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Controle de qualidade na revisão de textos

A revisão de texto e a qualidade do serviço

Cabe ao autor acompanhar de perto o serviço de revisão

O que é necessário para um profissional ser um bom revisor de textos? Como se pode verificar se um texto está bem revisado? Qualquer revisor pode corrigir uma tese?

A maioria dos autores acadêmicos supõe que a revisão vise apenas monitorar o texto concluído, tese ou dissertação e mesmo um artigo científico, verificando em que medida foram introduzidos erros específicos no trabalho. O desempenho dos revisores é, então, medido em termos de intervenções corretas de acordo com os diferentes níveis do texto (ortografia, vocabulário, coesão, sintaxe ou coerência) que foram processadas, de acordo com as expectativas dos pesquisadores.
Teses e dissertações revisadas na Keimelion têm a melhor qualidade textual possível.
A tese ou dissertação revisada e formatada por profissionais sempre apresenta diferencial qualitativo.

Quando os serviços de revisão são projetados para ajudar os autores, para mobilizar o processo de revisão associada, que a monitora da redação, ou por meio de um manual de redação, por exemplo, muitos autores são levados a crer que haverá interferência desnecessária no processo de escrita, ou oneração excessiva supérflua. Quando o revisor solicita acompanhamento da revisão, visando aferição concomitante dos critérios, boa parte dos autores se omite – para depois discordarem em larga escala de algum critério adotado.
Há diferentes contextos em que é possível acompanhar as estratégias de revisão. As revisões feitas por revisores profissionais, tanto mais qualificados linguisticamente e com maior experiência com textos acadêmicos, efetivamente melhoram os textos (em superfície e a fundo). Além dos efeitos de competências linguísticas e experiência no ramo, os revisores desenvolvem habilidades específicas para a revisão. Assim, as eventuais falhas de revisão podem ser reduzidas devido à superação de problemas de detecção, saber como corrigir um erro ou desvio da norma formal reforça a identificação deste tipo de erro e propicia, na sequência, melhor compreensão do texto.
Há forte inter-relação entre conhecimentos linguísticos específicos na análise e habilidades específicas desenvolvidas usando paradigmas, matrizes disciplinares constituídas por generalizações simbólicas, compromissos metodológicos e valores, e modelos e compromissos metafísicos. De acordo com esses paradigmas (em que não aprofundaremos aqui), o conhecimento específico das bases teóricas subjacentes ao processo de revisão passa a ser do domínio dos revisores especialistas que treinam para usá-los antes de serem confrontado com uma tarefa que envolve a revisão acadêmica. Assim, ao realizar uma atividade de revisão, conhecimentos específicos em revisão e conhecimentos linguísticos se apoiam mutuamente.
A aquisição de conhecimentos adequados para controlar a qualidade de um texto é complexa e de longa duração, visando capacitar o revisor aos processos de revisões sucessivas com focos direcionados aos diferentes níveis do texto. A importância comunicacional das interferências efetuadas pelo revisor se destaca. Esse benefício pode ser inferido primariamente a partir de indicadores como, correções, interferências em geral e o tempo de conclusão. Depois, vai se destacar a ampliação da legibilidade, a fluência da leitura, fatores que reduzirão o esforço intelectual do leitor ao decodificar o texto, liberando-o para compreender melhor seu conteúdo. Os revisores experientes não sentem o nível de dificuldade de acordo com a profundidade das correções que fazem e tal profundidade isso não se reflete no tempo necessário para trabalho. Eles levam muito menos tempo que os inexperientes e são muito mais eficientes, tanto para para corrigir erros de consistência, erros de ortografia, ou erros de sintaxe, que constituem uma dificuldade intermediária. Essa facilidade também é refletida pelo fato de que os erros de consistência são revisados, normalmente, pela segunda revisão, ao passo que problemas ortográficos do texto são resolvidos na primeira leitura. A detecção de um problema mais difícil de perceber, como uma incoerência macroestrutural, requer captação de informações distantes no texto, mesmo que o revisor deva simplesmente introduzir, suprimir ou mover um elemento para melhorar a informação mal definida.
Os programas editores de textos facilmente controlam os erros de superfície, mecânicos (de ortografia ou concordância do artigo) e erros de coesão frasal (topologia pronominal, concordância verbo-nominal) porque envolvem a área do idioma e do texto que lhes é possível processar. No entanto, erros de consistência (conectores, argumentos) que envolvem relações entre os parágrafos do texto não são detectados pelas máquinas. A revisão da escrita feita com processamento eletrônico de texto pode oferecer a esperança de que a qualidade dos textos assim produzidos seja maior, e de fato o é, mas detectar as falhas de fundo e aperfeiçoamentos de legibilidade e comunicabilidade são privilégios do revisor profissional. O controle da qualidade de um texto observa muitas condições de tratamento de informações textuais que ultrapassam completamente a capacidade de quem não domina linguística aplicada e de qualquer engenho de editoração eletrônica.
O critério para o julgamento da qualidade do revisor há de ser a legibilidade do texto resultado de seu trabalho, essa legibilidade decorre da eliminação de ruídos comunicacionais que são constituídos por violações de normas gramaticais ou por nós nas estruturas lógicas frasais, bem como por falta de contextualização entre o público-alvo e os pressupostos implícitos originariamente no texto. Mas todas as dificuldades da produção ou da leitura do texto vão sendo afastadas se o autor se dispuser a consultar o revisor durante a redação e se prontificar a interagir durante a revisão final.

