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Concepções de revisão de texto

Toda revisão de texto é igual? Com que conceitos teóricos trabalha o revisor de textos? Será que eu me identifico com a concepção de revisão de textos do revisor que vou contratar?

Existem concepções diferentes de revisão de texto, sendo possível agrupá-las em três grandes conjuntos: (i) a revisão entendida como uma alteração efetiva, porque visível, no texto; (ii) a revisão como componente do processo de escrita cujo objetivo é o de tentar melhorar o texto já escrito; e (iii) a revisão como componente de controle da produção escrita. Revisão de texto implica diagnosticar as problemáticas do texto, propor melhorias e selecionar uma tática de resolução do problema. No entanto, estes subprocessos da revisão podem resultar na alteração do texto escrito.
Nunca deixe a revisão do texto da dissertação para a última hora.
O perfil do revisor de textos deverá se ajustar
ao de cada autor com que ele trabalha.
No que concerne aos motivos que conduzem o autor a procurar um revisor, inclui-se assegurar a correção da expressão linguística e a adequação do que já foi escrito e do que se projeta escrever em continuação aos requisitos estabelecidos para o texto. As sucessivas alterações ao escrito não invalidam a existência de uma revisão final quando o texto se encontra no limiar da sua existência como produto. O autor pode assim ver o seu texto sob nova perspectiva: como texto global, acabado, encontrando-se livre da procura da continuação textual. O retorno ao texto pelo revisor prende-se, sobretudo, a motivações pragmáticas: a revisão do documento consiste e em introduzir nele modificações no sentido de conferir maior comunicabilidade e mais usabilidade.
Identificam-se como principais estratégias de revisão do texto as operações retrospectivas: movimentos contínuos entre o texto já escrito e o texto que se vai gerando, sendo este fenômeno onipresente na escrita e na revisão. Estes movimentos, utilizados com variados propósitos, correspondem ao comportamento estratégico do revisor na resolução dos problemas que se vão colocando ao longo da revisão. No que concerne aos elementos objetivos de revisão, há uma taxionomia de alterações de revisão baseada em considerações como: se nova informação ou construção é trazida para o texto, ou se informação é removida, de maneira que não possam ser recuperadas pelas inferências. O êxito da revisão dependerá das competências de planificação do revisor.
Podemos destacar três aspetos recorrentes no que diz respeito à revisão da expressão escrita: (1) O processo de composição hierárquica e recursiva implicando que a revisão pode ser de diferentes níveis de produção textual. (2) A revisão não é entendida apenas como uma mudança no texto, mas considera que o processo pode ser concluído sem levar necessariamente a correções ao texto que foi escrito. (3) A revisão pode afetar elementos pré-textuais.
Apresentaremos aqui dois modelos cognitivos de revisão: o primeiro consiste na especificação dos processos de revisão e compreende duas componentes: (i) o processo de revisão propriamente dito, que inclui a leitura para avaliar, a seleção de estratégias e a execução da revisão, e (ii) os conhecimentos que intervêm no processo, que incluem a competência linguística formal, critérios de planificação e de definição de gêneros textuais, representação do problema e procedimentos de revisão; outro modelo enfatiza o papel da metacognição e da memória no processo de revisão e integra duas componentes: (i) o contexto da tarefa, compreendendo as dimensões retóricas e pragmáticas (assunto, público-alvo e importância) e a representação do texto realizado em processo de revisão ao nível discursivo e léxico-sintático; e (ii) o sistema cognitivo/metacognitivo que se divide em memória a longo prazo e memória de trabalho.
É no campo da memória de trabalho que o revisor vai elaborar a representação dos problemas retóricos e a representação do texto real. A partir desta confrontação, o revisor, após elaborar um diagnóstico dos problemas no texto produzido, seleciona, modifica ou cria estratégias de revisão, para, finalmente, aplicar as revisões do texto representado ao texto produzido.
Por sua vez, a memória a longo prazo divide-se em dois níveis: (i) o nível cognitivo, que assegura a interação entre conhecimentos (temáticos, linguísticos, discursivos e avaliativos), estratégias necessárias ao processo de revisão e representação do texto em processo de revisão; e (ii) o nível metacognitivo que compreende modelos de conhecimento e a compreensão das estratégias.

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