Nossas tipologias da revisão de textos

Revisão cooperativa

Há situações de escrita nas quais o processo de cooperação entre autor e revisor não é completamente dominado, por exemplo, nas instituições de ensino superior. A revisão cooperativa (ou colaborativa), a revisão do texto com a completa interação entre escritor e revisor, cria a situação de comunicação em que podem surgir pedidos de esclarecimento, com imediata resposta à demanda. Estamos falando de revisão de textos completamente integrada a reescrita autoral.
Não estamos falando tão somente de cooperação no sentido co-laborativo, fazer junto, laborar junto; estamos estendendo e ampliando o sentido de revisão cooperativa também no sentido da cooperação linguística, o princípio geral que dá conta da cooperação entre sujeitos em situação comunicacional.
Assim, partimos dos axiomas linguísticos (existência, identidade e identificação) e alcançamos os recursos de programa e mídias compartilhados que permitem a vinculação semântica sincrônica e abordagens de acordo com os custos e variáveis cognitivas e, segundo as habilidades dos sujeitos. A revisão de texto cooperativa torna possível a comparação das perspectivas de diferentes atores com foco no escritor e promove a atividade de revisão fundamentada remotamente. Permite a implementação de estratégias mais eficazes e atividades de compreensão de leitura para o reprocessamento da escrita em toda sua complexidade sintática e semântica.

Todavia, há situações de escrita nas quais o processo de cooperação entre autor e revisor não é completamente dominado, por exemplo, nas instituições de ensino superior . A instituição costuma se interpor, por seus prepostos, causando um obstáculo à comunicação autor-revisor. Há dois principais motivos para tal interposição: o primeiro, o discurso de autoridade da instituição, que não admite outra componente na equação comunicativa; depois, a conceituação arcaica que só enxerga na eventual participação do revisor o papel de catador de letras inadequadas.
Na perspectiva tradicional, a revisão era vista como etapa subsequente à produção escrita, para todos os tipos de texto; o objetivo seria corrigir o texto detectando violações nas convenções da norma culta. O senso comum pautava a revisão pelas suas interferências mais mecânicas, corrigir ortografia, pontuação, concordância verbal e nominal, de acordo com as normas apontadas em gramáticas, dicionários e manuais. Segundo essa ótica, a revisão é tratada como uma das etapas da reescrita autoral, focalizados apenas os aspectos estruturais formais do texto. A maioria dos revisores contemporâneos, atualizados em relação ao ofício, veem a revisão como atividade recursiva, que pode ocorrer em qualquer etapa do processo, deixando de lado a concepção etapística linear.
A revisão do texto não exige conhecimento sobre o campo epistemológico do objeto do texto, mas habilidades linguísticas e textuais, sem descartar conhecimentos extralinguísticos. Os conhecimentos extralinguísticos envolvem a capacidade de exercer controle consciente sobre sua própria elaboração e, tendo em conta o contexto da produção: o destinatário, o tipo de texto e a questão da produção. Em situação de revisão cooperativa, a ativação das habilidades necessárias é facilitada pelo trabalho colaborativo. Atividades de revisão cooperativa levaram a um desempenho mais elevado que aquelas em situação de revisão monocrática de revisão.
Tais resultados melhores da revisão cooperativa podem ser explicados pela hipótese de que ela constitui auxílio na implementação de três operações principais propostas pelo revisor interativo: a identificação do problema, a tomada de decisão para fazer uma mudança e a execução da alteração. A revisão cooperativa ou colegiada estabelece funções e tarefas, tornando a análise mais fácil e tendo em conta a diferença entre o desejado e o texto produzido pelo escritor. O contínuo feedback entre revisor cooperativo e autor possibilita a visão distante e a contraposição autoral, portanto, objetiva mais qualidade na produção. Ela permite o destaque de áreas do texto que comprometem a compreensão e torna mais fácil implementar as atividades de inferência. Permite inferência,, preenchendo as lacunas semânticas e evitando áreas de informação implícita, subsunções hipotéticas em autor e público-alvo. A revisão interativa atribui a cada membro envolvido na atividade de revisão um papel específico, ; o revisor cooperativo sugere mudanças e encoraja o autor do texto originalTO em sua implementação. O autor e o revisor cooperativo, que desempenha o papel de perito em textos, estão engajados em colaboração em que papéis atribuídos tradicionalmente podem evoluir no âmbito da cooperação para melhorar o texto para facilitar a leitura e compreensão explícita.
A revisão de texto cooperativa é pautada por um conjunto de quatro máximas: máxima de quantidade, máxima de qualidade, máxima de relevância e máxima de modo. Cada uma das máximas é observada durante o processo de revisão realizado pelo revisor e autor em conjunto, ou pelo colegiado de revisores – com ou sem a participação do autor.
Máxima de quantidade está relacionada à informação apresentada no texto para que se dê o processo de compreensão por parte do leitor. Implica quantidade necessária, suficiente e supressão de excessos.
Máxima de qualidade está relacionada à verdade, a credibilidade e plausibilidade. O texto deve fornecer informações em que o autor acredita e apresenta como verdadeiras e que tenha evidências para comprová-las.
Máxima de relevância sugere que o autor faça com que seu texto seja relevante e comunicativamente pertinente, . aA inclusão de uma informação alheia ao foco dificulta a compreensão da mensagem por parte do leitor.
Máxima de modo refere-se à clareza de expressão, é um princípio evidente de cooperação por parte do autor e do revisor. Ambos interagem para procurar organizar as ideias com palavras objetivas, expressões de sentido preciso e frases bem estruturadas, evitando: obscuridade, ambiguidade, prolixidade, desordem.
Claro que o revisor que trabalha sozinho, de forma resolutiva (tendo seu trabalho como versão definitiva), também vai considerar todas essas máximas, mas a condição ideal para melhor proveito nesse sentido advém do trabalho cooperativo e dele resulta.

