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Linguística para revisão de textos

A morfologia é a parte da linguística que se dedica à estrutura de formação das palavras (radical, prefixo, sufixo...) ou à sua classificação, do ponto de vista tradicional: substantivo, verbo, advérbio...

Morfologia e revisão de textos

As duas abordagens são importantíssimas, inclusive do ponto de vista prático, para a revisão de textos. A identificação da classe da palavra, o que pode parecer direto e simples para o usuário normal delas, apresenta complicações, em determinados ângulos de leitura, que permanecem como questão até entre os maiores especialistas.
As diferenças entre fonética e fonologia são sutis e há grande interseção em seus campos de estudo.
Para todos os termos
existe uma árvore de significados,
 o conjunto compõe o léxico.
Lá quando aprendemos as primeiras letras, aquelas dez classes de palavras (ainda se ensina isso?) eram bem definidas e consideradas base para muita coisa. O revisor de textos estará atento àquelas classes, seus paradigmas de flexões com suas exceções; o flexionismo, por exemplo, é uma abordagem importante para a ótica da revisão, pois as derivações das palavras podem ser problema em qualquer texto.
A outra abordagem da morfologia é a formação de palavras; com as flexões (por exemplo: aumentativos, plurais, adjetivação...) são criadas outras palavras ou são as mesmas, modificadas? Se forem modificadas, não seriam mais as mesmas... Essas são questões que existem pela própria complexidade do conceito de palavra – que não perfeitamente estabelecido. Esse ramo da morfologia estuda os elementos existentes nas palavras que usamos (os morfemas – as menores partes das palavras que têm significado) e como foram usados nas palavras já registradas, além de ensinar a usá-los na criação de palavras novas.

Na linguagem científica, todo o tempo, criam-se palavras. É raro um texto longo em que não haja palavras novas (que ainda não estão no dicionário) ou mesmo alguma criada por aquele autor naquela necessidade. O revisor avaliará a adequação do uso e da criação do neologismo, quando for o caso, do aportuguesamento, quando ele ocorrer, ou mesmo sugerirá o emprego de outra ou a reconstrução da palavra. As palavras não são todas certas ou erradas, podem ser melhores e piores, há muito que considerar em boa parte delas.

Sintaxe e revisão de textos

Todos sabem a importância da sintaxe, principalmente quem escreve uma tese ou dissertação: não pode haver falhas de concordância ou de regência.
A sintaxe é a parte da linguística que estuda a articulação das palavras para formar frases gramaticais; é bastante óbvia a importância da sintaxe para a revisão de textos, pois toda a concordância interna da frase depende dela, o sujeito que pratica a ação, o predicado que especifica a ação, processo ou estado, afirmando, negando ou perguntando, e os complementos – de todo tipo – devem estar harmonizados (coerentes e concordantes) para que a frase tenha sentido perfeito, para que o significado seja imediatamente percebido. A fluência da leitura depende, dentre outras coisas, da perfeita concordância em gênero e número entre os termos da oração: quem nunca interrompeu um raciocínio ou uma leitura para avaliar se a concordância está boa? Qualquer erro de concordância provoca um “ruído” na leitura que perturba sua compreensão. E nenhum ouvido é mais afiado para perceber tais ruídos que o do revisor. Nosso treino permite identificar, automaticamente, qualquer desvio da sintaxe; em seguida, a capacidade analítica teórica e prática, vai identificar a origem do problema para saná-lo.
A linguística já não é uma ciência muito recente, mas a sua aplicação prática e os estudos dessas aplicações estão em contínua e crescente ampliação nos últimos tempos. No bojo dessas novidades surge abordagem da revisão de textos que ultrapassa as visões tradicionalistas de correção ortográfica e as limitações formalistas. Revisar um texto é bem mais que um jogo de sete (ou sete mil) erros. O trabalho do revisor de textos profissional implica considerações complexas, incluindo abordagem sistemática e processual do texto, considerações psicolinguísticas (incluindo questões cognitivas e psicogenéticas), sem falar nas considerações semiológicas, ou seja, inclui todas as abordagens da linguística moderna aplicadas em favor da comunicabilidade. Nosso esforço é no sentido de aprender uma linguística compreensiva aplicada à revisão de textos e de aplicar esse conhecimento ao ofício, possibilitando-nos o desenvolvimento qualitativo do trabalho com sólida base teórica atualizada.

