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Produção de texto: consistência, coerência e concisão

Produção de texto e habilidades metalinguísticas

Revisão de texto requer domínio cognitivo das competências metalinguísticas.

A aplicação de competências metalinguísticas é essencial ao processo produção de textos. São aquelas habilidades que possibilitam a construção da escrita e seu manuseio de forma reflexiva e funcional. A metalinguagem está no campo da metacognição, diferenciando-se das outras habilidades deste construto por não ser seu objeto de estudo uma função cognitiva, como exemplo a metamemória, mas a própria linguagem. A metalinguagem se refere, portanto, à reflexão sobre a linguagem e à manipulação intencional de seus componentes.
Revisar tese ou dissertação na Kemelion é perfeita garantia de gualidade.
Além de coerência e linearidade, a revisão de texto considera diversas questões autorais, dentre muitos outros aspectos.
Mesmo para escritores experientes, a primeira versão de um texto raramente é satisfatória. Parte fundamental do processo de escrita é fazer releituras e reescritas, processos que tornam possível ao autor rever a organização das ideias e algumas escolhas linguísticas implementadas. No entanto, a revisão não é algo espontâneo, é etapa posterior a ser levada a cabo por profissional que supere as questões metalinguísticas que não devem ser o foco do autor, alguém que tome o texto como objeto de operações cognitivas, não como mídia. O trabalho de revisão de texto assume, portanto, caráter supra-metalinguístico à medida que se fundamenta na reflexão sobre a estrutura do texto tanto no que se refere a sua coerência como a sua composição gráfica. No processo de revisão de texto somos confrontados com a propriedade e adequação das escolhas autorais tanto quanto com os eventuais erros.
Em realidade, o erro está presente em qualquer processo de escrita, dentro ou fora da academia. Contudo, o erro não é comumente visto como parte integrante e imprescindível do processo de produção de texto. Ao contrário, é tomado tanto como evidência da incapacidade do autor, quanto como empecilho a sua produção intelectual. De acordo com essa perspectiva, a presença do erro é tida como linguisticamente e socialmente indesejável, devendo ser, portanto, evitado. Por sua vez, os autores, a cada vez que se deparam com seus erros, os tomam como sinal de seu fracasso em produzir. Sendo assim, há que se evitar olhar ou expor o erro como demérito ou barreira intransponível. Ao contrário, sendo o erro inerente ao escrever, dever deflagrar um processo de tomada de consciência que envolve olhar para esse erro, refletir sobre ele e aprender com ele. Assim, o erro deve ser tomado em seu sentido construtivo, tornando-se algo sobre o qual devemos pensar e mesmo evitar – mas o erro ocorre na presença do texto redigido e não pode ser obstáculo à redação.
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A revisão de texto é tarefa metalinguística para a qual o debruçar sobre o erro alheio é o exercício fundamental. Compreendendo que o objetivo da escrita é a comunicação, o autor que passa a contar com o profissional de revisão de textos pode tomar para si o ato de escrever focado no conteúdo, produzindo de forma mais fluida e fruída, consciente e atento a partir das escolhas linguísticas de seu domínio, quando considera que essas questões passarão pelo crivo profissional. Essa mudança significativa na relação que o autor estabelece com a produção escrita possibilita uma transformação na compreensão que ele tem de seu próprio texto, instigando seu interesse em produzir mais. Tais mudanças, como a própria reconceitualização do erro, acarretarão melhora significativa na produtividade textual.

Consistência e concisão no texto acadêmico

Dos muitos aspectos a serem considerados na redação de uma tese ou dissertação, e que são postos de atenção do revisor do texto, destacamos aqui dois: o princípio da economia textual e o princípio da consistência textual.
O princípio da consistência é elemento importante no estilo e pode ser analisado de três formas complementares: consistência da expressão gramatical; consistência de categoria; consistência de sequência.
A consistência de expressão gramatical é violada quando, na enumeração de três itens, o primeiro é um substantivo, o segundo, uma frase e o terceiro, um período completo, o que confunde e distrai o leitor. Outro exemplo seria a enumeração cujos itens se iniciassem, ora por substantivo, ora por verbo. Ao revisarmos seu texto, verificaremos a consistência de cada parágrafo e do conjunto.

