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Revisores de textos são necessários para as teses?

Uma dúvida recorrente entre estudantes de pós-graduação é se devem mandar seu texto para revisão por um profissional. Quando concluem que sim, que tipo de revisão, qual profissional, como avaliar esse trabalho?

Como em tudo referente à escrita, não há resposta pronta que sirva para todo mundo e há muitas respostas prontas que podem servir a cada um. No entanto, sempre recomendamos enviar um texto acadêmico importante, como a tese ou dissertação, para um revisor que tenha prática com o tipo de texto que você produziu. O revisor será um leitor independente e qualificado, sem relação com você ou seus anseios, a ler o que você fez e a melhorar seu texto tanto quanto for possível.
Recomendamos alguns cuidados:
Revisão uma tese não é opção, é necessidade absoluta.
Em termos bem diretos: cuidado para
não contratar alguém que se diga
revisor e te enrole.

Entenda o que está sendo chamado de revisão

Há vários níveis de intervenção de texto que, tradicionalmente, recebem nomes diferentes – nem sempre com muita uniformidade na nomenclatura. Vou relacionar aqui em ordem crescente da quantidade de interferências efetuadas, começando da mais leve, com menos interferência, à mais drástica.
  1. A revisão mais simples de todas se resume a suprimir erros ortográficos, erros de digitação, concordância simples e alguns casos de maiúsculas, pontuação. Basicamente, é o tipo de revisão que os corretores ortográficos eletrônicos (do Word, por exemplo) fazem. A literatura especializada americana chama esse tipo de revisão mecânica – e estamos gostando dessa designação. Esse tipo de revisão alcança as palavras e as estruturas frasais, nem mesmo as relações entre as frases, no parágrafo, costumam ser observadas.
  2. Uma intervenção leve, mas ainda assim mais significativa, que abarque lógica, gramática, ortografia, estilo costuma ser chamada de preparação de texto. Muitas vezes, a preparação do texto implica também a verificação de questões contextuais e a homogeneização de uma série de critérios adotados ao longo do trabalho. Esse tipo de intervenção atua considerando informações e coerência entre os parágrafos, garantindo a coesão entre eles e a solidez da argumentação.
  3. Quem trabalha para editoras costuma chamar o trabalho de intervenção mais profundo, com alteração de organização, sentido, lógica, trechos inteiros suprimidos ou acrescentados, de edição ou editoração de texto ou mesmo copidesque. Logicamente, esse tipo custa mais caro do que a simples revisão mecânica. Essa intervenção é adequada a processos editoriais, pois visa adequar o produto, o texto, ao público alvo, segundo critérios mercantis.
Quando se busca um profissional, é bom ter em mente o que se deseja que seja feito em seu texto, o quanto quer que ele seja mexido.
Nós chamamos de revisão acadêmica aquela de que o autor precisa no contexto de sua produção na universidade, para ela ou no contexto das publicações científicas. É a revisão que considera, naturalmente, todos os aspectos mecânicos de intervenção, considerando também as questões de sentido, lógica, estilo e adequação gênero acadêmico pertinente (tese, artigo relatório...), observando a coerência microtextual (entre os parágrafos) e macrotextual (entre os capítulos) mas sem efetuar cortes ou supressões, ou inversões de ordem alheias ao pretendido pelo autor, pois não se trata de atender a objetivos comerciais.

Não espere milagres dos revisores

Muita gente diz que vai escrever de qualquer modo e depois mandar para um revisor dar um jeito. Uma revisão, mesmo uma profunda edição de texto, não traz qualidade a um texto chinfrim. Texto que nasce ruim, termina ruim, mesmo depois da melhor e mais drástica revisão do mundo.
Se você não se preocupa em elaborar suas frases de forma elegante e precisa, a revisão não irá corrigir isso, apenas deixar suas frases sem erros. Se você não tem conteúdo e procura esconder isso com montes de palavras inúteis, o revisor não poderá remediar seu caso. Se há erros materiais, sofismas ou embromações em seu texto, o revisor não mudará nada disso.
A matéria-prima da escrita é nossa língua, a única forma possível de usar a língua com eficácia é conhecendo-a. Se você quer ser escritor, não precisa decorar uma gramática nem se prender às regras todas da norma culta, mas é interessante que leia muito, bastante mesmo, para incorporar (com prazer, sem notar) os usos possíveis das palavras e expressões. Os lapsos, os equívocos, as imperfeições remanescentes é que serão podadas pelo revisor. O revisor tem o texto como matéria prima de seu trabalho, matéria da qual ele pode laçar mão para aperfeiçoar o produto. Mas um texto muito ruim, ou medianamente ruim, vai continuar assim depois de revisado. Um bom texto pode ficar ótimo ou excelente nas mãos de um bom revisor. O texto excelente é o que merece o melhor revisor que houver, pois as poucas interferências que serão efetuadas conferirão mais brilho à qualidade que ele tem na origem.

