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Revisor de textos - o profissional e a profissão

Revisor de textos é o profissional encarregado de revisar material escrito com o intuito de conferir-lhe correção, clareza, concisão e harmonia, agregando valor ao texto, bem como o tornando inteligível ao destinatário – o leitor.

Conforme o tipo de revisão em causa, que poderá não ser apenas uma revisão do original (gramática, ortografia e composição), muito conhecida como correção e conhecida na literatura especializada como parte mecânica da revisão, mas também uma revisão propriamente dita (com alterações textuais e contextuais suficientemente profundas para ampliar substancialmente a legibilidade do texto), sendo essa a atividade correspondente ao revisor profissional. Em determinados contextos, o revisor pode tornar-se o profissional encarregado de analisar criticamente um texto escrito com o objetivo de apontar sugestões para aprimorar a estrutura textual e do ponto de vista material. Uma boa revisão de texto leva em consideração a possibilidade de realização de uma leitura mais clara, concisa e harmônica, agregando valor ao texto.
O revisor de textos tem que ser profissional com formação acadêmica sólida e atenção ao mundo.
Há muitos revisores de textos, cabe
a cada autor encontrar aquele que
lhe convém e tentar formar com ele
uma parceria duradoura.
Em muitos casos, o revisor pode mesmo tornar-se coautor do texto, resguardados os limites pactuados com o autor ou autores principais do texto, a partir da proposta de melhorar a argumentação quando for necessário. Isto é frequente, por exemplo, no âmbito jornalístico e, em alguns países (não em Portugal ou no Brasil – que se saiba), no contexto literário, podendo este revisor, por exemplo, chegar ao ponto de alterar o final de um romance ou seu título. Nestes casos, deixa de se falar em revisão para se falar em editoração, preparação de texto ou copidesque.
Para realizar uma revisão de qualidade, além de consultar ferramentas (dicionários, gramáticas) que sustentem as correções realizadas, o revisor precisa conhecer a diversidade dos gêneros textuais, bem como saber respeitar as características estilísticas inerentes a cada autor.
Portanto, pode-se afirmar que o revisor de textos deve dominar as regras gramaticais da língua padrão do texto, bem como atentar para a redação, revisão de provas, revisão de padrão (ou padronização textual) e revisão gramatical. O revisor trabalhará com uma enorme variedade de gêneros: textos técnicos, científicos, acadêmicos, jornalísticos e comerciais (revistas, jornais, livros, manuais, cartas, relatórios, apostilas, teses, monografias, tabelas, gráficos, transparências, folders, entre outros), que muitas das vezes serão publicados.
Este profissional, frequentemente, possui formação superior em Letras ou Jornalismo. No entanto, há profissionais de revisão formados em áreas diversas, uma vez que atualmente é possível encontrar ofertas de cursos de especialização latu sensu em Revisão de Textos. Na cultura anglófona, algumas das competências desta atividade são chamadas de copydesk, termo que foi usado por muitos jornais lusófonos nos anos 90 (e que, por vezes, ainda é usado). Independentemente da origem acadêmica do profissional, hoje é imprescindível sólidos conhecimentos de linguística para a atuação como revisor, notadamente de linguística aplicada, mas também de linguística histórica até análise do discurso.
O revisor de textos se tornou figura rara nas empresas de comunicação, entre os anos 1990 e 2010, pois incorreu-se no equívoco de fiar nas ferramentas virtuais conhecidas como corretores de texto ou corretores ortográficos, mas estas estão muito longe de preencher a lacuna deixada pela ausência do revisor profissional. Na verdade, os programas corretores não fazem mais que a parte mecânica da revisão, com serias limitações e alguns equívocos, mesmo sendo forçoso reconhecer sua enorme utilidade.
O praticante do ofício da revisão não realiza apenas a correção gramatical mecânica, mas uma completa intervenção no texto a ser aperfeiçoado. O revisor pode transformar desde palavras aqui e ali, até parágrafos inteiros, editando-os ou enriquecendo-os com a inserção de novos vocábulos, suprimindo excessos e eliminando repetições – para exemplificas coisas que nenhum programa de computador faz, e ainda estando no nível mais baixo do processo de revisão.
Nas redações, nas editoras, ou em seu escritório próprio, o revisor trabalha com os autores e profissionais responsáveis pela publicação dos textos revisados. É importante para o bom revisor e seus coordenadores verificar também a coerência e clareza discursiva, para que os escritos não se tornem confusos para o leitor.
O profissional competente está sempre ciente do que lhe resta conhecer, das técnicas que ele necessita conquistar para se tornar ainda mais proficiente em seu campo de trabalho. Portanto, está sempre alerta para possíveis erros e falhas, constantemente em estado de aprendizado. Ele não empreende uma leitura como qualquer outra pessoa; o revisor praticamente radiografa as palavras, as frases, os parágrafos, os capítulos, buscando seus meandros mais íntimos e novas possibilidades e articulações que elas lhe ofereçam. Mas o revisor tem os olhos voltados também para além das palavras, relacionando-as às imagens que constituem o supertexto e ao contexto: o que é exterior à redação, mais a que ela é inerente.
O revisor atua preparando o texto até que ele se transforme em sua versão final, pronta para ser publicitada, vir à luz. Ele realizar a revisão de textos acadêmicas, complementando as reescrituras do próprio autor do trabalho. Na etapa final, porém, o autor fará uma última análise das intervenções do revisor, para captar se o objetivo de seu trabalho foi alcançado.
A revisão se processa em várias fases. A primeira delas é conhecida como revisão primária, que às vezes é difícil de distinguir da etapa do copidesque – burilamento textual que pode ser elaborado igualmente por um redator – ou da preparação de texto – sua ordenação em parágrafos, capítulos, de forma a ganhar o formato final que será consumido pelo leitor. Este trabalho de revisão se atém mais aos aspectos ortográficos e sintáticos. Nas pesquisas oriundas de instituições de ensino ou a elas destinadas é também realizada, neste momento, a adequação aos parâmetros normativos pertinentes.
Na revisão secundária são enfocadas as expressões verbais, os exageros no uso da eufonia – busca de sons harmoniosos na combinação das palavras, a linguagem coloquial, a inteligibilidade textual, a sintaxe e a explanação das ideias. Todos os aspectos do idioma são profundamente observados. A revisão de provas é elaborada quando o livro já está disposto visualmente no formato da página; portanto todos os detalhes relacionados a esta diagramação devem ser verificados.
Finalmente, na revisão final, é empreendida uma leitura derradeira do escrito, quando então se observam as mínimas miudezas que podem ter restado. Lapidam-se as últimas arestas, antes que soe o momento da entrega do texto para publicação. E, claro, sempre restarão detalhes a serem conferidos enquanto forem realizadas novas buscas. Daí o leitor normalmente ainda encontrar pequenos lapsos no momento do consumo do texto.

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