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Como se deve começar um texto acadêmico?

Do branco para a banca!

Como começar um texto acadêmico? Como romper os bloqueios, o "branco" e outras barreiras psicológicas da redação?

Cada gênero textual tem suas regras próprias que visam a otimizar a comunicação, mas também não se pode negar que haja um aspecto ritual ou simplesmente tradicional na preservação de certos rigores em alguns gêneros textuais, dentre os quais os textos acadêmicos, como as teses e dissertações. Textos científicos (ou acadêmicos, de modo geral) têm suas regras, impostas pelo seu objetivo principal: comunicar pesquisas, seus resultados, apresentando-os à comunidade científica.
A revisão de textos atende especificamente a cada gênero textual.
O medo da folha em branco foi substituído pelo terror da tela do computador.

Essas regras, impostas pelo gênero, comumente dão causa a bloqueios de redação, principalmente para aqueles que estão se iniciando na vida acadêmica, mas algumas vezes, mesmo para quem já tem alguns anos de prática neste tipo de redação.
Muitas vezes, a superação do bloqueio, o afastamento daquele "branco" ou a quebra das barreiras imaginárias pode podem ser feitos por esquemas como o que apresentamos a seguir.
Esse pequeno conjunto de dicas apresenta facilita aos iniciantes a escrita de texto científicos:
Mesmo com sentido, cumpre lembrar que escrever textos acadêmicos dado é uma longa aprendizagem com muitas tentativas e erros e que vai além dessas poucas regras.

Usar a forma impessoal.

Este procedimento está cada vez menos rígido, depende da área do conhecimento a que o texto se destina; isso continua mais exigido nas chamadas ciências “duras”. Um texto científico quer ser independente da opinião autoral e baseado em dados. Para isso, se adota uma construção que tenta ocultar o autor. A forma usual para isso em português é a forma impessoal, construções passivas, com abandono generalizado do antiquado plural majestático. Por exemplo não escrever “coletamos dados sobre ...” ou “vamos propor ...” mas escrever “foram coletados dados sobre ...” ou “será proposto ...”
Economizar adjetivos e superlativos.
O texto científico pretende apresentar fatos e dados objetivos. Ele não tenta (ou não deveria tentar) “vender” uma solução. Por isso adjetivos devem ser usados com restrições e os superlativos evitados. Por exemplo evitar expressões como “o maior problema”, “solução perfeita”, “a ferramenta ideal”, “um ótimo desempenho”. São expressões para panfletos publicitários. Por serem encontrados na vida cotidiana, nos acostumamos a eles. Todavia, em texto científico, cada palavra deve usada literalmente e não se pode dizer que alguma coisa é perfeita ou a maior, sem que ela seja, efetivamente, perfeita ou a maior de todas. Prefira expressões mais realistas como “um dos maiores problemas”, “uma boa solução”, “uma ferramenta adequada”, “um bom desempenho”.

Apresentar com clareza o problema em pauta.

Qualquer pesquisa visa solucionar problemas. Sem identificação clara do problema, não há como julgar da qualidade da solução. O problema apresentado deve ser geral, porque ninguém se interessa para o problema pessoal de Fulano ou Beltrano. Deve-se generalizar o problema para que o leitor possa identificar uma contribuição de interesse para ele. Por exemplo: escrever um parágrafo curto começando com “O problema abordado nesse trabalho é ...”

Honestidade intelectual.

Não esconder fatos adversos ou dados à tese ou problemas ocorridos na pesquisa ou experimentos. Pesquisa é um trabalho árduo que progride lentamente. Uma pequena contribuição apresentada honestamente é melhor que uma solução maravilhosa mas forjada. Avança-se a partir de uma pequena contribuição boa. Não se trata de solução, mas de apresentar sua contribuição. Os contrapontos encontrados devem ser apresentado honestamente para que o leitor avalie a qualidade da proposta.

Reconhecer e apontar a contribuição apresentada.

A contribuição pode ser pequena, mas se o autor não a apresentar clara e objetivamente, pode não ser entendida pelo leitor. Há contribuições de várias formas, mesmo que seja pela eliminação de uma hipótese. Por exemplo: Coleta de dados sobre a situação de um evento no Brasil ou no DF ou em Brasília (qual é o custo médio, qual é a importância da ocorrência, sua frequência, gravidade, variações.
Embasamento das afirmações.
Para ser crível, o texto científico deve se embasar em “provas” reconhecidas. São aceitos dois tipos de “provas”: 
  • (i) referência em artigo científico publicado em congresso ou revista com comitê de avaliação; 
  • (ii) dados concretos obtidos diretamente e apresentados no texto com a maior clareza e objetividade possível, inclusive com a metodologia de coleta das informações.
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