Pular para o conteúdo principal

Revisão de textos e teoria dos modelos

Existem cinco possíveis modelos linguísticos aplicáveis no processo de revisão de textos, cada um dos quais tende a enfatizar certos componentes em detrimento de outros.

Compreendendo o processo de revisão de textos como processo mental, destacamos as implicações que envolvem a psique do revisor e o processamento mental necessário. Ao enfatizar a importância da cultura na revisão de textos, comparamos o sistema de mundo da cultura, como intertexto gigantesco dentro do qual todos os textos são escritos e revisados.
Revisar tese, dissertação e tcc é na Keimelion.
Os modelos linguísticos são diferentes
abordagens do trâmite da informação.
Nenhum texto é "virgem" ou "puro", porque, no complexo sistema das influências recíprocas, consciente ou inadvertidamente, quer queira quer não, os escritores contam com uma herança cultural pré-existente.
Deste ponto de vista, pode-se classificar um texto dependendo de que acrescentar algo ou não acrescentar nada ao que já foi escrito. Neste último caso, pode-se distinguir várias possibilidades adicionais:
  • Textos que, sem formular quaisquer novos conceitos, atendem às categorias de players diferentes: por exemplo, textos educacionais que ilustram os não iniciados, apresentando conceitos dos textos científicos (vulgarização, difusão, adaptação, educação);
  • Textos que, sem formular quaisquer novos conceitos, atendem aos leitores das outras culturas e línguas, que, de outra forma, seriam inacessíveis a eles (consequentemente, traduções, artigos);
  • Textos que, sem formular quaisquer novos conceitos, pretende substituir os textos pré-existentes, negar sua existência, ou seja, pretendendo serem originais (plágio, falsificação).

Além dessas abordagens analíticas, há também a possibilidade de considerar um modelo de revisão de textos, no sentido de que o texto revisado é, explícita ou implicitamente, outro texto procedente do original - mas não está em nenhuma das três categorias postas acima. Como na relação entre modelo e protótipo, a relação entre prototexto e o produto de revisão de textos não é reversível.
O resultado do processo de revisão de textos contém a dominante funcional teórica que é escolhida pelo revisor e a maneira pela qual as subdominantes são colocadas em ordem hierárquica. Portanto, não apenas existem várias revisões adequadas, mas existem vários tipos de revisões adequadas para o mesmo texto. E, mesmo em um quadro didático (aquela onde o modelo regulamentar de revisão de textos tem teoricamente mais sentido de existir), sempre é possível determinar qual das revisões adequadas é "melhor".
Outro elemento do conceito é que ele revisa o conceito modelo, é que se qualifica como modelo na coletividade do um núcleo social que reconhece os revisores como autoridades sobre os textos.
Mais um fator que submete a revisão de textos a modelos é respeitar certas normas – e aqui nos remetemos, inclusive, à revisão tradicional, mecânica – mas sem ficarmos adstritos a ela, quando se rejeita a concepção segundo a qual a revisão de textos não pode ser ensinada ou praticada apenas como conjunto de regras, no entanto, existem dentro das culturas, as normas sociais (incluindo as da gramática normativa) que atuam levando os revisores a produzir metatextos aceitáveis.
Aqui o conceito de revisão de textos assentado nos modelos linguísticos se cruza com o conceito de cultura e os modelos podem dar origem a resultados muito diferentes dependendo da cultura em caso. (Libri)
Assim posto, os modelos a que temos nos referido são os da psicolinguística, pragmática, argumentação, enunciação, análise do discurso, linguística textual, que se integram em parâmetros complementares na análise revisional, mas sem que se necessite recorrer a todos.
  • A psicolinguística, tem como objeto de estudo os processos cognitivos da linguagem. Nesse entendimento, examina a fala, a leitura e a escrita, no que se refere aos níveis de compreensão e aos procedimentos utilizados para isso. Ela utiliza instrumentos os voltados diretamente para o material linguístico, centrados na expressão da reflexão do sujeito sobre a linguagem (protocolos verbais) e os direcionados para o cérebro – centro de formação da linguagem (protocolos racionais).
  • A pragmática é um dos planos que constituem a linguagem humana, considerando suas relações com o uso e com a finalidade. Como o modelo cognitivo psicolinguístico, tem a inferência como conceito básico e a relevância como um dos princípios fundamentais. Assim a revisão é também um processo cognitivo inferencial e interferencial, que, para ser eficiente, supõe que o leitor deva alcançar o maior benefício com o menor esforço.
  • A teoria da argumentação da língua é estruturalista, toma como objeto de estudo a língua como engenho argumentativo, a ação do enunciador é argumentativa e o enunciado é marcado por essa ação. Mas ela também é enunciativa, na medida em que supõe um sujeito que está inserido num contexto. A revisão, segundo esse modelo, exige do leitor buscar os elementos linguísticos argumentativos do texto e, dessa forma, os sentidos neles presentes.
  • A teoria da enunciação tem na subjetividade seu conceito fundamental, pois a linguagem é vista a partir do sujeito que a enuncia, estabelecendo-se a partir disso a interlocução. Desse modo, a linguagem é apenas meio de comunicação, mas especialmente de construção da identidade do sujeito, mas de um sujeito que está no mundo. Nesse entendimento, a revisão é uma interferência intersubjetiva, marcada por subjetividades apostas (contrapostas, superpostas, interpostas...).
  • A análise do discurso examina a linguagem tomando do ponto do vista da a exterioridade, suas condições de produção – os interlocutores, o contexto comunicativo e o contexto social, histórico e ideológico. Esse modelo possibilita a análise do funcionamento linguístico do discurso a partir dessas condições. Nesse entendimento, o discurso abrange a intencionalidade de quem o produz e os efeitos de sentido gerados em quem o receberá, sendo nesse espaço que a revisão acontece.
  • A linguística do texto foca no texto os elementos que o tecem, que formam a trama textual, atenta as retomadas e as articulações internas que constroem a coesão lexical (repetições e substituições lexicais, superordenados e campos semânticos), a coesão gramatical (referências, elipses e conjunções) e a coerência (manutenção e progressão do tema, conformidade interna e relação com o mundo). Cabe ao revisor, nesse modelo, perceber essas relações linguísticas do texto para então depreender os seus sentidos e interferir qualitativamente. (Alves)


