14 de abril de 2017

Teoria e prática da revisão de textos

Estamos preparando um novo livro sobre revisão de textos – brevemente estará nas melhores casas do ramo.

Esperamos que a obra venha à luz ainda este ano! Apresentamos a seguir um apanhado geral do conteúdo de nosso trabalho. Boa parte do texto é originário deste blog, mas tudo terá sido reescrito, passará por revisões cruzadas entre os autores e virá anotado com fontes e bases teóricas bem documentadas!

Conceitos gerais e múltiplas definições

Aguarde nosso livro teórico-prático sobre revisão de textos.
Em breve você poderá obter nosso
livro sobre revisão de textos
Fica posto que nossa pretensão será estabelecer um diálogo entre pares, de revisor para revisor. Seja a lição do revisor mais experiente para o menos calejado, ou o contrário disso – os autores somos um bem jovem e outro um tantinho maduro – a proposta será sempre a da troca de informações, pois todos temos a aprender uns com os outros. Esperamos que, dos comentários, críticas e dos equívocos nesta obra, que nos forem apresentados por nossos pares, também possamos tirar muito proveito. Certamente, já temos nossa parcela de proveito com a ordenação de ideias que a organização dos tópicos e a redação aqui proporcionam, mas as contribuições que advierem serão de enorme valia.
Boa parte do que está aqui escrito, coletado ou adaptado, o foi para ir primeiro ao blog e, depois, readaptado, reelaborado, aprofundado para ir a prelo. Não incluiremos neste livro nenhuma lição de gramática, dicas de redação, de formatação ou de negócios, exceto quando minimamente necessárias para a discussão ou partilha de experiência. Há muitos gramáticos na praça e não pretendemos invadir a seara deles. Há muitos linguistas; aqui, somos revisores de textos. Consultores de negócios, então, proliferam como cogumelos ou artigos indefinidos.
O apreço ao detalhe, a atenção à minudência, a bagagem de erudição e o hábito arraigado da leitura formam o revisor. Isso tudo se constrói com tempo e com prática. Nenhum revisor novo tem o arcabouço completo, nenhum revisor maduro fecha o ciclo de crescimento. Todo dia surge uma palavra nova, uma construção diferente, uma dúvida a mais a ser sanada. Sempre há uma forma melhor de expressar qualquer ideia, pois somos seres em evolução e o processo comunicacional evolui, permitindo-nos o desenvolvimento social e humano.
Trabalhar com a língua é buscar conhecer aquilo que permite o contato entre as pessoas, é colaborar na comunicação entre os indivíduos e as épocas, pois o texto impresso ou manuscrito atravessa as eras e supre parte da necessidade de representar as gerações que antecedem junto às que se sucederem.
O livro que vamos lançar será uma obra aberta, em aberto, e inconclusa; à medida que mais houver a ser acrescentado, será – e tem sido: este trabalho é sucedâneo de outro mais modesto que o precedeu, na mesma linha. É uma possibilidade que nos abre textualidade sempre rediviva dos produtos auxiliados pela informática: pode-se estar sempre atualizando o arquivo a ser vendido, faremos atualizações esporadicamente. Esta obra não será um perfectum, senão o mais patente infectum. Está em construção. Fica aqui a placa: esta obra está em obras! Vamos ficar gratos pela sua leitura.