Fonética e revisão de textos

Por que a fonética deve ser considerada na revisão de uma tese? Porque as frases eufônicas, que soam bem, são mais bem compreendidas.
A fonética é a parte da linguística que estuda os sons emitidos e percebidos (os fones), sem considerar-lhes os significados (desejados ou indesejáveis), são os sons que empregamos na fala, tentamos representá-los na escrita e os representamos pelo alfabeto fonético. Os trava-línguas são jogos fonéticos e a poesia usa muito o mais conhecido acidente fonético: a rima: apoio fonético recorrente, entre dois ou mais versos, que consiste na reiteração total ou parcial do segmento final de um verso a partir da última tônica (Houaiss). A revisão de texto deve estar sempre atenta a todos os acidentes fonéticos provenientes do texto, verificando nele a possibilidade de oralização e as sonoridades desejáveis e indesejáveis. Evitando, por exemplo, a incidência de rima, tão desagradável na prosa quanto pode ser buscada no verso. Cumpre ao revisor afastar os cacófatos (som feio, desagradável, impróprio ou com sentido equívoco, produzido pela união dos sons de duas ou mais palavras vizinhas) e não os confundir com cacófago (aquele que pratica ou apresenta cacofagia).

Fonologia e revisão de textos

A fonologia preocupa-se com os fonemas básicos de uma língua; ela se distingue da fonética – estudo da percepção e produção de sons, cujas unidades são os fones – por estar focado no registro e na articulação dos sons na língua, o que ocorre por meio de fonemas. É da fonologia que derivam muitos dos aspectos ortográficos, pois uma das intenções é que as sílabas representem os fonemas. Algumas considerações da topologia pronominal são também decorrentes da fonologia, por exemplo, a vedação do pronome átono no início da frase em português europeu e no brasileiro mais formal (para que ele não desapareça de tão brando) e sua crescente aceitação atual dentre os brasileiros, pois o caráter átono, dentre nós, está se perdendo em tais pronomes. Os usos e abolições de certos acentos diferenciais decorrem também de considerações fonológicas. Creio já ter ficado demonstrado o papel da fonologia na revisão, posto que a natureza do registro escrito é decorrência direta da fonologia – combinada com diversos outros aspectos linguísticos. Cumpre ao revisor julgar se os registros do texto correspondem ao enunciado da língua atual, atualizando onde competir e, quando couber, justificar ao autor as interferências feitas por tais motivos.

Semântica e revisão de textos

A semântica estuda o sentido dos enunciados, por exemplo, formal ou lexical, significados e significâncias das frases e das palavras que a integram; é focada nos sentidos denotativos das significâncias, isso quer dizer que é o sentido próprio, o sentido expresso.
A semântica não se preocupa com os sentidos figurados, com as entrelinhas, com os significados das omissões. É o sentido próprio, dicionarizado (excluindo-se os sentidos figurados que os dicionários registram). O sentido semântico dos elementos do texto (semantemas) deve ser rigorosamente preservado em textos técnicos e científicos; cabe ao revisor ter acurada atenção sobre esses aspectos. A semântica, de certa forma, compõe-se com a sintaxe para transmitirem, em conjunto, as mensagens – a semântica com o foco na significação de cada termo e a sintaxe ordenando e atribuindo função a cada um. Semântica – significação; sintaxe – função.
São partes da semântica a sinonímia, a que o revisor deve atentar para evitar repetições de palavras ou semantemas e, ao substituir um termo por outro, guardar o mesmo sentido. Parte também a antonímia, a que a atenção deve ser a mesma, pelo mesmo motivo, em ordem inversa: pode-se evitar o emprego repetido de uma expressão usando seu antônimo em frase negativa. E também a homonímia, a que se deve cuidado para evitar equívocos, aqui se tem os parônimos, homófonos e outros acidentes desses tipos.
Por fim, o revisor deve verificar sempre a polissemia, parte também da semântica, pois as palavras têm quase sempre mais de um significado, mesmo em sentido denotativo. Cumpre ficar claro qual é o sentido, quando se trata de texto técnico, ou explorar a ambiguidade – se for texto poético ou literário! Cabe ao revisor interpretar a intensão do autor e explorar as possibilidades.

Lexicologia e revisão de textos

O revisor de textos deve conhecer e observar o sentido próprio dos termos.
A formatação profissional agrega qualidade.
Leia também:
Terminologia, estilística,
pragmática, filologia.
A lexicologia cuida do conjunto de palavras do idioma, está ligada à lexicografia, área de atuação dedicada à elaboração de dicionários e outras obras que descrevem o uso e sentido do léxico. A lexicologia estuda a palavra, o objeto de trabalho do revisor por excelência, em seus múltiplos aspectos: constituição, histórico, significados, emprego, e cabe ao revisor dominar o léxico tão amplamente quanto possível, ampliando sempre seu arcabouço, pois a boa frase tem a palavra certa, na ordem certa e ao tempo certo.
O revisor é ativo consulente de dicionários, talvez o mais voraz devorador de glossários dentre todos os usuários. Revisores de textos têm com lexicólogos uma eterna relação de cooperação e conflito, pois sempre recorremos ao trabalho deles e nunca nos damos por satisfeitos com o produto encontrado. Os dicionários são sempre estáticos e a língua é dinâmica, os dicionários, por maiores que sejam, são sempre omissos, pois em nenhum calhamaço caberiam todas as palavras, todas as acepções e todas as formas de registro da língua. E tudo isso é objeto da lexicologia e da revisão de textos.

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