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Partes de um artigo científico

A Introdução é a primeira seção de um artigo científico e tem a finalidade de informar ao leitor o que ele irá encontrar durante a leitura. Claramente, seu primeiro parágrafo, serve para situar o problema no contexto de uma pesquisa científica e explica o motivo de a pesquisa ter sido desenvolvida. No segundo (podendo ser mais de um) parágrafo, muitas vezes chamado de estado da arte, especifica-se e define-se a natureza e a extensão do problema estudado e, ainda, deve-se relatar a pesquisa de trabalhos anteriores. Em seu parágrafo de conclusão, explicam-se os objetivos da proposta apresentada, apresenta-se ao leitor um conhecimento de como o trabalho está organizado e o que irá precisar para entendê-lo.
O artigo científico apresenta dados
que podem vir 
em forma de
gráficos ou tabelas.
Além de não se repetir o que foi dito no Resumo, é na Introdução que se apresenta a revisão bibliográfica.
A metodologia é o desenvolvimento da pesquisa descrita passo-a-passo. A organização das idéias na Engenharia, por exemplo, deve incluir a teoria relacionada (Física, Matemática, Biologia, Química ou Computação), o método utilizado e as técnicas aplicadas na descrição de modelos reais ou de simulação, etc. Deve-se ter uma ordem de apresentação e a qual, também, de ser feita com precisão e detalhamento. Não se deve fazer uma descrição excessiva de processos comuns.
Para os Resultados, devem-se apresentar, de preferência, gráficos e tabelas. Devem conter comparações e questionamentos relativos à proposta. Tudo o que for mostrado em figuras ou tabelas deve ser comentado textualmente. É importante que se relatem dados não encontrados, mas isto só deve ser feito caso eles afetem a interpretação dos resultados que estão mostrados. Tanto na Engenharia quanto na Física, tabelas e figuras são partes integrantes de um bom trabalho escrito. Note-se que os leitores dessas áreas têm preferências pelas tabelas e figuras antes de ler o texto numa proporção de 10 para 1.
O termo “Considerações Finais” cabe muitas vezes, neste tipo de literatura, bem melhor que a palavra “Conclusão”. Em geral, nesta área da ciência dificilmente se conclui uma pesquisa, pois se está tratando com processos cuja dinâmica é muito presente. Ao pensar que se concluiu um assunto e deixá-lo por um longo período de tempo, observa-se, na volta, que tudo se modificou: novos resultados estarão sempre sendo mostrados por outros autores. Vale ainda, nesta parte do trabalho, relatar os resultados para as questões elaboradas na introdução, agora, com comentários e interpretações – concorde-se ou não com os trabalhos publicados anteriormente. Outra informação importante, nesta parte do trabalho, é a de que não se devem citar referências – a menos que se façam comparações, mas isto deve ser feito de forma escrita, pois estas considerações são opiniões pessoais do autor e seu grupo de trabalho. Além do que, é muito bom lembrar que um grande problema do desfecho é o de achar que todos os problemas serão resolvidos com os resultados da pesquisa. Então, para evitar isso, as contribuições do trabalho devem ser evidenciadas, assim como, a sua sugestão para trabalhos futuros.
Nas Referências devem constar somente as citações indicadas no texto. Portanto, nunca se incluem nesta lista, as literaturas não citadas no trabalho. Entre as normas aceitas estão a ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas), Vancouver, Chicago,  e a IEEE (Institute of Electrical and Electronics Engineers), as quais são padrões na Engenharia. Por fim, a lista de referências é um documento de registro e que servirá para quem se interessar em saber como tudo começou com relação ao que foi tratado.
Adaptado de: Como (não) Escrever um Artigo de Almeida e outros

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