Apresentaremos lá dois modelos cognitivos de revisão: o primeiro consiste na especificação dos processos de revisão e compreende dois componentes: (i) o processo de revisão propriamente dito, que inclui a leitura para avaliar, a seleção de estratégias e a execução da revisão, e (ii) os conhecimentos que intervêm no processo, que incluem a competência linguística formal, critérios de planificação e de definição de gêneros textuais, representação do problema e procedimentos de revisão; outro modelo enfatiza o papel da metacognição e da memória no processo de revisão e integra, também, dois componentes: (i) o contexto da tarefa, compreendendo as dimensões retóricas e pragmáticas (assunto, público-alvo e importância) e a representação do texto realizado em processo de revisão nos elementos discursivos e léxico-sintáticos; e (ii) o sistema cognitivo-metacognitivo que se divide em memória a longo prazo e memória de trabalho.
De modo geral, se compreende revisão de texto como fazer as correções ortográficas e sintáticas no documento e, em alguns casos, aplicar-lhe as normas editoriais; a preparação do texto já é entendida como interferência mais densa, implicando cortes e inversões estruturais, modificações de critérios e tratamentos ao longo de todo o trabalho. Existem concepções diferentes de revisão de texto, sendo possível agrupá-las em três grandes conjuntos: (i) a revisão entendida como uma alteração efetiva, porque visível, no texto; (ii) a revisão como componente do processo de escrita cujo objetivo é o de tentar melhorar o texto já escrito ou ainda em elaboração; e (iii) a revisão como componente de controle da produção escrita.
Cada tipo é mais complexo e aprofundado que o anterior, mas o que está contido em cada uma delas não é muito bem definido; nós trabalhamos com o conceito de revisão acadêmica que, simplificadamente, significa que faremos todo tipo de interferência resolutiva que for necessária e apresentaremos as sugestões que entendermos agregar valor e legibilidade ao texto.
A revisão não é entendida apenas como mudanças no texto, mas considera que o processo pode ser concluído sem levar necessariamente a correções ao texto que foi escrito e recorre constantemente à memória de longo prazo, que se divide em dois estamentos: (i) a instância cognitiva, que assegura a interação entre conhecimentos (temáticos, linguísticos, discursivos e avaliativos), estratégias necessárias ao processo de revisão e representação do texto em processo de revisão; e (ii) o campo metacognitivo que compreende modelos de conhecimento e compreensão das estratégias.
No que concerne aos elementos objetivos de revisão, há uma taxionomia de alterações de revisão baseada em considerações como: se nova informação ou construção é trazida para o texto, ou se informação é removida, de maneira que não possam ser recuperadas pelas inferências. A partir dessa confrontação, o revisor, após elaborar um diagnóstico dos problemas no texto produzido, seleciona, modifica ou cria estratégias de revisão, para, finalmente, aplicar as revisões do texto representado ao texto produzido.
Quando se trata de revisão de dissertação ou tese – bem como qualquer texto igualmente longo e complexo, a necessidade e a aplicação desses princípios são ainda de maior importância. As sucessivas alterações ao escrito não invalidam a existência de uma revisão final, quando o texto se encontra no limiar da sua existência como produto. Identificam-se como principais estratégias de revisão do texto as operações retrospectivas: movimentos contínuos entre o texto já escrito e o texto que se vai gerando, sendo esse fenômeno onipresente na escrita e na revisão. O retorno ao texto pelo revisor prende-se, sobretudo, a motivações pragmáticas: a revisão do documento consiste em introduzir nele modificações no sentido de conferir maior comunicabilidade e mais usabilidade.

