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Amar a língua pátria

Amar a língua pátria é um ato de civismo. Causou pasmo, estes dias, a polêmica dos livros publicados pelo Ministério da Educação contendo incorreções gramaticais. No falar e no escrever cumpre primor de linguagem.
A pátria é a língua. Causa pasmo, por isso, ver os maus-tratos que sofre o português, um pouco por toda a parte, cotidianamente, na mídia e, o que é mais lamentável, nas alocuções de muitos homens públicos e agora até em manuais editados em Brasília.
Medalha da Inconfidência:
governador Anastasia e cônego Vidigal de Carvalho.
Afirmou Antônio José Saraiva: “A palavra deve ser cuidada. Através das palavras liga-se o pensamento e responsabilidade cívica. Não é por acaso que hoje se volta a valorizar a oratória e a retórica – perante a pobreza dos discursos e da comunicação e a confusão dos argumentos. É a identidade como povo e como cultura que está em causa”.
É necessário um clamor geral contra o aviltamento da formosa Língua Pátria e medida salutar é promover, em alto nível, uma conscientização do problema para salvar no Brasil este belo idioma. Há um desconhecimento da Filosofia da Comunicação, uma vez que a gramática e os vocábulos corretos estão a serviço do entendimento entre pessoas racionais. Fenômeno de fundas consequências este da anarquia e empobrecimento da maneira de se exprimir. Tanto mais grave quando já não inclui somente uma geração nova, vítima de um contexto histórico agressivo aos autênticos valores, mas que se alastra até pelas Universidades, envolvendo inclusive professores, cuja pobreza vocabular se ajunta, por vezes, a um mau gosto no uso de expressões, de fato, lastimáveis, que mostram a penúria intelectual, a indigência lexicológica reinantes. Verdadeiro vandalismo que se verifica nas províncias sublimes da Língua. Semi-analfabetismo que leva, não apenas à infração ostensiva das mais elementares regras gramaticais, mas ainda à desvalorização de nosso rico vocabulário. É o emprego correto de palavras exatas que dá clareza e ritmo à frase, fazendo a língua portuguesa tão encantadora e melodiosa. Falar e escrever incorretamente são atitudes antifilosóficas e que obstaculizam a comunicação de realidades interiores para se chegar às paragens do belo.
Se é condenável o mesmo vocábulo usado para manifestar conceitos completamente díspares e tudo se torna “bacana”, “jóia”, como se tão pobre fosse nosso rico idioma, como foi observado, ainda mais triste o uso de termos de baixo calão, grosseiros de visível mau gosto e o pior ainda veicular frases com visível violentação da gramática, que tem por objetivo estudar a forma, a composição e a inter-relação das palavras dentro da oração ou da frase, bem assim o seu apropriado ou correto uso.
É preciso denunciar as agressões ao vernáculo, pois só uma coisa pode libertar-nos da hipnose, da escravidão mental abjeta que vai campeando por toda parte, deslustrando a “última flor do Lácio”. Cumpre que se cultive uma linguagem genuína, correta, pura, isenta de baixaria, um falar e um escrever castiço digno da língua de Camões, Vieira, Camilo, Eça de Queiroz, Coelho Neto, Olavo Bilac, Rui Barbosa e tantos outros que engrandeceram esta língua, orgulho dos verdadeiros patriotas.
Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho,
da Academia Mineira de Letras

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