde encontrar as palavras em português? Estrangeirismo ou peregrinismo é o uso de palavra, expressão ou construção estrangeira que não tenha equivalente vernácula em nossa língua. É apontada nas gramáticas normativas como um vício de linguagem , mas há muito esta é apontada como uma visão simplista por diversos linguistas, como Marcos Bagno , da UnB , John Robert Schmitz , da UNICAMP e Carlos Alberto Faraco , da UFPR .   (Wikipédia) Talvez seja conseqüência de um conjunto de fatores o que leva os brasileiros a imaginar como místicas e esotéricas as palavras ordinárias usadas no inglês para dar nomes às coisas. Nesse conjunto, constato a presença do deslumbramento pelos falantes de inglês, da ignorância da língua portuguesa, da ignorância da língua inglesa, da ignorância da cultura estrangeira, da ignorância de etimol

Texto como construção complexa

Quanto mais longo o texto, mais complexo ele é; por isso, as teses e dissertações requerem a contribuição do revisor de textos no aperfeiçoamento de sua forma e legibilidade. Do ponto de vista cognitivo, escrever é atividade humana de grande complexidade, mais que jogar xadrez. Revisar o texto também é atividade composta por uma série de procedimentos terrivelmente complexos, bem mais que dar palpite na partida de xadrez dos outros! Pesquisadores de diferentes áreas – principalmente psicolinguística – estão interessados nos subprocessos da textualização (produção escrita com textualidade). Antes de mostrar o que propicia a textualização e a possibilidade de contribuição do revisor na construção de textos longos (as teses e dissertações estão dentre os textos mais complexos), vamos apresentar os níveis de organização do texto, depois expor a teoria de recursos, teoria para entender certas dificuldades com a escrita, inclusive as presentes em estudantes de pós-graduação. O papel