Ofício de revisar textos

O revisor também é animal cultural, pois a revisão faz a transição da cultura de um (o autor) para outra cultura de outro (o leitor) e, como todos fazem parte da comunidade – como núcleo social em sentido mais lato – e revisão tem a ver com as pessoas que são parte da comunidade (estrita) e com as pessoas que não pertencem àquela comunidade; os textos servem para se comunicar dentro e fora do núcleo social do autor.
A formação do profissional do texto centra-se, já nos postulados e manuais linguísticos tradicionais, como construção da proficiência no trabalho, com a aquisição de competência gramatical, caracterizando o processo de revisão textual como uma “fiscalização” às inadequações gramaticais subjacentes aos escritos, sem refletir sobre suas implicações na construção e manutenção da textualidade e dos objetivos propostos, limitando o campo de atuação e a competência do revisor textual. Conforme o tipo de revisão em causa, que poderá não ser apenas uma revisão superficial (gramática, ortografia e composição), muito conhecida como correção e reconhecida na literatura especializada como parte mecânica da revisão, mas também uma revisão propriamente dita (com alterações textuais e contextuais suficientemente profundas para ampliar substancialmente a legibilidade do texto), sendo essa a atividade correspondente ao revisor profissional.
Por conseguinte, para o trabalho concreto de revisão, não basta que os profissionais dominem a língua como sistema funcional ou nomotético e corrijam os lapsos gramaticais no texto; é necessário também que eles adotem atitude compreensiva com relação aos valores que orientam as escolhas das formas dadas ao conteúdo textual.
Muitas empresas de revisão contratam estagiários e deixam o serviço por conta deles, o que significa que a pessoa que é contratada para revisar ou editar o texto não tem quase nenhuma experiência profissional, podendo ter muito menos conhecimento que o autor. Para realizar uma revisão de boa qualidade, além de consultar ferramentas (dicionários, gramáticas) que sustentem as correções realizadas, o revisor precisa conhecer a diversidade dos gêneros textuais, bem como saber respeitar as características estilísticas inerentes a cada autor.
Para quem se direciona a esse ofício desde a graduação, começar revisando textos de colegas – sim, de graça – pode ser um caminho; depois, aceitar trabalhos de alunos e outros cursos e fazer um estágio (claro, ganhado pouco a princípio) com algum revisor ou em uma editora, por exemplo, são caminhos que podem ser buscados.
Todo mundo já fez revisão, seja o autor que reescreve manuscrito, o palestrante que para no meio de uma frase para encontrar a palavra ou a expressão mais adequada, o diretor de uma firma que altera os termos de um contrato, ou até mesmo o secretário que esclarece uma frase de um texto que o chefe ditou. O melhor revisor de textos está ciente de que o objetivo da revisão é melhorar a qualidade da redação e, assim, seu papel de revisor é colaborativo, visando ajudar a identificar os pontos fracos do autor e os erros que ele pode ter cometido, intervindo com consciência e conhecimento de causa.

Escrita e revisão de textos

O revisor é aquele detalhista, que observa as vírgulas e acentos, que durante anos foi sempre bastante atento aos textos, que não lê um livro em paz por causa de erros de digitação, erros gramaticais, repetições e problemas de tradução.
Antes de mostrar o que propicia a textualização e a possibilidade de contribuição do revisor na construção de textos longos (as teses e dissertações estão dentre os textos mais complexos), vamos apresentar os níveis de organização do texto, depois expor a teoria de recursos, teoria para entender certas dificuldades com a escrita, inclusive aquelas presentes em estudantes de pós-graduação.
Os autores de teses, bem como seus orientadores, passam os olhos milhares de vezes sobre o mesmo texto e conhecem o conteúdo que está sendo apresentado ali; quanto ao texto propriamente, frequentemente, autor e orientador não veem mais nada, depois de tantas releituras.
Nós, profissionais de revisão, chamamos o serviço de aperfeiçoamentos que o autor faz em seu texto de autorrevisão. Por esse trabalho ser bem distinto do nosso, outro termo a que recorremos é reescrita: não há diferença de sentido entre os dois termos para nós.
O processo de revisar o texto para muitos é cansativo, monótono... e caro! Mas, se todos soubessem a importância que existe na revisão de textos, fariam sempre, e fariam com um revisor profissional experiente.
Quanto mais os revisores investirem na análise da estrutura do gênero textual em tela e de sua sequência prototípica, bem como na atenção a ser dispensada aos aspectos pragmáticos e enunciativos exigidos para o uso do gênero, mais eles observarão o quanto os modelos canônicos interferiram nos processos da escrita, em particular, e interferirão no processo de revisão.
A gramática da língua portuguesa é a bagagem para um escritor, blogueiro, redator ou estudante que tenha o português como língua materna, são as informações dos recursos da língua que já estão assimilados e inconscientemente são acessados pela memória – assim deveria ser, pelo menos, mas sabemos que a realidade é diferente – é algo que aprendemos como crianças, que não teríamos de desaprender – não se esqueça.
O trabalho para publicar em uma revista é sempre complexo e exigente, e nem sempre uma considerável redução do tempo e trabalho é alcançada com novas tecnologias na edição de artigos; os avanços tecnológicos geram qualidade e eficiência no processo editorial, mas não substituem em nenhum momento os processos intelectuais dos cérebros por trás do processo de edição: o revisor, o editor, o orientador em colaboração estreita.
A partir das três características que formam um gênero, condições específicas, estilo e construção composicional, afirma-se que o estudo da natureza do enunciado e da diversidade dos gêneros do enunciado nas diferentes esferas da atividade humana são fundamentais para os estudos da área de linguística, porque o trabalho de pesquisa com um material linguístico concreto lida com enunciados concretos que se relacionam com as diferentes esferas da atividade e da comunicação.
Todo revisor de textos é um pouco maníaco ao ler, procura erro de digitação, observa cada detalhe do texto e vê desvios sutis da norma, imperceptíveis a olhos menos treinados. Também, fica horrorizado se um romance contém um erro significativo, mesmo que não tire os méritos do resto da história.
Colocaremos algumas observações quanto ao significado atribuído ao termo coerência textual em relação a outros dois aspectos fundamentais da textualidade: a consistência e coesão, observando que ele é usado em linguística com diferentes significados. A revisão do texto é mecanismo essencial para alcançar qualidade na comunicação científica.
A revisão não é algo espontâneo, é etapa posterior ou concomitante a ser levada a cabo por profissional que supere as questões metalinguísticas que não devem ser o foco do autor, alguém que tome o texto como objeto de operações cognitivas, não como mídia – não como suporte secundário aos conteúdos nele manifestos.