Processos de controle e revisão da escrita

Os mecanismo de controle da redação garantem que o produto venha a ter a qualidade requerida pelo autor e pelo público-alvo do texto.

"Só Mozart escreveu certo de primeira." Essa frase, atribuída a Salieri, mostra o caráter excepcional de um trabalho escrito (no caso, a música) completo e perfeito na origem, o normal é aperfeiçoar a primeira versão em revisões e reescritas.

Qualquer escritor, ao produzir, recorre a uma infinidade de mecanismos, recurso, artifícios e colaboradores que permitem , pouco a pouco, o texto que ele está produzindo o deixe satisfeito. Fala-se livremente de ajustes sucessivos destinados a melhorar gradualmente o texto.

O conceito de controle

Os psicólogos cognitivos falam de controle da atividade. Este conceito implica vários mecanismos, incluindo planejamento, produção e revisão. Essa verificação é feita por sucessivos reajustes que direcionam e redirecionam os planos de produção: o projeto e sua execução. O texto raramente é produzido segundo a imagem "ideal" que o escritor tem ou teve em mente, a mudança é inerente ao próprio processo de escrita e natural, desde que o autor esteja consciente de sua própria operação. Este processo de transformações encontra uma intencionalidade do escritor que pode interromper a qualquer momento a atividade de escrita para ser implementado. O controle é inerente a qualquer atividade e se distingue entre duas perspectivas: a dos que acreditam que o controle é um componente do sistema de produção que deve possibilitar detectar erros ou deficiências dos produtos e, por outro lado, aqueles que acreditam que o controle não é um componente identificável como sequência operacional, mas em diferentes níveis de autorregulação dos mecanismos ativadores operando em unidade e concomitância.
Controle local nas atividades cognitivas e metacognitivas
Os teóricos do processamento da informação afirmam que qualquer forma de atividade cognitiva requer uma instância de planejamento e mecanismos de monitoramento para controlar seu bom funcionamento. E três operações fazem parte do desenvolvimento de qualquer processo, inclusive o da escrita:
  • antecipação sobre os critérios de propriedade da tarefa, a orientação da ação futura e mobilização do conhecimento – projeto
  • controle da ação, um mecanismo de comparação entre o produto esperado (projetado) e o produto real (produção em curso) – desenvolvimento.
  • ajuste, a correção gradual e constante das diferenças entre o produto esperado e o produto real e a possível reorientação da ação com base nos resultados parciais.

O controle da atividade de escrita

O escritor que quer controlar a redação do texto deve ser capaz de:
  • comparar o texto que ele escreveu ao que ele quer escrever com (a imagem do texto ideal), portanto,
  • identificar as lacunas que existem entre o objeto real e o objeto virtual;
  • diagnosticar a causa do deslocamento e realizar os ajustes necessários para reduzi-lo.
Esta verificação deve ser feita em vários níveis no texto, pois as mudanças podem ser observadas sobre os aspectos textuais formais (que necessitam de correções de sintaxe ou lexical, por exemplo) e os aspectos mais profundos (que necessitam de correções semânticas ou pragmáticas).

