Pular para o conteúdo principal

O revisor de textos e a semiótica

A revisão semiótica de texto envolve uma espécie de decomposição dos elementos originais e a identificação de componentes capazes de interpretar tais elementos no âmbito da coesão do texto revisado.

A revisão de um sistema de sinais (por exemplo, o sistema verbal) e de outro sistema de signos (um sistema não verbal) que atuam intertextualmente agora integram o campo de atuação do revisor de textos. O fato de que, nesse caso, no início ou no fim do processo de revisão, continua havendo um texto verbal e outro não verbal, não só é secundário mas, ao contrário, tem implicações o que tornam essencial para tentar descrever o processo de revisão em geral.
O texto não é só uma malha, mas um mosaico de signos.
Os componentes não verbais
integram o textos e devem ser
considerados na revisão semiótica.
Não se pode negligenciar a semiótica na revisão de textos como um caso limite que permite conceber o processo de revisão por ângulos incomuns e, por isso, muito interessantes. Por isso, é necessário ampliar o conceito de “texto”. No uso comum, o texto, que é derivado do latim, textus, é uma metáfora em que as palavras que compõem um trabalho são vistas, tendo em conta os laços que unem, como um tecido. Essa metáfora, que antecipa as observações sobre a coerência do texto, alude ao conteúdo textual em particular.
Se podemos interpretar o que foi dito em sentido lato, e nós negligenciamos o fato de que nos referimos a “palavras” e “escrito”, podemos transferir o conceito de texto para qualquer trabalho pictórico, musical, arquitetônico e assim por diante. Mesmo em outros casos, o objeto da revisão é um tecido que visa se tornar coeso e consistente, um sistema de estruturas complicadas em diferentes níveis, de modo que cada elemento tenha valor em relação ao outro.
A teoria de revisão, uma teoria de aperfeiçoamento semântico, deve significar uma de duas coisas. É uma maneira intencionalmente aguda, hermeneuticamente orientada de aproximação da plenitude da comunicação semântica. Ou é uma subseção do modelo com referência específica às conexões linguísticas para a emissão e recepção de mensagens significativas entre sujeitos.
Demonstrando a utilidade da inclusão metodológica da semiótica na revisão de textos, primeiro é necessário deixar claro que existem algumas diferenças entre linguagens verbais, que são discretas, e linguagens icônicas (tais como a pintura e as artes visuais em geral), que são contínuas. O que isso significa? Que se pode distinguir lá um sinal do outro, enquanto o texto contínuo não é divisível em sinais discretos aqui. Se uma pintura retrata uma árvore, não é facilmente decomponível em signos individuais deste texto não verbal.
A impossibilidade de uma revisão dos textos de linguagens discretas desconsiderando sua conexão com as contínuas é notória: nos sistemas discretos do discurso, o texto é secundário em relação ao sinal, divide-se distintamente em sinais. Distinguir o sinal como uma unidade básica não é revisão. Nas linguagens contínuas, é o texto principal que não é dividido em sinais, mas é em si um sinal, ou isomórfico a um signo.
Tem sido dito muitas vezes que qualquer ato comunicativo, incluindo qualquer tipo de revisão do processo, nunca é total: há sempre um remanescente, uma parte da mensagem que não chega ao seu destino. Vamos ver o que isto implica da revisão semiótica de textos.
Na revisão semiótica de textos, como em geral em qualquer tipo de revisão, ao invés de fingir que é possível comunicar tudo, negando a evidência, leva-se isso em conta desde o início e, portanto, define-se uma estratégia de revisão que torna possível decidir racionalmente que partes, quais os componentes do texto são mais característicos, e que parte pode ser sacrificada em nome da legibilidade. É inevitável que a revisão não seja equivalente ao original, e que ela contenha, ao mesmo tempo, mais e menos do original. Qualquer revisão implica alterar, tanto mais ou menos, o texto original. O sucesso do revisor de textos vai depender das decisões tomadas sobre o que pode ser sacrificado.
O conjunto de decisões que um revisor de textos deve tomar antes de enfrentar cada decisão de intervenção inclui a identificação do texto dominante, não só de forma inerente, mas também dependendo do contexto em que estão localizados o texto original e o contexto da origem e dos destinatários da mensagem. É necessário analisar diferenças em detalhes, aspectos denotativos, conotativos, imagens, sons, ritmos, estruturas sintáticas, coesão lexical, referências intratextuais, referências intertextuais e assim por diante.
O revisor de textos intersemióticos, na verdade, é forçado, quer queira quer não, a dividir o texto em partes (não importa: denotação/conotação, expressão/diálogos/descrições de conteúdo, referências intertextuais/intratextuais) e desmontar o original nessas partes, encontrar os significados das partes, verificando a coerência e a coesão que, como o que acabamos de dizer, são a essência do texto.
Se a semiótica na revisão de textos envolve um tipo de decomposição dos elementos originais e a identificação dos componentes para revisar esses elementos na coesão do texto, claro que isso também se aplica à revisão de textos unicamente verbais. Em geral, pode-se dizer que revisar é racionalizar. Se aparecem no original elementos ambíguos, o revisor de textos deve primeiro lê-los, localizá-los, interpretá-los e, racionalmente, tentar interferir. Isso resulta que no texto revisado seja mais fácil de discernir os vários elementos da obra, com passagens menos ambíguas, ainda que considerada a polissemia das palavras.
Um último aspecto da revisão semiótica de textos a consideramos: a semiótica na revisão de textos tem potencial ainda mais amplificado, ao ponto de ser inconcebível qualquer tentativa de revisar um texto na esperança de encontrar, como resultado deste processo, o texto original. É impossível desconstituir o texto que tenha sido revisado, em processo inverso, uma vez que o produto é um texto novo na medida em a revisão tenha interferido.
Adaptado de Logos.

