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Teses e dissertações: revisão e estilo

Revisão é adequar o texto a sua finalidade.

O processo de revisão de texto no trabalho científico e o trabalho do revisor de texto - que nem sempre é visto como um trabalho que pode melhorar a qualidade de diversos textos e que vai além da correção gramatical - são fundamentais para melhorar a qualidade dos trabalhos acadêmicos, facilitando a leitura e melhorando sua compreensão.
A revisão para a tese é a última oportunidade de aperfeiçoamento antes da defesa.
Formatação de tese é bem mais complexo que parece. Contrate um profissional e cuide só do conteúdo.
Uma das coisas mais importantes na revisão do texto científico é a apuração do estilo. O revisor de textos vai usar todo seu arsenal de recursos técnicos para garantir, tanto quanto possível, a adequação da linguagem à norma culta e o estilo segundo os parâmetros acadêmicos de cada área de conhecimento.
O estilo na redação de trabalhos científicos deve ter por referência princípios básicos que devem ser observados de modo a garantir o máximo de isenção e clareza na descrição da atividade de investigação desenvolvida.
Os princípios indispensáveis à redação acadêmica, comuns a outras formas de escrita, podem ser resumidos nas seguintes características: clareza; precisão; comunicabilidade e consistência.
A redação é clara quando não deixa margem a interpretações diferentes da que o autor deseja comunicar. A linguagem rebuscada, cheia de termos desnecessários, desvia a atenção do leitor, servindo apenas para o confundir.
A falta de clareza do texto aparece muitas vezes acompanhada de ambiguidade, falta de ordem na apresentação de idéias, utilização excessiva de termos com pouco uso na língua. O texto correto expõe os conceitos e a lógica pretendida em seqüência que estimule o prosseguimento da leitura.
O autor é claro quando usa linguagem precisa, quando atribui a cada palavra empregada o sentido exato do pensamento que deseja transmitir. É mais fácil ser preciso na linguagem científica do que na literária, uma vez que nesta última a escolha de termos é bem mais ampla. De qualquer forma, a seleção de termos inequívocos e a cautela no uso de expressões coloquiais (de uso comum: por exemplo, quer chova ou faça sol; ou das duas, uma) devem constituir preocupação sempre presentes na redação acadêmica.
A comunicabilidade é característica essencial na linguagem científica, os assuntos devem ser tratados de maneira direta e simples, expondo a lógica e a continuidade que sustentem as idéias defendidas.
A pontuação também deve ser usada criteriosamente, proporcionando pausas adequadas à compreensão do texto. Pontuação em excesso cansa o leitor e, quando deficiente, não oferece clareza.
Por último, o princípio da consistência é elemento importante no estilo e pode ser analisado de três formas complementares: consistência da expressão gramatical; consistência de categoria; consistência de sequência.
  • A consistência de expressão gramatical.
  • A consistência de categoria.
  • A consistência de sequência.
A produção do texto acadêmico requer escrita sobre temas que podem ser tratados cientificamente, à luz da experimentação, do raciocínio lógico, da análise, da aplicação de um método/técnica. Esse tipo de produção objetiva expor informações comprovadas ou passíveis de comprovação, divulgar ideias próprias ou de outrem, partilhar um saber, informar.
Tem estilo marcado pela objetividade, precisão, clareza, concisão, simplicidade, formalidade e utiliza linguagem respeitando o padrão culto da escrita, usando terminologia específica da área do saber, recorrência ao sentido denotativo da palavra. Podemos compreender qual é a proposta do conhecimento científico: construir conhecimento por meio de procedimentos que denotem atitude científica e que proporcionem condições de experimentação de suas hipóteses de forma sistemática, controlada e objetiva para ser exposto à crítica intersubjetiva, oferecendo maior segurança e confiabilidade nos seus resultados e maior consciência dos limites de validade de suas teorias.
Para a construção do texto acadêmico, é necessário ter claros os limites e limitações das teorias com as quais se trabalha. A teoria não serve apenas para explicar o quanto as hipóteses são plausíveis, mas para elaborar os instrumentos e as técnicas de pesquisa. O que não se pode esquecer é que o especialista em texto é o revisor.
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Estratégias para promover a revisão da tese

