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A revisão de texto, um subprocesso da escrita

De acordo com diferentes modelos teóricos de produção escrita, o processo de escrever – principalmente um texto longo, como uma tese ou dissertação – é mais interativo que sequencial, sendo que a revisão de texto (RT) é um componente intrínseco a ele.

A RT não é, portanto, uma "camada" que cairia apenas depois de o texto criado. A presença da RT pode ocorrer em diferentes momentos de produção textual: ainda a ser escrito – na concepção do projeto; no final do primeiro esboço – para redirecionamento e crítica; depois de uma interrupção – para subsidiar a etapa seguinte da produção.
Os titãs da literatura fizeram uso de revisores de textos.

É necessário, a partir de uma proposta de revisão colaborativa (revisor-autor), que é bem pouco diferente de uma produção colaborativa, ainda que distante da coautoria – e por tudo isso, distinguir o texto revisado de sua correção e destacar as diferenças entre as atividades que devem ser realizadas no produto e, consequentemente, entre as estratégias de intervenção da RT. Durante a revisão, o revisor deve ler os textos para diagnosticar o estado do produto, mantendo o controle entre texto original (que está escrito, autoral), o texto proposto (ele quer escrever ou ele acha que tem escrito) e o texto final (com a reescrita autoral ou aceitação das interferências propostas) para detectar e apresentar os problemas: falhas linguísticas, legibilidade, incoerências. Sim, a RT é mais que é fazer ou propor as mudanças necessárias para tornar o texto em conformidade com as normas de escrita.

Distanciar-se de seu texto: a necessidade do revisor

A revisão é mais difícil e mais complexa do que a correção das falhas mecânicas (erros de digitação, de recorte...). A revisão requer distanciamento, porque é impossível revisar cuidadosamente o texto, se você não criar uma distância dele. Três fatores tornam possível o distanciamento do texto: o tempo, a intervenção de uma terceira parte, a compreensão da tarefa. Normalmente, autores acadêmicos (por exemplo) não têm tempo, portanto a revisão requer a terceira parte: o revisor profissional. O tempo previsto para a RT no processo de redação acadêmica é, geralmente, muito curto; um doutorando faz sua tese em cinco anos – mas a redação final em apenas alguns meses, por mais que o texto venha sendo preparado o tempo todo. Por isso, a RT profissional – necessariamente feita por alguém que nunca teve contato com texto – se apresenta como necessária para a produção um texto de qualidade.
A intervenção de terceiros (o revisor de textos, ou a equipe de revisão) é fator de distanciamento, de cronograma e de leitura alterna. Qualquer autor deve ser encorajado a pedir um feedback de seus pares, que se concentrar em aspectos técnicos do conteúdo do texto, que correspondem ao objeto material do produto. Mas o revisor de textos opinará sobre a mídia que contém o resultado do projeto: o objeto agora passa a ser o texto (coisa que trata) em contraposição ao objeto nuclear do trabalho (a coisa de que o texto trata).

A necessidade da revisão e edição de texto

A fim de detectar pontos fracos, erros, ou dadas as exigências do público-alvo (a banca examinadora da tese, por exemplo), os revisores devem adotar uma postura de leitura avaliativa, prescrutativa, de maneira identificar e minimizar problemas. Esta é uma postura muito diferente da que é tomada para compreender o conteúdo ou apreciar um texto. Tal visão requer mais recursos cognitivos do que a leitura fruitiva ou de aferição de conteúdo. Consequentemente, os autores não costumam ter disponíveis os recursos linguísticos para a suficiente detecção de erros.
Não obstantemente, os revisores também podem incentivar os autores a implementar estratégias de autorrevisão nos subprocessos da escrita, estabelecendo metas em sua repetição de avaliação:
  • verificar a adequação do texto para a tarefa contido no projeto;
  • conferir a coerência nominal e coerência verbo-temporal (o tempo dominante ou de tempo de referência); 
  • analisar o plano do texto: suas peças, a coerência entre capítulos e parágrafos e a escolha dos conectores textuais; 
  • verificar as informações ou encontrar as referências; 
  • consultar livros de referência (gramática, dicionário da língua) ou ferramentas de suporte para a escrita (normalmente informatizada) para identificar o significado exato de cada palavra, à procura de um sinônimos;

Escrever é reescrever

Podemos dar três significados diferentes para a palavra reescrita. Pode ser compreendido como: 
  1. um retorno para o texto, a fim de melhorar a segmentos diferentes; 
  2. reescrever o texto para alterar qualquer um dos parâmetros da tarefa, tal postura ou modo de se expressar; 
  3. uma reapropriação do que já foi escrito (toda a produção escrita tem dimensão intertextual ou interdiscursiva).

Estratégias de revisão

Sempre se segue o mesmo procedimento para revisar vários aspectos de um texto e na mesma ordem, que vão desde aqueles que têm um impacto mais amplo sobre o texto para aqueles que têm um âmbito mais local: a começar pela aptidão para a situação de comunicação, e em seguida, examinar o conteúdo (clareza e relevância), a construção, composição, a estruturação do texto (plano e divisão do texto), a coerência verbal, temporal, léxica e, finalmente, detectar erros nos aspectos formais da língua na seguinte ordem: vocabulário, sintaxe, pontuação, ortografia e conjugação. Na verdade, o que é a grafia correta se o texto deve ser reescrito, porque não é adaptado à situação de comunicação, seu conteúdo é deficiente, ou ele tem problemas em termos enunciação, estrutura, consistência ou sintaxe? 

pragmáticas

Finalmente, a concepção do processo de escrita e subprocessos de reescrita e RT contradiz representações da maioria dos revisores, professores e estudantes, que têm uma visão mais linear do processo de escrita, concepção que durante muito tempo também restringiu a RT (para muitos, ela ainda é para corrigir erros mecânicos de idioma) e subestimou o peso cognitivo desses subprocessos. Na verdade, os revisores de textos, muitas vezes, tendem a colocar na conta de inadvertência ou repetição, na velocidade da produção os erros de linguagem. Este ponto de vista da RT também tem implicações no produto final. Muitos revisores pensam que tudo correto quando a gramática vai bem. Mas, atualmente, devemos avaliar mais aspectos, linguísticos e extralinguísticos, não refazendo o texto, mas propondo soluções aos autores, fazendo-o avaliar seu produto sob mais de uma ótica alternativa.
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