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Linguística da revisão de textos

A terminologia, no sentido que mais interessa à revisão de textos, dedica-se ao conhecimento e análise dos vocabulários especializados das artes e ofícios, ao objeto ou campo de conhecimento do texto em foco.

Terminologia e revisão de textos

Em sentido amplo, refere-se ao uso e estudo de termos, especificando as palavras que são geralmente usadas em contextos específicos.
O revisor de textos tem que ser profissional com formação acadêmica sólida e atenção ao mundo.
O revisor de textos é o leitor
 cuja preocupação principal
 é o leitor seguinte.
Terminologia também se refere a uma disciplina mais formal, ligada à formação de corpus, dedicada ao estudo sistematizado, rotulação e designação de conceitos específicos a um ou vários assuntos ou campos de atividade humana, por meio de pesquisa e análise dos termos em contexto, com a finalidade de documentar e promover seu uso correto. Este estudo pode ser limitado a uma língua, ou a uma região geográfica, ou a um período ou autor; todos os cortes podem ser feitos, ou pode cobrir mais de uma língua ao mesmo tempo (terminologia multilíngue, bilíngue, trilíngue etc), havendo ainda a possibilidade de estudos de terminologia comparada, entre autores, regiões, épocas.
Na revisão, a gestão da terminologia é elemento central de boa legibilidade e uniformidade dos textos revisados. Os revisores profissionais podem administrar a terminologia na forma de glossários, usando ferramentas de controle de qualidade que fazem com que o mesmo termo técnico seja aplicado uniformemente em todo o texto. Também pode ser útil fazer a verificação longitudinal específica da aplicação de determinados termos, por meio de ferramentas de localização.

Estilística e revisão de textos

Há dois enfoques de estilística cujos cruzamentos interessam à revisão; o primeiro refere-se às variações linguísticas, diferentes registros, aplicações e contextos, incluindo a apreciação estética sobre o produto; o segundo, mais gramatical, considera o emprego tropos no texto, figuras de sintaxe, palavras ou pensamento.
Caberá ao revisor, dentre outros procedimentos, conhecer os tropos, identificá-los e julgar sua pertinência quanto ao tipo do texto em pauta; é comum aos autores desvios de recursos linguísticos cabíveis em um tipo de texto para outro em que eles se tornam completamente inadequados. A questão de não haver exatamente certos e errados se torna mais restrita, por algo pode não ser exatamente errado ali, mas ser completamente errado lá. Muitas vezes os autores não têm exatamente a noção dessa propriedade, outras vezes fazem uso consciente do abuso cometido – e isso também deve ser identificado e, nesse caso, respeitado, mantida a violação desejada pelo autor. Todas essas variações e combinações de elementos externos e internos do texto, seu objeto e sua finalidade, é o que chamamos contexto – uma palavra perigosa, pois bastante desgastada e algo esvaziada.
A determinação do registro, necessária à contextualização, parte da variedade (espécie da variação) linguística e alcança a situação do texto, sua finalidade ou seu público. Geralmente, o registro é facilmente reconhecível, mas cabe ao revisor ter ampla consciência dele e fazer dessa consciência parâmetro das interferências que serão feitas. Caberão as adequações de “campo”, “conteúdo” e “modo” correspondentes à estrutura semiótica do texto, preservadas as idiossincrasias autorais.
Cabe ainda apontar, como parte da estilística, o conhecimento dos vícios de linguagem, os bordões e os modismos. Os gramáticos abordam invariavelmente essas questões, uns com maior rigor, outros mais permissivos; também os manuais de redação, tanto os jornalísticos quanto os governamentais e acadêmicos, trazem amplas lista de expressões a serem evitadas, nos respectivos contextos, mas observem que cada manual daqueles é específico àquele tipo de texto, caberá sempre um juízo subjetivo, principalmente quando se tratar de texto criativo ou de manifestação opinativa.
Sugiro a quem nunca contratou
um revisor de textos que
leia algumas postagens por aqui
para entender a complexidade
do processo.

Pragmática e revisão de textos

A pragmática é a parte prática da linguística, dizendo de uma forma simplificada, pois ela se remete aos aspectos comunicacionais do texto. Como o texto é produzido para ser veículo de informações, dados, reflexões ou entretenimento, a pragmática considera a qualidade com que o texto está se prestando a seu fim. Revisão de texto também tem tudo a ver com comunicação.
A pragmática está, portanto, ligada a atividade fim do texto. A revisão, sob esse ponto de vista, é um processo meio para se alcançar tal fim. A pragmática inclui o conhecimento da dimensão comunicacional mais filosófica, como prática social concreta, ela analisa a significação linguística de acordo com a interação existente entre autor e leitor, no contexto do texto, considerando os elementos socioculturais em questão e os objetivos, efeitos e consequências desse processo comunicacional.
Cabe ao revisor zelar, inclusive pela coerência pragmática, por exemplo, um personagem não pode ordenar e pedir, simultaneamente, em um romance, ou duas hipóteses não podem ser paradoxais em uma tese.

 Filologia e revisão de textos

A filologia é atualmente mais referida como linguística histórica; a rigor, há alguma distinção entre as duas coisas, mas não precisamos aqui estabelecer essa diferença, consideremos que ela é o estudo das linguagens na história e suas transformações. Também a filologia talvez seja a parte da linguística que menos afeta a revisão de textos, em sentido pontual, e a que mais afeta globalmente, pois quase todas as questões linguísticas têm raízes históricas são importantes para seu deslinde. Afinal, a filologia descreve o estudo de uma língua com a sua literatura e os contextos históricos e culturais que são indispensáveis para uma compreensão das obras literárias e de outros textos culturalmente significativos. Naturalmente, isso afeta o conhecimento linguístico que antecede a revisão e constitui o arcabouço, a bagagem de erudição imprescindível ao processo de revisão, mas não fornece diretamente instrumentos operacionais.
Revisar dissertação e tese não é para amadores.
Leira também:
Morfologia, sintaxe,
fonética, fonologia,
semântica, lexicologia.
A filologia trabalha com várias abordagens, a retórica, a poética, a gramática, a linguística em cada uma de suas vertentes, ainda a prosódia, a métrica, e mesmo a teoria e história e da literatura. A filologia continua sendo área do conhecimento fundamental para aquele que trabalha com a revisão: ela é sinônimo de rigor no trato com os textos e de pensamento pautado pela questão histórica.
De certo modo, após um longo domínio de abordagens sociolinguísticas e históricas nos estudos literários, a análise interpretativa fica agora mais a cargo das abordagens críticas da teoria literária. Hoje o filólogo é o responsável pela preparação de edições críticas de autores clássicos (antigos e modernos): um trabalho árduo e essencial para todas as ciências humanas, e que carece de importante contribuição de revisores altamente especializados.

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