Na redação científica, cumpre observar, entre outras regras:

  • terminologia precisa;
  • pontuação criteriosa;
  • sinonímia restrita;
  • referências precisas.
A consistência de categoria reside no equilíbrio que deve ser mantido nas principais seções do capítulo ou subseções da seção. Um capítulo cujas três primeiras seções se referem, respectivamente, aos aspectos tecnológicos, econômicos e sociais dos sistemas de informação, e a quarta seção que trate de ferramentas de análise e desenvolvimento de sistemas de informação, está desequilibrado. A quarta seção, sem dúvida, apresenta matéria de categoria diferente da abordada pelas três primeiras, devendo pertencer a outro capítulo.
A consistência de sequência está relacionada à ordem que deve ser mantida na apresentação de capítulos, seções e subseções do trabalho. Embora nem sempre a sequência a ser observada seja cronológica, existe lógica inerente ao assunto em qualquer enumeração. Uma vez detectada, a lógica determinará a ordem em que capítulos, seções, subseções e quaisquer outros elementos devem aparecer. Seja qual for a sequência adotada, o que importa é que esta deve refletir organização lógica.
O princípio da concisão textual também é elemento de estilo ao qual os autores deve estar atentos. Basicamente, vale o bordão: menos é melhor. Escrever uma informação completa, com o menor número de palavras possível é altamente desejável.
Concisão textual não significa comprimir as ideias, mas dar a elas o tamanho adequado.
Na maioria dos textos, a concisão é bem mais qualidade que característica; no texto oficial, no comercial e no acadêmico, quase sempre a concisão é meta e requisito essencial. Cumpre ao revisor de textos, supletivamente ao autor, zelar pelo princípio da concisão textual.
Conciso é o texto que consegue transmitir um máximo de informações com um mínimo de palavras, evitando tergiversação, juízos de valor, ambiguidade e todo tipo de imprecisão. Para que o texto tenha essa qualidade, é fundamental o conhecimento do assunto por parte do autor e a tesoura impiedosa do revisor podando tudo aquilo que sobra. Cabe à revisão perceber as eventuais redundâncias ou repetições desnecessárias de ideias, os pleonasmos, as superfluidades e as ocorrências de registros tipicamente orais no texto e suprimir tudo isso.

Algumas construções a se evitarem em obediência ao princípio da concisão.

  • Flexão do infinitivo da oração subordinada cujo sujeito é o mesmo da principal anteposta.
  • Abusos de pronomes e artigos, principalmente os indefinidos.
  • Uso de artigos antes de pronome pessoal ou possessivo.
  • Pleonasmos de etimologia remota.
  • Uso de bordões, expressões em voga, preciosismos. 
  • Colocar a palavra página ou suas reduções junto ao número que ordena as folhas.
  • A palavra número ou suas reduções junto a algarismos - Lei (número) 4.321.
  • Da mesma forma, a palavra capítulo, sobra junto ao número e título capitulares.
  • Uso das palavras Referências Bibliográficas. O termo indicado em todos os textos de todas as normas para confecção de trabalhos acadêmicos é Referências.
Foram alguns exemplos, mas há bem mais simplificações possíveis e recorrentes. Cada revisor faça uma lista das que lhe ocorrerem.
Vocês provavelmente nunca viram um texto do séc XIX, ou anterior, uma ata, depoimento, contrato, iniciando-se assim: “Ano da Graça de Nosso Senhor Jesus Cristo de um mil oitocentos e [tanto]... aos vinte e um dias do mês de março do mesmo ano”... É contra delongas desse tipo que se instaurou o princípio da concisão. Não tem cabimento me alongar em um tópico sobre concisão.

Descrição de normas e procedimentos

Na descrição de procedimentos, nas teses, dissertações ou mesmo nos trabalhos acadêmicos mais curtos, recomendam-se se regras que, de modo geral são e devem ser acatadas:

