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Ponto, vírgula, ponto e vírgula e mais pontuação

A pontuação deve ser usada segundo a necessidade imposta pelo texto, considerada a gramática e o objetivo comunicacional do produto!

Vírgula

Sinal gráfico (,) mais usado, por isso mesmo aquele que ocasiona a maior quantidade de erros de pontuação. Um dos mais comuns é separar sujeito de verbo, ou verbo do complemento – o que é também erro lógico, além de gramatical. Outro, usar apenas uma das vírgulas na intercalação – usam-se as duas, quando obrigatórias, ou nenhuma, quando dispensáveis: O empresário, preocupado com o ritmo da inflação, começou a comprar dólares; Terminou ontem[,] às 10h[,] o prazo para entregar declaração do Imposto de Renda.
Pontuação e considerações técnicas sobre revisão.
A pontuação faz parte do sentido,
do ritmo, da sintaxe e da estética
da frase. O revisor do texto
vai cuidar muito bem de pontos,
vírgulas e dos outros sinais.
Como todos sabem, a vírgula é um dos sinais de pontuação mais desprezados. Há mesmo escritores, jornalistas e colunistas que se especializam em não a usar ou em usá-la sempre nos locais errados. E tanta coisa pode depender de uma coisa tão discreta… É o que se aprende com este vídeo profundamente terapêutico. Vejam e leiam com atenção que logo perceberão a importância da vírgula.
Outros casos em que a vírgula deve ser usada:
  • nas enumerações de termos ou orações: “As formas de incorporação tecnológica na escola como mediadora entre o indivíduo e o conhecimento no ambiente educacional vêm sendo discutidas por filósofos, psicólogos, educadores, neurocientistas, linguistas, pesquisadores de Inteligência Artificial (IA) e tantos outros que…” (PINTO, 2001:10);
  • para isolar qualquer elemento explicativo (isto é, a saber, aliás – a serem evitados no texto científico), aposto, vocativo, orações intercaladas;
  • para isolar adjuntos, em especial quando deslocados e muito longos: No momento da volta ao palco para receber os aplausos, a atriz já estava sem maquiagem;
  • antes de conjunções adversativas como mas, porém, entretanto: “Não existe modelo perfeito, mas o modelo KS parece ser dentro do estado da arte atual aquele que proporciona os melhores resultados”;
  • para separar orações adjetivas explicativas, que funcionam como aposto e trazem informação secundária: “O QUIZSITE, que foi desenvolvido na Universidade de Indiana, em 1996, é um sistema de administração de testes, provas e exercícios pela Web”. Uma mesma frase, sem vírgulas, tem outro significado: foram entrevistados apenas os candidatos que forneceram declaração de rendimento – tornando-se adjetiva restritiva. Muito cuidado com essa sutileza. A frase – Gino Poli e sua mulher Amélia compareceram à cerimônia – significa, para o leitor atento, que Poli possui mais de uma mulher. Se assim não for, o nome Amélia é aposto (explicação) de Gino Poli e sua mulher e deve vir entre vírgulas: Gino Poli e sua mulher, Amélia, compareceram à cerimônia;
  • para indicar elipse de verbo: O reitor da USP votou contra a proposta e o da Unicamp, a favor.
Piada de revisor de textos para os autores, de todo tipo de escritos:
– Sabe aquele história de cavalo bem ferrado?
Não, não sabe: é que é coisa de gente da roça a piada:
– Quantas ferraduras são necessárias para um cavalo bem ferrado?
– ? ? ? Quatro?
– Nenhuma! Se ele já está bem ferrado, não carece de mais ferradura nenhuma!
Pois é, tenha em conta, agora, que é o mesmo caso no parágrafo bem escrito:
– Quantas vírgulas se colocam em uma frase bem escrita?
– Nenhuma! Se a frase está bem escrita, já tem as vírgulas necessárias, nenhuma a mais, nenhuma a menos!

Ponto e vírgula

Emprega-se nos seguintes casos:
  • para separar orações coordenadas assindéticas (sem conjunção) que guardem relação entre si: A represa está poluída; os peixes estão mortos;
  • para separar orações coordenadas, quando pelo menos uma delas já tem elementos separados por vírgula: O resultado final foi o seguinte: 20 deputados votaram a favor da emenda; 39, contra;
  • para separar os diversos itens de uma enumeração, principalmente quando há vírgulas em seu interior: Compareceram ao evento: Henrique Moraes, cientista social; Paulo Santos, historiador; Marcos Tavares, economista, e Antônio Rocha, cientista político.

Dois-pontos

O sinal dois-pontos tem uso bastante simplificado na Língua Portuguesa. É usado para:
  • anunciar citação ou enumeração: Disse Jesus: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida.” Separe apenas isto: meias, cuecas, sabonetes e creme dental.
  • arcar a omissão de conectivo estabelecendo ligação de síntese, esclarecimento com o enunciado anterior: Volte aqui: precisamos rever o acordo. Abram as janelas: o dia brilha lá fora.

Ponto de exclamação

Quase sempre desnecessário no texto acadêmico. É evitado em títulos. Em texto científico, só deve vir entre aspas na reprodução literal de declaração enfática. A força do fato decorre de sua própria intensidade, não de recursos de estilo de qualquer espécie.

Reticências

Use para indicar a interrupção da frase, com a finalidade de sugerir:
  • quebra de sequência na fala ou no pensamento do narrador ou da personagem: – Vá pra casa, menino!… aí vem temporal…;
  • supressão de trecho sem importância no texto: “Com os descobrimentos marítimos dos séculos XV e XVI, os portugueses ampliam enormemente o império de sua língua…”;
  • dúvida, hesitação, surpresa: Qualquer dia destes, embarco pra.… para… pra China.

Travessão

O travessão é utilizado:
  • para indicar a mudança de interlocutor nos diálogos;
  • para isolar a fala da personagem da fala do narrador;
  • para destacar ou isolar palavras ou expressões no interior de frases.

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