Cooperação Presencial

A natureza da leitura e da escrita baseadas em mídias e ambientes digitais abertos (internet, web) envolve processos de tratamento diferentes e implica abordagens mais complexas que as atividades metacognitivas durante o processamento de redação linear de um texto. A escrita colaborativa, com a ajuda das ferramentas de sistemas abertos (hipermídia cooperativa), leva os autores a melhor compreensão dos processos cognitivos e comunicativos inerentes e, portanto, a gerir melhor a construção social do conhecimento. Na perspectiva da revisão e a da revisão cooperativa de texto, usar ambientes virtuais (TIC) demanda do usuário a (re)estruturação do texto de um outro escritor (ou do revisor), adicionando anotações e comentários, o que cria uma rede de comentários cruzados, revelando todas as etapas da construção do conhecimento. A resolução de problemas nessa situação de revisão continuada a distância prova para ser mais eficiente que aquela feita cara a cara, especialmente para autores menos propensos à argumentação oral e que obtêm poucos benefícios das interações verbais.
Enquanto novas tecnologias mudam a relação entre revisor e autor sobre como escrever e revisar os textos, os próprios textos diferem em sua eficácia comunicacional com base em seu grau de complexidade e sua forma de construção. As alterações no status de planejamento, escrita e revisão baseiam-se na utilização de um processador de texto primário – limitado a substituição, remoção, troca e movimentação de fragmentos textuais – sem produzir maior desempenho, permitindo que seus usuários observam a predominância do processo de avaliação e planejamento da escrita em si. No entanto, esses resultados são diferentes quando os envolvidos no processo usam processador de texto mais avançado (ou têm pleno domínio da ferramenta), com acesso a corretores ortográficos e fazendo uso das ferramentas de indexação de texto, comentários, controles de alterações e outros recursos um pouco mais sofisticados. De fato, autores e revisores gastam menos tempo planejando e mais rapidamente entram no processo de escrita devido à facilidade que é oferecida a eles para retornar ao texto e revisá-lo. O texto produzido em computador apresenta qualidade superior em relação ao texto produzido com outros instrumentos (ditado, datilografado ou manuscrito – por exemplo), por causa da abundância de revisões possíveis com o processamento eletrônico de texto e pela possibilidade de interferência externa (a presença-ausente do revisor) contínua e contígua.
Através de páginas e blogs pessoais, assim como por seus canais de áudio e vídeo, os indivíduos criam sua própria personagem virtual na web sem qualquer consciência de quem sua audiência final pode realmente ser (ou seja, sem consciência extensional de destinatários específicos). No entanto, eles muitas vezes têm uma ideia de quem o público potencial pode ser (ou seja, com consciência intencional do tipo de destinatário). Às vezes, os indivíduos fornecem recursos de informação para a web como um subproduto durante alguns processos de auto-organização de seu próprio conhecimento. Essa forma de comportamento aparentemente cooperativo é predominante na web. Em essência, o objetivo do socioware é facilitar comportamentos pró-sociais emergentes para organizações virtuais auto-organizadas.

