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O estudo da revisão de texto, especialização e interdisciplinaridade

A interdisciplinaridade veio agregar valor e qualidade ao serviço de revisão de textos e às investigações sobre a atividade revisional.

No contexto de especialização e de segmentação dos campos de conhecimento, a complementaridade das disciplinas outorga vantagem virtual à revisão de textos, posto que a atividade é geralmente exercida sob ótica do conhecimento linguístico específico, resultando em intervenções mecânicas; consideramos a abordagem multidisciplinar como superação da limitação ao campo linguístico restrito nas intervenções de aperfeiçoamento comunicacional.
A tese e a dissertação são passíveis de revisão muito além dos limites da gramática normativa.
A redação de um texto raramente é
trabalho autoral exclusivo, envolve
colaboração, no mínimo,
 de um revisor.
A atividade de revisão é, em sua natureza, vocacionada à abordagem multidisciplinar, todavia, a revisão é realizada, geralmente, em abordagem monodisciplinar de cunho linguístico com enfoque gramatical normativo, envolvendo, quando ultrapassa esse limite original, abordagens de gênero, da psicologia cognitiva, linguística aplicada, didática ou da literatura, com métodos de análise e ferramentas técnicas aportadas de outros campos de conhecimento e envolvidas diretamente na atividade de revisão ou seu estudo.
Do ponto de vista teórico-prático, o trabalho de revisão pode ser visto sob três pontos de vista complementares:
  • Primeiro, tendo como referência o processo global da produção de texto em situação natural (escola, empresa, instituição, etc.). Esse enfoque considera as diferentes versões autorais do texto e as interferências introduzidas pelo revisor.
  • Depois, tendo como referência os processos cognitivos, determinantes do processo de produção textual, fornecendo fontes de feedback potencialmente exploráveis entre autor e revisor de texto que são adaptáveis para estudar a atividade de revisão e seu produto.
  • Em seguida, a abordagem relacionada à aquisição de conhecimentos sobre a atividade de revisão em si, ou na aquisição de competências na produção e interpretação de texto, graças a prática de revisões em campos léxicos diferenciados.

Do ponto de vista metodológico, as análises da atividade de revisão podem ser agrupadas em duas famílias de acordo com características, qualidade e intencionalidade da intervenção no texto: coleta e análise linguística do texto natural – abordagem pela interpretação de traços das versões sucessivas, ou identificação dos recursos temporais do desenvolvimento da redação, a velocidade no de processo escrever, tempo de pausas, de tempo de reação.
Em termos utilitários, a análise da atividade de revisão em contexto profissional, em relação aos tipos de escrita necessários nesses ambientes (textos argumentativos ou textos descritivos, por exemplo), melhora os textos e ajuda o autor que se apropria do feedback linguístico como usuário na redação técnica, auxiliando no desenvolvimento de versões sucessivas, por exemplo.
Diante desses fatos, e dadas as características do código escrito, ou metodologias utilizadas na revisão, é essencial um balanço de conhecimento sobre a atividade de revisão em perspectiva multidisciplinar. De fato, em comparação com as atividades de leitura e oralidade que são estudados há várias décadas, a investigação sobre as atividades de revisão é relativamente recente. Poucos dados e conhecimentos já foram coletados para descrever e explicar as práticas de revisão e de reescrita. Nessa perspectiva, a contribuição da linguística e psicologia cognitiva nas questões comuns permitirá grande avanço no conhecimento dos diferentes mecanismos subjacentes à atividade de revisão. Este é o passo mais importante para o conhecimento multidisciplinar do funcionamento da revisão, nos fazendo mais capazes de projetar contextos de estudo, e aperfeiçoando a prática revisional.
O que podemos levantar como intervenientes na análise da revisão e seus mecanismos?
  • A variabilidade dos métodos e contextos de revisão: as abordagens são às vezes resolutivas ou sugestivas, com interação em tempo real (on-line) ou a posteriori (off-line).
  • O estudo da revisão, muitas vezes com relação aos diferentes objetivos e restrições impostas para o destinatário e os diferentes níveis de controle de intervenções.
  • A situação do revisor: ele pode ser experiente ou um iniciante. Seja qual for a situação, a revisão pode ser feita por um só profissional ou por uma equipe.
  • A cronologia ou prazo da revisão: ela feita durante a produção do texto ou a posteriori? Qual a urgência do serviço 
  • Os níveis de revisão (de superfície, ou aspectos conceituais, ou estruturais) podem considerados em particular, ou de acordo com as instruções.
  • O contexto autoral, o tipo de texto e contexto do interlocutor (destinatário do texto) também são os principais critérios para a análise da revisão: os escritores, independentemente de sua qualificação, têm incorporado diferentes padrões de redação.
  • O grau de automatização dos processos de trabalho, o que levanta questões de atenção da administração de tempo e recursos cognitivos na memória.

Por fim, a questão da função de aperfeiçoamento do texto. Se o texto acadêmico tende à singularidade, à padronização, o texto literário, em contraste, é trabalhado pela pluralidade de sentidos e vozes que o constituem. Em ambos os casos o revisor interfere no texto para o melhorar: dizemos que há sempre participação na textualidade do trabalho inédito e, por isso, o revisor integra a singularidade autoral absoluta ao violá-la.
Aqui tocamos os limites – ou novos horizontes de investigação sobre a revisão – o que chamamos de “paradigmas de interferência.” Em outras palavras, a que pode levar a revisão interdisciplinar como meta? Ela abre maior perspectiva de processo de escrita e revisão – a de criação e recriação.
Inspirado em Petillon & Garnier.

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