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Composição e redação de textos

Texto tem que ser bem redigido, bem composto.

A composição e a redação são objetos de toda boa revisão de textos. O revisor está atento a questões ortográficas e questões estéticas, dentre outras!

Compor é a atividade central da criação estética, trata-se do processo de produção de um texto, uma página, uma tela, ou uma melodia. A essência da composição de um texto não é escrever palavras, ideias, fatos, mas desenhar o texto.
Os termos composição e redação de textos são usados um pelo outro frequentemente. Inicialmente ligado à arte expressiva, por exemplo, pintura, música ou composição erudita, o termo composição transmite a ideia de criatividade ou inovação, apesar de que, atualmente, ele esteja sendo usado para a criação de qualquer tipo de conteúdo composto, de um lembrete a um romance ganhador de prêmio, de uma vitrine ao vestuário pessoal.
Composição e redação de texto não são exatamente a mesma coisa.
A língua escrita tanto reflete a identidade do escritor quanto cria essa identidade.
Usando o termo composição em sentido mais próprio, no campo das literaturas, ele sugere mais que a redação simplesmente, ele propõe uma montagem inovadora de palavras e se refere a bem mais que a alguma transcrição, relato ou justaposição de ideias. A noção de composição ultrapassa a de redação, mas nela está contida. Eu diria que composição é a redação em que há preocupação estética ou formal (mas não formalista) com o texto. Até mesmo pode ser dito que, na composição, o conteúdo serve à mídia, mais que o contrário disso.
Normalmente, nós revisamos teses e dissertações: textos em que o conteúdo prevalece sobre a forma, quanto à relevância, mas que se subordina ao formalismo, em perfeita subsunção à forma canônica. Aqui se fala de “redigir uma tese”, nunca “compor uma dissertação”. Mas quando tratamos de um soneto, em que a poesia também se dobra à forma canônica, podemos claramente referir a compor os quatorze versos, assim como se podem compor versos livres e brancos, sem qualquer forma preestabelecida, pois o caráter estético da criação se impõe sobre qualquer outra consideração.
Paradoxos da composição
A escrita é, ao mesmo tempo, procedimento individual, processo cognitivo e criativo, por um lado, e produto social, processo convencional, de outro ponto de vista.
Cada estilo é função da identidade idiossincrática do escritor e, ao mesmo tempo, função da matriz social em que a escrita e o escritor são incorporados.

Composição de estilos

Há três estilos de composição, pelo menos:

  • O estilo “ruminante” – o autor (compositor, poeta, ensaísta…) é inteligente, contempla decisões linguísticas, escolhas ideais, é dado a construções “cerebrais”, é efetivamente dominado por um pensamento (eventualmente focal) ou pelo jogo de palavras.
  • O estilo investigativo – o autor (romancista, doutorando, articulista…) é cauteloso, exato, concentrado de detalhes formais da composição, do processo criativo, restringe o trabalho (cortes temporais ou léxicos, por exemplo) em vez de usar livremente todos os recursos.
  • O estilo pragmático – o autor (jornalista, publicitário, mestrando…) tem tendência a se estabelecer em construções pouco interpretativas e composição focadas no público-alvo, tendo em conta a motivação por trás da redação.
Um estilo específico pode conter segmentos de outro estilo para disfarçar motivações, por deslize consciente ou mesmo lapso. Por exemplo, o autor “ruminativo” pode ter tendência a dar sequência cronológica ao texto e o autor investigativo pode ter tendência a desenvolver tópicos de nível de parágrafo em construção analítica do argumento.

Modelo ideal de composição

O modelo ideal tende a ver a composição como arranjo direto dos estágios cognitivos, com ênfase em estilo e dialeto, como se o conteúdo fosse essencialmente esforço na articulação precisa do conjunto em torno da realidade visível; a metodologia padrão de compor tem tendência para ressaltar a concordância de diferentes modos de fazer, com base na singularidade do entendimento de cada autor da realidade e do cânone imposto, e baseada também na exigência de ele utilizar o dialeto como método e mídia comunicativa, antes e em meio à metainterpretação. O modelo ideal de composição tem se centrado no arranjo preconizado para distribuição do conteúdo (alteração da ordem natural das sentenças, congruência de uso e organização parassintática, coerência e coesão hiper e transtextuais), com a metodologia focada centralmente e a tendência a estender centrifugamente o argumento, acentuando exercícios de rascunhar (criação, estruturação de dados, aposição de argumentos e referências). O modelo está focalizado principalmente no lançamento da criação (alocar o trabalho escrito – publicitar, ressignificar), configurando o conteúdo final (alterando, reescrevendo, revisando), preocupando-se principalmente (porém não exclusivamente) com o que acontece na mídia e por último na criação de conteúdo – configurando os métodos que compõem a realização real ou como o autor individual vai encontrá-los.

Além de modelos de composição

Não temos visto grande quantidade de pesquisa sobre os processos de composição textual, razão pela qual não sei aonde ir a partir daqui. Como adendo, vejam que é recorrente uma construção alegando determinado texto ter composição modernista ou neoconcreta, mas abstrair o que há de composicional ali já não é tão frequente. O referencial está sediado no produto, mais que no processo de produção. Compreende-se a composição como perfectum, mas nem tanto como infectum, em referência quase metafórica aos modos latinos, mas guardando a alguma propriedade material.
Os modelos de criação parecem afirmar que a composição seja tão imprevisível, diferente e dependente da conexão que se deve descobrir como destruir a rota excepcional e especialmente designada por causa de circunstâncias completamente díspares. Da mesma forma, os indivíduos parecem percorrer rotas alteradas, subordinado suas identidades e as circunstâncias adjacentes. Isto aparece no questionamento quanto ao grau em que se deve exigir determinado padrão de fazer rígido e sem alternâncias. Até parece que a chamada ao questionamento quanto à necessidade de ajudar o compositor (autor) novato consiste em propor a metodologia ou qualquer conjunto de normas gerais para compor. Propõe-se que apresentar as generalizações e as normas e métodos de compor em teoria, questões aleatórias para tarefas específicas, não seja discricionário, e a realização de tais empreendimentos andragógicos dependerá completamente de se tais generalizações, padrões e metodologias são o que qualquer ensaísta (autor) iniciante precisa especificamente naquele minuto. Restará equacionar a pertinência e a eficiência de tais procedimentos, os resultados deles.
Um artista conjuga elementos que podem parecer contraditórios e os organizas em um todo que seja praticável, bem como satisfatório e genuíno, ou mesmo maravilhoso. Quem se levantar de manhã, vai decidir como empregar seu tempo e dinheiro, assumir compromissos, responsabilidades, estará fazendo um pouco de simbolização da vida, estará compondo sentidos e textos, mas não estará redigindo – e eis mais um paradoxo: tais textos e sentidos podem ser compostos numa redação ou em muitas.

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