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Repensando a natureza e funções da revisão do texto

Propostas teóricas recentes sobre a revisão do texto revelam uma mudança de perspectiva sobre a atividade.

Por muito tempo, a revisão foi concebida essencialmente como uma atividade para melhorar a produção verbal escrita. Hoje, ela é considerada um processo de controle editorial diferente, em que o planejamento também está envolvido. As questões sobre a revisão levantadas aqui mostram como evolui a importância desse conceito e descrevem os possíveis rumos do ofício de revisor. As novas abordagens da revisão de textos têm três pontos de alcance: o exercício do controle do processo por editores experientes, os custos do tratamento implícitas por esse controle e as condições que permitam ampliar o controle do processo produtivo.
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No contexto da produção textual atual, define-se a revisão como tudo o que é feito para atingir um objetivo no texto em algum momento, com certa finalidade e implicando algum custo. Enfatizam-se as dimensões importantes da atividade a serem levadas em conta, como a qualidade do produto final, ou o custo da produção e seus efeitos no mercado. Assim, a revisão passa a abranger o tratamento de controle na resolução de problemas que antes eram o conjunto de tarefas editoriais e contribuir para a sua realização, sem necessariamente se fazer notar nessa realização de funções ou pré ou pós-editoriais.

Programar e verificar a produção textual

Além das propostas iniciais, dentre as atribuições do revisor de textos, incorporaram-se os processos básicos de leitura e correção (revisão mecânica) em um sistema de controle que interage com uma formulação do sistema e o sistema de execução, garantindo a realização das correções sistêmicas necessárias.
As interações entre componentes e sistemas editoriais próprios são gerenciadas pelo revisor sênior que aloca os recursos necessários para que os diferentes componentes estejam sempre funcionando. O sistema de controle contribui para avaliar o produto da atividade nos sistemas com os quais interage. Além disso, essas análises derivadas do processo de revisão podem ajudar a orientar a atividade dos sistemas de produção e edição textuais, aumentando a conectividade e interação entre eles.
O controle dos elos entre estes sistemas permite uma operação oportunista descrita em termos de interação entre tratamentos descendentes para a resolução de novos problemas mal definidos, incluindo a finalidade do produto, cujo alcance não pode ser feito imediatamente. O planejamento oportunista é muito comum entre os editores. Ele é materializado por fases de planejamento e implementação de texto como produto ou formulação e implementação alternada de produção e edição. Os tratamentos ascendentes são feitos a partir da ação do escritor para reunir informações sobre a obra. Esse conjunto de informações é necessário para monitorar o andamento do plano de escrita. Tratamentos descendentes são especificação da finalidade e do conhecimento e dependem, por sua vez, do processo de planejamento editorial. As interações entre esses processos permitem o controle oportunista da produção textual à impressão.
Uma estrutura conceitual dialógica para descrever a produção de textos define que o processo editorial do modelo tradicional seja substituído por processos gerais envolvidos em várias atividades cognitivas complexas. Assim, a revisão proposta exige ação sobre três processos básicos: leitura crítica, resolução ascendente e descendente de problemas e a produção autoral de texto. Essas operações são controladas agora pela edição padrão que está integrada à estrutura de controle. Esse esquema é implantado assim que sua utilidade é percebida no processo editorial. Ele inclui a totalidade ou parte dos seguintes elementos: o corpo de conhecimentos adquiridos na prática necessária para alcançar o objetivo editorial, especificando a finalidade ou o nível de texto que deve ser produzido, incluindo modelos e critérios de qualidade, bem como estratégias para lidar com classes específicas de problemas textuais.
A informação passa a ser processada tanto sobre a incorporação planejada ou em andamento do texto já escrito. Fica claro que o processo geral de produção de texto e leitura crítica estão sob o controle do regime de tarefa, cumprindo à revisão organizar a sua intervenção e avaliar o resultado da intervenção. No primeiro caso, a revisão é proativa e, no outro, é reativa.
A revisão vai depender de algumas características específicas do sistema de controle em tela, questões relacionadas aos tratamentos de avaliação e correção, para que a revisão seja tratada por meio de processos gerais, implicando na questão do estatuto da autoridade de inspeção da produção escrita.
O controle geral de trabalho em atividades cognitivas diferentes e complementares, incluindo a produção de textos complexos, requer um modelo de controle baseado na moderna concepção de revisão, que compreende agora o módulo de controle, fazendo interface entre o conhecimento geral do produtor, o autor ou equipe de redação, e processos para revisão agrupados no esquema de trabalho. A integração desses dois tipos de tratamentos no controle da produção textual passa à responsabilidade do revisor sênior.
A revisão textual adquire o papel de um módulo de controle especializado, responsável pela integração dos diferentes processos envolvidos, constituindo o modelo proposto de revisão que já se vê no mercado. A nova proposta é esclarecer e incrementar as diferentes habilidades envolvidas na revisão. Elas diferem na recuperação da memória de longo prazo, nos níveis metacognitivos e cognitivas do produto e, assim, atribuem ao processo de revisão uma dupla função: planejar e verificar.
No nível cognitivo, há três categorias de conhecimento (temático, linguístico e textual), três estratégias principais (estratégias de raciocínio, estratégias de compreensão e estratégias de produção, que incluem os de revisão de texto) e representação do texto revisado. O nível metacognitivo compreende modelos de conhecimento e compreensão das estratégias de leitura e interpretação textuais. As trocas entre estes dois níveis permitem colocar a gestão do conhecimento no nível cognitivo, planejada com base em modelos de gestão do conhecimento (quando, como e por que levantar essas informações para estar presentes no texto). Elas também contribuem verificando tratamentos cognitivamente operados.
Fazendo a distinção entre os níveis metacognitivos e cognitivos, o revisor pode usar apropriadamente o conhecimento; quando essa utilização não é guiada ou controlada pelo nível metacognitivo, quem tem algo a dizer (o autor) não está necessariamente comprometido com quando, como e porque dizer.
Estes dois tipos de formalização textual nos convidam a considerar dois níveis de controle integrado, uma para o texto, ou seja, o produto da atividade, o outro em relação à atividade de produção global, que é o planejamento e a execução da tarefa editorialmente.
Inspirado em Roussey & Piolat.

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