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Mostrando postagens de Abril, 2014

Partes de um artigo científico

A Introdução é a primeira seção de um artigo científico e tem a finalidade de informar ao leitor o que ele irá encontrar durante a leitura. Claramente, seu primeiro parágrafo, serve para situar o problema no contexto de uma pesquisa científica e explica o motivo de a pesquisa ter sido desenvolvida. No segundo (podendo ser mais de um) parágrafo, muitas vezes chamado de estado da arte, especifica-se e define-se a natureza e a extensão do problema estudado e, ainda, deve-se relatar a pesquisa de trabalhos anteriores. Em seu parágrafo de conclusão, explicam-se os objetivos da proposta apresentada, apresenta-se ao leitor um conhecimento de como o trabalho está organizado e o que irá precisar para entendê-lo. Além de não se repetir o que foi dito no Resumo, é na Introdução que se apresenta a revisão bibliográfica. A metodologia é o desenvolvimento da pesquisa descrita passo-a-passo. A organização das idéias na Engenharia, por exemplo, deve incluir a teoria relacionada (F…

Quadro de normas da ABNT

Muitas vezes se mencionam as “Normas da ABNT“ como se fossem “lei” ou documento isolado que deva ser respeitado nacionalmente e que traz tudo exatamente como deve ser feito. Como mesmo o plural da expressão menciona, há muitas normas diferentes emanadas daquela associação que se relacionam ao trabalho científico; em cada instituição de ensino ou pesquisa, ou em cada publicação adotam-se parcial ou totalmente essas normas, adaptando-as e modificando-as de acordo com o interesse específico. A Associação Brasileira de Normas Técnicas, ao contrário do que muitos pensam, é instituição privada; suas normas são adquiridas em seus representantes, elas são documentos isolados, custam caro e não estão reproduzidas integralmente em nenhuma publicação de outra fonte, pois os direitos autorais sobre elas são fortemente resguardados. Há casos de conflito interno no estabelecimento das normas, e de conflito entre as normas apresentadas, até pelas suas diferentes datas de atualização. Sobra a impres…

Falácias em teses e dissertações (I)

Argumentos falaciosos a serem evitados em teses e dissertações A tese e a dissertação devem ser constituídas de argumentos honestos, claros e lógicos. O revisor de textos verifica a natureza da argumentação. Qualquer tese, dissertação ou artigo científico deve observar o que Peirce chama de “ferramentas para o raciocínio correto”. Quando se trata da construção e exposição de raciocínio ou argumentação em texto acadêmico, isso passa a ser coisa séria a que o revisor do texto deverá dar toda atenção de forma supletiva ou complementar ao cuidado que o orientador tiver dado ao caso. Não somos especialista em metodologia, nem em retórica e tampouco pretendemos ensinar as pessoas a argumentar, mas lógica é assunto fascinante e construção de argumentos depende de lógica. As lógicas são esqueletos que tornam as linguagens (dos idiomas à matemática, passando, e muito, por tecnologia da informação) possíveis. Nós dependemos dessa lógica textual para nos relacionarmos uns com os outros, para no…

Falácias em teses e dissertações (II)

Argumentos falaciosos a serem evitados em teses e dissertações Dando sequência à série de argumentos falaciosos, apresentamos aqui alguns que se reportam contra as falhas da argumentação, outros contra a pessoa que argumenta e outra que consiste em estender um argumento para negá-lo. A todas essas questões deverá atentar o revisor, dendo dos limites de sua competência estabelecida, inclusive, eticamente em relação ao autor e orientador da tese ou dissertação, isso é, sem formação de juízos sobre o texto, mas aparando-lhe as arestas segundo o pensamento do autor e sua intensão. 4. A falácia da falácia Trata-se de se entender que uma afirmação está errada só porque não foi bem construída ou porque uma falácia foi cometida. Se o autor for honesto, terá em mente que só porque alguém cometeu um erro em algum texto na sua defesa do argumento, isso não significa que o argumento em si esteja errado. 5. Falácia da ladeira escorregadia O autor faz parecer que o fato de que, por se ter permitido …

Falácias em teses e dissertações (III)

Argumentos falaciosos a serem evitados em teses e dissertações Algumas falácias não passam de resultado da teimosia de certos autores, outras são resultados de arraigadas posições políticas ou ideológicas acerca da questão em tópico. De um modo ou de outro, quem está escrevendo uma tese ou dissertação deve estar atento a tudo que escreve para identificar as próprias posições e expurgar aquelas que o estão levando a erro. Sempre no intuito de preservar a intensão do autor é que ocorre a intervenção do revisor de textos que, por sua vez, não pode extrapolar com as próprias convicções políticas e ideológicas. 7. Falácia do tu quoque (você também) Você evitar ter que se engajar em críticas virando as próprias críticas contra o acusador – você responde críticas com críticas. Esta falácia, cuja tradução do latim é literalmente “você também”, é geralmente empregada como um mecanismo de defesa, por tirar a atenção do acusado ter que se defender e mudar o foco para o acusador. A implicação é q…

Falácias em teses e dissertações (IV)

Argumentos falaciosos a serem evitados em teses e dissertações Outro grupo de falácias que não podem ser encontradas em tese ou dissertação, bem como em nenhum texto sério. Perguntas complexas, inversão de ônus da prova e ambiguidades são, quase sempre, vícios intencionais nos textos. Portanto, na ocorrência desse tipo de falha por desaviso, cabe ao revisor apontar a questão - inclusive para salvar a credibilidade do argumento. Texto fica tão ou mais comprometido pelas falácias, mesmo involuntárias, em que incorre, quanto por lapsos de ortografia e sintaxe. 10. Falácia da pergunta carregada O autor apresenta uma questão que tem a resposta embutida, de modo que ela não pode ser respondida sem uma certa admissão de culpa. É uma insinuação por meio de um questionamento ou de uma pergunta. Chamada também pergunta complexa.
Questões desse tipo são particularmente eficientes polemizar, graças a sua natureza inflamatória – o interlocutor da pergunta carregada é compelido a se justificar e fi…