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Concepções de revisão de texto

Sempre há muito a dizer sobre revisão de textos.

Nunca deixe a revisão para a última hora.

O perfil do revisor de textos deverá se ajustar ao de cada autor com que ele trabalha.

Revisão de texto implica diagnosticar as problemas do texto, propor melhorias e selecionar uma tática de interferência pospositiva ou resolutiva. No entanto, os subprocessos da revisão vão resultar na alteração do escrito. O controle sobre essas alterações depende da interação entre o revisor e o autor, ou que tenha contratado a revisão.
Revisão de tese, dissertação e artigo tem que ser muito criteriosa.
A concepção de revisão de textos do profissional importa menos que o diálogo que ele tenha com o cliente.

Tudo que o revisor faz é aperfeiçoar texto de dissertação e tese.

Toda revisão de texto é igual? Com que conceitos teóricos trabalha o revisor de textos? Será que eu me identifico com a concepção de revisão de textos do revisor que vou contratar?

Existem concepções diferentes de revisão de texto, sendo possível agrupá-las em três grandes conjuntos:

  • a revisão entendida como uma alteração efetiva, porque visível, no texto;
  • a revisão como componente do processo de escrita cujo objetivo é o de tentar melhorar o texto já escrito;
  • a revisão como componente de controle da produção escrita.
No que concerne aos motivos que conduzem o autor a procurar um revisor, inclui-se assegurar a correção da expressão linguística e a adequação do que já foi escrito e do que se projeta escrever em continuação aos requisitos estabelecidos para o texto. As sucessivas alterações ao escrito não invalidam a existência de uma revisão final quando o texto se encontra no limiar da sua existência como produto. O autor pode assim ver o seu texto sob nova perspectiva: como texto global, acabado, encontrando-se livre da procura da continuação textual. O retorno ao texto pelo revisor prende-se, sobretudo, a motivações pragmáticas: a revisão do documento consiste e em introduzir nele modificações no sentido de conferir maior comunicabilidade e mais usabilidade.
Identificam-se como principais estratégias de revisão do texto as operações retrospectivas: movimentos contínuos entre o texto já escrito e o texto que se vai gerando, sendo este fenômeno onipresente na escrita e na revisão. Estes movimentos, utilizados com variados propósitos, correspondem ao comportamento estratégico do revisor na resolução dos problemas que se vão colocando ao longo da revisão. No que concerne aos elementos objetivos de revisão, há uma taxionomia de alterações de revisão baseada em considerações como: se nova informação ou construção é trazida para o texto, ou se informação é removida, de maneira que não possam ser recuperadas pelas inferências. O êxito da revisão dependerá das competências de planificação do revisor.
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Podemos destacar três aspetos recorrentes no que diz respeito à revisão da expressão escrita:

  • o processo de composição hierárquica e recursiva implicando que a revisão pode ser de diferentes níveis de produção textual;
  • a revisão não é entendida apenas como uma mudança no texto, mas considera que o processo pode ser concluído sem levar necessariamente a correções ao texto que foi escrito;
  • a revisão pode afetar elementos pré-textuais.

Apresentaremos aqui dois modelos cognitivos de revisão

O primeiro consiste na especificação dos processos de revisão e compreende duas componentes:

  • o processo de revisão propriamente dito, que inclui a leitura para avaliar, a seleção de estratégias e a execução da revisão;
  • os conhecimentos que intervêm no processo, que incluem a competência linguística formal, critérios de planificação e de definição de gêneros textuais, representação do problema e procedimentos de revisão.

Outro modelo enfatiza o papel da metacognição e da memória no processo de revisão e integra duas componentes:

  • o contexto da tarefa, compreendendo as dimensões retóricas e pragmáticas (assunto, público-alvo e importância) e a representação do texto realizado em processo de revisão ao nível discursivo e léxico-sintático; 
  • o sistema cognitivo/metacognitivo que se divide em memória a longo prazo e memória de trabalho.
É no campo da memória de trabalho que o revisor vai elaborar a representação dos problemas retóricos e a representação do texto real. A partir desta confrontação, o revisor, após elaborar um diagnóstico dos problemas no texto produzido, seleciona, modifica ou cria estratégias de revisão, para, finalmente, aplicar as revisões do texto representado ao texto produzido.

Por sua vez, a memória a longo prazo divide-se em dois níveis:

  • o nível cognitivo, que assegura a interação entre conhecimentos (temáticos, linguísticos, discursivos e avaliativos), estratégias necessárias ao processo de revisão e representação do texto em processo de revisão;
  • o nível metacognitivo que compreende modelos de conhecimento e a compreensão das estratégias.