Reescrita e revisão

A revisão do texto está longe de ser simples. Embora não tenha sido uma preocupação central do trabalho de linguistas até bem pouco tempo, os pesquisadores logo perceberam a sua importância. A noção de "avaliação e revisão", que implica intencionalidade nas atividades de controle, um posicionamento diferente do revisor antigo no sentido de que ele se distancia de sua tarefa a ponto de ser capaz de questioná-la. O processo para o controle do texto implica comparar duas representações de texto, uma corrente (texto produzido) e outra projetada (antecipação do texto). Essa visão revelou-se demasiado simplista. Alguns anos mais tarde, passou-se a modelar o processo de revisão na forma de um procedimento composto de quatro etapas, vamos comentar em separado:
  • a definição da tarefa;
  • avaliação levando a uma representação do problema;
  • seleção de uma estratégia;
  • edição de texto ou plano.
A definição da tarefa de controle permite que, ao escritor afirmar claramente seus objetivos – ainda que para si, levante, a cada etapa, os pontos do texto que necessitam de revisão, reescrita, reformulação e que ele estabeleça recursos adequados para realizá-las. Essa atividade é essencialmente metacognitiva e, nela, ele se baseia em um nível mais alto de abstração. O escritor se pergunta internamente sobre seu próprio texto, as ferramentas que podem ser aplicadas para melhorá-lo. Nesse sentido, ele ativa metaconhecimentos (seus ou alheios) estreitamente relacionadas à tarefa cognitiva e comunicativa, sendo capaz de despertar suas estratégias para revisão, sejam elas mais ou menos eficazes.
O controle se baseia principalmente em uma leitura do texto com duas funções: ler para entender e ler analisando. Essa reavaliação só pode ser feita quando o escritor incorpora os critérios metacognitivos de controle ao texto ou à tarefa daquela composição. Ele pode, por conseguinte, definir o problema a ser resolvido (falta de clareza, os erros de língua, erros gramaticais) e, eventualmente, requerer a colaboração do revisor profissional. Vários estudos têm demonstrado que a atividade de revisão não é muito fácil de executar para o escritor. Na verdade, ele a deve construir a partir da leitura de suas representações, sendo, num caso ligado à sua intenção (texto projetado) e noutro relacionado ao texto produto (categorias do infectum e do perfectum - para recorrer aos modos do latim). No entanto, a representação de texto como produto está sujeita a interferência da atualização e releitura; contexto em que as palavras funcionam como "pistas" para ativar o conhecimento utilizado ao escrever. Todos nós já fizemos esse tipo de experimento e descobrimos que, por vezes, lemos o que foi escrito adicionando uma palavra que não existe – ou omitindo uma que esteja duplicada ou deslocada. Assim, sabemos que, para fazer uma autorrevisão minimamente eficaz, é melhor "deixar repousar" um texto por vários dias ou semanas antes de continuar – daí a recorrência ao revisor de textos, mesmo quando o autor tem domínio redacional e comunicacional pleno.
A avaliação do texto pode ter três resultados possíveis: ou a continuação da escrita, se nenhum problema for encontrado, ou resolver um problema identificado e ainda há a via da postergação. Nesses casos, o autor deve fazer um diagnóstico mais ou menos preciso, de acordo com esse nível de precisão (que varia ao longo de um continuum produtivo), vai envolver estratégias de remediação.
Neste ponto, o escritor pode realizar vários tipos de ações, dividindo-se em dois tipos de estratégias:

Estratégias operacionais do processo de revisão

  1. Ignorar um problema muito complexo;
  2. adiar a solução: porque durante o curso atual do texto, a resolução deste problema não é compatível com o alvo, ou um replay é necessário para redefinir o problema e, ainda, resolver não está disponível ou a questão não está ainda suficientemente amadurecida;
  3. procurar mais informações na memória ou no texto para melhor compreender e definir o problema;
  4. reescrever a fim de preservar a ideia, mas não o texto: essa estratégia é a mais adequada para resolver os problemas mal definidos;
  5. revisar (ou mandar revisar) preservando tudo o que pode ser um texto.
Diferentes cenários são possíveis. Há vários emparelhamentos problemas-soluções nas situações de controle da produção de textos. Por fim, o processo de controle em tela pode afetar diversos níveis comunicacionais tão diferentes entre si quanto diferentes dos objetivos da organização texto. As estratégias apontadas permitem que o escritor regule sua produção e atinja gradualmente a qualidade de texto correspondente a suas expectativas – e segundo a expectativa dos leitores a que o texto é destinado.

Controle de processo e tarefa dinâmica

A modelagem apresentada pode sugerir certa linearidade do processo de escrita e controle, quase foram apontados os diversos elementos que compõem a sucessão. No entanto, na prática não é assim. Por exemplo, a fase de produção (textualização) pode ser interrompida em qualquer parte ao tempo de controle do processo. É muito difícil, quando se analisa de forma dinâmica a produção escrita, determinar quando o paciente está em fase de teste ou em fase de textualização.

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