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Revisão de textos em contexto

Contexto é essencial na revisão de textos. Mas um dos problemas do revisor de textos é que o autor fica descontextualizado quanto à revisão.

O que é visto e revisado no texto, além dos elementos básicos e do contexto?

    Formatação pode ser criativa mesmo numa dissertação ou tese.
    Contextualidade é via de mão dupla
    entre revisor de textos e autor.
  • Há muitas coisas a serem consideradas, o contexto e a orto-sintaxe, postos como integrantes das fases iniciais do processo de revisão; o profissional – o revisor de textos – poderá em seguida considerar fatores como o equilíbrio das informações, a lógica argumentativa em cada tópico, que pode ser do mais genérico ao particular ou ao contrário, pode haver argumentos dedutivos ou indutivos, se há paralelismo ou gradação nas ideias, se há omissões relevantes entre dados e argumentos, se existe homogeneidade na apresentação de dados, se há amarração entre todos os pontos levantados e as conclusões obtidas. Claro que o autor faz isso, e todos os demais envolvidos na redação também – mas aqui estamos falando de revisar, repetir os processos de verificação com método, isenção e distanciamento, para aperfeiçoamento do produto, sendo que produto aqui é o texto.

Bem, já sinto que não acaba aqui; então revisão é um processo demorado?

  • Revisão de texto, mais que um processo demorado, é um processo contínuo. A interferência do revisor profissional no texto, normalmente verificada imediatamente entre a conclusão do texto e sua divulgação, é sempre mais superficial que deveria ser. Mas ela sempre cumpre, de acordo com a condição possível, sua função de melhorar o texto, no contexto da pressa dos autores e cumprimento dos prazos. Também existe, como fator de limitação do trabalho do revisor e sua equipe, o orçamento disponível para o serviço e a capacidade pagadora do cliente. Normalmente, o revisor ou a equipe trabalham com o critério de três ou quatro visitas ao texto, em cada uma delas sendo checadas determinadas coisas. São as fases da revisão. Mas, para excelência, a revisão deveria ter um ciclo maior, com mais fases e com algum circunlóquio – retorno a fases anteriores; naturalmente, isso demandaria bem mais trabalho, tempo e dinheiro. A revisão de textos ajusta a necessidade à possibilidade existente, fazendo o melhor possível no contexto – sim, novamente o contexto!

Quais são as etapas deste processo de revisão de textos?

  • A primeira etapa, que recebe muitos nomes, eu a chamo de revisão primária – é a fase em que são eliminados os principais erros de digitação, de lapsos, de repetições. Espaços indevidos, palavras coladas umas nas outras ou na pontuação antecedente, repetições excessivas de determinadas expressões são alguns quesitos a que se procedem então. De certa forma, a rotina dos trabalhos e a divisão de tarefas a cada fase é bem particular de cada revisor e de uma equipe de revisão, muitas vezes sendo considerada o “segredo industrial” do ramo. Basicamente, as etapas vão do geral a cada particularidade, depois voltando ao geral, assim o texto vai sendo aperfeiçoado em bloco, todo ele em conjunto.

E depois de revisado, o texto está pronto para imprimir ou apresentar?

  • Pronto o texto estava antes de ser revisado, e pronto o texto nunca está. Pronto é quando o texto vai para a revisão, quando ele volta dos revisores, ele não está pronto mais: muito nele terá sido modificado e caberá ao autor considerar as sugestões dos revisores. Isso mesmo, sugestões; os revisores apresentam sugestões a serem consideradas pelo autor, afinal o texto tem dono. Assim, cumpre ao autor, depois da revisão, deliberar sobre as interferências do revisor. É certo que o autor não vai reverter lapsos ortográficos, concordância ou outros elementos mais simples em que houver interferência, mas em uma frase que tenha parecido ambígua ao revisor o sentido pode ter sido invertido! É esse o problema da ambiguidade: pode ser entendido o contrário do que se pretendia apresentar. É comum haver troca de informações entre autores e revisores durante o processo, e os critérios e compreensão dos assuntos vão se afinando... Mas aqui estamos falando de uma revisão ideal, aquela rara em que não há premência, o tempo sempre foge por entre os dedos.

E os revisores cortam partes do texto do autor?

  • Depende muito, pequenas “amputações” sempre são feitas, há excessos de artigos, excessos de preposições, e palavras desnecessárias. O que sobra, o que não é fundamental à ideia é suprimido. Isso ocorre principalmente no texto acadêmico, normalmente muito “enxuto” é como ele deve ficar. Claro que existem textos acadêmicos, em diversas áreas, que incluem elementos estéticos, mas isso não ocorre, por exemplo, nas áreas tecnológica e biomédica. Há ainda parágrafos inteiros que se repetem! É muito comum o autor usar um parágrafo num fragmento do texto longo, usá-lo depois em outro fragmento e ao juntar as partes o segmento ficar duplicado. Claro que esse é um caso de corte. Um tipo de específico de revisão, o copydesk também pode incluir cortes para redução do tamanho do texto ou sua readaptação a outros fins. Mas nunca o revisor de textos poderá, por exemplo, cortar algo de que não tenha gostado, algo assim não. Já deu para notar que cortar é mais um elemento contextual.

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