Dicas de revisão para revisores de textos

Os revisores sempre precisam de uma segunda, terceira, quarta olhada no texto para detectar eventuais erros factuais, gramaticais ou de ortografia – bem como para alcançar a melhor estrutura comunicacional possível.
Quando mais e mais os revisores voltam ao texto, mais fácil se torna deixar passar erros ou construções menos indicadas naquelas passagens já lidas e relidas. A mente se satura da informação sobre aquele texto e o revisor passa a saltar as palavras, adivinhá-las ou dar por bem entendida uma ideia que não está tão bem expressa. É o mesmo processo que ocorre com o autor, com um pequeno viés: o revisor é contratado para driblar isso, então esse tipo de falha deve ser afastada.
Já que os revisores não podem (normalmente) colocar o trabalho de lado por um tempo e depois voltar a lê-lo, perdemos um "olhar de estranho", a alteridade, distanciamento do objeto de trabalho, o que é essencial para identificar erros. Os nossos olhos podem ver os erros, mas o nosso cérebro interpreta o que o olho vê como já compreendido e assimilado pelas leituras anteriores.
Então é hora de enganar o cérebro, apresentando o material de forma distinta, diferente; assim, forçando-o a ver o trabalho como um estranho faria  – um pouquinho, pelo menos.
Aqui, algumas dicas para enganar o cérebro e evitar essa saturação pelas releituras:
  • tente enganar o cérebro  –  altere o tamanho e a cor do texto, a fonte ou fundo;
  • não se prenda na narrativa  –  leia de baixo para cima, assim você é forçado a pensar;
  • leia em voz alta  –  para poder ouvir bobagens na construção da frases;
  • imprima  –  para ter ainda mais uma visão do texto.
Claro que sabemos que nem sempre todas essas etapas são possíveis (nem mesmo necessárias), mas cabe a cada revisor identificar qual desses recursos complementares poderá surtir melhor efeito em cada caso. O uso de todos eles é um limite, o máximo possível  –  mesmo com a agregação de mais artifícios com o objetivo semelhante. Tudo isso vale também para o autor, mas a dica principal para o autor é nunca dispensar um bom revisor profissional.

Dicas para revisores de textos acadêmicos

Os revisores de textos sempre dão dicas para os autores, a mais importante delas é que todo texto precisa passar pela revisão profissional. Mas existem as dicas para revisores, eles mesmos, às quais sempre estamos atentos e que podem servir de orientação para o autor compreender o trabalho do revisor e sua importância.
Muitas das habilidades críticas necessárias para tornar-se um revisor acadêmico de sucesso não são, em geral, ensinadas nas escolas de graduação, pelo menos não de modo formal. Uma destas é como revisar artigos acadêmicos profissionalmente, com foco no interesse do cliente.
Como as pessoas aprendem a revisar? A maioria dos revisores aprendem a revisar pela imitação.  “O trabalho de um revisor é desaprovar o texto. Procure quaisquer falhas que ele possa ter na grafia, sintaxe, lógica, coerência e nas conclusões e então as comunique ao autor.” Deste modo, o ciclo de revisões negativas se perpetua gerações afora, mas não é assim que deve ser.

Aqui estão algumas diretrizes a que aderimos e que recomendamos.

  • Clareza na função. O trabalho do revisor é melhorar um artigo submetido, não (necessariamente) julgá-lo e certamente não desqualificá-lo. O autor espera seu trabalho para valorizar o texto, de forma que você deve aperfeiçoar a redação do artigo e apresentar sugestões.
  • Agilidade no trabalho. Suas revisões precisam ser programadas. Não deixe para começá-las no último minuto. Se quer construir uma reputação como bom revisor, seja pontual e apronte sua revisão à frente do cronograma.
  • Cuidado na leitura. Sim, você precisa ser ágil, mas não às custas da exatidão. Leia o artigo cuidadosamente e retorne aos trechos que não estejam claros tantas vezes quantas forem necessárias, em cada um das fases da revisão.
  • Interferir sem hostilidade ou tendências maliciosas na revisão. Já houve revisões hostis em demasia, demonstrando superioridade no trato com a língua. Se houver alguma confusão mais comprometedora no texto, apresente-a abertamente mas sem ser rude a respeito.
  • Concisão nas explicações. O autor é pessoa ocupada. Ele espera sua opinião, não tratado de linguística e teoria da comunicação justificando cada interferência.
  • Não ser pedante. Não limite seu trabalho à procura de erros de grafia e infelicidades gramaticais. Mas não reconstrua todo o texto do autor. Os revisores de texto existem para melhorar o trabalho do autor, não para o substituir.
  • Bom estilo de revisão. Não há consenso acerca de um estilo de revisão, de modo que você pode desenvolver um que lhe seja mais aprazível. Mas estilo de revisão não pode ser impor estilo autoral do revisor.
  • Recomendação de reescrita. Melhor sempre reescrever, quando possível, e perguntar se era aquilo que o autor pretendia dizer.
  • Cuidado com o egocentrismo. O trabalho do revisor é de assessoramento do autor, ele é a estrela do texto.
  • Não opinar sobre o trabalho, emita seu parecer no máximo quanto à estrutura do texto e apenas se o autor solicitar expressamente.

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