  • construir frases na ordem direta;
  • preferir frases curtas e — se possível — afirmativas ou negativas diretas para facilitar o entendimento;
  • usar preferencialmente o verbo no presente do indicativo. No caso da descrição de etapas de um processo, usar o infinitivo (numerar, mexer, usar), colocando-o no início da frase;
  • numerar cada ação, respeitando sua sequência de execução;
  • priorizar instruções de segurança;
  • utilizar sempre que possível os termos técnicos já definidos anteriormente;
  • fazer uso do estilo impessoal, evitando o emprego de pronomes de primeira pessoa, como eu, nós, meu, nosso;
  • evitar o uso de abreviaturas e siglas, que só se justificam quando as palavras ou expressões correspondentes aparecerem muito repetidamente. Se isso ocorrer, na primeira vez que for empregada, o significado deve vir logo a seguir, separado por hifens;
  • numerar os itens (primários, secundários, terciários e quaternários) com algarismos arábicos, colocando a numeração junto à margem esquerda. Não usar ponto, parênteses ou hífen após essa numeração e dar um espaçamento correspondente a duas letras antes da primeira letra seguinte;
  • escrever os títulos dos itens primários (capítulos) fonte adequadamente maior que a do corpo do texto, evitando a caixa-alta sempre que possível;
  • evitar o uso de estrangeirismos, coloquialismos, gongorismos e gírias;
  • evitar enfaticamente o emprego de etc. Seu significado deve ser sempre explicado (Ex.: ouro, prata e outros metais preciosos);
  • usar repetidamente o substantivo, em vez do pronome, sempre que houver possibilidade de o pronome gerar ambiguidade.

Coerência textual e linearidade

O revisor estará atento à coerência e à linearidade do texto, de modo a evitar saltos ou lacunas na estrutura da dissertação ou da tese.

Atualmente, a linguística textual coloca como centro de suas preocupações estudos sobre gêneros textuais ou discursivos e fenômenos de ordem sociocognitivas como referenciação, inferenciação. Estudar aspectos relativos à coerência textual é de grande relevância para a revisão de texto, já que a coerência assume papel preponderante nos processos de produção e compreensão de textos. Assim, deixar de considerar a coerência significa relegar a produção e compreensão de textos e, mais ainda, a própria atividade humana como atividade de construção de sentidos através dos textos.
O conceito de coerência, em sintonia com a linguística textual moderna, passou por uma significativa ampliação. Não dá para se falar de um conceito de coerência, assim como não dá para de falar de um conceito de texto. Trata-se, aqui, de conceitos de coerência, trazendo à baila posições de alguns estudiosos da área sobre essa temática.
Apoiando-se na definição de texto como estrutura sociocomunicativa, a coerência textual consiste numa estrutura-em-profundidade lógico-semântica. A coerência lógico-semântica é condição necessária para toda atuação verbal eficaz na comunicação. Para um conjunto de enunciados constituir um texto coerente, é preciso que nele seja mantida intenção e que ela seja reconhecida pelos parceiros da interação.
Partindo da ideia de que não existe texto incoerente em si, defende-se a noção de coerência como um princípio de interpretabilidade do texto. É sempre possível construir um contexto em que uma sequência aparentemente incoerente passe a fazer sentido. 

Existe uma proposta que consiste na formulação de quatro meta-regras da coerência textual, quais sejam:

  • meta-regra da repetição – “para que um texto seja (microestruturalmente e macroestruturalmente) coerente é preciso que contenha, no seu desenvolvimento linear, elementos de recorrência estrita”;
  • meta-regra da progressão – “para que um texto seja microestruturalmente ou macroestruturalmente coerente, é preciso que haja no seu desenvolvimento uma contribuição semântica constantemente renovada”;
  • meta-regra da não-contradição – “para que um texto seja microestruturalmente ou macroestruturalmente coerente, é preciso que no seu desenvolvimento não se introduza nenhum elemento semântico que contradiga um conteúdo posto ou pressuposto por uma ocorrência anterior, ou deduzível desta por inferência”; e
  • meta-regra da relação - “para que uma sequência ou um texto sejam coerentes, é preciso que os fatos que se denotam no mundo representado estejam relacionados”.
Com o foco sobre o aspecto da coerência e linearidade textual, coloca-se em discussão a necessidade de levar em consideração a ordem de aparição dos segmentos que constituem o texto, já que a coerência envolve relações de ordem, essencialmente a relação “preceder” (que indica que a coerência do “seguido” é função do “precedente”) e acessoriamente a relação inversa.

Existem dois níveis de organização textual, nos quais a coerência se expressaria, o macroestrutural e o microestrutural.

  1. O nível microestrutural (local) – diz respeito exclusivamente às relações de coerência que se estabelecem, ou não, entre as frases (sucessivamente ordenadas) da sequência.
  2. O nível macroestrutural (global) – refere-se às relações que se estabelecem entre as sequências consecutivas.
Por fim, a coerência de um enunciado deve ser conjuntamente determinada de um ponto de vista local e global, pois um texto pode ser coerente no nível da microestrutura textual sem ser coerente macroestruturalmente. A coerência textual no nível macroestrutural ou global se constrói pela associação de uma sequência de macroestruturas e microestruturas coerentes.

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