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Coerência textual e linearidade

O revisor estará atento à coerência e à linearidade do texto, de modo a evitar saltos ou lacunas na estrutura da dissertação ou da tese.

Atualmente, a linguística textual coloca como centro de suas preocupações estudos sobre gêneros textuais ou discursivos e fenômenos de ordem sociocognitivas como referenciação, inferenciação. Estudar aspectos relativos à coerência textual é de grande relevância para a revisão de texto, já que a coerência assume papel preponderante nos processos de produção e compreensão de textos. Assim, deixar de considerar a coerência significa relegar a produção e compreensão de textos e, mais ainda, a própria atividade humana como atividade de construção de sentidos através dos textos.
Coerência e linearidade são aspectos
do texto que receberão acurada revisão.
O conceito de coerência, em sintonia com a linguística textual moderna, passou por uma significativa ampliação. Não dá para se falar de um conceito de coerência, assim como não dá para de falar de um conceito de texto. Trata-se, aqui, de conceitos de coerência, trazendo à baila posições de alguns estudiosos da área sobre essa temática.
Apoiando-se na definição de texto como estrutura sociocomunicativa, a coerência textual consiste numa estrututa-em-profundidade lógico-semântica. A coerência lógico-semântica é condição necessária para toda atuação verbal eficaz na comunicação. Para um conjunto de enunciados constituir um texto coerente, é preciso que nele seja mantida intenção e que ela seja reconhecida pelos parceiros da interação.
Além de coerência e linearidade, a revisão de texto
considera diversas questões autorais,
dentre muitos outros aspectos.

Partindo da ideia de que não existe texto incoerente em si, defende-se a noção de coerência como um princípio de interpretabilidade do texto. É sempre possível construir um contexto em que uma sequência aparentemente incoerente passe a fazer sentido. 
Existe uma proposta que consiste na formulação de quatro meta-regras da coerência textual, quais sejam:
(i) meta-regra da repetição – “para que um texto seja (microestruturalmente e macroestruturalmente) coerente é preciso que contenha, no seu desenvolvimento linear, elementos de recorrência estrita”;
(ii) meta-regra da progressão – “para que um texto seja microestruturalmente ou macroestruturalmente coerente, é preciso que haja no seu desenvolvimento uma contribuição semântica constantemente renovada”;
(iii) meta-regra da não-contradição – “para que um texto seja microestruturalmente ou macroestruturalmente coerente, é preciso que no seu desenvolvimento não se introduza nenhum elemento semântico que contradiga um conteúdo posto ou pressuposto por uma ocorrência anterior, ou deduzível desta por inferência”; e
(iv) meta-regra da relação - “para que uma sequência ou um texto sejam coerentes, é preciso que os fatos que se denotam no mundo representado estejam relacionados”.
Com o foco sobre o aspecto da coerência e linearidade textual, coloca-se em discussão a necessidade de levar em consideração a ordem de aparição dos segmentos que constituem o texto, já que a coerência envolve relações de ordem, essencialmente a relação “preceder” (que indica que a coerência do “seguido” é função do “precedente”) e acessoriamente a relação inversa. Existem dois níveis de organização textual, nos quais a coerência se expressaria, o macroestrutural e o microestrutural.
(i) no nível microestrutural (local) – diz respeito exclusivamente às relações
de coerência que se estabelecem, ou não, entre as frases (sucessivamente ordenadas) da sequência; e
(ii) no nível macroestrutural (global) – refere-se às relações que se estabelecem entre as sequências consecutivas.
Por fim, a coerência de um enunciado deve ser conjuntamente determinada de um ponto de vista local e global, pois um texto pode ser coerente no nível da microestrutura textual sem ser coerente macroestruturalmente. A coerência textual no nível macroestrutural ou global se constrói pela associação de uma sequência de macroestruturas e microestruturas coerentes.
Adaptado de R. Bessa.

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