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Como terminar o capítulo da tese ou dissertação

O final de cada capítulo "amarra" a tese toda.

Estamos falando de coesão, sequência de ideias, relação lógica das partes com o todo, são aspectos imprescindíveis no texto científico.

Existem problemas específicos das introduções e conclusões de capítulos e do conjunto de textos acadêmicos longos. Saiba como redigir esses tópicos.

Quantas vezes, como leitor de textos acadêmico, você passa os olhos nos princípios e fins de capítulos para identificar rapidamente as mensagens-chave? É completamente normal fazer isso. Na verdade, é uma habilidade essencial para qualquer acadêmico (ou qualquer profissional), essa capacidade está ligada à filtragem mais ampla, à separação e classificação dos textos, para identificar a qualidade ou pertinência da abordagem ao interesse específico do leitor (ao invés de ler o texto todo e todos os textos com atenção – o que demandaria tempo incomensurável). Sem tal habilidade, acho que a maioria de nós seria massacrada pelo volume de coisas para ler.
Os fins dos capítulos são conclusões parciais e devem amarrar o texto e captar os leitores para o conjunto da obra.

As impressões finais são duradouras — que sejam boas!

Então, como autor, comece e termine cada tópico (capítulo, segmento...) com a técnica adequada para deixar boa impressão do trabalho e para fazer o leitor voltar e ler tudo com atenção em seguida. Se os inícios e fins dos textos são mal feitos, obscuros ou vagos, é muito fácil para o leitor decidir que você não sabe do que está falando; ou que não tem resultados substantivos (ou argumento de valor agregado ou novo) no texto. Os finais são ainda mais importantes que os começos a esse respeito, porque é onde leitores cuidadosos e dedicados procuram o foco do argumento ou dos dados – são os pontos sobre seu trabalho que ficarão na memória dele.
Os revisores de textos acadêmicos encontram, muito frequentemente, princípios de teses e dissertações muito mal redigidos, isso se deve a dois motivos: primeiramente, ocorre a sistemática teimosia dos autores de escreverem a introdução ao iniciar a redação, não ao fim – como se recomenda exaustivamente; depois, existem características normais de dificuldade inicial de um texto, ligadas à ruptura do bloqueio inicial, tentativa de fugir a lugares-comuns (o que é bom!), e dificuldade de ordenar, hierarquizar e concatenar o turbilhão de ideias e conceitos que estarão alinhados nas passagens subsequentes. E essa parte é relativamente fácil para os revisores melhorarem.
Muitas vezes, também os finais dos capítulos são muito mal escritos. Muitas teses e dissertações apresentam ruptura abrupta ao fim dos capítulos, saltos, e deixam lacunas, atribuindo pouco espaço ou foco a tal segmento do texto que, afinal de contas, não será lido (espera-se) apenas pelo orientador e a banca. O pensamento implícito parece ser que os examinadores são pagos para ler cada palavra, então, que eles leiam – só que esta presunção também não se realiza sempre, infelizmente. Alguns autores simplesmente escolhem um pensamento particular ao fim, muitas vezes do último tópico do capítulo. Outras vezes, os acabamentos são excessivamente breves, uma versão ligeiramente disfarçada de: “Assim você pode ver que, o que eu disse que ia fazer no início do capítulo, agora fiz tudo”.
Autores acadêmicos são muitas vezes tímidos, relutantes em se repetir, talvez pensando: “Se eu já disse isso, deve ter sido assimilado e ser suficiente para qualquer um. Se você já leu com atenção o texto do capítulo tal, já deve ser claro como cristal, e não vou insultar sua inteligência reiterando pontos.” Há vários problemas aqui. Primeiro, qualquer autor acadêmico é um especialista, alguém que viveu com determinado problema por anos. O que parece óbvio para esses autores, e talvez até mesmo para colegas de equipe ou o orientador, que também viveu com o problema, pode muito bem não ser claro para os outros. Em segundo lugar, você não pode presumir que os leitores tenham lido os capítulos anteriores! Muitos leitores se dirigem apenas ao tópico em que supõem esteja seu interesse imediato. Você mesmo há de ter feito isso centenas ou milhares de vezes. Os leitores têm muitos estilos diferentes de absorver informações e podem optar por percorrer os detalhes de seu argumento somente depois que eles leram as conclusões. Neste caso, sua conclusão auto-evidente pode parecer vaga, difícil de seguir ou descontextualizada.
Então, assim como o capítulo começa apresentando o conteúdo que será tratado, as finalizações precisam ser projetadas e escritas para deixar boa impressão. O fechamento do capítulo deve estar claramente conclusivo, intencionalmente retomar e amarrar as informações, os argumentos, os dados; isso é feito de forma não repetitiva, mas remissiva, dosada e bem compassada.

