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Revisão de texto, coautoria e cooperação pragmáticas

A revisão de texto é campo de pesquisa em plena revitalização, agora como atividade de volta ao texto, envolvida em todas as tarefas e em todas as fases, da produção à impressão.

Essa atividade envolve agora diferentes saberes, de acordo com a estratégia de avaliação e interferência utilizada, requer um investimento e custo variável mas sempre significativo, conforme o contexto da revisão, o destinatário e o tipo de texto. Mas a revisão sempre melhora a forma e o conteúdo semântico do texto como produto, inclusive para o mercado.
Os revisores recorrem a amplo material bibliográfico em seu ofício.
Os recursos e as ações do revisor de
textos requerem cada vez mais
investimento cognitivo.
A abordagem cognitiva e interdisciplinar para a revisão difere de outras abordagens exclusivamente linguísticas, de acordo com o conhecimento e os diferentes pontos de vista do revisor. A análise dessas diferentes perspectivas, tendo em conta os contextos da revisão, enriquece o quadro teóricos e o modelo de revisão se torna mais operacional, qualquer que sejam o contexto da tarefa, o escritor e o destinatário do texto.

Abordagem multidisciplinar da revisão de textos

A abordagem estritamente linguística da revisão consiste essencialmente em versões sucessivas de um texto, segundo as várias etapas de correções feitas para melhorá-lo. No entanto, o trabalho do revisor contemporâneo (e atualizado) enfatiza todos os processos cognitivos envolvidos nas atividades de composição, revisão, reprocessamento e reescrita. Para o escritor, basicamente, a revisão visa detectar alterações entre o texto produzido, padrões de linguagem e as próprias intenções comunicacionais, o primeiro campo é mais textual e o segundo amplamente contextual. Em termos da análise da atividade de controle e avaliação do texto como produto, as duas abordagens são complementares. A abordagem linguística propicia mudanças dos diferentes níveis do texto afetado pela revisão. A abordagem interdisciplinar tem como objetivo as diversas fases da textualização, as características dos fatores relacionados aos autores e revisores ou peritos em contexto e faz generalizações sobre os processos cognitivos envolvidos na revisão, o que é essencial para a concepção cognitiva de revisão e para o controle da produção literária ou científica.
Os diferentes níveis do texto a ser revisado, com base nas principais fases de tratamento, são: a) superfície textual (palavras, frases), b) microestrutura (semântica, coesão), macroestrutura (coerência interna e externa e demais constituintes do sentido geral do texto e medidas subjetivas referentes ao significado geral). Esses níveis se aplicam a textos narrativos para avaliar a legibilidade textual a partir da perspectiva do leitor; perspectiva adotada pelo perito quando ele está interessado em "compreensão" por parte do destinatário final. Segundo tal método, o sentimento mais forte de qualidade está relacionado à coerência pragmática do texto produzido. Revisores novatos (ou tradicionalistas) analisam os níveis de superfície, principalmente textuais ou locais (microestrutura), e devem aprender a intervir no texto no nível semântico (macroestrutura), que consiste em fazer revisão alcançar estrutura e substância de todo o texto compreensivamente, tendo em vista a inclusão de variáveis extratextuais.
É na interação destes níveis que se dá o processamento e reprocessamento dos campos cognitivos. O estudo linguístico dos índices de coesão textual (estrutura, conectores ...) permite ao revisor a fazer suposições sobre as atividades de construção da consistência da representação subjacente ao texto e, assim, melhor compreender a consistência na questão da representatividade textual. Intervenções pragmáticas levam em conta autor e texto em todas as suas dimensões, assim como o esperado do texto como efeito no destinatário. O texto terá sido, então, concebido e revisado como meio para produzir inferências. De fato, o leitor, tratando do significado do enunciado, também vai inferir o sentido pretendido e o conhecimento do escritor sobre o tópico. O código de linguagem, para realmente funcionar, requer um conhecimento mútuo, posta a ideia de que toda a informação é contextual e faz parte do conhecimento do escritor e experiência do leitor. Esta visão revela a necessidade de se ter em conta as características culturais e linguísticas do autor ao revisar e o revisor deve ser coerente com a posição construtivista que fornece a base para a produção textual cognitiva e revisão em contexto interdisciplinar e multicultural.
Segundo essa visão, o termo "revisão" se refere ao resultado do trabalho do autor, do revisor, do orientador, do editor e dos diferentes procedimentos que fazem do texto um produto, seja um livro ou uma tese. Nesse modelo, os processos de escrita e controle, consistem em dois subprocessos, correção (leitura) da primeira versão e edição (revisão, reescrita, autorrevisão...) e pode ser definido em termos de estratégias elegíveis. A revisão, assim posta, consiste em três tarefas: detecção, identificação e modificação da parte do texto considerado pelo escritor como passível de aperfeiçoamento. Essa revisão de texto exige do escritor a capacidade de recuar de seu primeiro escrito. Esta capacidade está ligada à descentralização do controle do escritor para a revisão.
Assim, aos escritores novatos, a edição de texto aparece, na maioria das vezes, como uma série de correções formais resultantes processos de superfície e de baixo custo cognitivo. A revisão semântica mais complexa e opaca, devido à conveniência de ter em conta a necessidade de esclarecimento do leitor, acomoda menos facilmente a atividade mental reflexiva e solitária. Portanto, trocas ocorrem durante a atividade de revisão colaborativa que ajuda a desenvolver no escritor a capacidade de descentralizar e melhorar a qualidade do texto.