Cooperação a distância

A revisão do texto, campo de pesquisa recentemente retomado entre pesquisadores e especialistas do letramento, tradução, revisores acadêmicos, psico e sociolinguistas, em sentido amplo, é a atividade de retorno ao texto que ocorre em todas as tarefas e em todas as fases da escrita.
A revisão cooperativa remota via internet se encaixa mais frequentemente no campo da aprendizagem colaborativa à distância e opera frequentemente no contexto multicultural e multimodal, recaindo no âmbito exploratório do letramento em contexto digital.
Na revisão cooperativa realizada remotamente (cada colaborador em seu espaço), a interação entre pares é facilitada por processadores de textos que permitem que escritores incluir comentários no seu produto (o Word® faz isso!). A escrita colaborativa e a revisão de texto processada remotamente (revisão cooperativa a distância) envolvem processos específicos e, portanto, referem-se a modelos diferentes que temos de tentar integrar ao mesmo paradigma teórico. Essas tarefas são atividades conducentes à produção na era do digital, mas requerem mais investigação e nova concepção de letramento e produção de textos.
A perspectiva que inspirou todas as teorias de aprendizagem baseadas nas tecnologias da informação e comunicação (TIC): construtivismo, sócio-construtivismo, teoria da cognição de atividade, cognição distribuída, evidenciou a eficácia do trabalho colaborativo, a natureza social da aprendizagem e da produção. Com base em múltiplos pontos de vista, a revisão cooperativa remota permite, através pelasdas trocas e da reflexãoões comuns, a construção cooperativa do conhecimento, mesmo em áreas nas quais os processos cognitivos da textualização estão mal estruturados.
As TICs tornaram-se um dos blocos de construção fundamentais da sociedade moderna. Agora, muitos consideram a masterização das habilidades básicas e conceitos das TIC como uma parte inevitável do núcleo de educação e, consequentemente, da produção de textos. Para esse fim, vários novos modelos estão evoluindo em resposta às novas oportunidades que estão se tornando disponíveis por integrar as bases do conhecimento, em especial as baseadas na web e ambiente de produção cooperativa com armazenagem nas nuvens. A integração efetiva de tais aplicações, no entanto, depende, em grande medida, da familiaridade e habilidade com o ambiente de aprendizagem de tiTI. Revisores e autores precisam saber exatamente como as TICs podem ser usadas como ferramenta de produção de textos.
Nesse contexto, é preciso que os revisores adquiram algumas capacidades específicas, bem como sejam capazes de interagir com autores que as dominem. A necessidade básica é sabe utilizar as TICs como ferramenta para novos fins de produção, pesquisa, comunicação, resolução de problemas e contínuo desenvolvimento profissional.

Especificamente, será necessário:

  • Aplicar criticamente os princípios de integração das TICs na revisão cooperativa;
  • Desenvolver e facilitar as produção textual e revisão baseadas nas TICs;
  • Analisar e avaliar o conteúdo apropriado e contexto para o uso das TIC;
  • Utilização das TICs com eficiência na investigação, resolução de problemas e revisão baseada em projetos de produção de textos;
  • Integrar as TICs adequadamente em atividades de produção e revisão.

Como a cognição é ou não é especificada, assistida, ou restrita pelos fatores socioculturais, constitui a questão teórica e metodológica central para o desenvolvimento futuro da ciência cognitiva. No contexto multicultural, essas formas de revisão cooperativa remota revisões cooperativas remotas podem crescer ainda mais e se tornarem mais complexas, tomando em conta aspectos linguísticos e culturais características característicos das representações cognitivas que lhe forem inerentes, inclusive passando pelas inserções dos envolvidos em socioweres e mídias sociais.
A velocidade do intercâmbio eletrônico, maximizado pelo partilhamento compartilhamento em tempo real, melhora a eficiência do processo de produção e revisão, na medida em que promove o reprocessamento semântico na revisão, permitindo que o produtor possa receber retorno sobre o texto e as propostas de interferência, confrontando suas ideias às de seus pares, como membro de um ambiente social que aumenta a motivação e qualidade do produto.
A internet aparece como “mídia por excelência” e, como tal, pode ser descrita como um “sócio-ware”, um ambiente mediando escrever e co-escrever, em ampla gama de interações cooperativas que têm contribuído para o surgimento de um novo paradigma da cognição. Sociowares são ambientes mediados por computador (CMEs) para apoiar a comunicação, o conhecimento e processos sociais que aceleram interações cooperativas virtuais. O inquérito e a resposta à informação, a disseminação de ideias e a rede social são exemplos de interações cooperativas virtuais. A proliferação de home pages e blogs pessoais, com linkagens cruzadascruzamento de links de páginas da web por pessoas que compartilham interesses comuns, fez o processo de exploração na web (a navegação) uma experiência social. Tal experiência, aparentemente intrínseca e recompensadora, pode ser caracterizada como serendipismo e não necessariamente orientada para tarefas (como no grupo de trabalho tradicional).
Essas aberturas do âmbito da revisão de textos devem possibilitar lançarem-se as bases para experiências de contexto digital que levem em conta tanto os contextos locais, ou seja, específico para uma cultura e um sistema de valores e usos das ferramentas cognitivas internas, a linguagem, a escrita e os textos, mas também das ferramentas externas – os recursos da informática. Essa adaptação aos valores e contextos locais se encaixa em novos campos de pesquisa e novos resultados textuais de processos cognitivos interagentes.