Como escrever textos longos

A cada fase da evolução do texto acadêmico, o autor o submete ao orientador, a algum colega ou leitor crítico, ou o próprio autor relê sua produção e se estabelecem os objetivos, critérios e restrições para a tarefa de reescrita; o autor passa à avaliação de seu texto-rascunho.
O domínio da língua escrita advém, em boa parte, mais da capacidade de reescrita: localizar seus erros e repará-los – que da capacidade para escrever tudo sem erro diretamente! Mas é também verdade que, à medida que o autor reescreve de forma eficaz e aperfeiçoa seu conhecimento linguístico, ele automatiza processos que se tornam aplicáveis em textos ulteriores.
Nesse processo de aperfeiçoamento do escrito e das escrituras, há ainda a interferência e a colaboração dos revisores profissionais de textos, que indicam aos autores os problemas e, mais que promover ajustes naquele produto, propiciam também aperfeiçoamentos na redação autoral que serão sucessivamente implementados nas produções seguintes.
Autores experientes e inexperientes frequentemente usam a estratégia de ignorar determinados problemas dos textos baseados em um destes dois critérios: 1) “ignorar esse problema não criará confusão para o leitor”; ou 2) “encontrar uma solução para esse problema é muito difícil e não vale o esforço”.
Tal aspecto, por si, explica parcialmente porque aprender a língua escrita pode parecer com aprender a falar uma língua estrangeira! Deve-se estar consciente do fato de que sempre sobram erros linguísticos em seu trabalho escrito – sejam poucos ou muitos! Hoje se sabe que é quase impossível escrever sem cometer desvios das normas ou lapsos, pela simples razão de que é impossível dividir a atenção entre o conteúdo (expressão e gestão das ideias) e a forma (transcrição gráfica apropriada).
A atividade do revisor tem certa semelhança com o papel do professor de redação, mas em estágio mais elevado, pois trata-se de oferecer recursos e alternativas que ampliem o cabedal do autor, não de lecionar para ele; o autor se esforça para definir de modo mais esclarecido a natureza do problema detectado no texto.
O subprocesso de avaliação da produção é o momento da reescrita em que o autor ou seu orientador lê o texto com três objetivos: compreender, avaliar e definir problemas. Já a pesquisa no texto consiste em examinar o escrito para ter melhor entendimento do problema encontrado. Na reformulação, o autor, depois de recuperada a essência do texto, produz novo escrito, ou, depois de recuperado o significado de uma oração ou de um parágrafo, transforma a escrita do texto.
A leitura avaliativa é enfatizada, pois permite ao autor, na reescrita, de acordo com o problema representado no rascunho, determinar o procedimento na tarefa de reescrever. Quanto à pesquisa na memória, o processo é resgatar experiência e conhecimento relevantes para representação do problema.
É tanta coisa que estamos dividindo a apresentação em duas postagens, para não saturar o leitor! Veja a outra postagem clicando aqui! Aguardem, acreditamos lançar o livro ainda este ano!
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