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A atuação do revisor de textos científicos

A função básica tradicional do revisor profissional de textos era ler o texto à procura de incorreções, atuando como um fiscal da língua e da linguagem. Ele devia corrigir erros sintáticos, ortográficos e de pontuação, além de adequar melhor os recursos linguísticos. Seria também responsável pela leitura do texto final impresso, comparando-o com o seu respectivo original. 
O texto técnico requer revisão feita
por um revisor profissional.
Mas além desta função básica de tratar de incorreções ortográficas e gramaticais, o revisor tem que estar apto a trabalhar com textos de diferentes tipos e gêneros, sendo hábil em confrontá-los e em diferenciar os diferentes registros de língua empregados em cada especificidade. Ele deve saber fazer a transposição de um registro linguístico para outro, de um gênero para outro, atentando para os efeitos de sentido que a pertinência ou não do registro de língua usado pode provocar e observando que é o contexto que define o gênero do texto a ser utilizado, bem como o nível de língua mais apropriado.
O serviço de revisão é algo extremamente importante nas mais diversas áreas que primam pela qualidade do serviço. Além de ser apresentado sem erros básicos de ortografia e concordância, é necessário que o texto seja coerente. Estes dois aspectos textuais – microestrutura e macroestrutura – retratam a qualidade de um texto. A leitura detalhada de um manual por parte de alguém que não tenha participado da sua elaboração pode detectar mais facilmente possíveis incoerências e ambiguidades que tenham passado despercebidas pelo autor. Na revisão, não é fundamental o conhecimento técnico do assunto. Dessa forma, na revisão macroestrutural do texto, o revisor pode não possuir o conhecimento enciclopédico do assunto, mas, ainda assim, tornar claros os conceitos ou instruções abordados no manual em questão. O que acontece, normalmente, é que o revisor não possui o conhecimento enciclopédico, mas o linguístico.
Fragmento adaptado de B. V. Alves & C. F. Andrada.

A revisão do texto científico, num sentido lato, começa com o próprio autor – no sentido próprio, revisão requer alteridade: que seja feita por outra pessoa, sempre que possível um profissional. Escrever implica reescrever um texto quantas vezes for necessário, como faziam os grandes escritores do tempo do lápis e da borracha ou das velhas máquinas de escrever. Muita coisa se modifica no curso das versões sucessivamente melhoradas. Mesmo assim, o revisor profissional deve revisar os textos. Ante um erro ou uma ambiguidade, o leitor não saberá se se trata de uma revisão que deixou de ser feita ou de uma falha no raciocínio ou nos procedimentos do autor.
"Um trabalho medíocre não passará a ser bom na fase de revisão; mas um trabalho, por excelente que seja, não sobrevive a uma revisão descuidada".
Reescrever é sempre parte do trabalho.
Revisar é outra parte, para outra pessoa.

Como se pode ver, "revisão" não é tão-somente uma questão de corrigir falhas de ortografia ou concordância, mas também de burilamento da estrutura e da exposição. Erros de concordância, regência, colocação e pontuação podem ser corrigidos impunemente, sem que a substância da mensagem seja modificada. No caso de "infrações textuais", que podem acontecer por descuido do autor ou, por outro lado, em razão de um especial domínio do idioma por parte dele, é preciso muito cuidado com a revisão. De fato, deve ser preservada a autenticidade e a fidedignidade do original. Por isso, é preciso consultar o autor para saber se as alterações com vistas a uma melhor formulação do original não agridem a substância da mensagem que ele tem em mente, principalmente no caso de passagens obscuras. O perigo a evitar assim é que, não sendo o revisor do texto um conhecedor da matéria objeto do texto, se subverta, altere ou mesmo inverta o sentido de trechos ou, ainda, se provoque uma matização não desejada pelo autor. Enfim, principalmente em casos mais críticos, o que se faz necessário é que sempre haja um diálogo entre o preparador de texto, o revisor e o autor.
Adaptado de Kunsh, L. V.

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