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Revisão de texto acadêmico: coerência e coesão

Teses e dissertações requerem perfeita coerência.

A coesão entre os parágrafos do texto acadêmico deve ser harmônica e moderna. Sem gongorismos e preciosismos arcaicos.

A coesão textual em uma tese trata da conexão harmoniosa entre as partes do texto, do parágrafo, da frase. A coerência textual, por sua vez, é a relação lógica entre as ideias, em uma dissertação, por exemplo, fazendo com que se conectem e se completem, sem contradições e produzindo significância global.

Revisão de texto visando coerência

A coerência não apenas um dos critérios de textualidade entre os demais e muito menos centrado no texto. Coerência é o resultado da confluência de todos os demais fatores, aliados a mecanismos e processos de ordem cognitiva, como o conhecimento enciclopédico, o conhecimento compartilhado, o conhecimento procedural. A coerência resulta da construção de sentidos pelos sujeitos a partir do texto (e não somente no texto), para a qual estariam contribuindo, além dos outros critérios, os seguintes elementos: fatores de contextualização, consistência e relevância, focalização e conhecimento compartilhado. 
Revisar tese ou dissertação exige esforço acurado de aferir coerência e coesão.
A revisão de teses e dissertações é função para revisores que conheçam linguística e tenham experiência no ofício.
A intenção, quando se enuncia, é que o texto seja compreendido por qualquer leitor. Para isso é necessário ser claro e preciso, o quanto possível. No entanto, visto que a linguagem é intrinsecamente ideológica, opaca, subjetiva, não é neutra ou imparcial, essa é uma tarefa difícil.
O texto coerente é um conjunto harmônico, em que todas as partes se encaixam de maneira complementar de modo que não haja nada destoante, nada ilógico, nada contraditório, nada desconexo. No texto coerente, não há nenhuma parte que não se solidarize com as demais.
Desta maneira, temos que uma sequência de textos ou de frases, para ser coerente, deve ter consistência e interligação semântica entre os conceitos e ideias expostas. Cada parte deve estar vinculada a outra parte semântica e discursivamente, de modo a convergirem todas para uma mesma conclusão. É por meio disso que o leitor compreenderá o texto: ligando ideias, fatos, lugares e conhecimentos preexistentes.
Existem várias fontes da coerência de um texto, dentre elas a adequação do texto a sua macroestrutura, que pode ser de texto argumentativo ou texto narrativo. No caso da macroestrutura do texto argumentativo as partes mais importantes são: tema e problema. As outras partes da macroestrutura do texto argumentativo compreendem a hipótese, a tese e a argumentação. Na verdade, essas são as possíveis respostas para a solução de dado problema, que, bem fundamentadas, propiciam ao texto um grau de coerência bastante grande. Isso se dá no texto argumentativo, quando a macroestrutura do texto narrativo parece bastante simples e dificilmente não é coesa. Trata-se de um relato em ordem cronológica, pois o que se aprende se habitua a fazer desde criança. Alguns exemplos desse tipo de texto no mundo adulto são: redação de ata, de um relatório ou uma experiência científica. Mesmo pessoas pouco escolarizadas, de um modo ou de outro, acabam conseguindo fazer coerentemente um relato de algo ou uma ata de reunião.
A coerência também depende do momento e da situação do texto. Por isso, mesmo que um determinado texto, para ser coerente para alguns ouvintes, pode não ser para outros.
Há casos também em que, numa determinada situação, para um mesmo leitor, o texto inicialmente não é entendido como coerente, mas se torna coerente depois, com acréscimos de novas informações e dados feitos pelo revisor. No caso da taquigrafia, por exemplo, que registra pequenos trechos, muitas vezes parece não fazer sentido o que se está dizendo. Quem tem a visão geral do texto é o revisor, cabendo a ele dar-lhe a desejada coerência, se isso não tiver sido feito pelo autor. É ele que deve buscar compreender o dito, considerando suas características discursivas – que são ideológicas e situacionais, para, só depois, fazer a revisão de modo adequado em relação às pretensões do autor. Também pode ocorrer a falta de coerência, quando o autor é muito prolixo e não conclui as ideias lançadas inicialmente. Essa é outra situação em que deve atuar com cautela o revisor. Se o autor é prolixo, até que ponto o revisor deve interferir? Ele, simplesmente, deve reduzir o texto do parlamentar em nome da pretensa objetividade ou deve deixar que texto preserve a originalidade? Essas são perguntas que um revisor deve se fazer em tais circunstâncias.

Revisão de tese visando coesão

A coesão textual é o elemento que determina que a interpretação de algum elemento no discurso está na dependência de outro. Considera-se a coesão parte da língua, estabelece a necessária relação semântica entre um elemento do texto e outro, ela é determinante para a interpretação. Nesse sentido, o revisor de texto desempenha papel importante em relação aos mecanismos de coesão.

Citam-se como principais fatores de coesão cinco mecanismos:

  • referência - pode ser pessoal (feita por meio de pronomes pessoais e possessivos), demonstrativa (realizada por meio de pronomes demonstrativos e advérbios indicativos de lugar) e comparativa (efetuada por via indireta , por meio de identidade e similaridades);
  • substituição - consiste na substituição de um item em lugar de outro elemento no texto (nominal, verbal ou frasal);
  • elipse – consiste na omissão de item lexical (nominal, verbal ou frasal);
  • conjunção – estabelece relações significativas específicas (aditiva, adversativa, causal, temporal, continuativa);
  • coesão lexical – é obtida por meio de dois mecanismos: a reiteração (sinônimos, hiperônimos e nomes genéricos) e a colocação (uso de nomes termos pertencentes a um mesmo campo significativo).
O revisor do texto, em suas seguidas leituras, tem que ter a sensibilidade de observar  os recursos coesivos necessários, para dar continuidade e sentido ao texto, mas com o devido cuidado para não modificar a marca pessoal do autor. A coesão de um texto necessita da presença de conectivos ou elementos de conexão, e seu uso deve ser cuidadoso, já que os operadores argumentativos, de modo geral, servem para emitir juízos de valor. Esses termos fazem o encadeamento semântico entre as sentenças, bem como ligam sintaticamente as sentenças umas às outras, mas são também marcas linguísticas da ideologia.
  • Os principais articuladores da coordenação adversativa são: mas, porém, contudo, todavia, entretanto, no entanto.
  • Os principais articuladores da subordinação são: articulação sintática de causa (porque, pois, como, por isso que, já que, vista de, devido a.) de condição (partícula “se”), de fim (a fim de, com o propósito de, para.) e de conclusão (logo, portanto, então, assim, por isso).
O revisor não pode mudar – em nome da clareza, unidade, continuidade e consistência – o que foi efetivamente enunciado: todo texto tem um autor – ou mais de um – e é a esse autor, a sua visão de mundo, a sua ideologia, que devem remeter as marcas linguísticas do texto, e não ao revisor, à visão de mundo do revisor e à ideologia dele. O uso inadequado dos elementos de coesão, sem critério, acarreta sérios prejuízos de entendimento e clareza do texto. Por outro lado, se modificados indistintamente pelo revisor, provocam prejuízos de ordem discursiva, como ideológicos do revisor.

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