Postagens mais visitadas deste blog

Como escrever o resumo de sua tese ou dissertação

O resumo é parte necessária da apresentação final de uma tese, dissertação ou mesmo de um artigo. A versão final do resumo terá de ser escrita depois que você terminar de ler a sua tese para enviar ao revisor do texto. Um resumo prévio, escrito nas diferentes fases do seu trabalho vai ajudar você a ter uma versão curta de sua tese a cabeça. Isso vai conduzir seu pensamento sobre o que é que você está realmente sendo feito, vai ajudá-lo a ver a relevância do que você está trabalhando no momento dentro do quadro maior, e ajudar a manter os vínculos que acabarão por conferir unidade à tese (dissertação, TCC, artigo). Resumo é uma apresentação concisa dos pontos relevantes de um documento (NBR 6028:2003).  O que é um resumo? O resumo é um componente importante da tese. Apresentado no início da tese, é provável que seja a primeira descrição substantiva do trabalho a ser lida por um examinador ou qualquer outro leitor externo. Você deve vê-lo como oportunidade de definir as expectativas p…

Como escrever um texto acadêmico – aspectos gerais e específicos

Um texto científico ou acadêmico é um complexo trabalho dissertativo ou narrativo que tem características próprias sobre sua concepção, criação e apresentação. Bons textos científicos acrescentam conhecimento mesmo quando levantam novas dúvidas, novos problemas ou novas abordagens sobre uma questão, permitindo que leitores encontrem realidade e humanidade em palavras que foram completamente estruturadas para apresentar ou discutir um enfoque específico de um tema. Não importa qual tipo de texto você queira ou necessite escrever – pode ser uma tese de livre-docência, de doutorado, uma dissertação, monografia, um artigo científico, relatório – você precisará de disciplina, energia criativa e de dedicação para a pesquisa, criação, revisão e edição do texto. Apresentamos algumas sugestões para contribuir na redação.
Antes de começar a escrever um texto acadêmico, considere: problema, tema, abordagem Tenha claro para si o tipo de texto que vai escrever e o público a que ele se destina. Ne…

Principais estilos de citações bibliográficas e referências

Os estilos de citações são muitos, cada revista científica, cada programa de pós-graduação decide qual estilo vai adotar, como fazer as citações.Primeiramente, vale informar que "estilos científicos" não são estilos "literárias", mas a edição de estilos, ou seja, modos de apresentação de conteúdo estruturados, formas de escrever artigos científicos, apresentação, organização de conteúdo, formas fazer abreviações, anexos e fotos presentes nos textos e, além disso, formas de citações bibliográficas e de referências. Por isso as formas de citações dependem de cada estilo científico.
Para trabalhar com estilos de citações, é melhor usar um gerenciador de bibliografias como Refworks, Zotero, EndNote, Reference Manager, BibText e outros similares. Mesmo o Word que todo mundo tem faz esse serviço. O que impressiona muito é que a quase totalidade dos autores brasileiros não faz uso de nenhum desses programas e nem sequer sabe que o próprio editor de textos mais comum faz o …

A tese: material e métodos, resultados e conclusão, estilo e referências

A escrita da tese segue parâmetros distintos nas seções específicas do texto, guardando unidade de estilo e coerência entre todos os segmentos do trabalho. Material e métodos Nesta seção o autor deve explicar claramente como o experimento foi realizado, e como foi realizada a análise estatística dos dados, podendo também utilizar as sugestões indicadas para escrever a introdução e buscando garantir que: a.Os leitores possam compreender e avaliar o experimento do trabalho e o tema da tese;
b.Outros pesquisadores possam utilizar o estudo independente para verificar os resultados do mesmo ou de outros contextos e produções. Algumas dicas úteis para escrita da fase “material e métodos” são descritas a seguir:
1)Mencionar a data e o local onde foi realizada a prova experimental, especificando as coordenadas geográficas e/ou as características físicas e biológicas relevantes.
2)Descrever o plano experimental, incluindo os tratamentos aplicados, o número de repetições, a unidade experimenta…

O gênero de discurso acadêmico-científico

O gênero acadêmico-científico, baseado na semântica linguística, na descrição de um sentido linguístico. Todas as esferas da atividade humana estão sempre relacionadas à língua. O uso da língua se dá em forma de enunciados (orais e escritos), concretos e únicos, emanados integrantes da atividade humana. O enunciado mostra as condições específicas e as finalidades de cada uma dessas esferas: conteúdo temático, estilo verbal e construção composicional. Esses três elementos convergem para o todo do enunciado e todos eles são marcados pela especificidade de uma esfera de comunicação. Vê-se, então, que qualquer enunciado considerado isoladamente, é individual, mas cada esfera de utilização da língua elabora seus tipos relativamente estáveis de enunciados, que são os gêneros do discurso. Cada esfera dessa atividade se diferencia e se amplia à medida que a própria esfera se desenvolve e fica mais complexa. A partir das três características que formam um gênero, condições específicas, estilo …