Um levantamento dos estudos realizados mostra que existem várias propostas para ajudar o autor durante a revisão de sua tese. Entre essas propostas, destacam-se o uso de instrumentos adequados e os projetos colaborativos.
O feedback do revisor é, de todos os instrumentos, o que causa menor impacto na produção textual do autor. Estudos realizados têm demonstrado que as correções e comentários do na tese apenas surtem efeito quando há um retorno do texto do autor para o revisor após o feedback. Não havendo esse retorno, as correções são geralmente ignoradas e os autores, via de regra, vão repetir os mesmos erros nos textos seguintes. A produção textual neste caso parece que é vista pelo autor como um processo em que ele escreve, o revisor “corrige” o texto, devolve para o autor ou editor e isso encerra o ciclo.
O uso de instrumentos adequados, inclusive os recursos eletrônicos de editoração e correção, bem com listas de verificação de erros comuns (checklist) são recursos eficazes do processo de revisão. Os exemplos abaixo, extraídos de instruções do On-Line Writing Lab (1995), dão uma ideia do que pode ser incluído num roteiro de revisão:
  • Sou gentil com meu leitor incluindo no meu texto o que ele precisa saber e só o que ele precisa saber?
  • Meu texto tem uma tese ou propósito?
  • Os parágrafos se relacionam com a tese ou propósito?
  • Cada parágrafo tem um tópico frasal com a ideia central?
  • Os detalhes de cada parágrafo se relacionam com a ideia central?
  • Alguns detalhes devem ser movidos para outro parágrafo?
  • Há uma frase de conclusão para o parágrafo?
  • Há transição entre os parágrafos?
  • O verbo concorda com o sujeito?
  • A relação pronome/antecedente está correta?
  • Cada frase contém uma oração independente e apenas uma?
  • Há frases muito longas que devem ser separadas?
  • Há sequências de frases muito curtas?
  • Há palavras faltando?
  • Há palavras repetidas?
No momento em que o texto é escrito, lido e revisado, ele passa a atender também as exigências do leitor, incorporando suas características. No processo de negociação que se estabelece entre escritor e leitor, o escritor não escreve mais só para si, mas também para o outro, iniciando a longa aprendizagem que o pode levar à consciência da necessidade de cativar o leitor, aperfeiçoando o senso de público. Nesse processo é que intervém o revisor como mediador, como crítico externo. Quando o autor perceber que o leitor não é cativado apenas pelo conteúdo do texto, mas principalmente também correção gramatical e estilo, ele poderá sentir a necessidade de considerar as questões globais, com ênfase na produção de sentido comunicativo, segundo as propostas do revisor.

A necessidade da revisão de textos profissional

Revisores profissionais, geralmente, têm o propósito de reescrever para tornar um texto mais legível (melhorando o livro que um dia esse texto será), com o cuidado de “manter o respeito ao original”.
A revisão de textos, nesse âmbito, não é uma “ação pedagógica”, não se trata de “ensinar” um autor a escrever, mas de colaborar com ele para que seu texto possa ser apresentado ao público. A reescrita em âmbitos escolares, por alunos ou por professores (a famigerada “correção de redação”), tem propósitos muito diversos que definem as ações de todos, autores-alunos e professores-leitores. A intervenção de professores em produções textuais de alunos é revestida de propósitos bastante diversos da intervenção que o revisor de editora faz em textos para publicação. Embora em qualquer dessas circunstâncias estejam todos aprendendo a lidar com textos, repensando estruturas e modos de escrever, os contratos comunicativos entre todos são diversos. Ao fim e ao cabo, no entanto, estão todos reescrevendo.
Há uma espécie de tipologia para a revisão textual. A correção resolutiva seria aquela em que o revisor resolve os problemas encontrados no texto. Além dessa, bem próxima de certas etapas do tratamento de texto na editoração, haveria a correção indicativa (quando o revisor apenas marca os problemas), a classificatória (quando ele utiliza metalinguagem para indicar os problemas) e a interativa (quando dialoga com o autor, dando sugestões e discutindo aspectos do texto). Como é de se esperar, o último tipo de correção subsidia muito mais a construção da autoria e a aprendizagem da escrita do que os outros tipos de correção, sendo mais pertinentes à revisão/edição profissional os tipos interativo e resolutivo, especialmente quando se trata, respectivamente, do copidesque (edição do texto) e da revisão final (e de provas).
Em geral, a produção editorial opera em prazos curtos, com riscos financeiros, confiança na qualidade do trabalho e é comum que os editores e gerentes desejem que o revisor apresente soluções, sem se preocupar com muitas explicações.
O mesmo ocorre na revisão acadêmica, já que as teses são finalizadas e liberadas para revisão no último instante, ficando revisor premido por prazos sempre insuficientes.
Há outra vertente de estudos de texto que procura associar a revisão à correção formal da linguagem, estando a atividade, portanto, restrita à alteração de questões como ortografia, estrutura da língua, concordância verbal e nominal, regência, colocação pronominal, pontuação. Essa percepção da tarefa do revisor restringe a atividade à intervenção pontual e um tanto técnica sobre o texto.
Sempre se inventam desculpas para tudo. Para não revisar um texto com um profissional pode-se pensar que se escreve bem, que o colega já revisou, que custa caro e assim por diante. Mas, cuidado: todo trabalho escrito, uma vez concluído, deve ser submetido a um revisor que não tenha interferido em nenhuma etapa de sua produção.
O autor, devido a sua familiaridade com o assunto e proximidade ao texto, quase sempre comete lapsos e equívocos que ele próprio não identifica em sucessivas leituras de seu trabalho.
Mesmo os orientadores acadêmicos formalmente responsáveis pelo acompanhamento da produção, pelos mesmos motivos anteriores, estão sujeitos a tais enganos e lapsos. É necessário que as revisões sejam feitas por profissionais experientes, compromissados com prazos e munidos dos recursos mais modernos da informática no apoio à revisão.

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