Aqui está uma lista de sete perguntas para ajudá-lo a avaliar como você arrematou cada capítulo.

  1. Existe um segmento substancial e bem sinalizado, de menos uma página e não mais que três, que possa ser identificado com conclusão do capítulo? Este segmento deve ser identificado com um título muito curto, até mesmo de uma palavra: «Conclusões» — e isso pode não se tornar parte da numeração de seção (alguns preferem assim – o importante é dar um destaque ao fragmento do texto). Ou há somente uma conclusão desnutrida, de um ou dois parágrafos, ou: uma conclusão muito longa (seis ou mais páginas), talvez com subseções (como rediscussão) ou introduzindo novos dados empíricos, argumentos, mais exegese?
  2. As conclusões começam retomando pontos chave do argumento das seções componente do capítulo? Elas relembram os argumentos tópicos, mostrando como eles se relacionam? Ou as conclusões referem-se apenas brevemente ou aleatoriamente para as principais questões do capítulo – sem indicar as conclusões centrais, inferências ou argumentos?
  3. O final do capítulo instiga os leitores a olhar os detalhes apresentados anteriormente no corpo principal do texto, procurando aprofundar na leitura?
  4. O último parágrafo das conclusões do capítulo estabelece conexão para o próximo capítulo? Ou ele termina sem qualquer vínculo da progressão textual?
  5. A seção de conclusão como todo dá a impressão de que o capítulo, decisivamente, termina de forma que amarra o tema tratado ali? O acabamento parece organizado e intencional? O fim do capítulo parece uma ruptura, ou parece acabar superficialmente ou prematuramente?
  6. As conclusões reforçam a sensação de acumulação e progressão no argumento da tese ou livro, deixando claro que mais outro componente de uma estrutura geral foi colocado no lugar devido?
  7. Os leitores são deixados à deriva, para se defenderem sozinhos na busca e interpretação das conclusões, ficando na incerteza de onde eles estão aquelas referências no argumento geral do capítulo? Ou existem metarreferências que permitam ao leitor alcançar com facilidade a origem da informação?
Acrescentamos que as questões acima são aplicáveis, da mesma forma, às conclusões gerais do texto, não só do capítulo, mas da tese toda. Há conclusões que quase não passam de: “A hipótese foi verificada e comprovada.” Quando o que que se espera é bem mais que isso, quer seja a cada capítulo, quer no texto global.
Por fim, salientemos que as imperfeições e lacunas nas conclusões não poderão ser supridas pelo revisor do texto com a mesma facilidade que ele o faz nas introduções, pois são problemas de outra natureza, ligados à origem autoral da construção e que ultrapassam a competência e atribuição do revisor. Basicamente, aquilo que for posto, poderá ser melhorado pelo revisor; aquilo que faltar, quase sempre, só poderá ser indicado pelo revisor do texto – se tanto. Indicar e questionar as construções conclusivas pode ser atribuição do orientador. Mas cabe ao autor estar atento a tais questões, em primeira e última instâncias.

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