Colaboração e controle na revisão

Em situações em que o processo de controle da escrita pela revisão não está completamente assimilado, desde nas editoras às universidades, a coedição, ou seja, a revisão por dois ou mais revisores no mesmo texto, cria uma situação de comunicação em que surgem pedidos de esclarecimento entre a revisão e os autores, muito em função dos questionamentos entrepostos entre os próprios revisores, que recorrem ao autor reinserindo-o na etapa produtiva. Esses pedidos recorrentes alcançam tratamentos de superfície e variáveis de processamento semântico cognitivo, dependendo do nível de competência dos escritores. A coedição de texto que permite a comparação dos pontos de vista diferentes daquelas do escritor, e entre revisores, encoraja o distanciamento necessário aos leitores para qualquer atividade de avaliação racional. Ele permite a implementação de atividades de leitura profunda, compreensão crítica e mais eficazes estratégias no reprocessamento do escrito em toda sua complexidade sintática e semântica. Todavia, o destinatário real, o leitor final – ou o mercado – é que será capaz de julgar a qualidade do texto.
A melhor revisão de textos não pode ser barata.
Leia também:
Processos de controle
e revisão da escrita
A revisão exige não apenas conhecimento do campo evocado pelo texto e os conhecimentos linguísticos e textuais, mas também o conhecimento metalinguístico. Ora, estes conhecimentos metalinguísticos envolvem a capacidade de exercer controle consciente sobre a própria escrita e tendo em conta o contexto de produção: o destinatário, o tipo de texto e a questão da produção. Na situação de coautoria, é necessário haver afinidade pelo trabalho colaborativo. Na coautoria se presta assistência mútua na implementação das três operações principais propostas: a identificação do problema, a decisão de fazer uma mudança e implementação dessa mudança. Ela estabelece uma partilha de tarefas e torna mais fácil a análise e consideração da diferença entre o texto desejado e do texto escrito pelo autor.
A retroalimentação do revisor permite o controle de qualidade por estar mais distanciada do produto que o autor. Ela permite a detecção de zonas de inferências implícitas do texto, ditas "lacunas semânticas", que impedem a compreensão, para torná-las mais claras, explícitas. O editor e revisor atuam como especialistas em colaboração com o autor, como parte de uma cooperação essencialmente pragmática que visa melhorar o texto para facilitar a leitura, o entendimento explícito.
Adaptado de Marin & Legros.

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