Postagens mais visitadas deste blog

Como escrever o resumo de sua tese ou dissertação

Melhore o resumo de sua tese ou dissertação.O resumo é parte necessária da apresentação final de uma tese, dissertação ou mesmo de um artigo.A versão final do resumo terá de ser escrita depois que você terminar de ler a sua tese para enviar ao revisor do texto.Um resumo prévio, escrito nas diferentes fases do seu trabalho vai ajudar você a ter uma versão curta de sua tese a cabeça. Isso vai conduzir seu pensamento sobre o que é que você está realmente sendo feito, vai ajudá-lo a ver a relevância do que você está trabalhando no momento dentro do quadro maior, e ajudar a manter os vínculos que acabarão por conferir unidade à tese (dissertação, TCC, artigo). O que é um resumo?O resumo é um componente importante da tese. Apresentado no início da tese, é provável que seja a primeira descrição substantiva do trabalho a ser lida por um examinador ou qualquer outro leitor externo. Você deve vê-lo como oportunidade de definir as expectativas precisas do leitor a que seu texto atenderá. O resumo …

Principais estilos de citações bibliográficas e referências

Formate sua tese ou dissertação na KeimelionOs estilos de citações são muitos, cada revista científica, cada programa de pós-graduação decide qual estilo vai adotar, como fazer as citações. Primeiramente, vale informar que "estilos científicos" não são estilos "literárias", mas a edição de estilos, ou seja, modos de apresentação de conteúdo estruturados, formas de escrever artigos científicos, apresentação, organização de conteúdo, formas fazer abreviações, anexos e fotos presentes nos textos e, além disso, formas de citações bibliográficas e de referências. Por isso as formas de citações dependem de cada estilo científico.  Para trabalhar com estilos de citações, é melhor usar um gerenciador de bibliografias como Refworks, Zotero, EndNote, Reference Manager, BibText e outros similares. Mesmo o Word que todo mundo tem faz esse serviço. O que impressiona muito é que a quase totalidade dos autores brasileiros não faz uso de nenhum desses programas e nem sequer sabe que…

Normas básicas de digitação

Vale a pena digitar corretamente.A digitação correta é uma prática em desuso. Quase ninguém mais se preocupa com conceitos básicos da datilografia que foram transposto à digitação.Entretanto, formatar uma tese ou dissertação é infinitamente mais complexo que saber digitar num processador de textos. Nada dispensa a boa revisão. Aqui estão alguns problemas que sempre identificamos nas digitações problemáticas:A lacuna que separa os elementos gráficos (por exemplo, entre duas palavras) deve ser feita por um e apenas um espaço.O recuo do parágrafo, o alinhamento recuado das citações ou das tabelas etc. devem ser feitos por tabulação (ou então pelo recurso de estilo ou modelo, dos programas de edição de texto do computador).Não há espaço antes da pontuação (ponto, ponto-e-vírgula, vírgula, dois pontos).Há um espaço (e apenas um) depois da pontuação (ponto, ponto-e-vírgula, vírgula, dois pontos), a não ser na pontuação empregada nos numerais.Não há espaço depois do parêntese que abre nem ant…

Como escrever um texto acadêmico - as melhores dicas!

Aspectos gerais e específicos do texto acadêmicoUm texto científico ou acadêmico é um complexo trabalho dissertativo ou narrativo que tem características próprias sobre sua concepção, criação e apresentação.  Bons textos científicos acrescentam conhecimento mesmo quando levantam novas dúvidas, novos problemas ou novas abordagens sobre uma questão, permitindo que leitores encontrem realidade e humanidade em palavras que foram completamente estruturadas para apresentar ou discutir um enfoque específico de um tema. Não importa qual tipo de texto você queira ou necessite escrever – pode ser uma tese de livre-docência, de doutorado, uma dissertação, monografia, um artigo científico, relatório – você precisará de disciplina, energia criativa e de dedicação para a pesquisa, criação, revisão e edição do texto. Apresentamos algumas sugestões para contribuir na redação.
Antes de começar a escrever um texto acadêmico, considere: problema, tema, abordagem Tenha claro para si o tipo de texto que vai…

Quinze dicas para a hora de defender a tese

Defesa de tese ou dissertação: hora H!Depois de ter concluído a tese, é essencial que o aluno se prepare para a apresentação oral do trabalho.  Um excelente texto não garante que a exposição na etapa final seja boa e, se o aluno não apresentar a tese de forma satisfatória, os examinadores podem subestimá-la ou até mesmo duvidar da preparação científica do candidato.Geralmente a apresentação oral da tese é geralmente é feita por meio de slides em Powerpoint ® (ou software similar) contendo texto, figuras, tabelas, desenhos e fotografias. Bons slides não são tudo. O aluno deve estar preparado e conhecer ponta a ponta o conteúdo, coordenando bem a apresentação conforme explica os slides e se comportando de forma adequada durante essa etapa do trabalho. Abaixo apresentamos algumas dicas, tanto referentes à formatação e estilo da apresentação de slides, como à discussão da tese – aplicáveis a muitos contextos, como um concurso, entrevista de emprego ou uma apresentação de negócios. É necessá…