Não confie totalmente em ninguém

Essa regra vale para todos os prestadores de serviço e profissionais editoriais, sejam eles editores, diagramadores, formatadores, professores, tradutores ou, inclusive, revisores. Você sempre precisa avaliar se o que lhe propõem serve para seu caso, para o público que você deseja atingir, para seu tipo de obra. Não há modelos infalíveis nem pessoas acima de qualquer suspeita.
Escolha um revisor que permita que você acompanhe o serviço o mais perto possível, estabelecendo os limites e os parâmetros das intervenções. Nós da Keimelion, por exemplo, durante o processo de revisão de uma tese, enviamos diariamente ao autor um “estado da arte”, com todas as interferências em destaque, permitindo ao autor direcionar o trabalho segundo sua preferência e evitando toda e qualquer interpretação errônea de qualquer expressão, frase ou parágrafo.
A língua permite muitas variações, muitos usos, muitas alternativas. Cada pessoa pode ter lá sua preferência de estilo, seu gosto pessoal, sua bagagem literária ou cultural. Assim, mesmo fazendo um trabalho honesto, pode acontecer de um revisor intervir de maneira inadequada em seu texto. A interferência pode ser inadequada ou, simplesmente, não coincidir com a preferência, o gosto ou a opinião do autor. Não existe certo ou errado acima da vontade autoral. Mas é claro que o revisor não vai consultar o autor sobre uma letra que faltou aqui ou um acento ali a cada frase; nessas questões mais simples, no texto acadêmico, o revisor vai adotar ação resolutiva: sanar o caso e pronto.
Escritores profissionais sabem das possibilidades e das limitações dos revisores e não perdem a cabeça. Nem ficam irados de ver uma alteração em seu sagrado texto, nem julgam apressadamente que o profissional é maravilhoso ou não presta. A melhor revisão é aquela interativa, na qual as questões passíveis de dúvida sejam discutidas entre autor e revisor.
Havendo tempo, os bons autores leem com cuidado cada alteração (o que dá bastante trabalho) e avaliam se há, de fato, problemas nos trechos em que o revisor fez correções. Avaliam cada alteração com atenção, aceitando quando melhora mesmo a clareza ou estilo do texto, recusando quando apenas troca seis por meia dúzia. O bom revisor não faz interferências que não possam ser justificadas tecnicamente, mas o autor tem a última palavra e pode discordar. Se o revisor é profissional experiente, no entanto, é bem provável que a grande maior parte das intervenções seja útil e pouquíssimas delas sejam revertidas pelo autor.

Onde se conseguem bons profissionais?

Não acredito que um autor acadêmico consiga para seu texto um revisor que trabalhe normalmente para editoras, portanto, a sugestão de procurar revisores para a tese entre esses profissionais não cabe muito. Também não recomendo trabalhar com revisores freelancers, ou professores que façam revisão para completar os ganhos. Também não sei se vale a pena aquela revisão “de graça” de um amigo aposentado... Seja realista: quem fez uma tese tem um prazo, tem um compromisso de calendário, um compromisso com uma banca e, acima de tudo, compromisso com seu próprio texto – produto de largas horas de reflexão e de esforço e que deve merecer a intervenção de um profissional que tenha a atividade de revisão como foco, alguém que possa se dedicar com exclusividade a seu texto, enquanto estiver encarregado dele, alguém que esteja completamente concentrado no trabalho daquela revisão e que o possa desempenhar com a qualidade necessária no tempo disponível.
Isso não é trabalho para amadores ou para quem exerce outras atividades concomitantes. Revisão é atividade totalmente especializada e quem se dedica exclusivamente a esse ofício oferece qualidade e pontualidade como nenhum freelancer ou algum aventureiro.
Se não tiver um nome específico, peça indicações, pesquise, pergunte ou escolha, pela internet, alguém que se apresente com portfólio bem estruturado, alguém que demonstre ter conhecimento teórico sólido sobre o ofício da revisão e que se dedique com exclusividade a revisar textos. Se nos der a honra de nos escolher, ficaremos muito felizes e nos empenharemos totalmente revisando e mesmo formatando seu texto, mas claro que nossa agenda é limitada e há muitos outros revisores excelentes no mercado.
Inspirado em L. Bacellar.

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